Retalhos
1 Capítulo I
Notas iniciais
RETALHOS
Escrita por Coffee
Onde posso encontrar um coração sem uma única cicatriz? Aqua Timez
CAPÍTULO I
Um falcão cortou o céu com seu voo picado.
Ninguém pareceu perceber sem ser ela própria. Olhou para o céu novamente, mas ele não estava mais lá, havia sumido na imensidão.
- Olá. Feiosa.
Viu Sai atrás de si. Ele estava ainda mais branco que o normal, e com um sorriso falso no rosto. Que original, pensou.
- Oi. – Sua voz não passou de um murmuro.
Voltou a olhar para o céu, os raios solares vieram em encontro a sua visão, mas continuou a procura da ave.
- O que está procurando?
- Nada.
Olhou para o seu ex-companheiro de time, visto que agora não havia mais time sete. Naruto estava treinando para ser Hokage, e trabalhando na ANBU, Sai voltara para a ANBU, e ela virara chefe no hospital e nas épocas de pouco movimento ajudava na ANBU. Kakashi fazia mais missões do que ficava na vila.
- O que você quer Sai?
- Seu Sasuke, voltou da missão ANBU, está machucado.
- Ele não é o meu Sasuke.
- Bem que você queria, feiosa.
Suspirou contando mentalmente até dez. “Não o soque, não vale a pena”.
- Bom, ele e o sem pinto estão te esperando no hospital, tchau feiosa.
- Tchau Sai...
Desistindo de procurar a ave, virou-se e pôs-se a andar até o hospital.
[...]
Quando chegou ao hospital andou diretamente para a ala de emergências. Entrou no quarto indicado, preparando as luvas de látex nas mãos.
- Não precisamos mais de você. – A voz feminina disse.
Varreu os olhos pela sala, vendo Naruto sentado em uma cadeira, Sasuke sentado na maca com o braço enfaixado, e Karin ao seu lado, acabando de tirar as luvas brancas.
Mordeu o lábio inferior, passando os olhos por todo o corpo de Sasuke até ter certeza que não havia nada mais grave. Fez o mesmo com o corpo de Naruto.
- Eu falei para esperarmos. Mas a ruiva não deixou. – Naruto disse.
Os olhos do loiro caíram sobre si com pena. Mas que diabos...?
- Tudo bem. – Disse por fim, tentando inutilmente mostrar que não se importava.
Eu não me importo Sasuke-kun.
Por você não ter olhado para mim desde que entrei.
Por ter pedido desculpas para Karin pelo o que você fez a ela, mas não ter pedido para mim.
Eu não me importo se ela passa o tempo todo com você.
Eu não me importo...
- Eu... Vou indo então.
E antes que Naruto, ou qualquer outro presente na sala respondesse, girou os calcanhares e saiu apressada. Odiou-se por isso.
Seja forte...
“Sakura”
“Sakura”
“Sakura?”
- Sakura!
Olhou para trás, vendo Naruto atrás de si. Parou esperando que ele lhe alcançasse.
- Você está bem?
Ignorando a pergunta de Naruto, olhou para ele. – Está machucado?
- Não. – Ele respondeu, olhando para ela.
- Eu sinto muito Sakura-chan, por ter feito você vir até aqui no seu dia de folga... O braço dele estava muito ruim, eu pensei em você...
- Está tudo bem Naruto.
- Eu... Ele não está com ela Sakura-chan.
Não fale sobre isso Naruto...
- Está tudo bem.
- É ela quem fica atrás dele e...
- Ele não me deve explicações Naruto. Eu vou indo... Obrigada por se preocupar.
E mais uma vez, antes que o loiro respondesse, passou pelas portas duplas do hospital.
Sem rumo caminhou através das casas, embrenhou-se em algumas arvores que cercavam Konoha, até chegar a uma ponte que cortava o rio de Konoha. As arvores chocalhavam com o vento.
- Dia difícil?
Assustada olhou para os lados, e pode ver Suigetsu, o garoto-água sentado sobre o galho de uma arvore.
Não respondeu, colocando os braços sobre a ponte, e observando a passagem do rio. Ouviu o som dele pulando no chão, e caminhando até si.
- Pelo visto não sou o único que vem aqui para pensar.
Tentando – inutilmente — ignora-lo, viu o fluxo de água aumentar pela ação do vento. Seus cabelos se mexeram, deixando algumas mechas sobre seu rosto.
- O gato comeu sua língua? Você já foi mais receptiva.
Há oito meses, depois da guerra, Sasuke voltou para Konoha. Há oito meses ele estava de volta e ela somente o via algumas vezes na semana.
Suigetsu e Juugo vieram com ele. Foram aceitos, e agora faziam missões para Konoha. Nunca tivera intimidade com nenhum dos dois. Somente conversas profissionais, ajudava Juugo no tratamento para curar sua fúria, e curara Suigetsu algumas vezes em que voltara machucado de missões.
Sasuke estava sempre com a ruiva a tiracolo. Não que ele demonstrasse que gostasse dela, ou que eles estavam juntos, mas... Ele não deveria evita-la? Afastar-se dela caso eles não estivessem juntos...?
- O que o Uchiha fez?
Saindo de seus pensamentos, com os olhos arregalados, olhou para ele.
Como ele...?
Não era novidade que a maioria dos aldeões de Konoha soubessem que ela amara o Uchiha na infância. Na verdade eles não sabiam que ela o amara, e sim imaginavam que ela tivera apenas uma paixonite por ele. Porque afinal quem acreditaria que uma garotinha de doze anos era capaz de amar alguém?
Mas a essa altura, pensava que todos eles haviam esquecido isso. E não que achassem que ela ainda o amava para contar para Suigetsu.
- Quem te disse isso?
- Isso o que? Que você é louca por ele?
Envergonhada e claramente chateada, olhou para o lado.
- Ninguém. – Ele disse por fim, quando ela não respondeu. – Eu vejo. Sabe rosada, eu posso não conviver com você, mas... Eu vejo o quanto você o ama.
Deu um sorriso triste, desviando o olhar, tentando não encara-lo.
Ela deveria... Negar? Se ele havia visto tudo isso, sem que ninguém lhe dissesse nada, ele provavelmente não acreditaria na sua negação.
Olhou, e abriu a boca algumas vezes. E no momento que ele começou a falar novamente, olhou para os olhos dele.
- Ele estava com Karin novamente?
No momento em que ele pronunciou o nome da ruiva, pode ver dor. Havia tanta, tanta dor nos olhos violetas que a deixou sem reação.
- Você... Você a ama?
Perguntou sem jeito, desviando o olhar novamente.
- Não... É claro que não. Eu só amo matar pessoas.
Devolveu-lhe um olhar reprovador, visto que agora como cidadão de Konoha, Suigetsu estava proibido de fazê-lo.
Mesmo ele tendo lhe negado, sabia que a resposta a sua pergunta era “sim”. Mas era claro que o garoto-água jamais admitiria isso, menos ainda para ela.
- Você a ama. – Concluiu.
- Às vezes só amar não é o suficiente.
- Sei que não.
Deu um sorriso triste, desencostando o corpo da ponte.
- Vou indo rosada. Não fique triste, às vezes as coisas não são como queremos.
Sorriu triste com a forma dele de lhe consolar.
- Eu vou ficar bem.
Disse alto enquanto ele se afastava.
Eu vou ficar bem.
Eu vou ficar bem.
Eu vou ficar bem.
Repetiu para si mesmo vezes seguidas.
- Sei que sim. – Ele gritou, enquanto continuava a se distanciar.
Eu não vou chorar.
Não vou chorar.
Não mais.
Não por causa dele.
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