Resumption
3 Que venham os problemas.
Notas iniciais
Capitulo 3
Seis horas. Seis longas horas na sala de cirurgia pra tentar salvar aquela mulher. A operação era primeiramente para retirar a bala do ombro dela e colocar o dreno no pulmão para curar o pneumotórax, mas alguns minutos depois da cirurgia ter começado o raio x chegou e confirmou as costelas quebradas, dos dois lados.
Hayden queria todo o tipo de informação de como isso tinha acontecido com ela, mas os oficiais que a levaram até o hospital só disseram que foi um sequestro relâmpago e não sabiam nada mais. Isso o irritava tanto, qualquer informação do ocorrido podia facilitar seu trabalho em cem por cento.
Enquanto Hayden estava com as mãos dentro de Maia tentando localizar uma hemorragia, — provavelmente uma das costelas que tinha quebrado rasgou um órgão ou vaso sanguíneo – ele pensou em suas irmãs, Elise e Posy. Poderia ser muito bem uma delas no lugar dessa menina. Ele não tinha certeza, mas aquilo tinha cara de estupro e se aqueles caras que se diziam do governo não queriam falar o que realmente aconteceu então ele teria que procurar aqueles que ele realmente achavam que eram as autoridades de verdade.
Quase todos já haviam saído da sala de cirurgia, só tinha sobrado Hayden, duas enfermeiras, e ela: a garota misteriosa.
Hayden fez questão de fechar ela, não deixaria essa tarefa para nenhum residente. Ele olhou para o rosto da garota. Mesmo todo entubado e com alguns hematomas ele viu que a moça era muito bonita, uma beleza exótica, ele tinha quase certeza que não era americana. Faria um bom trabalho em não deixar cicatrizes nela. Por tudo que aquela garota tinha passado na mão de alguém o mínimo que Hayden poderia fazer era não deixar nenhum rastro de violência, para que ela não fosse puxada para memórias ruins.
Nunca tinha se preocupado com isso com outros pacientes.Seu trabalho era pegar alguém a beira da morte, estabilizado na cirurgia e depois sumisse, só seria possível para o paciente saber que o operou se ele pegasse o prontuário e lesse o nome do cirurgião: Hayden Wilson. Mas com ela foi diferente. Hayden queria estar perto quando ela acordasse e queria falar seu nome para ela.
10 horas depois...
Tudo doía. A cabeça, os braços, o tórax. Com certeza o tórax era o que mais doía, parecia que pegava fogo e ardia feito o inferno. Ela tentava respirar, mas também doía muito. Maia começou a ficar desesperada, e isso só fazia a ficar mais desesperada. Onde ela estava? Como diabos ela veio parar ali? Os russos! Provavelmente nem na América ela estava mais! O ar faltava, a dor aumentava. Um barulho de um bip irritante soava cada vez mais rápido e barulhento.
Passos. Ela ouviu passos, e era de alguém correndo. A porta abre e Maia entra em desespero.
Ele não era russo. Disso ela tinha certeza. Estava com um conjunto vermelho, parecia um pijama e por cima estava com um jaleco. Era um médico? Agora ela estava realmente confusa. Se os russos a pegaram, por que raios iam a trazer para um hospital?
– Você tem que se acalmar. – ele disse.
– Dói. – ela tentou dizer.
Hayden não entendeu o que ela disse, por conta da mascara de oxigênio, então ele a tirou com cuidado do rosto dela.
– Dói. – ela repetiu.
– Eu sei. – Hayden disse. – É o seu pulmão e as suas costelas reclamando. Estão muito machucados, vou pedir pra enfermeira aplicar uma dose de morfina para que a dor vá embora.
– Onde estou? – a voz sai rouca. – Quem é você?
– Você está no hospital Center trauma e eu sou o medico responsável por você meu nome é Hayden Wilson.
A enfermeira já tinha chegado e estava gerenciando a morfina para a paciente.
– São Francisco? – ela pergunta esperançosa.
– Sim.
O efeito imediato da morfina e aquela resposta do médico fez Maia sorrir, mesmo que lhe doesse a face. O alivio a dominou.
– Eu vou fazer alguns exames de reflexos para ver se ouve algum dano cerebral, mas vai ser rápido, okay?
Ela confirmou com um leve balançar de cabeça.
Os exames não duraram nem cinco minutos, e Hayden não fazia ideia de como começar o interrogatório de como ela veio parar no hospital toda machucada.
– Então, qual é o seu nome? Os homens que te trouxeram não souberam nos informar.
– Homens?
– Sim. Disseram que eram do governo, mas eu nãoa credito ser. Afinal policiais usam distintivos não é mesmo.
– Sim, eles usam.
Maia pela segunda vez suspira aliviada em saber que não foram os russos que a trouxeram para cá. Foram os garotos. Eles eram espertos o bastante para não identificarem e nem falarem de qual divisão eles eram.
– você pode me dizer seu nome? – ele pergunta. – tenho que colocar no seu prontuário as suas informações.
Ela estremece. Não sabe qual nome os garotos deram ao hospital. Aquele médico parecia curioso demais, queria informações demais. Era simpático, mas Maia não estava acostumada com toda essa transparência.
– E-eu não me lembro. – ela gagueja.
Hayden fica intrigado. Ela não teve nenhum tipo de dano cerebral, e parece estar bem psicologicamente. Parece que ela tenta esconder informações. Mais perguntas vêm a sua mente.
– Sabe quem foi que fez isso com você?
– Eu só me lembro de sentir uma queimação terrível no ombro e depois apagar. Depois disso só tenho uns feixes de memória, de homens me batendo.
Era verdade, só não podia falar que eles eram da máfia russa.
– Não se preocupe, o hospital vai acionar a policia e nós vamos descobrir quem fez isso com você. – ele promete.
– Não! – ela grita. – Não precisa, eu só quero voltar para casa. Se eu voltar pra casa tudo vai ficar bem. – diz angustiada.
– Tudo bem. Eu tenho que ir falar com o meu superior, mas já já eu volto.
– Não, por favor, não.
– Calma e vou voltar.
Hayden sai do quarto com o coração apertado. O que quer que tenha acontecido a essa garota a deixou com muito medo e evasiva. Ele tem quase certeza que ela mentiu em dizer que não saber seu nome. Um senso de proteção se apossou dele. Um dever absurdo de que ele tinha que a proteger o dominou.
Quando chegou a sala de espera os homens que trouxeram estavam espalhados no local, como se estivessem vigiando cada um que entrava e saia do lugar, como se existisse ameaça.
– Senhores. – Hayden os chama.
Somente um se aproxima. Sua pele é morena, seus traços são de um afro americano.
– Como ela está?
– Está estável, mas queixasse de não se lembrar qual é o seu nome.
Hayden observa o sorriso do homem e acha isso absolutamente estranho. Que inferno, ele acaba de dizer que a mulher não lembra o seu próprio nome e o cara sorri.
– Os procedimentos do hospital nos obrigam a chamar a policia nesses casos. Ela relata ser atacada e sequestrada.
– Não será necessário doutor, temos todo sobre controle.
– Não tem não. – ele diz ríspido. – Vocês dizem ser do governo, mas não tem nenhum tipo de identificação que comprove isso. Vou chamar a policia.
Ele se vira para ir fazer o telefonema, mas o homem o segura pelo ombro.
– Acho que você não entendeu doutor. – diz Myke. – Nós somos a policia. E se o senhor não nos deixar gerir a situação terá problemas.
Hayden se desvencilha do contato de Myke e o olha com intensidade.
– Que venham os problemas então.
Saindo com passos firmes da sala ele volta para o quarto dela. Não aguenta mais a chamar por pronomes.
– Voltei. – ele diz.
Ela não ouve, está dormindo novamente.
Hayden se aproxima e observa a garota em seu sono. Parece atormentada e perdida. Os cabelos embaraçados estão num tom de marrom tão forte que o atrai. Ela o atrai. E ali, naquela cama de hospital, sem nem mesmo saber o nome daquela estranha Hayden faz uma promessa.
– Não se preocupe. – ele sussurra ao ouvido de Maia. – eu vou cuidar de você.

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