Resumption

1 Prólogo


Notas iniciais
Enjoy

— Mas que merda!

Era a terceira vez que Maia falava aquela frase na noite, e todas às vezes foram pelo fato de ela ter saído de casa sem segurança. Ela já estava naquilo há anos e ainda não conseguia ficar vinte e quatro horas sendo vigiada, mesmo que fosse para o seu bem. Era como uma claustrofobia, todos aqueles olhos a vigiando a todo o momento esperando uma ameaça. O mais louco disso tudo era que ela nunca se sentiu segura, ao contrário, ela se sentia refém do desgraçado o tempo todo. Nunca fora livre.

Agora estava Maia andando pelas ruas de uma cidade que ela acabou de conhecer. O pior era que já estava de madrugada e a moça não fazia Ideia de como voltar para a segurança de seu novo apartamento.

— Merda, merda, merda!

Ela pensou que São Francisco nunca adormecia. Do pouco de informação sobre seu próximo endereço que ela recebeu, era que a cidade nunca parava à noite. Parece que Mike estava errado afinal.

Maia estava a procurar um telefone a mais de uma hora, mas nada. Nenhum café aberto, nem bar, nem porcaria nenhuma. Isso já estava começando a deixa-la em desespero. Ela tinha fugido da última vez, mas não sabia quanto tempo mais essa brincadeira de esconde-esconde ia durar.

Virando a esquina da rua ela finalmente enxergou um telefone público e quase correu para alcança-lo. As instruções eram claras:

Quando nos ligar use nomes falsos e nunca ligue para a residência e sim para os moveis bloqueados.

Os números saíram trêmulos das mãos de Maia, mas ela conseguiu.

Um, dois, três toques, ele atende.

— Lucas, sou eu. – ela diz depressa.

— Onde você está! Por que saiu sem a segurança!

— Eu estava nervosa! – ela grita agoniada. – Não sei onde estou, eu não sei!

— Calma. Me descreva o lugar.

Maia olha pros lados e só vê os trilhos de um bonde e paredes grafitadas. Ela descreve o lugar para Mike rapidamente, contando até os detalhes do grafite.

— Fique onde está. – ele diz rápido – já estamos chegando!

— Okay. – ele já havia desligando.

Nem cinco minutos tinham se passado ainda, mas pareciam séculos. A apreensão tomava o corpo inteiro de Maia. Ela sabia que a atitude dela de ter saído sem os garotos foi insensata e idiota, mas estava tão opressiva desde que eles chegaram que ela não aguentou. Seu perseguidor nunca tinha chegado tão perto. Em Nova Orleães, por um fio, Maia não vira mais uma estatística de queima de arquivo. Quando chegaram em São Francisco, a segurança foi reforçada ao máximo. Normalmente os garotos planejavam o sistema de segurança da casa e o da vida da moça, depois de uma semana eles saiam, dando certo tipo de liberdade, mas nos últimos dois anos, o cerco da Máfia tem ficado cada vez mais fechado em volta dela. E ela sabe o porquê. Eles estavam caindo e a culpa era dela.

Uma Mercedes para na esquina da rua em que Maia está. O coração de Maia desacelera e toda a tensão de minutos atrás se dissipa. Eles estão aqui! Maia anda com passos acelerados em direção ao veículo, querendo sair das ruas o mais rápido possível, mas a porta do carro se abre e antes dela chegar mais perto e quem sai de dentro dele não é Mike. Pelo contrário, o homem é forte e alto, com cara de poucos amigos. Sua nacionalidade é evidente para Maia, afinal são conterrâneos. Ele é russo e está armado.

— Mas que Merda! – ela esbraveja.

— Chegou sua hora vadia!

Ela tenta fugir. Tem que conseguir! Infelizmente, nem cinco segundos depois o barulho de um disparo é imitido e a dor alucinante é sentida por Maia.

A menina cai ao chão com um baque surdo. Ela é carregada para o carro pelo seu conterrâneo, mas ao contrário de antes ela não esbraveja, pois já está apagada.

Notas finais
Comentários? ^^DonaDébora^^