Lembro-me de como era, um garoto perdido pelo tempo. Aquele que, por algum motivo, foi o escolhido do Homem na Lua. Brincalhão, extrovertido, um tanto quanto metido e solitário. Costumava colocar a diversão acima de tudo, não precisava de nada daquela vida miserável ou de me importar com alguém. Não sentia emoções, sentimentos, fome, cansaço, calor ou frio... Somente o vazio.

Basicamente, eu tinha a consciência de que estava morto. E nada podia me convencer a querer viver aquela sentença.

Bem, eu estava errado.

Fui escolhido mais uma vez, lutei ao lado dos seres mais fantásticos que já existiram pelo motivo mais nobre possível, as crianças. Elas me mostraram o caminho que devia seguir, protegê-las se tornou a minha missão, meu dever, minha obrigação. Meu propósito.

Mas o destino nos prega peças.

O Homem na lua me devolveu a vida. Senti meu coração bater depois de 300 anos, foi uma sensação muito estranha. Fiquei perdido, desorientado, sozinho. De novo. Parecia que a tortura nunca ia acabar, não sabia onde estava ou com quem falar, até que esse tal de destino me levou à casa de um velho senhor. Um inventor que seguia a razão e a ciência, mas que acreditou em mim. E disse que tentaria me levar para casa, ganhei um amigo naquela noite. Passaram-se anos, e agora estou desesperado para voltar aos guardiões, quero viver protegendo aquelas crianças que me salvaram. Irônico, não? Mudei, cresci, mas não quero mais isso. Vicent está arrumando as malas, vamos para outro reino muito distante, no qual espero obter ajuda.

Eu não sei o que esperar dessa jornada, mas depois de tanto tempo venho me tornando cada vez mais humano, então estou disposto a passar por todas as desventuras possíveis para encontrar a saída desse mundo. Vicent me falou sobre o reino que vamos, disse que há muita magia, farei de tudo para encontrar as respostas que procuro nessa empreitada.

É melhor que aguarde por mim, Arendelle.

Notas finais
Essa foi uma introdução, a história começa no próximo capítulo. Obrigada por ler até aqui.

Att, Eve