Ressurreição
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Jack almoçava com Vicent junto ao restante dos funcionários do castelo. Fazia duas semanas que estava ali, e não havia visto a rainha Elsa dês daquele encontro. Durante esse tempo ele e o amigo já tinham feito vários trabalhos no castelo e no reino, conquistando cada vez mais a confiança do povo. Mas não era o suficiente, nem poderia ser. O ex guardião se questionava todos os dias sobre a rainha... Não ousava fazer perguntas a respeito da monarca aos outros funcionários, afinal, poderiam achar que ele era alguma espécie de espião ou assassino. As dúvidas pairavam sobre sua cabeça. Aqueles dias poderiam ser em vão, não podia se dar o luxo de perder mais tempo, ele precisava falar com a rainha...
Mas o quê?
Ela o chamaria de louco, traidor ou algo muito pior. Não poderia culpá-la.
Ele tinha o olhar fixo num ponto qualquer esperando o amigo terminar o almoço, sua atenção foi voltada para a porta atrás de si, quando ouviu um guarda se pronunciar.
“Atenção!” Disse ele. “Senhores Jackson e Vicent, a princesa Anna os solicita no escritório real.” Completou. Eles se encararam confusos, o quê poderia ser? O velho inventor terminou logo de comer para que, em seguida, ele e Jack acompanhassem o guarda pelos corredores do castelo.
Ficaram em silêncio durante o percurso, o ex guardião estava preocupado. O que teriam feito de errado? O fato de não saber do que se tratava o corroia por dentro. Nem percebeu quando o guarda parou e pediu para que eles aguardassem no lado de fora, entrando no escritório. Jack pôde ouvi-lo pronunciar seus nomes e, em seguida, escutou a doce voz da princesa Anna, que o pedia para chama-los. O guarda fez o que foi pedido.
Não esperou pela permissão, Jack respirou fundo e passou pela porta...
Logo se encontrando diante da família real de Arendelle.
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“Bom dia Jackson, Vicent.” Se pronunciou a princesa alegre. O ex guardião escutou Anna lhes cumprimentar, mas não pôde retribuir. Ficou alguns segundos apático. Acreditava que seus olhos estavam lhe pregando uma peça, se perguntava se estava num sonho outra vez.
Viu um boneco de neve no escritório. Ele estava perto da princesa, tinha uma nevasca em cima dele. O que era aquilo? Estava vivo? O boneco dava voltas em si mesmo, parecia estar murmurando alguma coisa.
“Bom dia Majestade, alteza!” Vicent se pronunciou empolgado, Jack viu o amigo se aproximar rapidamente do boneco de neve. “Nossa! Que estupendo!” Exclamava. “Ele é realmente de neve?” Questionou, pegando um graveto que seria um dos braços dele.
“Ei!” Disse o boneco de neve, Jack quase caiu para trás. Vicent levou um leve tapa no rosto... Do graveto. “Não vê que estou ocupado aqui?” Perguntou.
O ex guardião tentava voltar para a realidade, mas não conseguia. Acordou daquele transe ao ouvir a voz da rainha de Arendelle.
“Esse é o Olaf, e sim, ele é feito de neve.” Disse ela com um ar divertido. Jack podia estar errado, mas sentia que ela ria da sua pessoa. Direcionou seu olhar para a monarca, se questionou como não notou sua presença ali... De novo. Ela estava sentada.
“Fantástico! Como ele ficou vivo? Magia?” Perguntava Vicent. Aquela palavra roubou a atenção do ex guardião, viu Anna acenar em concordância.
“Sim.” Afirmou a princesa. “A mais bela que poderia existir.” Ela completou sorridente. Aquilo despertou mais a curiosidade de Jack.
“Não tenho dúvidas disso, Alteza!” Exclamou o velho inventor. “Se me permite perguntar, majestade, quem foi o autor dessa obra magnífica?!” Questionou.
“Ohh, pare!” Se pronunciou Olaf. “Vai me deixar sem graça!” Disse ele com uma voz mansa. A risada da rainha percorreu o lugar, Jack agora estava certo que aquilo realmente contagiava o ar. Ele tinha despertado completamente, se permitiu apreciar aquele inusitado boneco de neve assim como Vicent.
“Eu o criei.” Disse Elsa. Jack arregalou os olhos e Vicent tinha um sorriso vitorioso, era o que esperava ouvir. A rainha se levantou, caminhando em direção à eles.
Um sentimento estranho dominava a monarca. Ela e a irmã não eram bobas, sabiam que aqueles forasteiros tinham algo em mente em Arendelle. Por mais que ambas pensassem que eles não ofereciam qualquer perigo, a rainha ansiava descobrir logo o que queriam. A responsabilidade que uma rainha deve ter.
“Poder de neve.” Disse ela. Gesticulou com as mãos e diversos flocos de neve de vários tamanhos surgiram ao seu redor, Jack sorria abobalhado, agora mais do que nunca entendia a magia do encanto que North tanto falava.
“É lindo...” Deixou escapar. Elsa sorriu de canto.
“Obrigada.” Agradeceu.
“Bem!” Exclamou a princesa, atraindo as atenções para si. “O Olaf ficou correndo por aqui e acabou esbarrando na prateleira.” Disse ela apontando para o móvel caído que Jack e Vicent nem tinham notado. “Será que podem concertar?” Perguntou.
“Com certeza, Alteza.” Respondeu o velho inventor. “Irei pegar minhas coisas lá no porão.” Falou animado, ele tinha uma paixão que Jack mesmo depois de 10 anos não pode compreender. Viu o amigo saindo do escritório e, logo em seguida, a princesa se pronunciou.
“Elsa...” Disse ela. “O Kristoff está me esperando lá no porto, estou indo.” Completou se despedindo da irmã.
“Eba! Vou recuperar meu nariz!” Falou Olaf correndo para fora do escritório. As garotas e Jack riram, a princesa deu um abraço na irmã e também se retirou.
Jack mal percebeu que, novamente, estava sozinho com a rainha.
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Ele tentou, mas tentou mesmo desviar o olhar do dela, todavia, não conseguiu. Os olhos dela eram azuis demais, grandes e lindos e tão verdadeiros que era impossível parar de encará-los.
“Jack... Se lhe fizer uma pergunta, me promete dar uma resposta sincera?”
“Claro.” Disse sem nem pensar, mas não importava muito para ele naquele momento. Aqueles belos orbes... Sentia que realmente não podiam ser enganados.
“Por que estão aqui?”
Elsa se aproximou dele, o analisando. Jack cumpriria sua promessa, não iria mentir... Embora achasse que seria incapaz de fazê-lo, não para a rainha.
“Sinceramente, nem eu sei... Vim baseado no incerto...” Suas palavras soaram como um suspiro.
Eles se encaravam atentamente, cada um tentando desvendar os segredos escondidos nos olhares um do outro. Até serem interrompidos por alguém que havia chegado no aposento.
“Rainha Elsa, devo chamá-la para a reuni...” Chegou um estranho para Jack, que lia alguns papéis na sua mão até se deparar com eles. Ele usava roupas bem formais e óculos muito grandes. “A reunião.” Completou ele.
“Obrigada por me informar Kai, diga aos outros que já estou a caminho.” Disse Elsa.
O ex guardião já havia ouvido falar dele, o conselheiro da rainha. Este acenou em concordância, logo se retirando do escritório. Elsa se voltou novamente para Jack, com um brilho curioso nos olhos.
“Então se não for roubar muitas horas do seu dia, gostaria de ouvir sua história.”
“Acho que não iria acreditar nela...” Suas palavras saíram roucas.
“Pois eu acho que devia tentar.”
“Já considero como uma ordem.” Disse ele com um sorriso travesso, já fazia um tempo que não dava um desses. A rainha riu, dando em seguida curtos passos em direção à porta.
“Jack... Me promete mais uma coisa? Quando descobrir o motivo, você me conta?”
Pediu ela com um belo sorriso no canto dos seus lábios. Como se fosse contagiante, outro surgiu em Jack.
“Eu prometo.”
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