Ressurreição
16 Capítulo 16
Notas iniciais
“É um enorme prazer finalmente conhecê-la, vossa majestade!” Tomou a palavra Hakan, fazendo um gentil cumprimento a rainha.
Elsa o analisava bem. Conhecia todos os regentes de seus reinos aliados, porém, aquele era novo. Tinha ouvido falar nele apenas como o filho mais velho do rei Ferning, antigo monarca de Narvik que havia morrido a cerca de um ano. Era um homem muito digno e respeitoso, por quem Elsa realmente tinha admiração. A notícia da sua perda tinha lhe causado uma profunda tristeza. Narvik era uma terra ao extremo norte, muito gélida e desafiadora, até por isso questionava como andava o reino desde a morte do antigo rei, quem o governava tão bem. Teria a chance de descobrir naquele momento, enquanto estava diante de seu filho.
“O prazer é todo meu, príncipe Hakan.” Disse a rainha, retribuindo a gentileza.
Os olhos dele eram de um mel extremamente claro, dando um tom exótico junto ao contraste de seus cabelos negros e pele pálida. Elsa ficou intrigada ao perceber o olhar do regente de Narvik para o ministro.
“Com vossa permissão, vôs deixarei a sós, majestade!” Pronunciou-se este. “Creio que encontrará no príncipe uma companhia agradabilíssima!” Muito satisfeito, Olin fez uma curta reverência a eles, retirando-se logo do local.
A rainha tinha percebido que havia um certo acordo e entrosamento entre os dois homens, aborreceu-se um pouco pensando nas ideias que passavam pela cabeça do ministro. Todavia, enfim, estavam sozinhos.
Hakan tinha um olhar penetrante, daqueles que mostram que querem muito mais descobrir do que ser descoberto. Com uma postura elegante e um sorriso, chamou a atenção da monarca.
“Rainha Elsa, é uma honra encontrar-me nesta bela festa!” Começou ele. “Certamente não haveria forma mais digna de se comemorar tamanha união!” Suas palavras soavam mansas e seus gestos eram convidativos. Provavelmente aquela seria uma conversa longa.
“Agradeço o cumprimento, espero que esteja tendo uma noite agradável. É de fato muito bom conhecê-lo.” Comentou com sinceridade. “Meus pêsames pela perda de seu pai, ele era um grande rei. Certamente me faz falta.”
“Obrigado pelas suas condolências, majestade. Significam muito para mim!” Respondeu Hakan. “Aos olhos de todos, ele era realmente um homem... Formidável.”
A forma com a qual ele havia dito aquilo era, no mínimo, estranha. Elsa concluiu que realmente ele deseja obter muita da sua atenção naquela noite.
“Eu fiquei extremamente entusiasmado com a confirmação da vossa presença para a minha coroação!” Disse o príncipe. Era verdade, a monarca respondeu a carta de Narvik há alguns meses atrás e, agora, teria que ir visitar o reino. “Seria uma honra inigualável receber sua benção para meu reinado...”
“Se tens boas intenções com seu povo, creio que o prazer terá de ser todo meu.” Comentou a rainha.
Hakan só retribuiu com um sorriso. Aproveitando-se da música que estava prestes a começar, o príncipe dirigiu-se novamente à Elsa.
“Vossa majestade me concederia uma dança esta noite?” Perguntou. Ele olhava para a rainha de maneira calorosa, enquanto a estendia a mão aguardando uma resposta.
“Obrigada. Mas perdoe-me, eu não danço.”
Mentira.
Nos últimos anos até aprendeu a aperfeiçoar a arte. Mas não queria dançar.
Pelo menos, não com ele.
“Eu compreendo.” Respondeu, recompondo-se de maneira despreocupada. “Também não sou lá o melhor dos dançarinos... Mas, se me der a honra, talvez me conceda minha primeira dança como rei, em Narvik, no baile depois da cerimônia? Não é preciso dançar bem, na pior das hipóteses, não a deixo cair!” Convidou novamente, com humor. “Faria de mim o mais sortudo dos homens!”
O príncipe tinha um sorriso no rosto. Elsa sabia que não poderia recusar dessa vez. Ela rendeu-se, apenas acenando em concordância com graça enquanto Hakan se mostrava extremamente satisfeito.
“Não vais se arrepender, isso posso lhe garantir, majestade!” Afirmou ele. Seus olhos ainda estavam vidrados na rainha, enquanto seu brilho parecia buscar despir cada aspecto da regente de Arendelle.
Eles começaram a conversar sobre assuntos diversos, e a monarca realmente havia encontrado nele alguém de bons gestos e comportamento gentil. Porém, sua presença a intrigava de maneira pouco sutil. Tentaria descobrir quem aquele príncipe era e o que ele queria, mesmo que já desconfiasse do motivo mais obvio. Mas não, não seria tão simples.
Não seria tão sem graça.
Descobriria. Nem que, para isso, tivesse de concedê-lo uma dança.
~~~~~*****~~~~~
O sangue de Jack fervia.
O ex guardião observava a cena de longe, enquanto esmagava um garfo. Após a cerimônia, ele, Vincent, Kai e Gerda também foram para a festa de comemoração, o moreno só não espera ter algumas sensações estranhas naquela noite.
“Opa, garoto! O que foi?” O amigo perguntava ao seu lado, estranhando o comportamento. O outro só resmungou qualquer coisa, desviando a atenção.
Nem ele sabia dizer ao certo qual era o problema. Ver aquele príncipe engomadinho se aproximar de Elsa o transferiu uma raiva avassaladora. Algo que ele não era capaz de reconhecer...
Ciúmes.
Ouvia em sua cabeça. Então, era isso... Ciúmes? Concluiu que os humanos de fato tinham alguns sentimentos muito estranhos.
“Olhe, Gerda! Não é ótimo ver Elsa conversar com o príncipe Hakan assim?” O conselheiro tomou a palavra na mesa, voltando-se para a senhora.
Aquilo chamou a atenção do ex guardião. Decidiu ouvir o que a governanta das princesas teria a dizer, trocando olhares com Vincent. Sabia que aquele velho inventor também estava curioso, não perdia uma.
“Hunf!” Ela resmungou. “Eu só espero que ele não esteja atentando muito a paciência da minha pequena!” Fez um biquinho. Kai riu de incredulidade da moça, ajeitando os óculos sobre seus olhos pronto para provocá-la mais.
“Mas você não queria vê-la feliz?”
“Evidente que sim!” Respondeu, sentindo-se seriamente ofendida. “Só queria que os senhores não a empurrassem o primeiro engomadinho que aparecer. Aliás, lembro-me bem do que ela disse que faria se tocasse no assunto mais uma vez...” Foi a vez de Gerda soltar um sorrisinho vitorioso, recebendo um gole seco do conselheiro em troca.
“Ora! Mas... Ora!” Kai mostrava-se indignado, o que era um verdadeiro deleite para a senhora. “Ham... Ah! Veja bem! Vincent!” Disse, chamando a atenção do velho senhor. “Você é um homem razoável! Então, não acha que não seria melhor um herdeiro chamar a atenção da rainha Elsa? Afinal, não é difícil ver que a união econômica de um reino comercial e um produtor não seja um tanto vantajosa!” O outro apenas riu, afastando-se da conversa.
“Desculpe-me, meu caro!” Respondeu, soltando um sorriso divertido. “Acho que quanto se trata de ‘união’, são assuntos do coração que devem ser exaltados. E receio que eu não seja o melhor conhecedor desse tema para dar uma boa opinião a respeito...”
A cara do conselheiro foi ao chão, o que fez aumentar o contentamento de Gerda.
“Viu, Kai? É assim que um verdadeiro homem deve se portar!” Tomou a palavra. “A propósito, creio que a rainha está bem feliz por agora, não se preocupe. E Vincent...” Disse, voltando-se ao inventor. “Talvez queira me conceder a próxima dança?” Perguntou. O outro apenas assentiu sorridente.
Jack viu a raiva e a fúria brotarem nos olhos de Kai. Agora ele sabia bem reconhecer o ciúme. Incrivelmente divertido de se ver, nada de se sentir. De qualquer forma, concentrava-se no que havia sido dito.
Era obvio que, como rainha, esperava-se que Elsa se unisse a um algum nobre. Imaginava o quanto a pressão aumentava devido à Anna ter se casado com um “mero vendedor de gelo”. Todavia, não se preocupava com isso. Ela era uma mulher forte, não deixaria ser levada por pressões movidas a pensamentos pouco razoáveis. No entanto, sabia que a monarca faria qualquer coisa por seu reino.
Não.
Conhecia-lhe tempo o suficiente para saber que Elsa tomaria a decisão correta em qualquer situação que aparecesse diante dela. Sorriu com isso. Alargou seu sorriso ao ver o Hakan finalmente se afastar da rainha. Estava decidido. Ao final daquela noite, aramaria um jeito de se encontrar com a monarca para enfim contar-lhe todos os sentimentos que até então vem atormentando sua alma e fazendo de brinquedo seu coração. E ela tomaria a decisão que quisesse. Em meio a seus devaneios, o ex guardião foi despertado pelo amigo, que o observava há algum tempo.
“Jack...” Pronunciou-se Vincent. “Será que podemos conversar um pouco?”
Ambos pediram licença e retiraram-se da mesa, o inventor foi logo puxando o moreno para um canto, para enfim poderem conversar a sós.
“Garoto! O que está fazendo?” A feição do ex guardião denunciava sua total confusão, o que fez o amigo revirar os olhos. “Praticamente está babando na rainha Elsa! Afinal de contas, o que você quer, hein?”
Já não sabia. Melhor, não entendia mais nada.
“Respostas.” Apenas disse. Não poderia ser mais vago. Faz mais de 300 anos que ansiava respostas, não era nenhuma novidade. Queria saber quem era, porque foi escolhido, porque parou em Alesund e não na sua cidade natal, porque tudo que fizera havia o levado até ali... Muita coisa ainda. Todavia, agora, uma era mais importante. “Quero entender, Vincent...” Sua voz já soava falha. “Isso que eu estou sentindo pela Elsa... Eu preciso entender!” O amigo o olhava ainda com um pouco de indagação, mas logo transferiu para uma risada.
“Olha...” Começou ele. “Não acho que um dia qualquer se um de nós vai entender!” Disse sorrindo. “Mas se quiser mesmo assim, eu te dou meu apoio! No entanto... Você não tem medo? Só te restam dois traços azulados nos seus olhos e sua magia está acabando!”
Era algo que Jack sabia bem. Porém, aquela era a pergunta errada. Tinha medo? Com certeza. Mas a verdadeira e crucial é aquela que vem martelando na sua cabeça desde a conversa que tivera com Kristoff.
Valia a pena?
Pensando nisso, o ex guardião voltou seu olhar para a rainha, que conversava animada com os noivos ao longe. Se havia alguma coisa da qual tinha certeza, era que poderia facilmente ter os olhos repousados nela por toda uma eternidade.
Ele nem precisou dizer nada ao amigo, este percebeu o que Jack pensava e apenas lhe transmitiu um olhar caloroso.
“Tudo bem, então.” Pronunciou-se ele. “E já ensaiou o que vai dizer para a rainha?”
“Ahn... Na verdade, eu só ia contar e pronto...” Respondeu o ex guardião.
Vincent praticamente lhe deu um sermão sobre falta de prudência. Realmente, a falta de experiência o havia pego. Decidiu que pensaria mais sobre isso.
A noite caia e, com ela, a festa.
Os convidados iam se retirando para suas acomodações. Os empregados ficaram para a limpeza e, enquanto Jack o fazia, pôde observar a última integrante a sair – Elsa – subindo lentamente as largas escadas do castelo de Arendelle.
Ao mesmo tempo que forte e imponente, a monarca traçava cada degrau com uma graça inigualável. Ele mal entendia como via encanto em cada santa coisa que a rainha fazia.
Antes de chegar ao topo, o ex guardião teve a impressão de vê-la olhar levemente para trás, ter seu olhar cruzando com o dele e, com isso, ter sorrido. Mas, quem sabe?
Talvez tenha sido só impressão mesmo.
~~~~~*****~~~~~
Jack perdera a noção do tempo.
O amigo o havia meio que o apavorado e, então, deixou para a última hora e três semanas tinham se passado desde o casamento. Kristoff e Anna passariam a lua de mel em Arendelle mesmo, porque a rainha logo teria que viajar e a princesa que cuidar do reino.
No dia seguinte, Elsa viajaria para o reino do senhor engomadinho – como Jack gostou de chamar – e voltaria muito tempo depois, o ex guardião não queria esperar tanto. Teria que ser naquele dia.
Conseguiu se ocupar muito naquele tempo, estava vendo ideias para conseguir sua volta para o século XXI e para os guardiões. Até levou Vincent até o vovô Pabbie para juntar as mentes. Riu ao lembrar do amigo querendo desmontar os trols para saber do que eram feitos.
Todavia, agora Jack se concentrava no que devia fazer. Vincent havia sido chamado pelo ministro para ir até o escritório real para discutir um novo equipamento de carga. E, é claro, o moreno se aproveitaria da oportunidade para conseguir falar com Elsa.
Enfim, ambos chegaram ao aposento e foram chamados adentro. Jack suspirou aliviado quando percebeu que só havia rostos conhecidos. A princesa Anna, o ministro Olin, Olaf, o conselheiro Kai e, é claro, a rainha.
Enquanto se aproximavam, o ex guardião pôde ouvir melhor a conversa que o boneco de neve tinha com a monarca de Arendelle, rindo disso.
“Tá! Mas vai sentir minha falta messsmo?” Perguntava ele, com um olhar pidão.
“É claro que sim, Olaf!” Elsa respondia com graça e humor, depositando um beijo em sua testa. “Vincent! Jackson!” Disse ela, ao notar a presença dos homens. “Por favor, juntem-se a nós!”
E assim fizeram. Na verdade, Jack sobrava enquanto o amigo, a rainha e Olin discutiam. Ele só queria uma brecha, sussurrar para Elsa para que pudessem conversar, no mínimo marcar um encontro. Aparentemente, teria que esperar aquilo terminar. Do outro lado da sala, via Kai conversando com a princesa. Aquela viagem realmente parecia que ia demorar para fazer Anna a abandonar sua lua de mel. Sua ansiedade apenas aumentava.
Quando finalmente viu a monarca abandonar os senhores, logo se aproximou.
“Majestade...” Tomou a palavra, discreto. Logo fazendo uma reverência. “Será que podemos conversar?”
Ergueu a cabeça, por fim encontrando os olhos da rainha. Céus! Tão azuis, tão profundos que era incapaz de parar de encará-los. Justamente como se lembrava.
“Claro, Jackson.” Respondeu ela, com serenidade. “Ah, sim! Pabbie me contou que você e Vincent foram visita-lo! Isso é ótimo.”
“É verdade!” Comentou o ex guardião. Mas aquilo o intrigou.... Como ela sabia disso? “Então, você também foi vê-lo?” Quis saber.
“Fui sim. É bom visitar velhos amigos.” Respondeu Elsa. “Mas então, era isso mesmo que você queria me dizer?”
Sua voz soava despreocupada, Jack sequer notou o desvio da atenção.
“Na verdade, eu queria conversar contigo com mais... Privacidade.” Disse por fim.
A rainha arqueou a sobrancelha. Da última vez que ele a tinha pedido aquilo, passou a noite em claro vagando com o forasteiro pelas florestas de Arendelle. Achava graça pensando à qual situação aquelas palavras iriam levá-la agora.
“Tudo bem. Mas estou meio sem tempo...” Respondeu Elsa. “É rápido?”
Não
Nem tanto.
Era o que ganhava por deixar as coisas para o último minuto... O ex guardião não sabia o que fazer. Devia esperá-la voltar da viagem? Enquanto isso, poderia concentrar-se na sua principal missão. Porém, seu coração era forte o suficiente? A cada dia que se passava, Jack mais achava que não.
“É importante...” Somente disse.
Ele a encarava sério e confiante. Seu olhar era penetrante, forte, imponente. A rainha de Arendelle não soube se ficava intrigada, preocupada ou perdia todo seu chão. Eram as sensações estranhas que vinham junto à aproximação do moreno.
“Jack.... Eu....”
“Majestade!” A voz grave de Olin se arrstou pelo cômodo, atraindo a atenção dos dois. “Perdoa-me incomodá-la, mas ainda precisamos acertar uma série de medida para a vossa partida!” Completou. Elsa voltou-se para ele, acenando calmamente com a cabeça.
Realmente, estava difícil para o ex guardião.
“Hum... Jackson, será que dá para ficar para depois?” Perguntou ela.
Estava sem escolha. Apenas respondeu com um sorriso fraco, mas sincero. Era culpa sua de qualquer forma. A rainha retribuiu da mesma forma.
“Ai! Elsa!” A princesa Anna pôs-se dentro do grupo, agarrando a braço da irmã. “Como vou sobreviver aqui sem você?! Ainda há tempo de desistir!” Ela brincou e a outra riu em resposta.
“Acho que terá que dar um jeito.” Disse a monarca.
“Affs! Mas isso não é justo!” Comentou. “Enquanto eu vou ter que fazer todo o trabalho burocrático, você vai estar linda lá, saltitando pela neve de Narvik e tomando chocolate quente!” Brincou mais, arrancando mais olhos revirados de Elsa.
Todavia, aquilo havia atordoado Jack.
O que a princesa tinha falado?
“Perdão, alteza...” Disse ele, um pouco sem fôlego. “O que disse?”
“Ahn... Trabalho burocrático?” Perguntou Anna, confusa.
“Não, depois disso.”
“Saltitar na neve?”
“Mais depois!”
“Chocolate quente?” Ela já estava assustada.
“Não! O lugar!”
“Ah!” A princesa finalmente entendeu. “Narvik! Sim, o que tem?”
O ar foi tomado de vez dos pulmões do ex guardião. Sentiu um calafrio percorrer todo o caminho dos seus pés até a nuca e, com ele, o frio envolvendo todo seu corpo...
‘Jack! Eu estou com medo!’
A voz inconfundível da única lembrança que tinha invadia sua mente.
‘Tenham cuidado lá fora!’
Estava delirando. Ouvia um piano ser tocado enquanto parecia que caía num buraco negro. Não podia ser... Mil pequenas lembranças chegavam. Perdeu todo seu chão
Caiu batendo as costas na parede do cômodo, enquanto ouvia vagamente as vozes misturadas dos amigos o observavam. Não sabe por quanto tempo ficou assim. Talvez alguns segundos, até minutos. Quanto enfim pôde enxergar com clareza, era Vincent quem o segurava pelos ombros, mantendo sua cabeça erguida enquanto o encarava nos olhos.
“Jack! Você está bem?!” Perguntou ele, quase que num grito.
Todos se encontravam ao redor do moreno, visivelmente preocupados. A rainha se ajoelhou ao lado de Vincent, ela tocava levemente seu braço, aquilo era acolhedor demais.
“Jack...” Sussurrou seu nome. “O que houve?”
Com aquilo, ele parou de olhar para ela, Vincent e todo o resto. Seus orbes se encherem de lágrimas, enquanto exibia um sorriso extremamente largo e ria alto. Daqueles que viram um milagre, de pura felicidade, emoção, de quem ganhou uma vida.
“Narvik!” Ele gritou.
Meio soluçando, meio desesperado e com um brilho extremamente único. Em uns segundos, conseguiu abrir mais aquele sorriso. Mais calmo, deixou as lágrimas rolarem enquanto, finalmente, olhava pra cima e exclamava para o mundo ouvir.
“Eu sou de Narvik!”
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