Ressurreição
13 Capítulo 13
Notas iniciais
A festa continuava naquele final de tarde em Arendelle. Jack estava acompanhado de Kai, Olin e Gerda mais uma vez. Naquele momento, o ex guardião estava segurando a risada diante do sermão que a governanta dava nos dois homens.
“Sério?! Quantos anos os senhores têm mesmo?! Parecem crianças!” Falava Gerda, o ministro e o conselheiro não tinham muito o que dizer.
“Foi só um duelo de esgrima amigável, Gerda!” Argumentou Kai.
“Ah! Sério?!” Exclamou ela enquanto colocava gelo no joelho de Olin. “Depois que eu acabar com isso aqui, vou cuidar desse ferimento no seu braço!” Disse ríspida. Por fim, eles decidiram ficar em silêncio.
Ninguém se pronunciou nos próximos minutos, o que Jack achou muito engraçado.
“Olin? Kai? O que aconteceu?” De repende, ouviu-se a doce e voz da rainha Elsa. A monarca estava diante deles, com uma expressão de confusão. Todos pareciam ter ficado surpresos com a aparição dela.
“Nada que com o que precise se preocupar, querida” Se pronunciou Gerda. “Eles só foram praticar um pouco de esgrima!” As feições de incredulidade do ministro e do conselheiro foram hilárias. “Que bom que pôde vir para festa!”
“Na verdade, desci já faz um tempo. É bom estar aqui! Bom dia a todos” Disse a rainha. O ex guardião também desejou bom dia num sussurro, não sabia se Elsa tinha ouvido. “Gerda, onde esteve? Não a vi antes” Perguntou ela.
“Ah, querida. Tive que ajudar o Jack a fazer a barba! Esse garoto não sabe se cuidar!” Jack congelou naquele momento, o que Gerda tinha acabado de dizer?! Para seu alívio, a rainha só deu uma breve risada em resposta.
“Oie, gente!” Mais uma surpresa para o ex guardião, logo atrás da rainha, vinha a princesa e seu noivo. “Essa festa é incrível! Não?!” Exclamava Anna, ela estava bem emocionada. O povo decidiu fazer uma festa para seu noivado! Devia ter uma demonstração de carinho melhor que essa? A princesa acreditava que não.
“De fato, Anna! Não sabe como todo o reino está radiante!” Disse o ministro Olin.
“Gerard está certo, querida” Se pronunciou Gerda.
Jack percebeu como todos exibiam largos e verdadeiros sorrisos, perecia que Arendelle realmente estava ansiando por boas notícias. Não pôde deixar de fazer o mesmo.
Todos começaram a conversar entre si naquele momento, o ex guardião não ficou de fora. Era surpreendente como seu lado “Jack Frost” lhe dominava por inteiro certas vezes, o que ele adorava, assim como todos que gostavam de dar boas risadas. Num momento, a banda parou para começar — ao que parecia — a ensaiar uma música, a qual Jack nunca tinha ouvido durante toda aquela estadia, mas confessava que parecia ser bem bonita.
“Oh! Agora vai ser a dança de pares! Kristoff, quer ir?! A princesa perguntou animada.
“Claro, Anna!” Jack não achava que o vendedor de gelo parecia do tipo que gosta de dançar, então concluiu que havia um motivo muito melhor para aquele brilho nos olhos dele.
“Elsa, e você?” Se pronunciou a princesa novamente.
“Anna! Já me arrastou para duas rodas de dança!” Disse a rainha com graça, a outra fez uma carinha engraçada.
“Vamos, irmã! Anda muito estressada. Venha conosco!” Insistia a princesa. “Jack!” Chamou ela repentinamente, o ex guardião voltou-se para Anna, sua surpresa e confusão eram evidentes. “Será que pode fazer par com a Elsa? Por favor!”
Congelou naquele momento. Dançar com a rainha? Por que não, né?! Simples! Se bem... A ideia não era ruim. Já não tinha mais tempo, tinha que falar a verdade para a monarca... Teria que fazer isso mais cedo ou mais tarde, por fim, achou que a primeira opção estava mais em conta com a atual situação.
“Claro, princesa Anna” Respondeu. Era louco, nem sabia os passos! Ele teria que imitar os passos dos outros...
Quem mais ficou surpresa ali foi Elsa. Não via problemas em dançar com ele, mas... Bem, a rainha tinha um pressentimento estranho sobre aquilo. Já estava intrigada demais.
“Ann...”
“Vamos! Ele já concordou!” A princesa cortou a monarca, puxando-a para o centro da praça onde os pares começavam a se formar.
Anna só queria que a irmã se divertisse naquela tarde e... Bem, pelo menos ela tinha um pressentimento bom sobre aquilo.
~~~~~*****~~~~~
Jack confessava que era estranho estar diante da rainha de Arendelle, a expressão séria – porém serena – da monarca lhe intrigava. Eram tantos mistérios... Num momento de um modo, no seguinte de outro. Muitas vezes, até quando estava perto dos amigos, Elsa parecia guardar suas emoções a sete chaves. Era impressionante o quanto desejava desvendar os segredos que estavam guardados por de baixo da imagem da grande monarca de Arendelle, a rainha da neve. Será que ela lhe mostraria? Achava que não.
Jack não era o único pensativo ali. Elsa não achava que devia se importar tanto com um forasteiro – apesar de muito poucos aparecerem no seu reino – afinal, ele não poderia ameaçar ninguém. Mas... Ela sabia que Jack escondia algo. Era uma rainha, sentia-se no dever de ser capaz de perceber isso e ninguém era melhor que ela nesse quesito. Ele tinha uma expressão, talvez... Confusa? Era impressionante o quanto o encontrava dessa forma, mas, sem dúvidas, ele lhe devia algumas respostas. Que mistérios eram esses que o forasteiro parecia não querer revelar?
Ambos acabaram sendo despertados pelo primeiro acorde da Lira, assim, quando a música começou a soar todos iniciaram a dançar.
Primeiro passo a frente, com a mão de um espalmada com a do outro.
Um passo mais perto...
Jack tinha seu olhar preso no de Elsa... Olhos azuis... Tão azuis... Tão verdadeiros que era impossível parar de encará-los.
Em seguida, começaram a andar em círculos entorno daquele eixo formado pelas suas mãos.
Para um espaço mais curto...
De fato, aqueles orbes representavam um enigma. Intrigantes.
Para poder vê-la melhor...
Aquele sorriso de canto que ele exibia... A rainha sentia que já estava a contagiando.
Deram as mãos, com a de Jack acima da cabeça de Elsa para girar em torno de si mesma.
Focava no rosto da monarca, parecia tão feliz... Tão leve... Como quando tocou piano. Por que muda rápido assim? Jack estava ficando louco...
“Elsa...” Deixou escapar num sussurro. Não se condenou por isso, se sentia tão em paz que não parecia ter medo de nada.
E aclamar por seu nome...
Puxou-a para mais perto — conforme mandava a música – segurando suas duas mãos, dando dois passos para frente e dois para trás.
“Sim?” Também se pronunciou, com a voz baixa, a rainha de Arendelle. Jack não demonstrou sua surpresa, mas não esperava que ela lhe respondesse.
Num sussurro...
Agora, tinha que pensar no que dizer... Mas nunca foi do seu fetiche pensar muito.
“Uma vez... Me perguntou o que vim fazer aqui...” Dizia Jack. “Será que teria tempo para lhe explicar, majestade?” Perguntou, conduzindo-a um passo para o lado.
A melodia os rodeava, já não comandavam os próprios passos.
“Não menti no jardim, Jack. Pode me chamar só de Elsa, não vai parecer menos respeitoso” Disse encarando aqueles olhos castanhos. O ex guardião estava muito atento. “O que pretende?” Perguntou num sussurro.
Leve, misterioso...
Pararam de dançar. Ficaram no meio daquela praça, onde os outros pares ainda o faziam. Na verdade, pareciam até perdidos no meio de uma multidão.
E poderoso
“Te conterei toda a verdade!” Disse rápido, não se conteria mais. “Toda aquela que omiti desde que eu cheguei! S-só quero que me dê uma chance...” Pediu ele.
Seus olhos brilhavam, numa expectativa esperançosa e agoniante.
“Tudo bem, faça-o agora” Disse Elsa, curta e séria.
Naquele momento Jack gelou. Fazê-la acreditar na sua história não seria fácil mas, de qualquer modo, não podia fazer naquele momento.
“E-eu não posso, não aqui” Disse baixo. A rainha estava confusa. “Tenho que mostrar-lhe algo... A sós” Completou receoso.
“Jackson...” Falou a rainha, muito calma. “Tem consciência do que me pede?” Contestou ela.
Agora estava muito nervoso. Era sua única chance, não se daria ao luxo de perdê-la.
“Sei que não tenho o direito de lhe pedir nada, mas pode confiar em mim! Não tentarei lhe fazer algum mal! Prometo!” Disse ele.
O ex guardião estava orgulhoso de si mesmo, não tinha deixado seu desespero evidente para a monarca. Porém, poderia deixá-lo transbordar caso ela não lhe respondesse logo. Elsa não devia ir, sabia disso. A rainha nunca deixava sua curiosidade falar mais alto que seu bom-senso, mas... O que ele poderia fazer? Se era uma chance que ele queria, ela só esperava não se arrepender de fazer essa decisão.
“Tudo bem” Se pronunciou Elsa. Jack arregalou os olhos. “Se realmente quer fazer isso...” Disse muito séria, em seguida, soltou um suspiro. “Me encontre na torre leste, à meia-noite” Completou.
Jack não conseguia acreditar. O que teria a feito concordar? Bem, ele já não se importava muito com isso.
“Obrigado, Elsa...” Disse com um sorriso largo. Ela só deu um leve aceno com a cabeça.
“Devo voltar agora... Vejo-te mais tarde” Se despediu ela bem quando a música acabou, indo em direção ao castelo e sumindo da vista do ex guardião.
Aquela festa ainda duraria muito tempo...
Parecia que Jack não ia dormir naquela noite.
~~~~~*****~~~~~
O ex guardião estava impressionado. De acordo com o grande relógio do reino, já eram onze da noite e o povo ainda estava na praça comemorando! A energia deles era absurda! Ele ficou esse tempo todo conversando com os noivos, Gerda e Kai... Já a rainha não voltou. O ministro Olin também havia se despedido havia horas, dizendo que tinha uma reunião. Esse também devia ser o motivo da monarca.
Jack resolveu despedir-se logo do pessoal, disse que estava exausto e tinha que trabalhar pela manhã – o que era mentira já que podia fazer quase nada sem Vicent – não gostava de mentir para eles... Mas era preciso. Foi rapidamente ao porão para pegar o que precisava e, em seguida, seguiu de volta para o pátio. Assim, subia as escadarias do castelo de Arendelle.
Para sua sorte, havia poucos guardas espalhados pelos corredores, a maioria estava na festa. Ele esperava os restantes atravessarem de um lugar para outro para, assim, chegar às escadas da torre leste. Pelo menos, o que parecia ser de acordo com a bússola de Vicent.
Tinha um forte aperto no coração. Era – literalmente – o momento da verdade. Demorou alguns minutos para chegar ao topo da torre, quando finalmente acabou de subir todos os degraus, pôde ver o cômodo. Era fechado, mas havia duas enormes janelas “sem vidro”. Não parecia ser um lugar muito usado. Diante do ex guardião, estava a rainha de Arendelle, de costas.
“Elsa...” Disse ele, atraindo a atenção da monarca. Jack percebia o quanto ela estava intrigada... Consideraria isso como um ponto positivo.
“Então... Trouxe uma arma?” Perguntou ela, com o olhar voltado o velho cajado do ex guardião. Não podia imaginar o porquê de ele ter trago aquilo.
“O que?! Não!” Respondeu rapidamente. “Isso é para lhe mostrar algo!”
“Disse que me mostraria a verdade...” Falou Elsa, encarando-o com seriedade.
“É o que vou fazer!” Disse Jack, indo em direção à um velho vaso, pegando-o e indo até a rainha.
“O que é isso?” Questionou ela.
“Eu vou lhe mostrar” Disse ele segurando seu cajado com mais força.
“Sabe que me atacar é tolice” Se pronunciou a monarca, ríspida, porém calma.
“Não vou atacá-la...” Sua voz saía arrastada. “Por favor, confie em mim...” Pediu o ex guardião. Elsa nada disse, só acenou com a cabeça para ele, com um ar mais sereno. Ele sussurrou um “obrigado”, mas não achou que a rainha tivesse ouvido.
Era seu momento, sem margens de erro... Mal fazia um floco de neve há muito tempo, porém, dessa vez, seria diferente. Tinha que ser.
Concentrou toda a sua atenção naquele ato de encostar o cajado no vaso, desejava com todas as forças que um desenho de gelo ali se formasse – Elsa já estava achando que ele era louco – mas nada. Se perguntou o que ele fazia para fazer gelo e neve... Suas emoções eram sempre responsáveis pelos feitos mais significantes, talvez tinha que ser isso.
Se lembrou de quando acordou pela primeira vez como Jack Frost, dos anos que passou sozinho, de quando Sandman foi atacado, da primeira criança que nele acreditou, das emoções que sentiu quando voltou a ser humano... Tudo isso lhe vinha a cabeça.
Porém, a emoções que o dominavam agora eram a tristeza e o desespero. Deixou-as levá-lo – embora não tenha demonstrado — para fazer um desenho de floco de neve no vaso. Tinha seus olhos fechados, esperando que tivesse dado certo... Outra emoção: medo. Tinha medo de abri-los.
“J-Jack...” Ouviu a rainha pronunciar seu nome, não soube dizer o que havia na voz dela. Por fim, resolveu olhar.
O desenho estava lá... Mais — ao que parecia — poucos flocos de neve. Suspirou aliviado... E cansado. Sua magia pesava muito agora que era mortal. Elsa estava pasma. Ela não deixava mais seu poder escapar... Mas nem isso seria solução! Enquanto Jack tinha os olhos fechados, viu-o criando aquele desenho e os flocos.
“O que foi isso?!” Perguntou a monarca, sua voz estava falha.
“Tenho que lhe contar a verdade...” O ex guardião se pronunciou. “Eu vim até aqui... Para te encontrar...” A rainha não podia estar mais confusa.
“Bem, me encontrou...” Disse ela, com um semblante sério. “Agora... Por quê?
~~~~~*****~~~~~
Jack se divertia com o pensamento de que Elsa teria se arrependido de ter perguntado. A história levou tempo demais, tinha medo... De muita coisa. Ela o chamaria de louco, traidor, mentiroso ou qualquer coisa pior... Tais pensamentos o assustavam.
Quando finalmente terminou, esperou pela resposta da rainha, que ficou pensativa por muito tempo.
“Realmente foi por isso? Quer minha ajuda?” Questionou a monarca.
“Sim...” Respondeu num sussurro. A expectativa o matava.
“Humm, creio que posso ajudá-lo...” Disse ela. Jack gelou. Ela acreditou nele? Era incrível... “Bem, não eu. Uns velhos amigos” Completou a rainha.
“E-então confia em mim?!” Exclamou ele extasiado. Ela deu um sorriso de canto.
“Sim...” Também sussurrou. “Ficamos aqui por muito tempo. A festa já deve ter acabado... Venha!” Chamou ela, indo em direção às escadas.
“Aonde vamos?” Quis saber o ex guardião.
“Na biblioteca. Acho que lá tem um mapa...” Respondeu ela.
Eles desciam o primeiro degrau, quando Jack resolveu se pronunciar.
“Elsa, mais uma coisa...” Disse ele, abortando a monarca. “P-por quê? Por que confiou em mim?” Questionou ele. Estava confuso, ela não tinha que ouvir só uma palavra dele...
“Pode me chamar de louca...” Falou a rainha, dando uma curta risada. “Mas resolvi acreditar em você, Jack Frost”
Fale com o autor