Notas iniciais
Olá pessoal! Senti uma saudade imensa de vocês. Sei que faz tempo que não posto a história, mas eu tive muitas coisas para fazer, envolvendo a escola, principalmente, que me impediram de escrever. Porém as férias chegaram e prometo (sim, prometo) que até o final da fic (que está acabando), vai ter capítulo novo a cada semana. Muito obrigada à todos que estão esperando pacientemente (ou não) o capítulo, e um obrigada especial à linda Wendly Pontes por ter recomendado a história de uma forma maravilhosa. Espero que gostem!

Liv

Nos primeiros cinco minutos, pelo menos, ficamos assistindo à Zeke apanhar. É horrível, ele não tem a mínima chance de se defender. Mesmo assim, ele tenta não emitir o menor som, porque ele sabe que estamos assistindo. Ele sabe que Shauna está assistindo.

— Como ela está conseguindo transmitir isso?! — Tobias grita para Peter, que já pegou seu próprio computador e começa a trabalhar.

— Não sei! — Peter exclama. — Não deveria ser possível, mas tentarei descobrir. Cara, você acha que consegue...

Paro de prestar atenção na conversa intelectual que eles começam e volto a olhar para tela, onde Zeke ainda apanha. Hoje deveria ter sido um dia bom, um dia de vitórias, mas não, Nita precisa estragar tudo.

Então Nita se aproxima novamente da câmera.

— Já está pronto para desistir de tudo? — ela pega um celular em seu colo e coloca na orelha, e, assim que o faz, o celular de Tobias começa a tocar.

Ele atende, furioso.

— Não faça mais nada como ele ou...

— Ou o quê? — ela não fala para o celular, mas para a câmera. — Eu estou em vantagem aqui.

— Não tem o direito de fazer isso com ele.

— E você tem o direito de me expor para todo o país?

— Só disse a verdade, eles mereciam saber. Ele não merece, Zeke não fez nada.

— Ele te apoiou, e continua te apoiando, mesmo sabendo que você não está fazendo nada para ajudá-lo.

Sei que Tobias não quer fazer essa pergunta, não quer dar a Nita esse gosto, mas ele olha longamente para Shauna antes de falar.

— O que eu tenho que fazer?

— Quero o programa fora do ar — ela diz, simplesmente.

— Já gravamos mais de um programa, não posso pedir para que não coloquem no ar — ele fala com todo cuidado, sabendo que não é verdade.

— Tudo bem, então.

Ela coloca o celular em seu colo, e move a cadeira de rodas até perto de Zeke, pega outra coisa em seu colo, e — só percebo quando ela rasga a camisa que ele está usando e o sangue jorra — é uma faca.

E agora Zeke grita.

Shauna não aguenta mais assistir e se levanta, desajeitadamente, e corre como pode para longe da tela. Cara larga o que está fazendo e vai atrás dela quando Nita volta a colocar o telefone no ouvido.

— Zeke não é só seu amigo, não fazer difícil convencer a todas a sacrificar o programa por ele.

— Não é tão simples assim, o programa não tem apenas a ver comigo, outras pessoas, que sequer conhecem Zeke vão aparecer lá. Não depende só de mim.

— Então essa é sua resposta definitiva? — ela pergunta.

Tobias demora um bom tempo antes de responder.

— Precisa ter uma saída, outra coisa que eu possa fazer...

De repente, Shauna se próxima novamente da tela, mas dessa vez arranca com brutalidade todos os fios que ligam o computador, e o mesmo se apaga. Ela tira o celular da mão de Tobias, coloca no viva-voz e começa a falar:

— Deixe-me falar com ele — ela exige.

— Quem está falando? É na namoradinha dele?

— Ela mesma. Se quer que façamos alguma coisa, deixe-me falar com ele.

— Como quiser.

Esperamos alguns segundos até que ouvimos, fracamente, a voz de Zeke.

— Shauna?

— Sou eu, Z — ela faz um esforço muito grande para não chorar.

— Não me chama assim há...

— Muito tempo — ela completa. — Não vão deixar que nos falemos muito. Você sabe onde está?

— Não.

— Quanto tempo acha que aguenta?

— Por quê? — do mesmo jeito que todos nós aqui da prefeitura, ele estranha a pergunta.

Ela não responde de imediato, mas se vira para Peter:

— Você vai conseguir achá-lo?

— Posso continuar tentando, mas... Aparentemente tudo o que conheço sobre computadores não é suficiente para isso — ele abaixa a cabeça, desapontado.

— Tudo bem. — Ela respira fundo antes de continuar: — Entende que se cedermos mais às pressões de Nita ela ganha, não é?

— Escutem bem todos vocês, não deixem que ela ganhe. Prometo que vou tentar aguentar pelo maior tempo possível.

— Queria que soubesse a profundidade do que sinto por você, mas não há tempo, então teremos que nos contentar com um “eu te amo” — as lágrimas voltam a descer por seu rosto. — Passe o celular para Niita. Seja corajoso. Eu te amo.

Todos estão em choque e ninguém pergunta a Shauna o que ela está fazendo.

— Tobias?

— Não, ainda sou eu — ela limpa as lágrimas e se recompõe. — Estamos todos exaustos do seu jogo, e, a partir do momento em que eu desligar esse celular, você não vai ter nenhuma vantagem sobre nós. Muito pelo contrário, nós estaremos em vantagem.

— Então quer dizer que não liga para a vida do seu namorado? — ela ri. — Está ouvindo isso, Zeke?

— Se continuarmos cedendo às suas chantagens, não vai haver um vencedor nessa guerra, e, para o bem de todos, nós temos que vencer. Eu não estou disposta a pagar esse preço com a vida de Zeke, mas sei que ele está. Ligue apenas se for para entregá-lo de boa vontade, sem nada em troca, Nita. Amanhã, no mesmo horário, o programa estará no ar, espero que esteja assistindo.

Ela desliga o celular, e todos olhamos para ela, e choque. Zeke pode estar levando um tiro nesse mesmo segundo, ou ele pode estar sendo torturado. Nenhuma das opções do que pode acontecer com Zeke a partir de agora é boa. Não consigo decidir se Shauna é totalmente louca, ou se ela está sendo a única sensata entre nós.

— O que você acabou de fazer? — Christina dá voz à pergunta que todos estamos pensando. O que ela acabou de fazer?

— O que tinha de ser feito — ela diz, com a voz rouca de chorar, e depois se vira para Tobias. — Você ia, eventualmente, aceitar alguma coisa que ela falasse, Quatro, então depois que Zeke estivesse aqui um de nós seria raptado novamente. As pessoas que você gosta são suas fraquezas, e Nita sabe disso.

— Mas ele pode estar morto.

— E eu espero que esteja, e não que Nita fique com ele para tentar alguma coisa mais tarde.

— Eu sinceramente não sei o que fazer agora — Cara diz.

— Pode começar me levando para casa, seria possível?

— Claro, vamos — ela se levanta e Peter a acompanha.

— Vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para resolver isso, você tem a minha palavra — ele diz solenemente para Tobias.

— Obrigado — ele responde.

Nos despedimos deles brevemente e resta Christina, Beatrice, Tobias, Derek e eu.

— O que vamos fazer agora? — Derek pergunta.

— Queria ter certeza de que causamos o efeito esperado e que agora todos odeiam Nita — Beatrice diz. — Mas não posso me dar a esse luxo, ela vai encontrar outro jeito de nos atingir.

— Ela sempre encontra — digo.

Ficamos parados por um tempo, sem que ninguém diga nada, imersos em nossos próprios pensamentos. Tudo deve ficar mais fácil agora, tento lembrar a mim mesma, mas sei que não é verdade, sei que Nita não vai desistir, sei que ela tentará algo contra nós.

— Acho melhor irmos embora — falo para Derek.

— Tudo bem, vamos — ele se levanta e eu faço o mesmo.

— Liv, me ligue caso pense em alguma coisa que possa ajudar, eu não faço ideia do que podemos fazer agora.

— Pode deixar — digo. — Vejo vocês em breve.

Tobias assente e vamos embora.

Durante a viajem até meu apartamento — o que eu usava de fachada quando ainda trabalhava para Nita — fico calada. Estamos no carro que Derek conseguiu com Peter em Milwaukee, eu não faço a mínima ideia de como, e nem me importo. Ele é bem confortável, então finjo estar dormindo até chegar lá.

Porém, não sei se isso é bom ou ruim, Derek me conhece bem demais, e logo que entramos pergunta:

— Sei que não estava dormindo, o que foi?

— Não consigo parar de pensar no que pode ter acontecido com Zeke — respondo.

— Imagine Shauna, então, ela praticamente deixou ele lá para morrer — ele diz. — Não que eu ache que ela está errada, acho que ela fez o que Tobias não teria força para fazer, e o que precisávamos que fosse feito, mas mesmo assim, deve ser muito difícil para ela.

— Não tenho dúvidas — digo me sentando no pequeno sofá —, mas não é isso. Não consigo tirar da minha cabeça que ele foi pego enquanto estava indo me resgatar.

— Ele não estava só indo regatá-la, Beatrice também estava lá — ele me olha com uma expressão que não consigo decifrar —, e, não me leve a mal, mas não acredito que ele teria ido só por sua causa.

Sei que essa é a verdade, e também que é um pouco infantil da minha parte dizer que estou sentindo ciúmes, mas é exatamente isso que sinto agora. Ciúmes e talvez até um pouco de inveja.

— É sempre sobre ela, não é? — falo. — Foi ela que começou toda a luta contra as distinções de genes, ela ajudou a destruir a cidade, Nita praticamente acabou com a vida dela e mesmo assim ela consegue ser um dos principais motivos para que tudo isso acabe. E ela consegue.

— Meu amor — Derek senta ao meu lado e me abraça —, para Tobias, sim, é tudo sobre ela, e talvez para o resto de Chicago, mas isso não importa nem um pouco. Para mim, é tudo sobre você.

— Eu te amo — sorrio para ele. Derek consegue fazer com que eu me sinta o máximo. Não que eu realmente seja, mas porque ele acredita nisso.

— Eu também te amo — ele me beija levemente. — Agora você devia descansar.

Tomo um banho demorado e tento dormir, já está ficando tarde. Entretanto, enquanto Derek dorme como uma pedra ao meu lado, não consigo fechar os olhos.

Quando são quase duas horas da manhã, alguém bate na porta do meu apartamento. Acordo Derek imediatamente, e ele me olha assustado quando ouve as batidas.

— Fique aqui — ele se levanta e pega a arma na gaveta do criado mudo que fica ao lado da cama.

— Você me conhece melhor que isso — levanto-me também e pego outra arma. Onde eu estava com a cabeça quando achei normal guardar armas dentro de casa?, penso comigo mesma.

Derek já está na porta, olhando pelo olho mágico. Ele se aproxima de mim e sussurra, quase muito baixo para eu escutar.

— Mary e Rafi.

Os líderes da Fronteira. Não os vejo desde que Nita estava delegando nossos papeis em tudo isso. Parece que foi há uma eternidade, seguíamos fielmente Nita, Abby ainda estava viva.

— Sei que estão aí — Rafi fala do lado de fora. — Estamos aqui para ajudar. Abram a porta.

Derek e eu ficamos algum tempo olhando um para o outro, até que entramos num consenso silencioso de abrir a porta. No mesmo momento que ele o faz, apontamos nossas armas para eles, que automaticamente colocam as mãos para cima.

— Qual a necessidade disso? — Mary pergunta.

— Nita mandou vocês? — Derek pergunta.

— Nita? — alguma coisa no tom de voz de Rafi me diz que ele está odiando esse nome. — Não temos contato com ela há algum tempo.

— Que bom, porque ela não está no topo da nossa lista de pessoas favoritas — respondo.

— Sabemos disso — Rafi fala. — Por isso estamos aqui.

— Estávamos em Washington DC — Mary explica —, vimos vocês com Tobias.

— O que vocês querem?

— Primeiramente que abaixem as armas, depois queremos conversar.

Abaixo a arma e aponto o sofá para eles e fecho a porta, e então, com um pouco de relutância, Derek abaixa também e pegamos duas cadeiras para nos sentarmos à frente deles.

— Nita não fala conosco desde que colocou um exército GD às portas de Chicago — Rafi começa. — Mary e eu recrutamos todos os GDs que morreram naquele dia. Em nome de Nita, no caso Lauren, sempre, mas nós preparamos aquele ataque.

— Sempre me perguntei como Nita formou um exército tendo saído poucas vezes de Chicago — comento.

— Pois é, ela fez isso através de nós — Mary confirma. — E depois de tudo que aconteceu tivemos que sumir do mapa, porque tivemos pessoas de todo o país revoltadas porque enviaram seus filhos para a morte, como o homem que estava no programa de hoje.

— E os detetives de Chicago estão trabalhando duro em relação a isso, e estão chegando mais perto de nós — Rafi diz. — E onde está a mulher para quem arrumei um exército? Nita nos abandonou, e, antes de sumirmos de uma vez por todas, queremos contar algumas coisas que talvez os ajude a acabar com ela.

— Vocês vieram no apartamento de Liv fazer isso quando poderia ter ido à polícia? — Derek indaga.

— Como eu já disse, vimos vocês em Washington DC, sabíamos que não estão mais do lado de Nita, mas ainda são criminosos. Não poderíamos ir até uma delegacia ou até a base da força policial — Mary fala.

— Sabem onde Nita está? — pergunto, sem conseguir evitar lembrar de Zeke.

— Não, mas ouçam o que temos a dizer, talvez tenha importância — Mary fala e nós assentimos.

— Lembram do dia em que Anthony morreu? — Rafi pergunta.

— Difícil de me esquecer — falo.

— Pois bem, naquele mesmo dia foram presos seis rebeldes. Não foi aleatório, nem falta de cuidado deles, Nita tinha falado do seu plano conosco antes da invasão de Chicago. Aqueles homens estiveram no local onde aconteceu a cerimônia e deixaram um bilhete de Nita para Tobias, e havia uma pessoa em um prédio próximo que atirou em Anthony.

— Lembro-me de ter cogitado de onde o papel veio, mas não me lembrei disso depois — falo.

— Mas não entendo em como isso nos ajuda — Derek diz.

— O detalhe do papel foi apenas uma curiosidade que gostaríamos que soubessem — Mary diz —, o que consideramos importante é que os seis homens que se voluntariaram para ser pegos pela força policial naquele dia não são de Chicago, e não foram um dos que nós recrutamos.

— Acreditamos que eles possam ser mais próximos a Nita — Rafi completa —, e talvez eles saibam onde achá-la.

Penso por um instante e essa pode ser realmente uma informação valiosa.

— Muito obrigada — digo. — Acho que pode nos ajudar.

— Não é só isso — Mary fala.

— Vocês já têm conhecimento que os planos de Nita vão muito além de Chicago?

— Sim — Derek responde.

— Devem estar curiosos sobre o que Nita pode ter para usar contra o presidente?

— Você tem a nossa atenção — falo, inclinando-me para frente.

— Nita tem em sua posse um pen drive com uma série de arquivos que revelam verdadeiros horrores sobre as cidades experimento. Milhares de mortes com testes, condições de trabalho desumanas e tudo mais — Mary explica.

— E sabem o melhor disso? — Rafi fala. — Tudo que aconteceu tem a ordem do presidente. Isso é o suficiente para causar um escândalo, e acho que até tirá-lo da presidência.

— Se bem conheço Nita, ela deve ter guardado em um lugar que ninguém pensaria em procurar — Derek fala.

— Ainda bem que eu conheço Nita melhor que você e sei o lugar que ninguém procuraria — e então Rafi tira um pen drive do bolso.

Ficamos em silêncio por alguns segundos contemplando o que pode ser o fim dos nossos problemas. Rafi estende a mão e me entrega.

— Então é isso — Mary se levanta, seguida por Rafi. — Boa sorte.

Enquanto estamos nos despedindo, alguém abre a nossa porta. Olho, surpresa, e vejo que é Amar, com alguns soldados atrás dele.

— O que é isso?! — Rafi exclama.

Derek me olha e depois para o seu celular, que está em uma ligação com Amar. Agora entendo, Derek fez com que Amar ouvisse tudo. Ele entregou Rafi e Mary.

— Desculpe — Derek diz para Rafi e Mary —, eu não podia deixar vocês sumirem.

— Sou o Primeiro Oficial da força policial de Chicago — Amar diz —, Mary e Rafi, vocês estão presos. Vocês têm o direito de permanecer em silêncio; tudo o que disserem poderá e deverá ser usado contra vocês no tribunal.

Notas finais
E então? Espero vocês nos reviews para saber o que acharam do capítulo e do acham que vai acontecer daqui para frente. Xoxo