Notas iniciais
Olá pessoal, saudade de vocês, dos seus reviews! Semana passada minha criatividade foi passear e só voltou essa semana, então me perdoem por deixá-los esperando. Espero muito que gostem!

Tobias

— Faça isso parar! — exclamo segurando a camisa de Caleb pela gola.

— Qual o seu problema? Não estou fazendo isso! — ele responde nervoso.

Nesse ponto, os risinhos paralelos estão enchendo a sala.

— Matthew! — grito ainda sem soltar Caleb.

— Já estou trabalhando! — me viro e vejo Matthew no computador central, teclando desesperadamente.

— Solte-o — Cara diz e me viro novamente para Caleb. — Não sabe se foi ele.

Os computadores vão desligando, e finalmente jogo Caleb de volta na cadeira.

— O que foi isso? — me aproximo de Liv e Matthew novamente, com Cara ao meu lado.

— Definitivamente — Matthew diz —, seu observador está aqui. E sabia que estava vindo. Resolveu pregar essa peça. Foi um “não me procure” ou coisa assim.

— Pode descobrir quem foi?

— Acredito que não...

— Claro que pode — Cara interrompe.

— Sim, quero dizer, posso. Mas não agora.

— Eu ainda tenho que falar com David... — digo meio atordoado. — Pode descobrir quem é o desgraçado, por favor?

— Com certeza — ele diz e volta para o computador.

Deixo a sala com Liv, mas antes, lanço um olhar frio para Caleb.

— Se foi você...

— Não fui eu — ele se defende.

— Se foi — insisto —, vai pagar caro.

Do lado de fora, encontro Amar, que está indo na direção da sala que estávamos.

— Boa tarde — ele cumprimenta.

— Olá — Liv diz.

— Amar. A mesma pessoa que tinha a câmera plantada no meu escritório acabou de colocar cenas... pessoais em todos os computadores daquela sala.

— Como?! — Amar exclama. — Conseguiu saber quem foi o responsável, Quatro?

— Não, mas Matthew está trabalhando nisso.

— Bom, eu devo ir lá — Amar diz. — Já vão embora?

— Não antes de socar o idiota que fez isso — Amar me olha com reprovação. — Tudo bem, eu sei que não devia falar isso, mas não teve suas imagens íntimas no computador de ninguém.

— Relaxe, Quatro, vai ser melhor vê-lo atrás das grades.

— É, acho que sim, mas nada supera uma boa surra.

— Não está mais na Audácia.

— Eu sei — digo e sigo caminho com Liv atrás de mim.

Pergunto a um funcionário onde fica a sala de David e vamos nessa direção.

— Presumo que não queira mais chegar perto de mim depois de hoje — comento para Liv.

— Não foi sua culpa — ela diz. — Mas acho melhor mantermos nossas relações estritamente profissionais daqui para frente.

— É claro — concordo. — Eu nunca imaginaria que uma câmera...

— Ninguém imaginaria — ela me interrompe. — Acho melhor que vá até David sozinho, preciso ir lá fora e tomar um ar. Só tente não matá-lo.

— Farei o possível — digo enquanto ela entra em um corredor a esquerda, que leva a saída, e eu sigo em frente.

Bato na porta de David e ele diz que posso entrar. Ele está atrás de uma mesa de madeira. Preciso reprimir tudo o que eu sou para não perder o controle.

— Senhor prefeito! — ele me cumprimenta. — Fico muito feliz de tê-lo aqui.

— Gostaria de poder dizer o mesmo — digo secamente. — Em que posso ajudá-lo?

— Bom, eu espero que não tenha se esquecido do favor que prestei ao senhor.

— Não, não me esqueci — e nada me agrada relembrar do roubo ao Centro.

— Espero que não ache que não o denunciei e a seus amigos por bondade do meu coração, e que saiba que posso fazê-lo a qualquer momento.

— Não tem provas.

— Aí é que o senhor se engada. Tenho as imagens da câmera.

Na ocasião, Cara tinha me confirmado que não haveriam câmeras.

— O Centro não possui mais câmeras, não passam de um prédio grande que faz pesquisas sobre agricultura.

— Acha que uma sala com aquela quantidade de dinheiro não tem uma câmera? — ele diz. — E sobre sermos assim tão insignificantes... Pretendo mudar isso, não subestime o Centro, meu caro.

— O que quer dizer?

— Uma amiga minha me lembrou do que houve antes do “acidente” que apagou minhas memórias. Fiquei surpreso em saber além das mentiras que me contaram.

— Como sabe que essa amiga contou a verdade?

— Não sei, mas gostei do que ela me disse. Tenho planos de que o Centro volte a trabalhar com humanos. E com as cidades experimento.

— Qual o seu problema? — exclamo. — Quem acha que é para isso? Não tem essa escolha. Da última vez muitas pessoas acabaram mortas.

— Pois é, eu não tenho essa escolha, mas você tem. Fiquei sabendo sobre um desfile que um superior seu vai fazer na cidade, para apresentar o novo exército. A única coisa que tem de fazer é não impedir.

— Qual o seu interesse pelo desfile?

— Seus novos oficiais vão afrontar os rebeldes. Com sorte, retaliarão.

— O que você ou Centro ganham com retaliação?

— Ganhamos uma guerra.

— Desculpe — digo sem acreditar —, mas, sabe o que guerra significa? Significa luta, significa morte, significa...

— Destruição. Eu sei, eu sei. É exatamente o que quero. Uma vez que a cidade for destruída, o jeito mais eficaz de restabelecê-la é formando uma cidade experimento.

— Não vai transformar a cidade em um experimento novamente! — me levanto. — Nem tem verbas o suficiente para isso.

— Não tenho, mas talvez o próximo prefeito tenha. E sabe que, aplicando a pressão no lugar certo, o Governo pode acabar cedendo. Ainda existe muita gente GD por aí, gente como você...

— Como se atreve...

— Menos, prefeito, bem menos. Sua escolha é simples: deixe o desfile acontecer e o futuro, bem como uma possível guerra, serão decisões do destino. Impeça, e você e todos os seus amigos vão para a cadeia. Talvez o próximo prefeito seja mais maleável.

Não, não depois de tudo que fiz, não depois de tudo que Johanna fez por Chicago.

— Tudo bem, terá seu desfile, mas não garanto sua guerra, tentarei evitar com todas as minhas forças.

— Ótimo — ele sorri com satisfação. — Isso basta. A guerra não cabe a você impedir, julgo que suas forças não sejam suficientes.

— David — chamo já caminhando para a porta. — Sua amiga te contou algo sobre como matou minha namorada?

— Não — ele diz, sínico. — Mas ela me contou sobre como ela está viva, e pronta para se opor a você.

***

Logo depois de voltar, atordoado, à sala de computação, Cara me chama.

— Precisamos conversar.

— Não é a melhor hora...

— É a única hora. Vamos — ela me guia para fora da sala, até uma espécie de jardim dentro do prédio.

— Como isso é possível? — pergunto.

— Estudar sobre agricultura tem suas vantagens, você pode brincar um pouco, criar seu jardim particular.

— Você fez isso?

— Eu e alguns amigos, essa sala não estava sendo usada, então cederam para nós.

É lindo. O jardim tem flores de várias cores e pequenas plantas, todas em vasos. Por um momento, acho que posso me esquecer dos meus problemas e apenas olhar essas flores, cada uma mais linda que a outra. Mas Cara me faz voltar à realidade:

— O que foi aquilo? — ela pergunta.

— Minha intimidade na tela de todos os computadores? Também gostaria de saber.

— Não estou falando disso — ela diz. — Dormiu com ela.

— E...? — pergunto, incerto.

— E eu não sabia que já estava em outra.

— Todos vocês fizeram força para isso.

— Antes de sabermos com certeza sobre Tris — ela fala como se me reprovando. — Sabe que ela está viva, você a ama. Mas em vez disso está ficando com Liv. É meio contraditório.

— Tris não está me amando muito nos últimos tempos, ela quer me matar!

— E não está nem um pouco curioso para saber o que eu causou essa mudança nela?

— Estou, mas...

— Mas nada, Quatro! — ela exclama. — A garota que você se apaixonou, que você cuidou e protegeu morreu há cinco anos, e quando ela de repente volta, o máximo que você faz é ficar repetindo que ela quer te matar. “Ela está diferente” para cá, “ela me quer morto” para lá. Não se deu ao trabalho de procurar por ela, não quis saber por quê. Você dizia que a amava, que...

— Eu a amo! — exclamo.

— Então demonstre isso.

— Eu fiz uma promessa.

— Uma promessa? E que promessa foi essa? Não ligar caso a minha namorada volte dos mortos? — Cara ironiza. Ela deve estar muito irritada, porque isso não é típico dela.

— Proteger a cidade — digo.

— Tris está na cidade, protegê-la deve estar incluso nessa promessa.

— Você não entende, não é? — pergunto. — Cara, Tris está matando pessoas, cometendo crimes, Tris está do lado dos rebeldes! Não posso, por mais que eu queira, achá-la e perguntar o que está havendo. Preciso prendê-la, as pessoas querem justiça. Se eu achar Tris, não posso correr para seus braços, eu vou ter que colocá-la atrás de grades.

— Está...

— Libertando-a, sim — confesso. — Quanto mais longe eu estiver de Tris, menor a chance de ela não ser pega.

— Mas e se ela estiver sendo obrigada a fazer isso? Não a livraria da cadeia?

— Sei que ela não está sendo obrigada.

— Mesmo assim, quero dizer, quando descobrirmos o que aconteceu, ninguém vai achar que ela foi culpada, quero dizer, ela estava morta. Não vai ser a primeira vez que mentimos.

— Vão entregá-la — digo, me sentindo mais derrotado que nunca.

— Quem? — ela pergunta, confusa.

— Qualquer pessoa que quer ter justiça do massacre aos membros do Governo.

— Tris estava mesmo lá?

— Sabe que estava, e, mesmo que eu goste de pensar que não, sei que ela matou meu pai.

— Não temos certeza...

— Quando aquele cara disse, depois que tudo tinha acontecido, que viu que ela o matou, ninguém acreditou. Mas agora é diferente, sabemos que ela está viva. E é questão de tempo até que todos descubram.

— Sei que está tentando protegê-la, mas ainda acho estúpido.

— Decidi que ia me afastar dela o quanto pudesse quando percebi o que aconteceria se ela estivesse comigo. Seja qual foi o motivo de ela estar fazendo isso, não quero vê-la presa. Não vou suportar. Por isso tenho me aproximado de Liv, quero esquecer Tris, talvez assim ela perceba a burrada que está fazendo e fuja, eu não sei. Mas não está funcionando. É claro que Liv é linda, e que a desejo, mas amar... Não me vejo amando outra pessoa a não ser Tris.

— Isso é legal, sério. Mas não tenho certeza de que ela está melhor sem você. E você definitivamente não é está melhor sem ela.

— Não tenho escolha, Cara.

— Claro que tem, sempre teve. Até quando éramos das facções, sempre tivemos uma escolha, por mais limitada que fosse. Uma escolha pode ter transformar.

— E essa mesma escolha pode destruí-la — digo. — Mas, de qualquer forma, sei que Christina está procurando, talvez até Caleb.

— Espero que esteja certo, e que saiba que estou aqui, não importa o que aconteça, vou apoiar suas decisões. Mesmo que seja largar tudo e ir procurar por Tris — ela diz. — Tenho que voltar ao trabalho, vamos lá ver se Matthew conseguiu alguma coisa.

— Claro — digo, pegando a mão que ela estendeu para mim.

Quando voltamos à sala, Amar vem ao nosso encontro com uma expressão desapontada.

— Ele não conseguiu — ele diz, apontando para Matthew, que vem andando na nossa direção logo em seguida.

— A pessoa que estava te observando, colocou aquelas cenas para todos os computadores caso alguém tentasse procurar o programa usado para te observar — ele explica. — Enquanto as cenas apareciam, o programa era excluído. Eu vou olhar todos os computadores, mas precisarei de tempo.

— Tudo bem, Matthew — digo. — Muito obrigado, ligue caso encontre algo.

— É claro — ele sorri para mim.

Amar e eu nos despedimos de todos e saímos.

— Aquelas pessoas não vão falar nada — ele me garante. — Coloquei bastante pressão.

— Ok — falo.

Andamos em silêncio até o estacionamento e encontramos Liv sentada no capô do carro.

— Vamos? — ela pergunta. — Preciso de um banho e de algumas horas de sono para me recuperar de tudo isso.

— É claro — viro-me para Amar. — Obrigado, quando soubermos quem foi, entrarei em contato.

Amar assente, se despede de Liv e vai em direção ao carro, enquanto entramos no meu.

— Liv... — tomo coragem para começar o que já estava refletindo desde o final da conversa com Cara. — Não me entenda mal, você é linda, inteligente, e tudo que um cara pode querer em uma mulher, mas...

— Ainda não superou Tris. É, eu sei — ela não parece chocada, nem triste, está quase... aliviada.

— Tudo bem para você?

— Não posso esperar que escolha a mim em detrimento de Tris, ela foi a pessoa que amou, e ainda ama, eu fui só alguém para preencher você enquanto ela não estava, e estou bem com esse fato.

Eu discordaria, mas, depois de tudo o que passamos, é melhor, pelo menos por uma vez, deixar tudo em pratos limpos.

Depois de deixar Liv em seu apartamento, fui ao meu. Pego o celular para ligar para o hospital e saber da minha mãe assim que pego o elevador, mas ele toca antes, é Christina.

— Quatro? — ela diz, com uma voz ofegante.

— Tudo bem, Christina? — pergunto preocupado.

— Acho que sim, mas acabei de ver Tris.

Fico sem reação, e não falo nada até que ela recomeça:

— Ela estava num edifício antigo, no interior da cidade.

— Mande o endereço por mensagem de texto — desligo o celular e faço o elevador voltar a descer.

Decido, de repente, que não posso virar as costas para Tris novamente, como venho fazendo, nem esquecer que ela existe, pelo menos não antes de descobrir por que o amor da minha vida quer me matar. Quando ela estiver novamente em meus braços, posso voltar a pensar em protegê-la.

Notas finais
Vocês sabem que podem dar opiniões, certo? É sempre bom lembrar. No próximo capítulo do Tobias, se ele se encontrar com Tris, o que acham que deveria acontecer? ("ah, que eles se peguem", não, ela ainda quer vê-lo morto, então vamos com calma). Espero que tenham gostado, falem comigo nos reviews. Xoxo