Ressurgente
57 Capítulo 57
Notas iniciais
P.O.V DANIEL
— Ei, bro. Podemos conversar um segundo? — Daniel perguntou após Damon terminar a conversa que estava tendo com Tobias. Daniel quase riu, aquilo com certeza era irônico. Como dizem, o mundo dá voltas.
Damon o olhou, e os dois conversaram pelo olhar, daquele jeito que apenas pessoas que se conhecem há muito tempo conseguem. Damon seguiu-o até uma sala mais afastada e fechou a porta ao entrar.
— Então, você está trabalhando com o atual da sua ex, que por acaso também é ex dela... — Daniel ironizou. Não poderia deixar aquilo passar sem uma piadinha.
— Não enche. — Damon respondeu ríspido. — O que achou sobre a parte do Governo?
— Interessante. Acha que o cara que vem todo dia aqui ficar vigiando pode ter algo a ver com isso?- Há algum tempo, eles já haviam visto o homem se esgueirando por ali, olhando o que estava acontecendo. Como ele estava do lado de fora e não do de dentro, eles não sabiam de quem se tratava, mas ao mesmo tempo o homem não havia feito nada, só olhava. Os dois decidiram manter-se em silêncio quanto a isso, observando o homem, para ver o que ele faria.
— Talvez, é com certeza uma possibilidade. — Damon respondeu fingindo estar calmo. Daniel sabia que o irmão gostava de fingir que não se importava com nada e nem com ninguém, o que não era verdade. — Pensando bem, é uma grande possibilidade. Afinal, porque esse homem vem aqui todo dia e nem ao menos faz alguma coisa?
— Sim, mas trabalhar junto ao governo.... Eu seu que a situação é crítica, mas mesmo assim... Isso não é exatamente o que nós fazemos, não é? Na verdade, se me lembro bem, é justamente o contrário. Isso pode causar um pequeno conflito, do tipo eles podem querer nos prender, sabe?
— É um risco, confesso. — Damon ponderou. — Talvez, nós possamos combinar deixar isso tudo de lado, por um tempo. Até que isso seja resolvido. Não tem um ditado que diz que o inimigo do meu inimigo é meu amigo, ou coisa assim?
— Mas e depois? Ok, por enquanto vamos todos se abraçar e fingirmos ser amiguinhos, mas e quando tudo terminar? Cada um para o seu lado como inimigos? Quais as garantias que eles nos deixarão ir livremente? — Daniel sabia que nem dos dois queria pensar sobre isso, mas ora, pelo menos alguém ali tinha que pensar sobre o futuro, e pelo visto, esse teria que ser ele.
Não é como se ele não quisesse ajudar Beatrice. Ele queria muito, gostava dela. Mas era necessário analisar a situação mais profundamente e racionalmente, antes de tomar qualquer decisão, ainda mais uma tão séria assim.
— Podemos fazer como você disse. Cada um para o seu lado, quando acabar. — Damon o encarou. — Mas acho que você tem outra ideia sobre isso, não é?
Daniel abriu um pequeno sorriso, ele realmente tinha outra ideia. Uma que com certeza seu irmão não ficaria nada feliz em ouvir.
— Bem, acho que você já sabe que o presidente mudou, e dizem que esse novo é diferente. — Daniel ponderou suas palavras, analisando como Damon poderia reagir. — Novas propostas, nova forma de pensar. Há muitas pessoas que acreditam realmente nesse cara. Que ele possa fazer as coisas de um jeito diferente... Ele tem um grande apoio da população e isso muda muita coisa. Por outro lado, nós vamos perdendo muito desse apoio através dos anos.
— Humm. -Damon resmungou, já percebendo onde Daniel estava querendo chegar.
— Bem, um homem como esse, considerando o que as pessoas dizem sobre ele, deve ter conquistado um grande número de inimigos com outros exímios representantes da lei. Talvez, se nós conversássemos com ele, poderíamos encontrar pontos em comum do que ambos queremos para o país.
— Estou entendendo bem o que você está dizendo? Você quer se juntar ao governo agora? — Damon perguntou sarcástico.
— Não exatamente, quer dizer, primeiro teríamos que saber se o que falam sobre ele é realmente verdade. Possibilidades, bro. E não seria como se juntar ao governo. Bem, na verdade, é mais ou menos isso, mas não exatamente. Seria como se juntar a uma nova estrutura de governo e se opor, como sempre fizemos, ao antigo. — Daniel discursava empolgado. — E convenhamos meu irmão, que desde uns tempos para cá, nós perdemos um pouco da essência das ideias da revolução, perdemos a essência do grupo que nosso pai criou para defender a população da opressão. E agora, nós trabalhamos com tráfico, prostituição, assassinatos... Quem nós estamos protegendo do governo agora? Uma invasão aqui, outra ali... Mas será que de certa forma também estamos oprimindo nosso próprio povo?
Damon bocejou.
— Isso tudo parece um pouco idealista demais... Você sempre foi muito sonhador.
— Sonhos são o que movem o mundo — Daniel respondeu filosoficamente, até demais para ele. — Nós não poderíamos ao menos considerar essa possibilidade? Qual é!
Damon pareceu cansado, seu irmão deveria ter envelhecido uns dez anos nesses últimos dias.
— Vamos fazer assim, primeiro vamos tentar resolver esse pequeno problema em que nos metemos, e depois, talvez, e esse é um grande talvez, podemos pensar sobre isso. Que tal?
Daniel sabia que o irmão o estava enrolando, mas no momento era apenas isso que conseguiria dele.
— Próximos passos? — Damon perguntou,
— Vou atrás esse cara e vamos ver no que isso dá.
— Nossa, que plano maravilhoso... — Damon ironizou.
— Você tem um melhor? — Damon se calou. — Foi o que eu imaginei. Estou indo resolver essa questão, e a propósito vou levar Meg junto. Ela é boa em lidar com pessoas difíceis.
Damon sorriu.
— Então, essa é a hora em que nos separamos. Boa sorte, meu irmão.
— Boa sorte para você também — Daniel respondeu, saindo da sala.
P.O.V MEG
Christina comentava com Meg como ela achara irônico Damon trabalhando com Tobias, de forma aparentemente amigável. Meg, porém, achava que era uma ação um tanto compreensível pela parte de Damon, que faria isso por Beatrice.
— Meg, preciso que venha comigo. — Daniel entrou, ajeitando o casaco de couro. Seus olhos refletiam um brilho estranhamente felizes, não era a felicidade que estava acostumada de ver.
— Por quê? — Meg franziu a testa. Daniel pegou uma simples pistola da bainha da calça e estendeu para ela, que checou imediatamente conferindo que estava carregada (era hábito).
— O que vocês vão fazer? — Christina questionou em um misto de receio e curiosidade.
Meg já tinha se posicionado ao lado de Daniel, ela queria saber o que fariam também, entretanto não era raro Daniel chamá-la para ajudá-lo em algo e só contar na metade do caminho o que era.
— Desculpe, Christina, meu amor. — Daniel carregava um tom falsamente dramático — São assuntos confidenciais da Revolução.
— Confidenciais, é? Agora ficou interessante. — Meg riu — Então é importante?
—Bastante. E aposto que você vai adorar. — ele ri também — Mas falando sério, é importante. Seriedade, por favor.
Um som de deboche saiu da boca de Meg, fazendo Daniel revirar os olhos.
— Tudo bem, então. Mas cuidado vocês dois, ok? — Christina deu um beijo na bochecha de Daniel e apressou-se a abraçar Meg apertado.
— Ah, meu amor...— falou Daniel.
Christina riu, olhando de relance para Meg.
— Daniel... — ela revirou os olhos antes de dar uma cotovelada um tanto forte nele com um olhar levemente repreensor.
— Tanto faz. Vamos.
...
Meg ainda estava atônita para toda a informação que Daniel havia lhe despejado. Ela sabia perfeitamente quando Daniel falava sério, mesmo naquele seu típico tom desdenhoso. Trabalhar com o governo apenas parecia-lhe um plano praticamente irreal.
— E você acha que isso vai funcionar? — Meg perguntou hesitante — Quer dizer...
— Eu sei que é arriscado, mas nós iríamos precisar um dia de achar uma forma de continuar na nossa sociedade de forma relevante com ajuda popular. Estamos definhando aos poucos com a popularidade desse novo presidente. Caramba, até eu tenho certa afeição pelo sujeito, e imagino não ser o único na Revolução.
— Você planeja que sejamos como um Órgão Público? Sério isso?
— Hã, o que seremos depende parcialmente deles, então não vamos afirmar nada. Mas vamos tentar fazer o melhor possível para nós, tudo bem?
Meg assentiu, umedecendo os lábios. Imaginava se o encontro seria pacífico ou não, se chegariam a um acordo. Daniel disse que o homem os observava de forma cautelosa e sempre parecia fazer nada, por algum motivo isso fazia a espinha de Meg formigar.
— Como vamos achá-lo?
— Ele sempre aparece mais ou menos no mesmo horário e vai para a mesma direção. Não está na hora que ele aparece, mas podemos seguir na mesma direção.
Sentiu vontade de dizer algo como “ótimo plano”, todavia não o fez, apenas apertou a barra da blusa nervosamente e bufou tão levemente que Daniel nem deve ter ouvido.
O homem não estava lá.
Portanto, Daniel apontou a direção que deveriam seguir sem proferir uma palavra. O silêncio entre os dois não era mais aquele agradável e reconfortante, isso é uma coisa recorrente entre amigos, mas normalmente Daniel e Meg sempre engatavam em conversas dos mais diversos assuntos. E o fato dele estar tão absorto em seus próprios pensamentos causa essa estranheza em Meg.
Ela já estava um pouco anestesiada com as ideias de Daniel, com o otimismo que tinha em sua voz em explicar suas ideias. Era contagiante. Claro que ainda receio com trabalhar com o governo, tinha se juntado a Revolução por um motivo afinal, porém essa angústia estava sendo praticamente abafada.
Manteve os olhos atentos procurando sinal de qualquer pessoa similar ao que Daniel descrevera. Avistou ao longe um homem alto e corpulento, parecia usar roupas demais para o clima daquele dia. Não saberia ao longe dizer se batia ou não com as descrições de Daniel, entretanto ele lembrava-lhe um pouco a visão de “homem mal” do governo.
— Ei —chamou — Acho que tem alguém ali.
Daniel apertou os olhos para enxergar onde Meg apontava, era um tanto longe, ela sempre teve uma boa visão. Olhava para ele esperando comprovação que veio em seguida com um sorriso.
— É ele, com certeza.
— O que fazemos se ele não trabalhar para o governo?
Daniel suspirou.
— Trazemos ele de volta. Por que se não for isso precisamos saber porque o filho da puta está nos vigiando.
— Ele pode estar trabalhando com o Doutor. — Meg ponderou.
— Você sabe que tudo é possível — afirmou — Só esteja pronta. — colocou a mão casualmente na coronha da pistola presa em sua cintura, era uma forma de instrução pra Meg, como se ela já não soubesse.
Aproximaram devagar e de peito erguido. Assim que percebeu a presença dos dois o homem sacou a arma rapidamente.
— Uou! — Daniel disse levantando as mãos em rendição, após Mitchell sacar a arma, pronto para tentar se defender. — Calma aí, cara. Só viemos conversar.
Ajeitou a postura e coçou o queixo. Mas não baixou a arma.
— Ei!— disse Meg — Nós achamos que você e nós temos algo em comum. Será que podemos conversar em algum lugar?
O homem assentiu e finalmente guardou a arma no coldre.
— Imagino que vocês não trabalhem para aquele Doutor, certo? — ele riu seco — Com essas roupas...
Daniel respirou tão fundo que inflou o peito, fez uma careta engraçada.
— Eu me sinto ofendido.
Meg teve vontade de gargalhar, contudo mordeu os lábios, segurando-se.
— Não, não trabalhamos com aquele homem. Na verdade, somos da... — ela hesitou por um momento sentindo o olhar de ambos os homens concentrados em si com evidentes expectativas — ... somos da Revolução, e temos uma oferta para você.
O homem levantou uma sobrancelha, podia ser tanto de curiosidade quanto de deboche.
— Vocês sabem quem eu sou?
— Sabemos para quem trabalha. — a certeza na voz dela (claro que falsa) surpreendeu-o, lhe fazendo lançar um sorriso de canto.
— Se realmente sabem para quem eu trabalho e se realmente são da Revolução posso saber o que querem comigo?
— Ouça, estamos tão envolvidos quando imagino que vocês estejam no que está acontecendo em Chicago. — dessa vez Daniel desatara a falar — Queremos acabar com essas barbaridades, mas não podemos fazer isso completamente sozinhos. Eles têm um batalhão inteiro a sua disposição. Vocês podem estar passando por diferentes dificuldades e podemos ajudá-los.
Ele pareceu degustar as palavras de Daniel como se fosse um vinho realmente raro. Mordeu a almofada do dedão enquanto observava atentamente os dois jovens a sua frente, o brilho de seus olhos revelava a descrença nua e crua.
— Garoto, não fugiu de minha atenção que você não usou o nome para quem trabalho uma sequer vez e parece bem cauteloso diante a isso. Será que sabe mesmo? Além disso, qual seria o suposto interesses de vocês rebeldes em uma situação como Chicago? Como posso confiar na palavra de gente desse tipo? Ah, e pior, como sei que vocês realmente são da Revolução? Ao menos mostraram-me suas tatuagens.
Meg e Daniel estavam um pouco grogues com tantas perguntas sendo jogadas neles tão subitamente. Meg umedeceu os lábios e abriu a boca para falar, porém fechou-a assim que percebeu que as palavras sairiam gaguejadas.
— Você trabalha para o presidente. — Daniel arriscou para evitar o silêncio sem respostas qual poderia apenas piorar a situação deles — Sabemos disso.
Ele assentiu quietamente.
— Mitchell. — sua voz saiu mais rouca que o normal — Pode me chamar assim.
— E além do mais, como o senhor pode não me reconhecer? — o “senhor” saiu da boca dele como um deboche, provavelmente uma espécie de vingança vem “garoto” que lhe fora dirigido. — Sou um dos líderes da Revolução junto com Damon e Beatrice, você já deve ter ouvido falar de um deles ou de mim, Daniel.
— Damon... Já o conheço muito bem, faz parte do meu trabalho — pigarreou — Agora, Beatrice seria aquela garota que acabou de entrar na cidade, não? Ameaçaram matar um civil por hora se ela não se entregasse. Eu estava bem aqui. Seria por isso que de repente a Revolução se preocupa com algo que não seja o próprio rabo?
— É óbvio que uma de nossos motivos é Beatrice — Meg voltou a falar — Mas não é só por isso que queremos ir lá. Não por Chicago que estamos aqui. Veja bem, o seu chefe não é como o miserável que detinha o poder antes dele e vários dos nossos ideais se convergem. Nós temos poder político, assim como ele...
— Vocês estão sugerindo uma aliança, seria isso?
— Quase isso. Estamos oficialmente oferecendo nossos serviços para o governo, não de graça obviamente, em um acordo que beneficiaria ambos e principalmente o país.
Mitchell coçou o queixo pensativo. Parecia absorto em qualquer pensamento que as palavras de Meg fizeram surgir em sua cabeça. Ele estava em uma posição delicada, transbordava isso pela sua inquietação.
Meg, ansiosa pela resposta, apoiou o peso em uma perna só.
— Isso significaria que não haveriam mais invasões e vocês nos ajudariam em limpar esse país de qualquer um da raça do Doutor?
— Na teoria, sim.
— Se tornarmos pública essa nova relação poderíamos incentivar todos os outros ratos a saírem de suas tocas, mas senão poderíamos pedir para você fazerem resolverem qualquer assunto pendente. Parece um acordo razoável, e o que vocês ganham com isso?
— Dinheiro é um bom começo para um acordo. — Daniel voltou com aquele sorriso debochado ao rosto.
— Temos bastantes detalhes para acertar ainda e pouco tempo. — Meg alertou —Ouvimos dizer que tem um prazo para o Doutor que coincidentemente acaba amanhã, isso dá tempo para nos organizarmos com quaisquer forças que irá trazer.
— Não me importa como souberam da informação, mas estão certos. Eu ainda tenho que fazer umas ligações e preciso de um acordo oficialmente assinado para colocar no papel tudo o que me disseram e relatar que teremos assuntos pendentes para depois de toda essa... confusão. — suspirou, Mitchell parecia exausto — Vocês poderiam me acompanhar até onde estou? Gostaria de preparar tudo antes do sol dar a graça de sua presença amanhã.
— Contanto que não nos fuzile nos fundos de um hotel barato.
Mitchell soltou uma risada alta e estrondosa. Daniel riu orgulhoso. O homem caminhou na frente deles indicando com gestos que era para eles seguirem. Porém, apenas Meg deu alguns passos para frente antes de perceber Daniel estático.
— Posso fazer uma pergunta antes? — Mitchell soltou um “hm” impaciente como resposta — O presidente... é tudo que dizem sobre ele?
O sorriso de Mitchell foi tão largo e sincero que Meg nem acreditou nos próprios olhos, mesmo que mal conhecera o cara.
— Sabe, garoto, ele tinha muita admiração por esse movimento, a Revolução, quando era moleque. Dizia como os ideais deles pareciam ser exatamente o que esse país fodido precisava. Ele chegava a invejar a coragem de vocês por baterem de peito com um sistema tão obviamente errado que muitos aceitavam cegamente sem nem pensar muito. Não podia entrar na Revolução, óbvio, seu pai era uma figura pública importante demais para tal. Não concordava com tudo o que vocês faziam, com a forma extremamente violenta de lidar com certas, mas admirava sua organização, sua diplomacia e sua carisma de tocar cada cidadão que se sentia preso. É uma pena que a Revolução tenha perdido tanto sua essência em poucos anos. Ele, portanto, teve que fazer as coisas do seu próprio jeito. — uma pausa estendeu-se pelo silêncio — Tire suas próprias conclusões.
P.O.V BEATRICE
Ela estava tranquila. O pior ainda estava por vir ou já havia passado? Ela não sabia, mas também não se importava tanto mais. O fim estava próximo, não importava qual fosse.
Entrou devagar no prédio, ignorando a pressão dos guardas. Eles até queriam algemá-la, o que ela afirmou não ser necessário, com um aceno de mão de desprezo.
Olhou em volta, avaliando a cidade. Não estava tão ruim quanto ela tinha imaginado, já havia visto situações e lugares piores. Chicago tinha sorte, só não sabia disso. Eles podiam ter passado por maus bocados, mas lá fora, o mundo estava pior. Eles descobririam isso com o tempo, ainda estavam muito isolados do mundo.
Após subir os andares, deu de cara com o Doutor de braços abertos para recebê-la. Ela não conseguiu disfarçar a cara de nojo.
— Ah, minha querida. Estou tão feliz de reencontrá-la. — Ele comentou feliz. Se aproximando vagarosamente dela.
— Sinto muito não poder responder o mesmo. — Ela levantou os braços, mantendo a distância entre os dois. O Doutor levantou o braço, dispensando os guardas. Beatrice esperou os guardas saírem, antes de voltar a falar. — Você pode ter conseguido o que queria, mas não ache que tudo vai voltar a ser como antes.
Ele sorriu irônico e agarrou o braço dela, tentando subjugá-la. Antes ela teria se submetido, e ele ainda achava que seria assim. Compreendeu que só dizer sobre como ela não era a mesma não bastaria, deveria demonstrar.
Puxou o braço se livrando dele, enquanto o atacava com o outro braço. Ah, se ela conseguisse matá-lo ali! Tantos problemas seriam evitados! Antes que ele pudesse se defender, ela o socou no rosto, deixando um corte causado por um anel de prata pequeno que tinha no dedo.
Ele a olhou com fúria. Ah sim, agora ele havia entendido bem. Ele respirou fundo, tentando se segurar.
— Ah, querida. — ele disse, verificando estrago que ela havia feito em seu rosto. — Entendo que você esteja confusa. Passou por muitas coisas, não é? Mas não se preocupe, amanhã iremos embora daqui. Enquanto isso, darei um tempo para você refletir sobre suas futuras ações. Sua vida pode ser boa ou muito ruim, isso vai depender de você.
P.O.V TOBIAS
Já tinha se passado algumas boas horas, quando Tobias viu Damon chegar acompanhado de Christina e mais alguns outros. Christina sorriu vacilante e reconfortante para ele. Droga, ele pensou, ela agora está com pena de mim. E ele sabia exatamente o porquê: a possibilidade dele perdeu Tris de novo. Ele havia passado por momentos infernais após a morte dela, e Christina tinha visto tudo isso acontecer.
Ele não iria deixar que isso acontecesse novamente. Faria o possível e o impossível para garantir isso.
Damon, como sempre, andava de forma presunçosa, mas agora Tobias conseguia perceber outras nuances no novo aliado. Tal com Tobias, ele parecia ao mesmo tempo desolado e determinado. Os olhos dele brilhavam em uma centelha de fúria.
Eles não se cumprimentaram, não era necessário fingir que gostavam um do outro. Eles só precisavam trabalhar juntos em busca de um mesmo objetivo que era mais importante que a picuinha entre os dois.
Os dois se afastaram, deixando os outros de lado. Zeke olhou desconfiado para Damon, mas não se aproximou, deixou que eles conversassem sozinhos.
— Há quanto tempo ela já chegou? — Damon já foi logo perguntando.
— Ainda há pouco pelo que me disseram. — Tobias respondeu.
— Humm. Sei que temos de resolver os outros problemas antes, mas não me agrada imaginar ela sozinha tanto tempo com aquele psicótico.
— Nem a mim. — Tobias respondeu.
— Ah, mas você nem ao menos tem ideia...
Tobias tentou em vão entender sobre o que o outro estava falando. Será que Damon sabia de alguma coisa que Tobias não?
— De qualquer jeito, foi decisão dela. Agora só devemos seguir adiante com o plano.
— Sim. Vamos descansar essa noite, afinal, teremos um longo dia amanhã.
— Certo.
Damon já estava saindo de perto dele, quando Tobias armou o punho, o socando. Damon, surpreso, caiu.
— Isso foi pela última vez.
— Acho que eu mereci.
— Eu também mereci da última vez. — Tobias ofereceu a mão a ele, ajudando-o a levantar.
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