Notas iniciais
Boa leitura!

Petúnia se sentia vazia.

Ela muito bem sabia que possuía família, uma boa casa, um filho maravilhoso e amigos... mas nada a impedia de sentir remorso, arrependimento. O pior de tudo, mais duro que qualquer outra coisa, era a culpa. Não havia como evitar.

Ela morreu sem saber que era amada.

Lílian, sua irmãzinha. O bebê pequeno e risonho que foi posto em seus braços, tão frágil, lembrou dos choros na madrugada, de sua querida mãe cantando canções de ninar...

E logo ela cresceu. E se tornou uma menina tão linda, adorada por todos, sorridente.

Alguns anos passaram. E elas ainda brincavam, mas Petúnia suspeitava do comportamento estranho da irmã. E quando ela descobriu... Petúnia se sentiu mal.

E então o menino esquisito a roubou. Verme.

Como Lílian tinha coragem de conversar com Snape? Ele era uma aberração, ambos eram.

Petúnia possuía um sentimento agonizante, crescendo no peito. Sentia inveja da irmã.

Que vergonha, meu Deus, que vergonha.

Estavam cada vez mais afastadas. O dia se aproximava. Petúnia iria sentir saudades da sua bebezinha. Mas nunca admitiria.

Como ele ousa? Recusou seu pedido para estudar em Hogwarts.

A humilhou.

Petúnia sentiu nojo.

Sua bebezinha cresceu, e vivia por conta própria...

Lílian era uma bruxa, uma aberração!

O que seus amigos fariam com ela, se descobrissem que sua irmã fora estudar bruxaria?

Meu Deus, eles a humilhariam.

Mais uma vez.

Lílian e Petúnia, tão diferentes. Petúnia evitava sair de seu quarto quando sua irmã estava em casa, nas férias. Enquanto isso, Lílian encantava sua família com magia.

O tempo passou, e levou sua irmã.

Tão nova e já casou? Eles diziam que era amor. Petúnia sabia que era um bebê.

Sua irmã, agora casada e com um bebê. Assim como ela.

Era ordem do marido, sabia que deveria obedecer. Estava proibida de visitar sua irmãzinha. E sentia tanta saudade...

Quando leu a carta e descobriu a morte de Lílian e James Potter, ela sentiu que algo dentro dela se foi com a irmã. Petúnia estava sozinha. Nem seu filho a alegrava.

Sorria e finja estar bem! Gritava Vernon, e ela, dedicada esposa, o obedecia. Não iria perder seu filho nem o marido. Ela já tinha perdido a irmã.

Mas a sua bebezinha estava morta... era como Petúnia queria estar.

Harry Potter era a copia viva dos pais. Outro bruxo na família.

Só podia ser vingança.

Ela se sentiu mal. Aquela criança um dia cresceria e iria para o mesmo lugar que destruiu sua irmã.

E assim foi feito.

Petúnia sabia que não podia pedir perdão. Que pedisse outra coisa então...

Minha querida irmã, que sua alma descanse em paz.

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