Ressentimento
7 Capítulo 7 - Amor Único
Kyle caminhava pelo cemitério com uma pá na mão. Repetia pra si mesmo as palavras da sombra:
“Procure pelo túmulo de Jessica Riley. Ela foi a primeira namorada do Jack e a única pessoa que ele já amou. Ela morreu num acidente de carro, onde Jack foi o responsável. O sepulcro está perto do fim do cemitério.”
E lá estava ele, olhando túmulo por túmulo. Não tardou para achá-la. Pela foto viu que se tratava de uma mulher linda. Preparou-se para cavar.
“Cave e abra seu caixão. No corpo da mulher há um cordão de ouro, onde o pingente tem a forma de um coração.”
Teve um pouco de dificuldade para abrir a tampa do caixão, mas por fim conseguiu. O corpo já estava em um estado profundo de decomposição. Sua pele estava ficando esverdeada e seus cabelos brancos – que um dia tinham sidos negros.
Sobre seu vestido rosa estava o cordão. Pegou-a e, sem tampar o caixão, a enterrou novamente.
Em sua casa
O rapaz estava sentado à mesa, escrevendo uma carta.
“Pegue o objeto sentimental e leve para casa. Escreva uma carta com as seguintes frases; Oi querido Jack, há quanto tempo. Quem está escrevendo é a Jessica. Tenho observado sua vida daqui de onde estou e tenho algo a lhe dizer: não se sinta culpado pelo que aconteceu. Foi um acidente. Sempre vou te amar e espero que pare com seus atos cruéis. Vou lhe dar meu cordão especial, cuide bem dele; Este texto irá mexer profundamente com ele e abrirá uma ferida que demorou anos para se fechar. Irá ser doloroso, até demais. Até logo, meu amigo.”
Quando acabou de escrever olhou pela janela. Não demoraria para amanhecer, e mesmo se quisesse dormir, não conseguiria. A excitação era grande. Saiu de casa para observar o céu estrelado – coisa rara nesta área – e fazer tempo.
Na manhã seguinte
Jack acordou mais cedo do que de costume. Levantou-se e foi ao banheiro. Acabando de fazer suas necessidades higiênicas, ele desceu para seu “café” habitual: uma lata de cerveja. Chegou à cozinha e olhou para a mesa.
O rosto ficou enrugado e sério. Nela havia uma carta com um cordão pousada sobre ela. Ele conhecia essa bijuteria. Hesitante, ele pegou o bilhete extenso. Era de sua falecida amada, Jessica.
Ele não acreditava no que estava lendo. Uma lembrança horrível lhe veio à mente. Sentou-se na cadeira, cobriu o rosto com suas mãos e chorou.
Do lado de fora, embaixo da janela, estava Kyle. Um sorriso alegre cobria a face do rapaz. Ah, como ele se sentia bem. Tinha vontade de sair correndo pelo quintal, gritar o mais alto possível. Mas se manteve parado ali, degustando aquele choro triste, não perderia nem um soluço. Olhou para a floresta e viu alguns vultos. Agora ele sabia que aqueles eram seus amigos de verdade.
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