Responsibility
3 Que nome dar a ele?
Notas iniciais
Andava apresado pelo corredor, na verdade, corria. Algumas pessoas o olhavam de forma estranha, como se ele fosse um louco; mas claro, ele estava carregando um bebê que praticamente se esgoelava ao choro.
Ele estava quase chorando junto com o boneco, não aguentava mais. Passou apenas dois dias com ele e não conseguia nem fechar os olhos que o bebê ruivinho começava a gritar.
Entrou no lugar mais provável onde estaria o outro, na biblioteca.
Claro, as pessoas o olharam feio, mas ele nem ligou, continuou procurando pelo outro.
—Danna! – chamou sendo alvo de mais olhares.
Sasori estava sentado em uma mesa cheia de livros, os quais Deidara não deu a mínima importância. O ruivo pacientemente tirou seus óculos de leitura e encarou o outro esperando uma explicação.
—Me ajuda, ela não para de chorar, hn. – choramingou balançando o bebê escandaloso no colo.
—Tsc. – o puxou para fora do local, parando em frente à porta e pegando o bebê do colo do loiro. —Idiota, deu comida a ela?
—Sim, hn.
—Calma... – começou a balança-la junto com seu corpo.
—Ela não me deixou dormir. – suspirou cansado, sentando no chão e vendo o bebê começar a ficar mais calmo enquanto Sasori batia delicadamente em suas costas. —Como você consegue?
—Acho que ela gosta mais de mim.
—Hm! – bufou se levantando e se aproximando. —Ela devia gostar mais de mim, eu sou o pai divertido, hn.
O ruivo não respondeu, achou melhor não se rebaixar tanto. Quando o bebê parou de chorar, Deidara cruzou os braços.
—Isso não é justo, eu escolhi o nome, eu brinco com ela, eu...
—Deidara! – o ruivo o interrompeu. —Cale-se.
Sasori começou a andar pelos corredores, chamando atenções. Deidara percebeu que algumas garotas sorriam com os olhos grudados no ruivo e no bebê com um vestido rosa.
—Danna, você chama muita atenção. – resmungou entrando na sala de aula junto com o mais velho. —Aquelas garotas ficam te olhando como se quisessem o comer vivo, hn.
—Ciúmes? – arqueou uma sobrancelha colocando o bebê em um cesto para bebes amarelo claro.
—Claro que não. – ficou de costas para o outro, tentando esconder suas bochechas vermelhas. —Mas somos tecnicamente casados nessa semana e na outra, então não quero que fiquem olhando para o meu marido, hn.
Novamente essa história. Desde o começo dessa palhaçada Deidara havia começado com essa desculpa, mas Sasori sabia que ele estava mentindo, era claramente ciúmes. Perguntava-se se o loiro tinha alguma atração por ele ou era ciúmes de amigo.
—Se você fosse uma esposa melhor, talvez eu parasse de chamar atenção.
—Eu não sou a esposa, hn! – retrucou se virando e vendo o ruivo sorrir de lado.
—Você acabou de dizer que eu sou o marido.
—Mas eu também sou o marido! – cruzou os braços, indignado. —Nós somos um casal... – não terminou de falar.
Ficaram em silêncio por alguns instantes, até que ouviram uma risada fina e infantil vindo ao lado de Sasori. Não era uma risada de verdade, era apenas um resmungo de bebê, o que Sasori achava muito estranho por ser um robô, mas Deidara dizia que era fofo.
O loiro se aproximou, sorrindo e ajoelhando-se em frente o cesto que estava em cima de uma cadeira.
—Ei Akemi-chan, olha o papai, hn.
O Akasuna observou o loiro mexer nos cabelos ruivos do bebê, enquanto sua outra mão brincava com os babados do vestido rosa florido. O ruivo se ajoelhou ao lado de Deidara, percebendo que havia escolhido a mesma tonalidade de azul dos olhos do louro para o robô.
—Esse foi o nome que escolheu?
—Sim, hn. Gostou?
Não respondeu de imediato, encarando os olhos azulados do bebê entrando em contraste com os cabelos ruivos.
—... É um bom nome.
[...]
—Que tal... Haruka? – perguntou lendo o livro de nome enquanto a azulada dava mamadeira para o bebê.
—Não, não soa muito bem...
—Harumi? – sorriu, mostrando que havia gostado do nome.
Konan fez uma careta, e Pain descartou o nome.
—Chiyoko?
—Não! – revirou os olhos. —Parece o nome da avó do Sasori.
Pain suspirou pesadamente, folheando o livro.
—Keiko?
—Poderia ficar bom... – pensou um pouco. —Keiko... Keiko-chan...
—Hm... Não. – pensou melhor. —Podemos colocar um melhor. – leu mais uma pouco, folheou e arqueou uma sobrancelha. —Naomi?
—Acho que não ficaria bom. – mordeu o lábio inferior colocando o bebê no berço improvisado. —Deixe-me ver...
A azulada pegou o livro das mãos do alaranjado e começou a folhear.
—Izanami?
—Não... – esticou um pouco mais as pernas no sofá. —Não sei por que, mas esse nome me lembra o Itachi.
—Chou?
—Não.
—Atsuko?
—Nem pensar.
—Você não gosta de nada! – reclamou jogando o livro em cima do alaranjado.
Pain se levantou, indo até o berço e mexendo no cabelo laranja do bebê.
—Eu queria parar de chama-la de “bebê” ou “boneco”. – Konan comentou ficando ao lado do maior.
—Vamos achar um nome que agrade todos, não se preocupe.
—Será que os outros já escolheram os nomes? – ela sorriu para o bebê que fechava os olhos lentamente.
Aquele boneco parecia tão real. Era como se ele respondesse a todos os gestos dos maiores, como um bebê de verdade.
—Não sei, talvez não. – deu de ombros. —Estamos com eles apenas dois dias.
—Não importa o tempo, Nagato! – rolou os olhos se afastando. Pegou um lençol fino e cobriu o bebê.
O alaranjado levantou os braços em rendição, deixando um silêncio estranho pairar entre os dois.
Seus olhos iam do bebê para o berço, sorrindo. Parecia até o anjinho...
Piscou algumas vezes, olhando para Konan.
—Que tal Megumi?
—Como?
—O nome dela. – explicou pensativo. —Megumi...
[...]
—Senpai, você não parece bem. – comentou Tobi mordendo o canudo do suco que tomava.
Deidara estava quase dormindo na mesa de refeições, o louro não respondeu, Tobi imaginou que ele estava dormindo de verdade.
Sasori estava ao lado dele, dando comida para o bebê que estava sentado na mesa. Era um tipo de mingau, Tobi achou que devia ser bom.
Zetsu havia saído do refeitório para trocar a frauda do bebê, assim como Kakuzu. Hidan estava comendo despreocupado, Kisame estava do mesmo jeito que Deidara e Itachi sorria para o boneco.
Konan e Pain não haviam ido para a escola; Tobi não fazia a ideia do por que.
—Ele parece tão real, não acha? – Itachi perguntou, obviamente, para Kisame. O maior piscou algumas vezes e concordou em um murmúrio sonolento.
—Vocês já colocaram nomes? – Tobi questionou animado, mexendo um pouco a mesa e atrapalhando Sasori, que o lançou um olhar raivoso.
—Ainda não, o Kakuzu não quer. – Hidan deu de ombros, terminando seu hambúrguer.
—Deidara já escolheu um. – o ruivo deu de ombros. Ele percebeu olhares sobre si. —Akemi.
—É um bom nome. – Itachi elogiou. —Kisame ainda está escolhendo um nome para o júnior.
Zetsu apareceu na porta do refeitório, junto com Kakuzu. Os dois se sentaram, o primeiro entregou o bebê para Tobi, que mexeu no cabelo preto do boneco.
—Que fofinho, o Sasori tem uma menininha. – Kakuzu debochou, mas o ruivo nem se importou. Deidara nesse momento acordou e tomou as dores do outro.
—Pelo menos nossa filha não parece um bebê veado, hn.
—Vai se foder! – Hidan esbravejou. —Nosso bebê é estiloso.
—Gay... – Kisame riu. —Por que ele tem a cor do seu cabelo Hidan?
—Era melhor do que colocar os olhos dele.
Os demais riram, deixando o albino irritado.
—Vão se foder.
—Eu ainda acho essa punição idiota. – Zetsu comentou. —Vocês até parecem pais de verdade.
—Mas essa é a intenção, hn. – Deidara sorriu, pegando Akemi no colo. —Ela pode babar em você, não deixar você dormir, pode fazer as garotas se interessarem em você... – olhou discretamente para o ruivo. —Mas nada disso importa, hn.
Todos na mesa ficaram em silêncio encarando o louro.
—Já sabemos quem é a mãe. – Kisame comentou tomando um gole de seu refrigerante.
—Eu não sou a mãe!
—Certo Deidara, vamos. – Sasori se levantou, puxando o louro consigo.
Eles ainda puderam ouvir o louro resmungar sobre como as garotas do refeitório olhavam para o ruivo que carregava o bebê.
—Vocês acham que aqueles dois...
—Sim. – todos concordaram com Itachi.
—Tobi não entendeu.
Zetsu revirou os olhos.
—Que seja, vamos Hidan. – Kakuzu se levantou, junto com o boneco no colo.
Era estranho ver um robô bebê com cabelos prateados, olhos verdes e vestindo apenas uma frauda, mas quem liga? Os dois saíram do refeitório discutindo algo como “nosso filho parece um bebê veado?”, mas ninguém deu muita importância.
O bebê de Itachi e Kisame começou a chorar, e o moreno se levantou, balançando o boneco de cabelos azulados e olhos ônix no colo de forma carinhosa; o short e a camiseta com a estampa do símbolo Uchiha não chamavam muita atenção, mas também não era muito normal ver Itachi tentar acalmar um bebê chorão enquanto Kisame carregava uma bolsa preta com o símbolo dos Uchiha; os dois saíram do refeitório as presas até o banheiro.
Zetsu ainda comia, enquanto Tobi dava a mamadeira para o bebê vestindo apenas um macacão azul.
—Zetsu-san, por que nós não podemos colocar um nome? – o moreno perguntou limpando um pouco de leite que havia caído em seu braço. —O Deidara-senpai e o Sasori-san já colocaram nome.
—Sasori e Deidara são dois veados. – deu de ombros.
Tobi suspirou, Zetsu ainda não levava aquela atividade a serio, mas o moreno iria pensar em um nome mesmo assim, aliás, o filho também era dele.
[...]
—Ei, eu estava pensando... Por que não colocamos um nome?
—Eu já disse Hidan, é apenas um robô, não precisa de nome. – o moreno deu de ombros balançando o bebê no colo que já estava quase adormecendo.
—Eu sei, mas... Podemos colocar um nome mesmo assim. –insistiu andando de um lado para o outro. —Se a velhota reclamar por que não colocamos nome?
—Ele não precisa de nome! Não é? – perguntou para o bebê que começou a roncar em seu ombro. Hidan indignou-se.
—Porra, você fala com ele, e não podemos colocar um nome?
—Cala a boca!
—Porra Kakuzu, eu não quero ficar chamando nosso filho apenas de pirralho. – esbravejou vendo o outro cobrir o bebê com um lençol.
—Que seja, escolha você então.
Kakuzu apenas deixou porque conhecia Hidan. Quando ele queria alguma coisa, ficava insistindo até o outro querer arrancar sua cabeça.
—Legal! – sorriu animado. —Que tal, Jashin?
O moreno encarou o albino, sem dizer nada. Hidan ficou um tanto constrangido.
—Tudo bem, já que vi que não gostou. – coçou o queixo. —Me deixa pensar...
O albino se sentou, fechando os olhos e ficando longos minutos daquela forma. Nada vinha em mente, começou a bater o pé no chão com força resmungando.
—Estou vendo que pensar para você é um sacrifício.
—Vai se foder!
[...]
Itachi cantarolava enquanto terminava de trocar a frauda de júnior. Kisame apenas observava, passando os materiais que o moreno pedia. Fora sua ideia levar uma bolsa apenas com as coisas do bebê, mas já estava ficando irritado com isso.
A questão, era que Kisame não podia carregar o robô, apenas a bolsa pesada. Itachi estava tão apegado a aquele boneco que ele pensou que o moreno poderia ser mais mãe do que Deidara.
Mas era muito estranho pensar que ele era o pai.
O pior de tudo, foi ver que o moreno havia colocado roupas com símbolo dos Uchiha no boneco, como se realmente fosse um bebê de verdade.
Kisame se perguntava como Itachi seria quando tivesse filhos.
—Terminei. – avisou estendendo júnior no ar e sorrindo. —Ele está com sono, vamos.
—Espero que ele não comece a chorar na aula de novo. – resmungou colocando a bolsa no ombro novamente.
Os dois saíram do banheiro, andando pelo corredor e chamando atenções.
Kisame se perguntava o porquê ninguém ria, e o porquê as garotas ficaram sorrindo. Será que Itachi ficava tão atraente com um bebê falso no colo? Será que era sobre isso que Deidara estava reclamando com Sasori?
Espere, ele não podia se importar; ele não era gay, nunca.
—Itachi-san, eu posso levar um pouco? – perguntou mexendo no bracinho do bebê, que passava pelos ombros do moreno.
—Já conversamos sobre isso, Kisame. – retrucou. —Você quase o matou na primeira vez que ficou sozinho com meu filho.
—Ele também é meu filho.
O outro não respondeu e o azulado bufou irritado.
—Venha júnior, vamos dormir. – entraram na sala de aula.
Kisame se sentou observando outro colocar o bebê para dormir. E, por um minuto, percebeu o porquê as garotas não paravam de olhar para o moreno...
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