Notas iniciais
E aí pessoal! Estou começando uma nova fanfic SasuSaku, estou com essa ideia na cabeça a alguns anos, e estou animada por finalmente começar a postá-la. Espero que todos gostem! Gostaria de informá-los sobre uma coisa antes: Nessa fanfic, Sakura terá três irmãos. Então, é isso. Boa leitura :)

– Puxa, vocês confiam mesmo em mim para me deixarem dirigir?

– Não nos faça mudar de ideia Sasuke — disse Fugaku com sua voz séria, mas Sasuke sabia que ele estava tentando esconder um sorriso.

Sasuke quase escorregou no gelo de tão rápido que ele correu em direção à caminhonete amarela de seus pais, ele havia completado dezesseis anos naquele dia e seu pai iria deixar ele dirigir o carro pela primeira vez. Ele havia dirigido outros carros, mas foram poucas vezes, nunca tinha saído com seus pais juntos, talvez aquilo fosse um teste para saber se ele estava pronto para ganhar seu primeiro carro próprio.

Ter a oportunidade de dirigir o carro dos seus pais não surgia sempre, então ele resolveu tomar o caminho mais longo para que pudesse ficar mais tempo. Ele se arrependeu de ter pego aquele caminho assim que se deparou com uma velha ponte, que teria que atravessar — era a unica maneira de voltarem para a casa — ele percebeu que havia cometido um erro terrível.

Estavam no auge do inverno, lá fora ventava muito, e a neve soprava em todas as direções. Sasuke podia ver o brilho do gelo na estrada, com o auxilio dos faróis do carro. Ele agarrou o volante com tanta força que seus dedos ficaram brancos. Ele tinha um mau pressentimento sobre aquilo.

Sasuke sempre adorou dirigir, ele ajudava seu pai em uma loja de carros que eles possuíam. Mesmo que ele tivesse dirigido sua vida toda, ele não havia tirado sua licença ainda, pois só agora tinha completado a idade adequada.

Ele tentou não transparecer seu nervosismo, mas estava evidente. Sasuke se lembrou da última coisa que sua mãe havia dito, sobre como o tempo estava estranho para um inicio de inverno, em Getsu.

Sasuke foi fazendo seu caminho lentamente através da ponte, quando ele ouviu um ruído feito pela sua mãe, ele não sabia se era um um grito abafado ou um soluço, mas ele desejou nunca ter ouvido aquele som. Ele viu os faróis que vinham em direção a eles.

Sem pensar, seu corpo reagiu antes de sua mente fazendo ele virar rapidamente o volante para a direita. Ele sabia o que viria a seguir, um impacto severo e doloroso com o parapeito da ponte.

A cabeça de Sasuke bateu contra a janela do carro, sua visão ficou turva, e ele perdeu todo o controle que tinha sobre a direção. Confuso e desorientado pela dor, Sasuke não conseguia por suas mãos de volta no volante, era tarde demais. Sua cabeça bateu novamente, mas dessa vez foi na parte de traz do seu banco, ela começou a latejar e manchas pretas passavam sobre seus olhos, o que tornava impossível tentar fazer qualquer coisa, a unica coisa que ele podia fazer era assistir os AirBags serem acionados, e a caminhonete girando, girando e girando.

Em seguida, ela parou de girar e Sasuke sentiu o frio. Seu cérebro levou alguns segundos para associar tudo.

A Caminhonete estava afundando.

A água estava inundando o interior.

Sasuke começou a entrar em pânico.

Ele não sabia o que fazer. Tentou se lembrar do que ele havia aprendido nas aulas de direção que seu pai dava a ele, mas sua cabeça doía muita cada vez que fazia um esforço. Era muito difícil se concentrar em qualquer coisa. Ele sabia que tinha que fazer algo. Mas sua cabeça doía e ele estava tão confuso.

A água estava na metade do seu peito, ele precisava tirar seus pais de lá ou eles iriam morrer. Sasuke se virou para a direita, os dedos tremiam, ele tentava tirar o cinto de segurança, enquanto olhava para seus pais. A cabeça de sua mãe estava encostada na janela e a cabeça do seu pai tinha caído para a frente, seu queixo estava apoiado em seu peito. A água aumentava progressivamente, ele tentava dizer seus nomes, mas estava tão frio, seus dentes batiam, e ele não conseguia formar nenhuma palavra. Ele sabia que se nenhum deles estava acordado isso era um mau sinal.

Não importava o quão forte Sasuke sacudisse sua mãe, ela não acordava. Ele sabia que precisava tentar resgatá-los, mas a água estava subindo muito rápido e ele só tinha alguns segundos antes que a água os cobrisse completamente.

Estava escuro e ele não conseguia ver nada, mas sabia que seu único meio de fuga era o pára-brisa quebrado, ele não podia ver o que estava fazendo, ele nadou apenas por puro instinto. Ele estava a ponto de desmaiar de dor, frio, tudo, quando sua cabeça rompeu a superfície da água e ele respirou em goles profundos de ar, tentando encher os pulmões com o máximo de oxigênio que podia, mas ele não tinha energia suficiente para se manter à tona, e ele só foi capaz de obter alguns goles de ar antes de ser puxado para fora da água.

Ele não sabia o que estava acontecendo, ele estava tão desorientado. Tudo o que ele queria era ar para poder respirar. Ele sentiu seu corpo desistir antes de sua mente, então tudo ficou escuro.

Quando ele acordou ele havia sido colocado com cuidado sobre uma superfície rochosa e ouviu a voz desesperada de um homem chamando: — Tem mais alguém no carro?

Sasuke não conseguia responder, ao invés disse ele se virou e vômitou, fazendo com que a sua cabeça doesse ainda mais. A mesma voz masculina perguntou novamente: — Há mais alguém no carro?

Então Sasuke se lembrou.

Ele não podia acreditar que havia esquecido, nunca iria se perdoar. Ele sentou-se tão rápido que sua visão girou e sua cabeça parecia que iria rasgar ao meio de tanto que doía.

– Pare! — Uma voz diferente exclamou, dessa vez era uma voz de uma mulher.

Ela, então, segurou-o gentilmente pelo ombro e o deitou de volta no chão.

– Não se mova muito, você não esta em condi-

– M-Meus p-pais — os dentes de Sasuke batiam com tanta força que ele não tinha certeza se a mulher entendia o que ele estava dizendo. — Meus pais! — Ele juntou todas as forças que tinha e gritou.

O homem entendeu o que ele havia dito e saiu correndo em direção a água.

Sasuke estava prestes a dizer mais alguma coisa, mas a mulher sussurrou, com sua voz doce.

– Shhh… Fique calmo. Yura irá salvá-lo querido, está tudo bem. — Sasuke olhava para ela fixamente enquanto sua mente tentava processar o que estava acontecendo. — Pode me dizer seu nome?

Ele teve que pensar por alguns segundos.

– S-Sasuke. — ele finalmente gaguejou. Sim, esse era seu nome. Sasuke Uchiha.

– Prazer em conhecê-lo Sasuke, sou Yukata.

Sasuke queria continuar falando com ela para fazer perguntas, mas seus olhos se fechavam involuntariamente, ele estava tão cansado.

– Espere! Não durma, uma ambulância já está a caminho. Você precisa esperar alguns minutos antes de ir dormir. Pode me dizer quantos anos você tem?

– D-Dezesseis? — ele não tinha certeza de que essa era a resposta correta, mas parecia ser. Sua visão estava embaçada e tudo doía, ele estava com frio e cansado.

– Isso é ótimo, Sasuke — Yukata fazia de tudo para mantê-lo acordado, ela sabia que se o garoto adormecesse ali, poderia não acordar mais — Você está no ensino médio?

– Sim, eu acho.

– Você tem alguma matéria favorita?

Sasuke entendeu o que ela estava tentando fazer, mas estava cada vez mais díficil formar seus pensamentos.

– Matemática. Não, não, biologia é minha aula favorita, ou as duas.

– Oh, é mesmo? Eram as matérias em que era a pior na escola, você deve ser muito inteligente — ela sorriu para ele, mas a sua mente parecia estar distante.

– Não, nem um pouco — Sasuke pensou que se, ele fosse inteligente nada disso teria acontecido — Estou com frio — ele gaguejou.

– Aguente firme — ele sentiu algo quente cair sobre si — Pegue o meu casaco. Ele não é tão quente, mas tenho certeza que na ambulância deve ter cobertores.

Sasuke mantinha sua atenção em Yukata, ela abraçou-o tentando confortá-lo. Ela sabia que ele precisava disso naquele momento. Seus olhos estavam ficando pesados e ele fazia todo o possível para se manter acordado. Então ele ouviu o som da ambulância, e uma pontinha de alívio surgiu em seu coração, pois talvez eles pudessem ajudar seus pais.

Sasuke tirou sua atenção da ambulância quando Yura apareceu ao seu lado de Yukata.

– Eu não pude… — sua voz começou como um sussurro, mas Sasuke ainda podia ouvi-lo — O carro, eu não consegui encontrá-lo.

Sasuke demorou uns segundos para entender o que Yura estava dizendo.

– Não — ele sussurrou. — M-Meus pais.

A mulher olhou para Sasuke, se sentindo culpada.

– Shh. Sasuke, vai ficar tudo bem. — ela não tinha certeza disso, como também não tinha certeza quando disse que seu marido iria trazer os pais de Sasuke de volta.

Mas não iria ficar tudo bem, não estava nada bem. Ele sentiu seu corpo inteiro tremer e se tornava mais difícil entender o que estava acontecendo. Onde estavam seus pais?

– Acho que ele está em estado de choque — Disse Yukata, e Sasuke reparou que ela conversava com duas outras pessoas que aparecerem, ele deduziu serem os paramédicos. Quando eles tinham chegado ali?

Os paramédicos olhavam para ele agora, e falavam alguma coisa que ele não conseguia ouvir. Ele só podia ver seus lábios se movendo. Então ele foi levantado, com a ajuda de uma pequena maca e alguns cobertores foram colocados sobre ele.

Tudo era demais, ele não conseguiria manter os olhos abertos por mais tempo. Ele estava machucado e só queria dormir, e talvez não acordar mais. Ele só queria que aquela interminável noite acabasse de uma vez.

Sinto muito, ele pensou quando seus olhos finalmente se fecharam.

Sinto muito por vocês terem confiado em mim.

Sinto muito.

Notas finais
Ainda tem muitooooooos capítulos por aí, esse foi curtinho mas eu prometo que os outros serão maiores. Obrigada por terem lido e por favor, deixem-me saber o que vocês acharam!