Respira... Ou Ele Te Pega

3 Entre Pistas e Silêncios


Notas iniciais
Boa Leitura:)


Harry Laurent

Os dias seguintes passaram lentos demais. A faculdade, os livros, as aulas… tudo parecia em segundo plano. Ofélia continuava desaparecida, e cada notícia no celular fazia meu coração pular, esperando — e temendo — algo novo.

Eu olhava o cartão de Lian pelo menos dez vezes por dia. Não liguei. Ainda. Não porque não quisesse, mas porque não tinha nada concreto para dizer. Até aquela tarde.

Estava saindo da biblioteca quando algo me fez parar. Do outro lado da rua, um carro escuro estava estacionado. Meu estômago gelou. Não era o mesmo da noite do desaparecimento — eu não tinha certeza —, mas era parecido o suficiente para me deixar inquieto.

Anotei mentalmente a placa. Minhas mãos tremiam.

Quando cheguei em casa, respirei fundo e peguei o telefone.

— Alô? — A voz dele atendeu rápido demais, como se já estivesse esperando.

— Lian… é o Harry. — Engoli em seco. — Eu acho que lembrei de algo.

Do outro lado da linha, o tom dele mudou, ficou atento.

— Me conta.

Expliquei sobre o carro, a placa, o lugar. Houve alguns segundos de silêncio.

— Você fez bem em ligar — ele disse. — Muito bem. Posso passar aí amanhã? Quero que você me mostre exatamente onde viu o carro.

Meu coração acelerou por dois motivos diferentes.

— Pode… claro.

— Harry — ele hesitou —, se você se sentir inseguro hoje à noite, me liga. A qualquer hora.

— Obrigado — respondi baixo.

Quando desliguei, fiquei olhando para a tela apagada do celular. Não era só medo que eu sentia. Era a estranha sensação de não estar mais sozinho.

Lian Blackwood

Assim que desliguei, fui direto ao sistema. A placa que Harry mencionou não era limpa. O carro já tinha sido visto em áreas ligadas a outros desaparecimentos menores, nunca comprovados.

Meu maxilar se contraiu.

No dia seguinte, estacionei em frente ao prédio de Harry. Ele apareceu alguns minutos depois, usando uma jaqueta escura e aquele mesmo olhar intenso que não saía da minha cabeça. Parecia cansado.

— Dormiu bem? — perguntei.

— Mais ou menos.

Caminhamos até a rua indicada. Ele apontou o local exato, descreveu horários, movimentos, tudo com cuidado. Orgulho silencioso cresceu em mim. Ele era atento. Forte, mesmo sem perceber.

— Você ajudou mais do que imagina — eu disse.

Ele sorriu de leve, mas havia preocupação em seus olhos.

— Você acha que ela ainda está viva?

A pergunta me atravessou. Escolhi as palavras com cuidado.

— Eu acho que ainda temos tempo.

Ele assentiu, respirando fundo. Por um instante, o impulso de tocar o ombro dele foi quase irresistível. Me contive.

— Harry… — falei mais baixo. — O que eu vou dizer agora não é só como policial. Se notar qualquer coisa estranha, qualquer sensação de estar sendo observado, você me liga. Promete?

— Prometo.

Nossos olhares se encontraram, e algo ficou suspenso no ar. Não era pressa. Não era medo. Era conexão.

Enquanto eu o observava voltar para casa, tive certeza de uma coisa: aquele caso já não era apenas trabalho.

E Harry… definitivamente não era apenas uma testemunha.

Notas finais
Obrigado por ler:)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.