“Insatisfação. Isso resumia tudo o que aquela garota chamada Ana sentira. Ela não gostava de se olhar no espelho… Não se achava bonita. Sempre tentava achar um jeito de tirar isso de dentro dela, essa insatisfação, esse medo que tinha. Nunca estivera satisfeita consigo mesma. Chorava todas as noites. Até, que a lâmina, pulseiras e blusas compridas, começaram a ser suas melhores amigas. Tentava se olhar no espelho, mas ela não conseguia enxergar aquela garota doce e bonita que estava dentro dela… Ela apenas via uma menina feia, gorda e infeliz. Rezava para que as pessoas percebessem que ela não estava bem, pra que percebessem seu pedido de sou socorro ao responder “Estou bem.” A cada vez que se olhava, cortava seus pulsos, como se toda aquela dor que ela estivesse sentido fosse sair junto com aquelas gotas de sangue que pingavam no chão. Ela tinha perdido as contas de quantas promessas fizera para parar com isso. Mas isso era mais forte do que ela, a dor que sentira era maior que ela. Até que um dia, não suportava mais tudo isso e então, tomou vários remédios e deitou em sua cama naquela noite fria. Agora, não sentiria mais nada.”

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