Resistance
2 Capítulo 2 - Quem sou eu?
Notas iniciais
Era possível ouvir uma música baixa com o ritmo gostoso tocando, Steve abriu os olhos mas a claridade o incomodou, então ele começou a piscar seus olhos, até eles se acostumarem com a claridade do quarto.
Quando finalmente seus olhos foram capazes de focalizar, percebeu que estava num quarto branco e as memórias de tudo o que aconteceu veio em sua mente. O loiro olhou para sua direita e avistou seu mais novo companheiro de batalha, Sam Wilson lendo uma revista. Do outro lado do quarto, olhando a janela estava sua amiga de infância.
– A sua esquerda – fez uma brincadeira com o amigo. Sam sorriu ao se lembrar da primeira vez que conheceu o capitão. Roxanne foi em direção ao amigo, passando suavemente a mão sobre o rosto dele.
– Hey! Você acordou – Roxie o saudou – Como se sente? – ela o analisou.
– Fisicamente ou psicologicamente? – perguntou ele.
– Os dois – respondeu a ruiva dando os ombros.
– Eu me sinto bem, com um pouco de dor, mas é tolerável – suspirou – Eu estou devastado – concluiu – Eu deveria… Me desculpe – ele se desculpou por não o procurar, por não trazer de volta o amor da amiga, seu melhor amigo.
– Se sente culpado – ela afirmou – a Tasha já disse e eu repito, não sua culpa Stevie.
– É claro que é. Eu o abandonei – a voz do Rogers estava trêmula. Roxanne estava ficando com raiva de seu amigo. Apontou o dedo no rosto dele.
– Ele morreu por tentar te proteger – disse raivosamente. Colocou as mãos no cabelo – E é só isso que eu quero lembrar daquele dia – o seu tom dava pra entender que ela queria encerrar aquele tópico da conversa.
– Teve notícias? – perguntou esperançoso.
– Não, nenhuma – balançou a cabeça negativamente – Pedi ajuda para o Tony – os dois amigos esperaram a reação do capitão.
– Sério? O Stark? – Steve não gostou muito da notícia.
– Ele pode nos ajudar a localizá-lo – Roxie deu um sorriso amarelo para o amigo. Tony Stark era extremamente egocêntrico, na verdade ele era o oposto de Steve e por isso sempre batiam de frente. Stark era um bom homem e Steve reconhecia isso, mas a mania dele de dar apelido para as pessoas e sempre fazer tudo na brincadeira não agradava nem um pouco o loiro.
– Steve – ela o chamou meio receosa tirando o de seus pensamentos.
– Sim – ele esperou pela pergunta.
– O que aconteceu naquele Helicarrirer? – ela queria saber o que fez Bucky ir ajudar o Steve.
– Eu o confrontei – começou Steve, olhando para as próprias mãos – Eu disse que ele me conhecia a vida toda, falei sobre seu nome inteiro, disse que ele é meu amigo, ele se negava a ouvir ou a acreditar – Rogers deu os ombros – Afinal quem me tirou do Potomac? Eu só me lembro de cair nele e depois mais nada.
– Foi ele – Steve a olhou surpreso – Bucky te tirou do rio. Viu Ste, ele não é mal, só está confuso, perdido – a voz de Roxanne já estava embaçada.
– Eu perdi. O abandonei uma vez, fiz você perder seu amor – o capitão pegou as duas mãos da amiga – Não vou o abandonar mais uma vez, eu vou trazer seu amor pra você. Eu prometo – grossas lágrimas escorreram do rosto da ruiva e ela beijou a testa de seu amigo.
– Espera um minuto – Sam se levantou da cadeira – O que quer dizer “seu amor”? – questionou os dois, pois ele estava todo confuso.
– Já amou alguém Sam? – ela perguntou – Amou alguém verdadeiramente?
– Não – ele negou. Teve seus casos e namoradas, mas nunca chegou a amar e nem dizer as três palavras sagradas.
– Pois eu o amava verdadeiramente – Steve continuou calado – Nos conhecemos quando eramos crianças, crescemos juntos e com passar do tempo eu comecei a amá-lo – Roxy deu um sorriso melancólico. Ela continuou contando.
– E por sorte ele me amava também. Então ele morreu e eu fiquei devastada – ela deu as costas para os dois, indo em direção a janela – Comecei a ajudar o Steve, eu estava com ele no avião. Acabei congelada, amando o Bucky e quando nos descongelaram, eu ainda amava o Bucky, ou seja, eu ainda o amo.
– Sinto muito – Roxie não o respondeu – Pelo menos agora eu entendo. Achei que vocês três eram só grandes amigos.
– Sim. Grande amigos – confirmou Steve – Até que Bucky e Roxie começaram a namorar, horrível – brincou o capitão – Era uma melação mais melada do que melado.
– Que mentira Stevie – reclamou a ruiva cruzando os braços, fazendo uma falsa expressão de chateada. Sam e Steve riram do biquinho fofo que ela fez.
Na verdade, o comentário de Steve deixou Roxanne ainda mais melancólica, seu relacionamento com Bucky não era meloso, eles se amavam na maneira deles, James era um homem muito sedutor, ele era muito insaciável, oh ela acabou se lembrando dos fogosos beijos que eles tinham, das palavras sujas que ele sussurrava em seu ouvido, das passadas de mãos atrevidas em seu corpo e um mínimo sorriso escapou em seus lábios. Mais uma vez seu coração se espremeu com a forte saudade. “James, eu vou te encontrar e te levar pra casa” ela pensou. Os sentimentos de esperança e fé cresceram dentro dela a confortando, pelo menos por enquanto.
(…)
Ele já estava dirigindo por alguns dias, seu braço normal estava realmente o incomodando. Parecia que o loiro havia deslocado seu braço, Bucky o colocou de volta, mas algo estava errada porque seu braço continuava a latejar. E sua cabeça estava uma confusão, não conseguia esquecer nada o que o loiro e a ruiva falaram. Ficava passando em seu mente repetidas vezes.
“- Você me conhece”
“- Seu nome é James Buchanan Barnes”
“-Você é meu amigo”
“- Estarei contigo até o final”
“– SIM. VOCÊ É!”
“- Então visite o museu Smithsonian e lá você vai conhecer um pouco da verdade”
“- E se lembre que você não precisa ser uma arma, Bucky “
Essas frases rodavam a mente do soldado. Tudo no que ele achava que era real, não é mais. Estava confuso, com fome, com sono e tudo o que ele queria era que essas merdas parassem de perturbar sua cabeça, porém parecia que cada vez mais elas viam em sua mente.
Ele ainda pensava em todas as coisas que leu e ouvi-o sobre o Sargento Barnes, naquele museu, mas aquele homem, braço direito e melhor amigo de infância do Capitão América não era ele, não mais. Bucky Barnes era um herói, deu sua vida em prol da América, em prol de um mundo melhor e ele era um assassino cruel e sanguinário, fazendo missões em que ele achava que eram a favor do mundo.
Ele se sentia horrível, Steve Rogers e Roxanne Weitz acreditam que ele ainda era o amigo deles, acreditavam que ele ainda era aquele herói, porém na verdade ele era um mostro. Como ele olharia no rosto, olho no olho dos dois, sabendo que eles eram e ainda são um exemplo para o mundo.
Steve Rogers deu todo de si para ajudar a acabar com a segunda guerra mundial, ele era um homem íntegro, com forte senso de dever, honra e humildade e Roxanne tinha os mesmos ideais que ele, em por falar em Roxanne, aquela ruiva maldita que vivia rondando sua mente, por mais que essas cenas se repetissem em sua cabeça havia uma que ele não se importava, as vezes sem querer se pegava pensando na mesma cena.
“A banda tocava animadamente no palco e várias pessoas dançavam ao redor, felizes, mas uma pessoa em particular estava prendendo a atenção de Bucky, que estava encostado no bar vendo a ruiva Roxanne, dançar no centro da pista. Por Deus, ela estava linda demais, seus cabelos balançam enquanto ela dançava no ritmo da música com uma enorme alegria e ele não pode evitar o sorriso em rosto ao notar que ela dançava sorrindo, mas olhando para ele. Roxie estava dançando pra ele.”
Aquilo mexia com ele, aquela maldita mexia com ele, fazia o sentir coisas que nunca foi capaz de sentir ou pensar antes, coisas no qual ele não sabia identificar o que eram, coisas no qual nunca deu importância no seu tempo na HIDRA. Não mentiria dizendo que as sensações eram ruins pelo contrário era gostoso de sentir, o fazia quase humano com bons sentimentos.
Ridículo. Você é um fraco.
Ele sussurrou. O Winter Soldier não sente nada, ele apenas faz suas missões e até agora ele não havia fracassado em nenhuma, até o loiro e a ruiva aparecer. Ele não voltaria para a HIDRA nunca mais, só voltaria arrastado porque ele resistiria até as suas últimas forças.
O soldado se lembrava dos lábios de Roxanne dizendo a ele que ele não precisava ser uma arma, então ele não seria, mas o que ele poderia fazer se ser um assassino era tudo o que ele sabia ser. O que faria agora? Que caminho ele seguiria agora?
Frustrado socou a janela do motorista com tanta força que ela se quebrou. Lembranças, memórias rodavam sua mente e a maioria eram embaçadas apenas algumas que ele conseguia se lembrar definitivamente. Ele sentia uma enorme raiva em seu peito, sua respiração estava acelerada e segurava o volante com força, sua raiva fez com que ele pisava fundo no acelerador do carro fazendo atingir a velocidade máxima que conseguia.
A toda velocidade ele ia costurando os carros na sua frente, podia se ouvir alguns indignados com o jeito que ele dirigia, mas o soldado não ligava, pensava apenas “foda-se seus otários”. Olhando fixamente para a estrada, Bucky se preparava para fazer uma curva na estrada quando tudo ficou escuro e uma nova memória preencheu sua mente.
“James estava deitado com uma Rifle Sniper e com a mira ele avistou seu amigo, quando percebeu um homem da HIDRA apontar a arma em direção ao Steve e sem nem pensar duas vezes ele apertou o gatilho e o tiro foi certeiro no peito do homem que caio nos escombros, ele recarregou a arma. Rogers o olhou e fez uma continência em agradecimento.”
O soldado saio das suas memórias quando ouviu um barulho chato e insistente, era um caminhoneiro tocando a buzina, Bucky estava indo em alta velocidade na direção do caminhão, eles colidiriam, ele jogou a direção do carro para fora, tirando o carro dá mesma faixa, o problema foi que ele perdeu o controle do carro, estava desgovernado, ele tentava a todo custo se manter firma na pista, mas foi impossível. Aconteceu tão rápido, quando o moreno percebeu tudo em sua volta rodava e ele sabia que havia caído em alguma ribanceira ou algo assim.
Enquanto ele rodava foi sentindo dores em seu corpo, mas não conseguia ligar para elas, pois Bucky pensava no seu passado, e cada vez mais doía sua cabeça, mas ele percebia que todas as imagens que habitavam sua mente estava ficando foscas, se afastando lentamente e, então tudo parou de rodar, ele sentiu um enorme peso em suas pálpebras, a escuridão foi tomando ele e finalmente ele teria paz, finalmente ele descansaria. Quando ainda era possível ele pensou em Steve, pensou em Roxanne até que a escuridão o tomou completamente, deixando tudo preto e seus olhos se fecharam.
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