Resistência
2 Captura
Eu não tenho muitas lembranças da minha infância.Nunca soube ao certo onde nasci ou quem eram meus pais.Eu cresci e vivi ate os dez anos no orfanato da cidade de Hazbalron,uma cidade pequena e movimentada que ficava no meio de um deserto onde as temperaturas iam além do comum.Era o ano de 100.210 e aquela cidade parecia ter de perdido no tempo,estava esquecida.Eu não via pessoas vindo para Hazbalron,só via pessoas indo embora para nunca mais voltar.Lá fora havia mundos fantástico,era o que diziam as pessoas que iam embora.Uma série de capitais mil vezes maiores e mais importantes e reluzentes do que Hazbalron,campos e florestas onde a vida selvagem era única e jamais vista em nenhum outro mundo e um grande misterio.Eu nunca quis sair de Hazbalron me sentia em casa ali.Era o único lar que eu conhecia.Tinha amigos órfãos que também haviam sido deixados ali,como eu,e as madres sempre cuidavam muito bem de todos nós.Era uma vida feliz,apesar de tudo.
Todas as manhãs,depois do café eu tinha aulas de linguagem,precisávamos aprender o idioma usado pelas sete grandes capitais,porque era uma linguagem universal.Se eu aprendesse a linguagem das capitais compreenderia e seria compreendido pelo mundo todo.
Depois tínhamos aulas de cálculos,ciência das artes e a aula mais importante do dia...Que era Espiritualidade.
Nosso mundo era um lugar muito religioso.Tínhamos sete divindades que atendiam as nossas preces.Sete Divindades para Sete Capitais.As pessoas acreditavam nisso...houve um tempo em que uma chuva de meteoros caiu do céu.Esses meteoros possuíam uma liga de metal indestrutível.eles causaram estrago e os sete maiores caíram na mesma região formando a imagem de um heptágono.
A partir dai as pessoas passaram a acreditar que havia sete seres divinos no Universo e que eles olhavam por nós.Em sua homenagem sete Cidades Capitais foram construídas no local onde os meteoros maiores caíram e aquele metal indestrutível passou a ser matéria prima para a cidade e para outras construções.Muitas empresas enriqueceram com ele,que foi chamado de Metal Ciner.
Eu não acreditava muito na Ordem Divina Dos Sete.Nao me achava muito abençoado,mas eu aprendia as orações e as recitava quando era solicitado.
— Percebam a beleza da natureza diante de vocês — disse a madre Avena.Estávamos tendo aula no parque ecológico da cidade.Era uma imensa floresta que ficava no centro de Hazbalron.Era o único lugar onde o orfanato nos levava para ter aulas às vezes.
— Percebam a essência dos Seres Divinos em cada pétala de qualquer flor cultivada neste solo.A Ordem nos dá o que precisamos para sobreviver e nos inspirar.
Enquanto a madre falava eu me distrai.Comecei a olhar para a estufa ao nosso redor.Eu sempre me sentia bem quando estava perto da natureza.Havia algo na vida selvagem que me fazia sentir em casa.
Me afastei do grupo quando a madre se virou para nos mostrar um arbusto de Lunas azuis.Andei pelo gramado ate uma arvore de vinte metros de altura,com o tronco fino e curvado e cheio de cipós úmidos e esguios.Percebi que em sua raiz brotavam uma série de pequenos botões que ainda não haviam desabrochado.Eram botões vermelhos escarlate eu cresciam na direção do tronco da imensa arvore.Me abaixei ate estar muito perto da raiz,quando eu estiquei o dedo para tocar um dos botões so mais próximo se entrelaçou em meus dedos e em seguida desabrochou uma rosa de três sabres.Elas eram raras,pois a terra precisava estar muito bem adubada para que sua raiz de desenvolvesse e a terra nunca estava suficientemente forte.
. Analisei a flor vermelha,cujas pétalas se dividiam em três lâminas cada uma.Em seguida as outras também desabrolharam e de repente havia um pequeno canteiro envolta da raiz da grande árvore.
— É a DomaHill — ouvi uma voz masculina dizer atrás de mim.
Me virei rápido e vi Vaans,um de meus companheiros de quarto,atrás de mim olhando a árvore.
— Dizem que aos pés dela tudo vinga. — Ele disse. -Qualquer coisa.Seja animal,vegetal ou humana.
Vaans tinha a minha idade e havia sido deixado no orfanato quando toda família morreu.Ele era meu melhor amigo.Era o que mais se parecia comigo.Tinha cabelos lisos,curtos e escuros como os meus;Pele clara e a mesma curiosidade e rebeldia.
— Como fez aquilo? -perguntou ele.
-Como fiz o quê?
-Aquilo com as rosas de três sabres — ele insistiu. -Você as fez desabrochar.
— Bem,eu não tenho ideia — sussurrei confuso.Eu realmente pensava que elas desabrochassem daquela forma. — Eu apenas toquei nela e ela se abriu.
— Que estranho — Vaans semicerrou os olhos enquanto analisava a flor. — Estas rosas costumam secar quando tocadas.Uma beleza que nasceu apenas para ser observada e nunca possuída.
Eu sorri.
-Esta falando igual a madre Avena — insultei.
-Sou uma pessoa estudiosa — rebateu Vaans — Tem alguma coisa muito estranha com você,Seth — ele disse meu nome. — Um dia ainda vou descobrir.
Nós dois rimos.
— Venha,vamos voltar antes que venham atrás de nós.
Quando retornamos ao orfanato havia começado a chover.Depois das aulas o restante do dia se arrastava.Víamos o mundo la fora caminhar em diversas direções.Era cansativo olhar,embora aquilo nos preparasse de alguma forma.Um dia sairíamos dali.Um dia iriamos escolher uma direção.
Eu sabia que direção escolheria.Aos dez anos ja tinha certeza do que ia fazer quando saísse do orfanato.Sabia o que queria ser.
Até aquela noite.
Naquela noite havíamos ido dormir cedo.A madre Avena havia apagado a luz e fechado a porta.A minha cama ficava perto da janela e enquanto Vaans e os garotos conversavam antes de dormir eu me virei e me coloquei para observar as estrelas.
As estrelas eram diferentes na cidade.Eram grandes e brilhantes.Diziam que era porque Hazbalron era uma cidade selvagem e natural,o céu era puro e sem poluição.Por isso dava pra ver o brilho das estrelas de uma forma que não dava pra ver em outros lugares.
Eu fazia aquilo todas as noites,imaginava o que havia depois do deserto.No horizonte.Eu queria deixar a cidade,bem lá no fundo,eu sentia que não devia estar ali.
Foi aí que aconteceu.
Primeiro eu ouvi um tremor;em seguida uma luz mais intensa do que a das estrelas invadiu o ar noturno da cidade.O farol passou por nossa janela e vagou pelas ruas da cidade.Ouvimos um estrondo,em seguida gritos vindos la de baixo e logo de todo lugar da cidade.Me levantei da cama,os outros garotos também se levantaram e foram até a janela.Vimos outros clarões,mais luzes no céu vagando pela cidade.
Eu pude identificar o que era de alguma forma,Aquelas coisas que sobrevoavam a cidade com luzes eram aeromodelos de busca e combate estavam buscando alguma coisa.Algo muito importante para eles,tão importante,que eles incendiariam a cidade para encontrar se fosse preciso.
De repente alguns aeromodelos planaram sob a praça central,que ficava de frente pro orfanato.a plataforma que ficava no inferior da nave se deslocou para baixo e depois correu para o lado.Uma serie de cabos de metal desceram para baixo por onde soldados armados e com um uniforme azul marinho vibrante desceram.Imediatamente eles abriram fogo contra aqueles que corriam pelas ruas e tentavam se esconder.Mais soldados começaram a descer e a se espalhar pelas ruas.Um grupo deles se virou para o orfanato e começou a marchar para a entrada.eles usavam mascaras cinzentas e havia uma faixa em seus antebraços com um 'N' estampado.
Senti um frio na espinha quando eles derrubaram a porta.Ouvi disparos la embaixo e gritos.Os garotos ficaram assustados e paralisados.Eu me virei para a porta.eles logo a derrubariam e nos matariam.Eu senti que devia fazer alguma coisa de repente,um instinto...uma chama se acendeu dentro de mim.Eu tive absoluta certeza,de que era eu a pessoa que eles queriam.
Instintivamente,corri para a porta.Vaans tentou me deter,mad eu o empurrei.Se eu os distraísse talvez os outros garotos pudessem se esconder.Desci as escadas rápido quando cheguei ao saguão vi dois corpos caídos no chão.Avena e Marlene estavam mortas e três soldados apontaram suas armas com luzes para mim.O que estava no meio,o líder deles,me analisou.A lanterna de sua arma de apagou e um feixe de luz azul emergiu de sua máscara e me examinou dos pés à cabeça.
Eu me encolhi.O soldado abaixou a arma e os outros dois fizeram o mesmo.O do meio acenou para os outros.Era eu...como eu havia pensado.estavam atrás de mim.
Quando eles tentaram se aproximar eu corri pra minha esquerda.atravessei a porta e sai para as ruas aterrorizadas da cidade.Tudo estava um caos.Havia pessoas correndo.outras mortas .Soldados armados por toda parte e seis aeromodelos sobrevoando a praça central.Eu não tinha pra onde correr.Logo todas as armas de voltaram para mim,os aeromodelos viraram seus faróis na minha direção.Eles de aproximaram devagar.Cada passo que davam sobre o chão metálico era uma badalada histérica do meu coração implorando para que eu corresse.Mas antes que eu corresse braços grandes me envolveram por trás.O soldado que estava no saguão me surpreendeu e tentou me imobilizar.Eu lutei contra ele inutilmente,ele me segurou enquanto os outros se aproximavam e passavam o feixe de luz azulado pelo meu corpo.Um deles fez sinal para que o soldado que me segurava me carregasse ate o centro da praça.Eles abriram caminha,mas quando ele se moveu eu consegui uma brecha,houve um momento em que seu apertou de afrouxou e então eu comecei a correr.
Atravessei todos os soldados armados correndo,eles não dispararam suas armas — apenas me seguiram com os olhos.Corri para o centro da praça.Quando enfim cheguei à fonte houve um clarão e um dos aeromodelos,o que parecia ser o maior planou bem diante de mim;o ar movimentado pelas hélices soprou no meu rosto frio.Houve uma luz vermelha na plataforma inferior que por sua vez também se deslocou,mas não saíram mais soldados.
Ao invés disso algo muito pior saltou para fora da aeronave.
Uma figura animal e prateada saltou e pousou silenciosamente sobre a fonte.O animal era reluzente,o metal do qual era feito devia ser muito nobre.Ele era grande,com a coluna curvada e de sustentava sob quatro patas.O lobo de metal abaixou o focinho e farejou o ar.
Fiquei parado.Atônito.Não sabia ao certo se eu tinha medo ou se ficava maravilhado com a sua perfeição.Ele era incrivelmente detalhado.Todos os seus traços eram perfeitamente detalhados.A cabeça,as orelhas,a calda,as unhas e ate os dentes.Tudo era reluzente e perfeito.
O metal reluziu ainda mais quando ele de moveu e se expôs ao luar.Silenciosamente desceu da fonte e ficou diante de mim.O frio atravessou a minha espinha;Todos os sentidos me abandonaram deixando-me completamente petrificado — Ele era a morte que se aproximava passo após passo,sem pressa.Suas presas de metal se destacavam em seu rosnado e no meio de tantos sons de explosões e gritos eu podia ouvir suas unhas arrastando sobre o metal.
Fechei os olhos,a respiração quente e suave soprou meu alisou meu rosto frio,era meu fim,seus dentes levantaram-me bruscamente do chão.Ele me jogou para cima e eu cai sobre suas costas.Era quente,embora fosse de metal.
Houve apagão de repente.De uma hora pra outra eu estava dentro do aeromodelo de onde o lobo de metal havia saído.Ele me jogou sobre o chão e me rodeou emitindo um rosnado cortante de ameaça.
A aeronave pousou suavemente sob a praça.uma plataforma se abriu e os soldados retornaram à nave enfileirados.Eu ouvi os gritos das pessoas assustadas e dos meus amigos do orfanato ate as turbinas funcionarem e nos colocar no ar.Um dos soldados me pegou pelo braço e me jogou sob uma bancada de metal azul.Me obrigou a deitar.Um outro passou um aro prateado na minha testa,pulsos e tornozelos,era gelado e me deu arrepios.Meu coração acelerado deu um salto quando ouvi um estrondo que em seguida sacudiu o aeromodelo.Um dos soldados riu e olhou pela janela.Consegui virar o pescoço o suficiente para ver um brilho esverdeado sendo deixado para trás...parecia ser na direção de Hazbalron...o que eles haviam feito na minha cidade?
Fechei os olhos.Uma sensação intensa de revolta me dominou.Eu estava com ódio...algo horrível havia sido feito.E sem nenhum motivo.Eles já haviam me raptado...me tinham sob seu domínio.Não havia porque fazer aquilo.
O desejo de vingança me dominou...Eu não pensei no que estava fazendo,olhei para baixo,para o soldado que estava parado ao lado da bancada.sua arma estava repousada em sua cintura.Foi necessário um único esforço,meu braço arrebentou o aro prateado como se ele fosse de papel,peguei a arma antes que alguém reagisse,olhei para baixo...perto da plataforma havia um cilindro vermelho preso a parede.
Disparei um projétil.Houve um clarão e outro solavanco.A explosão causou um estrago inesperado.Houve uma abertura na nave por onde meu corpo foi arremessado.Cai enquanto o aeromodelo vacilava e caia,em chamas,sob a floresta por onde sobrevoava.
Eu não esperava sobreviver à queda,mas eu estava satisfeito em saber que eu os havia destruído da mesma forma que eles supostamente haviam destruído a minha cidade.
Eles iriam queimar ate a morte.
Entretanto...de repente senti braços rígidos de metal me abraçarem durante a queda.O lobo de metal me segurou e amorteceu a queda no momento do impacto.Ele rolou pelas árvores colina abaixo.Nao deixou que eu sofresse um arranhão sequer.A poeira cobriu meu rosto e eu fechei os olhos.De repente houve um solavanco maior e meu corpo foi arremessado pelo gramado,o lobo caiu um pouco a frente.Em instantes ele estava de pé,sacudiu a poeira e pôs -de a me analisar com os dentes a mostra.Seus olhos eram duas esferas de cor alaranjada...reluzentes como duas estrelas.
Ele me fitou enquanto se aproximava devagar.Eu me obriguei a recuar para trás,minhas pernas pareciam estar enferrujadas,o ar circulava descontrolado pelos meus pulmões.O lobo cibernético me farejou.Abocanhou minhas roupas e me jogou em suas costas.Novamente ele se colocou a correr pelo gramado a uma velocidade impossível de de calcular.Por todo lado eu so podia ver uma mancha verde que logo virou uma massa escura e esbranquiçada ao mesmo tempo.
Reparei que estávamos no deserto.Olhando para o leste eu vi um brilho verde conectar o céu e a terra em uma linha vertical.Havia uma massa de fumaça branca de onde a cada segundo estalava curtas e brilhantes correntes de energia.
Era Hazbalron...a minha cidade...estava morta...de alguma forma.
O lobo rosnou e acelerou a corrida.Suas patas mal tocavam a areia.Ele corria levemente como se planasse ao redor do solo.Era silencioso e esguio.Cortava o vento como uma lâmina.
Foi então que houve a explosão.
Uma coisa emergiu da areia e causou uma tempestade.Um redemoinho cortante aranhou as articulações de metal do lobo e ele ficou paralisado.De repente uma coluna cinzenta e escamosa subiu ate o alto.Devia ter uns vinte metros de altura,suas escamas eram prateadas e brilhavam ao luar e a criatura possuía uma abertura asquerosa e profunda no lugar onde deveria estar a cabeça....era como se sua boca ocupasse todo o espaço.Os dentes eram escuros e afiados e por eles escorria uma saliva quente e ácida que derreteu a superfície metálica do lobo e o deixou impotente.
A imensa minhoca se preparou para abocanhar meu raptor.Eu não hesitei.Forcei a minhas pernas a se moverem e comecei a correr.Tropecei sobre as dunas de areia e não olhei para trás.Só queria sair daquele deserto o quanto antes...queria acordar daquele pesadelo.Queria que tudo acabasse ao amanhecer.Que eu estivesse de volta à Hazbalron...ao orfanato.E que tudo estivesse bem.Nada de monstros,nada de aeromodelos com soldados armados surgindo ao anoitecer.
Senti um tremor.Outro redemoinho surgiu atrás de mim e outra minhoca de areia atravessou o céu.Tentei aumentar a velocidade,mas a areia parecia me puxar para o chão.A minhoca avançou batendo seu corpo sob o solo tentando me atingir.
Tropecei e deslizei pela areia.A minhoca voltou sua boca ácida para mim.Com o corpo oscilando entre o calor do momento e o frio trazido pelo medo e pela morte eu me encolhi.Estava pronto para o fim quando dois projeteis atingiram o corpo da minhoca e a fizeram cair sobre a areia em pedaços nojentos de carne ácida.Olhei para o lugar de onde vindo o disparo e vi o lobo cibernético caminhando ate mim.Estava seriamente danificado.A pata posterior direita estava impossibilitada.As orelhas e a cauda haviam sido decepadas e o brilho prateado havia abandonado seu corpo,que agora estava coberto de ferrugem.
Ainda assim ele avançou.Eu recuei,ja estava praticamente fora do deserto,podia ver a entrada para o bosque logo atrás de mim.Eu so precisava correr mais um pouco.Eu conseguira...ele estava debilitado...nao ia poder me alcançar.
Minha reação foi imediata.Me arrastei sobre e areia sem olhar para trás...a qualquer momento outra minhoca de areia poderia surgir e eu teria mais problemas.Eu ja estava perto...só mais dois passos...e enfim cheguei ao gramado.
O lobo de repente saltou e me alcançou.Caiu a menos de dois metros de mim e me fitou com os dentes a mostra.
Só que desta vez eu não recuei.Nem Sequer tive medo.Desta vez eu estava curioso e um pouco irritado.Eu is morrer...tinha certeza,mas pelo menos ia saber o motivo.
-Por que está atrás de mim?-eu perguntei.Minha voz trêmula revelou meu pavor.O lobo nada disse.Apenas farejou o ar.
-O que você quer comigo?
Mesmo tendo a certeza de que ele não iria responder eu permaneci a fita -lo.O raptor suspirou e assobiou.
— Porque você pertence à N.E.C.R.O — ele disse através de um grunhido gutural.
— N.E.C.R.O? — eu sussurrei de testa franzida. -A empresa farmacêutica?Achei que tivesse ido a falência antes de eu sonhar em nascer.
-A N.E.C.R.O nunca esteve morta — continuou — ela apenas adormeceu por alguns anos,mas ela voltou.E você,Seth,é a criação mais perfeita do criador.E você nos pertence.
O lobo avançou antes que eu retrucasse.Mesmo debilitado ele queria me levar para sabe — se Deus onde.Eu recuei e me esquivei de seus dentes.Me afastei para as arvores tentando fugir.Ele estava lento,mas letal.Se me pegasse poderia ser meu fim.Foi quando eu ouvi um barulho translucido,suave e relaxante.Eu sabia o que tinha que fazer de repente.
Segui aquele som como se fosse a minha salvação.Logo eu estava diante de um barranco, e lá embaixo,havia um córrego.Uma corredeira funda que acabava em um rio.O lobo estava bem atrás de mim.Ele era de metal e estava enferrujado.Nao ia sobreviver se caísse no rio atrás de mim.Suas articulações iriam endurecer.
Respirei fundo.Era a minha única chance de sobreviver.Tentei saltar...mas não houve coragem.Com um rompante de fúria o lobo surgiu atrás de mim.Eu não tinha escolha a não ser saltar.Mesmo não sabendo nadar...naquela hora eu rezei pra que fosse fácil aprender.
Saltei pra dentro da corredeira e fechei os olhos...o lobo saltou atrás de mim.
E então a temporada de caça se iniciou.
Fale com o autor