Resiliência
1 Prológo
Coloquei as mãos no seu rosto de novo, lançando o escudo para fora da minha mente, e então comecei onde eu havia parado — com a lembrança como cristal da primeira noite da minha nova vida... demorando-me nos detalhes.
Eu ri sem fôlego quando seu beijo ansioso interrompeu meus esforços de novo.
— Droga — grunhiu ele, beijando faminto a linha do eu maxilar.
— Temos todo tempo do mundo — lembrei a ele.
— Para sempre, para sempre e para sempre — ele murmurou.
— Isso soa perfeito para mim.
E assim, alegremente, continuamos aquela parte pequena e perfeita da nossa eternidade.”
— Bella, Bella. Acorda, menina!
Isabella acordou um pouco atordoada. Sua visão foi clareando aos poucos, mostrando seu pai e sua careta de preocupação mesclada com impaciência.
— Pai? — perguntou ela, a voz rouca por causa da sede.
— Você estava me preocupando — respondeu ele, soltando um suspiro de alívio.
Fazia tantos anos que ela ficava doente quando o visitava, que Charlie tinha perdido o jeito de cuidar dela.
Tudo girava um pouco quando ela tentou levantar da cama. A gripe a pegara com vontade e seus braços doíam e tinham a consistência de uma geleia.
— Desculpe. — E ela sentia de verdade. Desde que chegou a Forks, ela apenas deu trabalho. — Por quanto dormi?
— Umas dezoito horas, eu acho. Achei melhor só te acordar agora, você parecia muito cansada, mas precisa comer. — Ele pegou uma bandeja colorida recheada de comidas dos mais variados tipos. —Coma o máximo possível.
Charlie a olhou com carinho. Isabelle sempre fora pequena e delicada, mas seus olhos exibiam manchas arroxeadas e existia uma palidez cinzenta que a fazia parecer doente e muito mais velha do que seus dezessete anos. Ela definhava lentamente. Seu coração de pai sangrou um pouco.
Isabella sorriu, sentindo o coração apertar um pouco. Era bom estar de volta com o seu pai outra vez. Mesmo que por uma situação tão chata. Ela pegou a bandeja e, quando foi coloca-la no colo, derrubou alguma coisa: o livro do Drácula, de Bram Stoker.
“Ah, por isso o sonho esquisito”, pensou, ainda impressionada com as imagens vividas. Foi o sonho mais longo e surreal que teve em toda sua vida. Ficou chocada por ter sonhado com os filhos do Dr Cullen e com seu amigo de infância. Na verdade, ela sonhou com todos os amigos da tribo também.E só havia conhecido alguns na breve visita que fez na terça-feira passada.
Ela meditava sobre as sandices do seu sonho enquanto devorava uma torrada com chocolate. Estava começando a surtar depois de todo aquele tempo? Como uma boa hipocondríaca que era, Bella já começava a pensar em todos os possíveis diagnóstico e ficar levemente em pânico.
— Você tem certeza que quer ir pra escola amanhã? — questionou Charlie, achando que não era uma boa ideia.
— Sim, eu quero. — respondeu ela, cheia de firmeza.
Se fosse para recomeçar, que fosse direito.
— Tudo bem. O Jake vai vir te buscar amanhã. — Quando ela começou a protestar, Charlie esclareceu. — Só na primeira semana. O ônibus não passar por aqui e eu preciso falar com a prefeitura pra mudar a rota.
Ela assentiu. Não havia muito que fazer.
Eles conversaram mais um pouco até que ele disse que iria fazer o jantar e ela resolveu tomar um banho.
A água quente era relaxante e fazia seus músculos doerem menos. Ela não sabia quanto tempo ficou ali, mas foi o suficiente para suas mãos enrugarem e a água ficar fria. Pensou em deixar de lado suas fanfics de Harry Potter e Naruto e começar um romance meia boca com o sonho que teve. Provavelmente daria mais Views do que reconta a história de James e Lilly e Neji e Hinata.
XXXX
Os cabelos caiam no chão à medida que Bella passava o pente.
A imagem no espelho a deixava ainda mais deprimida: seus cabelo estava ralo e fino, cheio de falhas que nem um coque conseguiria esconder. Ela precisaria trocar a base para uma de alta cobertura se quisesse esconder as olheiras e sulcos que se formaram por causa do seu emagrecimento. Seu nariz parecia ainda maior no rosto esquelético.
O peso na consciência por causa da comida estava quase tomando sua mente, por isso tomou o remédio antes que perdesse a noite procurando mais defeitos. Decidiu descer e ver se Charlie precisaria de ajuda.
O cheiro da comida estava bom e seu estômago roncou por mais, mesmo que já tivesse comido bem. O tempero do seu pai diferia do da sua mãe por ser mais picante e saudável.
— Sua namorada vai vir? — Bella perguntou, apreciando o cheiro da sopa.
— Ela vai vir amanhã. Ela passou por aqui e deixou esses pães que você gosta.
A cesta continha dezenas de pães de polvilho. Bella sempre gostou de Sarah, uma mulher esbelta que tinha uma mistura interessante por causa das raízes irlandesas e indígenas. Achava-a deslumbrante, como uma supermodelo.
— Você deveria parar de enrolá-la, pai — comentou casualmente.
Charlie olhou para ela, indignado.
— Eu não estou a enrolando — rebateu.
Bella mordeu os lábios para não falar alguma coisa venenosa. No fundo, tinha medo do seu pai nunca ter esquecido sua mãe. Segundo a maioria das pessoas, o primeiro amor poderia ser o mais marcante.
— Humm.
— Você tomou seus remédios? — ele perguntou o mais casualmente possível.
— Sim, tomei.
Os dois caíram num silêncio desconfortável. Era estranho para Bella falar tão abertamente sobre aquilo. Passou muito tempo escondendo como se sentia e perceber o olhar de preocupação constante dos pais só servia para deixá-la mais ansiosa. Charlie não sabia se deveria entrar no assunto ou esperar com que ela quisesse falar.
Eles comeram a sopa de legumes e abobrinha recheada enquanto tentavam achar um território seguro para conversar, assim, apenas jogaram amenidades fora. Ela teve o cuidado de comer apenas o estritamente necessário, embora seu estomago reclamasse, exigindo mais aquele prato delicioso.
— Eu vou descansar mais um pouco, pai — disse, depois de um tempo. O relógio na parede marcava 21h38min e seu corpo pedia por descanso.
— Faça isso, sim, querida. — Ele sorriu o mais levemente que conseguiu, mas o vinco de preocupação permanecia lá. — Ah, não esqueça que amanhã a terapia é antes das aulas, então tente acordar o mais cedo possível.
Bella sorriu e contornou a mesa, dando um leve beijo na bochecha dele e subindo para o quarto em seguida. Lá, ela ficou remoendo o sonho que teve; não porque acreditasse ou algo do tipo, mas não costumava sonhar com pessoas que acabara de conhecer. Pensou se não era efeito dos remédios, então pegou a bula de alguns e constatou que tinha grandes chances de ser.
Assim que descansou a cabeça no travesseiro, sentiu o coração começar a palpitar e as mãos tremerem um pouco. Fechou os olhos com força, desejando ter uma noite de paz por pelo menos um dia. Quase meia hora depois, levantou-se com exasperação. Observou a lua minguante e as estrelas, que pareciam milhares de vezes mais brilhantes naquela cidade pacata. Mesmo sabendo que era idiotice abrir a janela com o tempo tão frio e úmido, não resistiu e logo o cheiro de mato verde invadiu suas narinas, acalentando um pouco do seu nervosismo.
“Um pouco de natureza é tudo que preciso”.
Não saberia dizer quanto tempo ficou sentada na janela, mas foi o suficiente para seu coração recobrar um ritmo normal e seu nariz entupir outra vez. Esgotada, ela caiu na cama e dormiu antes mesmo de elaborar as mil situações constrangedoras que o dia seguinte lhe traria.
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