A ponta de seus dedos não a tocavam completamente, apenas se arrastavam lentamente pelo corpo esguio, contornando as pernas, o quadril, a cintura, o vale entre os seios...


Sorriu maravilhado, seus olhos azuis escureceram de desejo ao perceber cada pelinho delicado daquela mulher reagir a cada movimento seu. Envolveu o pescoço longo com a mão, achou graça quando lembrou do “acidente” na Espanha e principalmente na maneira que ela mesmo com um passado desses, agora jogava a cabeça para trás se afundando no travesseiro, oferecendo-o ainda mais... acariciou-o, beijou-o. Quantas vezes se amaram até agora, ele não sabe mais contar, algumas vezes não fizeram pausa, apenas emendaram “uma na outra”... e depois outra...


Tiveram alguns momentos de conversas e carícias, sem sexo. Com sexo e sem ele, Ada lhe mostrou de uma maneira muito curiosa que falava pelo menos doze idiomas além do inglês, ela traduziu algumas palavras, o melhor exemplo, foi “Bonitão” em cada uma das doze línguas. Mandarim. Japonês. Russo. Sueco. Frances. Alemão. Italiano. Espanhol. Polonês. Grego. Coreano. Árabe. Alguns dialetos do interior da China... Latim... Outras vezes ela se recusou a traduzir... “ — Seja esperto e tente adivinhar...” Leon não adivinhou, mas pelo tom de voz, pelo olhar e pela movimentação dela na cama, sabia que era algo bem... sujo. E muitas outras vezes, quando ela traduzia depois de muita insistência, bem ao pé do ouvido.. ele não podia ver, mas sentia o rosto arder, sabia que tinha corado.


“ — Veja o que eu tenho na minha cama, uma espiã tão esperta, quase um gênio do crime, procurada internacionalmente... eu sou um agente secreto do governo, Ada, a minha pena para essa traição contra o meu país, é a prisão perpétua, sabia?” — Ele sussurrava delicadamente contra a orelha esquerda da espiã, a medida que uma de suas mãos já a provocava por entre as pernas, pedindo por mais uma vez.


Ela gemeu longamente antes de finalmente receber o corpo daquele homem novamente sobre o seu — “ — Não seja otimista, Bonitão... eles vão matá-lo.”



Se beijaram mais uma vez, estavam cansados, mas não o suficiente para não se amarem uma ultima vez enquanto o sol raiava.



Leon abriu os olhos devagar e logo percebeu o vento frio que entrava janela adentro e o fez acordar. Estava dolorido e completamente nu, sozinho na cama. Lembrava que já era dia quando deve ter caído no sono, mas não exatamente quando. Agora já era noite.


“ — Ada.” — ele chamou sem ouvir resposta. Se colocou de pé, precisava de um banho, estava com muita fome também. As “provas do crime” estavam por toda parte, o perfume inconfundível dela impregnado em seu próprio corpo, exalando dos lençóis, se espalhando pelo quarto. Os mesmos lençóis que continham o perfume dela, também continham as “marcas” do que acontecera ali horas atrás. Não lembrava se as janelas do andar de baixo estavam fechadas, achou melhor vestir o jeans antes de descer até a cozinha. Percebeu algo dentro do bolso. Era um bilhete dobrado e o beijo de um batom vermelho como selo.


“ — Não!” — Decepcionado e já na expectativa do que aquilo significava, abriu o bilhete o mais rápido possível.


Leon,

Mil desculpas por não esperar você acordar, mas como sabe, agora eu sou uma garota sem carro e com um longo caminho pela frente. Você dormia lindamente, achei melhor não te interromper.

Amor,

Ada”


Gostaria de sentir raiva dela por isso. Gostaria de amaldiçoá-la. Gostaria de cruzar a porta e caçá-la até o ultimo canto do mundo só para fazê-la pagar. Mas a única pessoa que conseguia culpar e sentir raiva era de sí mesmo. Ele sabia que algo assim poderia acontecer. Deveria ter se esforçado mais para ficar acordado, deveria tê-la algemado na cama se fosse preciso. Mas agora era tarde, e o bilhete em suas mãos era tudo o que restou.


O que você esperava?Que ela não fosse embora nunca mais?” — Lembrou sobre o combinado, e o quanto ela foi bem clara antes que finalmente fossem para a cama juntos. Sem telefonemas, sem contato, sem cobranças, sem perguntas, sem planos, sem dia certo para seus encontros... Não podia sentir raiva dela, não tinha o direito. Era horrível admitir, mas Ada foi honesta com ele. Se isso o incomodasse tanto, poderia ter recusado, mas não o fez. Agora, era aguentar as consequências. E a pior delas era o fato de que depois dessa primeira noite juntos, ele não conseguiu o alivio que esperava para a sua obsessão em “Ada Wong” que já dura mais de seis anos...


Ela não era uma idealização, uma fantasia, um fetiche, algo que depois de desfeito todo o mistério da primeira vez, do contato real entre suas peles, iria diminuir ou fazê-la cair na “humanidade” comum em que qualquer outra mulher está para ele. Ela não era uma “caça” na qual um homem persegue para autoafirmar sua masculinidade e depois da conquista feita ele perde o interesse. Não. Essa noite só serviu para deixá-lo ainda mais apaixonado do que já era. Ada Wong terminou de arrancar-lhe o coração, e levá-lo embora junto com ela, sem qualquer previsão de quando irá trazê-lo de volta.


“ Vamos olhar os pontos positivos... Ela te fez uma proposta antes, e colocou suas condições. Ela podia simplesmente ter tido uma noite inteira do sexo mais quente sem ter ao menos tocado em qualquer assunto, e ir embora no dia seguinte do mesmo jeito. O fato dela ter imposto condições e perguntado se estava tudo okay, ou não, pode ser visto como um forte sinal que sim, ela vai voltar, e sim, agora eles tem... algo... parecido com um relacionamento...”


Tal pensamento deixava Leon esperançoso. Desde o incidente em Raccon City, abandonou qualquer plano que um dia teve em constituir família, ter filhos, um jardim e um labrador. Não que tenha perdido a fé na humanidade e estivesse apenas esperando um apocalipse eminente a qualquer momento. Apenas estava convencido de que escolheu uma estrada totalmente oposta a que tinha escolhido quando era um garoto e sonhava em ser um simples policial. Seu estilo de vida agora era perigoso, tortuoso, inseguro e exigia uma dedicação quase que exclusiva.


Lembrou-se de Ada, que além de ter uma vida tão parecida com a dele, ainda tinha o agravante de estar na ilegalidade, lidando diretamente com mentiras, manipulações, espionagens e com as pessoas mais perigosas do planeta. Não devia ser fácil e era absolutamente compreensível que ela se cerque de reservas. Riu, e pensou em como que por caminhos errados, ambos acabaram se tornando as pessoas mais certas um para o outro.


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Ada estava de volta ao lugar que era seu lar há quase quatro meses. Desde a missão na Espanha, nenhum lugar era mais seguro. De tempos em tempos a organização para a qual trabalha conseguia identificar a movimentação de Albert Wesker para encontrá-la e a partir daí enviá-la para algum local mais seguro. Há quatro meses que nenhum movimento do bioterrorista era detectado, era como se ele tivesse desaparecido...


A espiã observou a charmosa casa de campo escondida por entre as arvores de uma reserva florestal no Alasca. — “Mas o meu muquifinho é um luxo!” – E de fato era. Era pequena, mas muito charmosa, as linhas na faixada que lembravam uma arquitetura moderna contrastavam com a madeira que transmitia uma imagem rústica. Caminhou lentamente em direção a porta imaginando como seria entrar na sua hidromassagem, com todos os seus sais de banho, uma boa taça de vinho tinto e ficar alí apenas lembrando da noite maravilhosa que teve na simpática cidadezinha de Sherril...


O silêncio daquele lugar era algo assustador para muitos... mas não para Ada, que já havia estudado inclusive os ruídos de cada animal noturno daquela reserva, e com o sua percepção extremamente apurada, quase um sexto sentido que fazia a espiã identificar qualquer situação incomum no ambiente onde vive, sentia que seria capaz de identificar só pelos ruídos e o comportamento dos outros animais que, por exemplo, uma loba estava no cio perto dali... E foi por esse motivo, que ela percebeu que algo estava muito errado naquela casa.


“ — Que pena. Acho que o meu banho de espuma ficará para outra noite.” — Disse antes de atirar sua Grapple Gun em direção ao pinheiro mais alto alavancando para um salto de metros, segundos antes da explosão. Lá do alto, checou o armamento que tinha antes de começar a sua fuga... um batom explosivo, uma navalha escondida no salto, uma 9mm e os comandos para armar todos os explosivos que ela colocou em volta da casa, num raio de um quilometro todos esquipados e seu celular. — “ — Acho que essa é a minha deixa para arrumar outro muquifo.”



Continua....