Notas iniciais
Mil desculpas pela demora... mas meu notebook recém comprado é pitiático... deu um DNV fenomenal ontem... enfim, vamos a fic que é o que interessa.

Leon chegou em Londres ainda pela manhã, mas o céu era cinza escuro, completamente nublado. Agora já era tarde e a tradicional neblina londrina caiu sobre a cidade. O agente secava os cabelos com uma toalha enquanto observava tudo pela janela. Não pregou o olho durante todo o voo, e sua manhã, bem, foram dois anos afastados... sua manhã toda se resumiu à Ada.

Só agora teve tempo de tomar banho e desfazer as malas. Enrolou a toalha em volta da cintura e caminhou em direção a enorme cama de casal. Dedicou alguns minutos somente para observar a mulher que alí dormia. O simples fato de agora estar ao lado dela já fazia valer a pena os dois longos anos de espera.

Como era bom estar nos braços dela outra vez, sentir ela o abraçar forte, tão apertado que não deixava sobrar qualquer dúvida, a loba solitária, a super espiã sentiu – e muito – a falta dele. Sentia-se orgulhoso por isso. Quantas pessoas interessantes ela já não teria conhecido? Quanto do mundo ela não viu? Ela deveria ser fria, calculista... e era, mas ela também deveria tê-lo matado em Raccon City, depois na Espanha, e no entanto tudo o que ela fez além de arriscar a vida para salvá-lo inúmeras vezes, era partilhar a cama com ele, o corpo, e vez ou outra, deixar escapar declarações de amor. Não havia uma só vez em que esteve alí, entre aqueles braços, que Leon não se preguntasse: Com tantos no mundo, por quê o sortudo era ele?

Melhor que estar nos braços dela, era tê-la nos braços. O corpo magro e menor que o seu, que não importa o quão forte o agente saiba que ela é, ele sempre agradece por ela estar inteira e bem. Ele também a abraça forte e não consegue conter o enorme desejo de protegê-la.

Ela o beijou. Era um beijo longo, faminto, cheio de saudade. O agente deixou que ela o atirasse na cama. A cama tão limpa e arrumada, e “Ela”, tão maravilhosa e perfumada, e ele, sentindo-se um moribundo após nove horas de viagem.

“ — Ada... foi uma viagem longa. Eu estou todo amarrotado.”

“ — Você não precisa de roupas aqui.” — Disse a espiã montando sobre o corpo do agente, beijando-o no pescoço enquanto desabotoava a camisa cinza que ele vestia.

“ — Mas... eu acho que... talvez eu devesse tomar um banho e...” — Não completou a frase, graças a mulher que tapou a sua boca com força.

“ — Quieto Kennedy.” — Ela sorriu de forma maliciosa enquanto continuou a despir o homem que tinha preso embaixo de si. — “ — Você está me fazendo perder tempo.” — Completou, e com uma habilidade impressionante, desafivelou o cinto grosso, saindo de cima dele e num movimento rápido lhe abaixar os jeans até o joelho.- “ — Cada segundo é precioso.”

Leon se apoiou nos cotovelos para erguer a cabeça e poder contemplar a visão de Ada se despindo, dois anos se passaram e ela só estava ainda mais bonita. Prendeu a respiração, imerso em expectativa quando ela se aproximou lentamente, arranhando suas coxas brancas de leve, afundar o rosto contra a sua virilha, mordeu o lábio quando assistiu a língua da espiã passear por cima do tecido de sua cueca branca, se insinuando pelo volume da rigidez que já quase não cabia mais ali dentro. Voltou a respirar quando ela seguiu beijando sua barriga, subindo até o peito, até chegar novamente em sua boca.

O loiro a abraçou enquanto a beijava outra vez, porém quando insinuou o primeiro movimento para inverterem as posições, foi chocado novamente contra o colchão com a mestiça segurando-lhe os braços com toda a força — “Puta merda, ela é forte.”

“ — Eu não disse que você podia se mover, Bonitão.”

Ada se divertia em ver o corpo do amante alí atirado a sua frente, seu completo refém. Ela já podia perceber a tensão dele para o que estava por vir a medida que iniciou todo o seu caminho de volta, descendo aos beijos e mordiscadas pelo pescoço, clavícula, pelo peito largo, o abdome bem definido, o baixo ventre... parou quando se deparou novamente com aquela peça de roupa inconveniente.

Leon já se apoiava novamente nos cotovelos, seus olhos azuis se cruzaram uma ultima vez com os verdes que o observavam “lá de baixo”. Ela não tinha um pingo de vergonha, nenhum grau de timidez... cueca nos joelhos, não segurou o gemido alto quando ela finalmente o fez, a boca aveludada e macia envolvendo-o, depois subindo e descendo, levando-o a loucura.

Ele já não lembrava mais se tinha algo planejado para suas primeiras horas em Londres. Se estava cansado, se estava com fome ou se queria um banho e roupas limpas, nada disso importava e já estava convencido de que qualquer ideia que tivesse tido não teria sido melhor que essa. Nota mental: Sempre a obedeça. Ela sempre tem uma ideia melhor...

Agora já eram cinco da tarde. Chovia e estava frio. Lembrou que Ada disse qualquer coisa sobre pedir um chá das cinco no quarto, contudo, ela adormeceu. Leon estava nervoso demais para dormir, apenas a aninhou em seus braços e a manteve ali, como se pudesse velar-lhe os sonhos.

Sentou-se na beirada da cama, o fez devagar com todo o cuidado, mas mesmo assim ela acordou, se remexendo preguiçosamente por entre os lençóis da cama agora completamente desfeita.

“ — Hn... por quê, Leon?”

“ — Por quê, o quê?”

“ — Você me deixou dormir.” — Ela ao puxou de volta para a cama abraçando-o.

Leon achou graça, era inacreditável como as vezes – mas só as vezes — ela conseguia até ser “fofa”. — “ — Não foi muito tempo, nem três horas de sono.” — Ada já estava bem acordada ao seu lado, e ele simplesmente a tocou, deixou que sua mão passeasse por todo aquele corpo, observando-a longamente.

“ — Desembucha, Leon, esta pensando em quê?”

Só então o loiro percebeu que estava acariciando a cicatriz que Ada tinha na cintura, que cortava das costas até uma parte da barriga. Ele não tentou disfarçar. Para falar a verdade, era uma das características físicas nela que ele mais amava, era a “sua” marca nela, que não importa o que aconteça, com quem ela esteja, ou para onde ela vá, que não importa o que o futuro os reserve, aquela cicatriz era a prova física e permanente de que fora ele “aquele” que ela amou tanto a ponto de dar a vida.

“ — Bem, você esta certa. Mas eu não estou pensando... eu estive pensando, todos esses dias ao longo desses dois anos. E tomei uma decisão.” — Estavam deitados de frente um para o outro, ele podia olhar no fundo dos olhos, agora cor de jade, ele tinha toda a atenção da espiã. — “ — Bem, eu não preciso te contar, porque como você já disse... você sabe de tudo, mas eu não sei por que, ultimamente eu tenho pensado muito nos meus pais... meus pais biológicos. Eu sempre preferi ignorar essa parte da minha história, talvez como uma maneira de só ter boas lembranças deles...”.

“ — Espera... pais biológicos?”

Leon arregalou os olhos, surpreso. — “ — Você não sabe, super-espiã-eu-sei-de-tudo-Ada-Wong?”

Ada sacudiu a cabeça, confusa. — “ — Uau, parece que eu deixei algo escapar... Sou toda ouvidos, Bonitão.”

Leon se deliciava, por pela primeira vez ser ele o detentor de uma verdade que ela não sabia. — “ — John e Rachel não eram meus pais biológicos. Eles me adotaram quando eu ainda era pequeno. Você acha que eu fumava desde de Raccon City e parei antes de me tornar um agente, mas não. Eu só carregava um esqueiro, que foi a única lembrança que eu guardei do meu... hn, pai... eu sinto um pouco de culpa por chamá-lo assim, já que o meu pai adotivo foi tão bom para mim... Bem, eu sempre carreguei essa coisa comigo e só acendi o meu primeiro cigarro justamente depois de Raccon.”

Ele gargalhou quando ela bateu na própria testa. — “ — Eu não acredito! Como eu deixei passar isso? Eu ví tantos porta-retratos seus... nenhum de quando você era bebê. Justo uma mãe tão caprichosa em registrar tudo.” — A espiã sabia que tinha algo errado, algo diferente, ela podia sentir o cheiro, seu instinto nunca a enganou. Ela lembrou quando esteve na casa dos Kennedy e o questionou sobre os seus motivos para se tornar um policial e tudo o que Leon fez, foi desconversar. — “ — Conte-me resto... anda logo. — Ela estava ligeiramente chocada e ao mesmo tempo divertida.

“ — Eu devia calar a minha boca e deixar que você descubra sozinha.” — O agente estava divertido com a curiosidade da espiã — “ — aonde foi parar aquela arrogância toda, heim mulher? Eu sou Ada Wong, eu sei de tudo!” — Por fim gemeu quando ela cravou as unhas em seu braço num forte beliscão.

“ — Me conta!”

“ — Tá curiosa, é? Como se sente agora que quem faz o suspense sou eu?”

“ — Leon, não me provoca...”

Como resposta ele a beijou na boca, um beijo que a princípio ela resistiu, mas depois acabou cedendo se deixando levar pelo mar de sensações que sempre lhe invadia a alma quando seus corpos se encontravam, Leon sentia ao mesmo, e poderia continuar alí todo o tempo do mundo, se a vontade de chocar a mestiça ainda mais, nesse momento, não fosse maior do que qualquer outra coisa. Interrompeu o beijo e completou:

“ — Meu pais eram criminosos. Bandidos. Fora da lei. Marginais. Vigaristas. O que você preferir chamar.”

Os olhos esverdeados se arregalaram, Ada tinha o queixo caído.

“ — E por causa disso, eles acabaram mortos. Rachel sempre quis ser mãe, mas John era estéril, depois de anos esperando a oportunidade de adotar um bebê recém-nascido sem sucesso, eles decidiram aceitar a oferta de pegar uma criança mais velha, um garoto, eu.”

“ — Eu sinto muito por isso, Leon. Eu tenho que confessar, eu estou chocada. Eu já estava convencida de que você tinha a vida perfeita... até Raccon... e... me conhecer....”

“ — Tudo é perfeito quando eu estou com você, Ada. E é nisso que eu não consigo parar de pensar, em como manter você a salvo, como evitar que um dia apenas me chegue a noticia que eu te perdi, assim como eu perdi a minha família.”

Era apaixonante vê-lo assim, mostrando seus medos, suas fraquezas, confiando nela. Era ruim saber que ao mesmo tempo que era o alvo de tanto amor, era justamente esse amor que fazia acordar os sentimentos mais obscuros que ele trazia desde a infância. Pior ainda era saber que ela não podia fazer nada a respeito.

“ — Leon, não há risco que você também não corra. Você tem que confiar em mim, eu sei me cuidar. Acredite, você já esteve mais próximo da morte, por muito mais vezes, do que eu.”

“ — Eu fui promovido.” — optou por ignorar o que ela disse, uma pessoa que precisa se esconder tanto, por tanto tempo não tinha o direito de se sentir tão segura. — “ — Eu sou o chefe da D.S.O. E eu não tenho mais superiores, eu me reporto diretamente ao presidente, e recruto quem eu quiser.”

“ — Hn. Que bom... eu acho. Mas, o que isso muda?” — O loiro tirou a franja negra que lhe caia sobre os olhos enquanto a encarava profundamente, ela podia perceber o quanto ele estava nervoso, e pior, ela estava nervosa também, era como se pudesse sentir ambos os corações galopando na mesma batida acelerada, mas o que mais doía era a certeza que aquela conversa tomaria o rumo que ela mais tentou evitar...

“ — Você... não precisa fazer muita coisa, basta entregar alguns detalhes, ou alguns nomes, ou sobre o que você fez em Raccon, sobre os experimentos do seu namorado cientista da Umbrella... enfim, qualquer coisa que possa ser usado como um sinal de boa vontade sua para com a Casa Branca... ”

“ — E por quê eu faria isso?”

“ — Para limpar a sua ficha, para queimar todos os seus arquivos, para você poder viver como se nunca tivesse cometido um crime na vida. ”

“ — Leon, o conceito de crime pode ser algo muito relativo... e acredite o ultimo lugar no mundo inteiro em que eu conseguiria qualquer ajuda, é na Casa Branca.”

“ — Eu sei. Não fariam isso por você. Fariam por mim...” — Chegou a hora, era agora ou nunca, enfiou a mão na fresta entre a cama e o colchão para pegar o que havia escondido lá uma hora antes.

Ada fechou os olhos, pela primeira vez na vida poderia dizer que estava apavorada. Apavorada por ela, por ele, pela ingenuidade do ex-policial, por temer pela própria segurança e pela dele também, por saber que Leon não fazia ideia de que o seu lindo castelo era de feito de cartas e em cima de uma grande bomba relógio... ao mesmo tempo que nunca sentiu uma emoção tão grande, enorme a ponto de não saber até quando teria forças para segurar as lágrimas, de felicidade por saber que era tão amada, e de dor por saber que contos de fadas não existem e que “fugir” dali com o Leon Kennedy chefe da D.S.O. era algo muito mais complicado do que quando ela o cogitou fazer com um jovem policial recém-formado, nem que por breves segundos, há tantos anos. Quando abriu os olhos, não pode evitar que a primeira lagrima escorresse.

Leon segurava um anel de ouro branco, no topo tinha o tradicional diamante, o único detalhe que o diferenciava dos demais anéis de noivado, eram os pequenos rubis em volta do diamante, ele escolheu assim justamente porque sabia que ela adorava vermelho.

“ — Seja a minha mulher. Eu não vou fugir da minha responsabilidade, eu te amo e não é certo eu esperar que você solucione tudo sozinha... Adam lançou sua pré-candidatura, ele é meu amigo, ele te protegeria só por você ser uma testemunha chave, como minha esposa então, ele não vai poupar esforços. Eu não sou homem de cruzar os braços, chega de fugir. Diga que aceita, e nunca mais vai precisar ir embora, eu te prometo que farei tudo ao meu alcance, qualquer coisa para te fazer feliz... Casa comigo, Ada Wong?”

Continua...