Resgatando Os Laços
6 Capítulo 06
Grissom mal conseguia conter a agitação. Seus olhos iam do relógio na parede para a porta do quarto a cada segundo. Catherine havia garantido que Sara chegaria por volta das três da tarde, e o relógio indicava que faltavam apenas quinze minutos. A ansiedade, contudo, não era apenas pela espera; era pelo medo do que o esperava.
- Cath, seja sincera — Grissom questionou, passando as mãos nervosas pelos cabelos desgrenhados e pelas vestes hospitalares. — Eu estou com uma aparência decente para recebê-los? Quero dizer... estou com cara de quem acabou de voltar da morte, ou de quem ainda tem um pingo de dignidade?
Catherine soltou uma risada sonora, aproveitando o momento para quebrar a tensão do amigo com a provocação de sempre:
- Se o seu objetivo for assustar as crianças, você está perfeito — Cath soltou uma gargalhada, ajeitando a alça da bolsa no ombro. — Gil, você acabou de ressuscitar de um coma de cinco dias! Quer o quê? Pele de pêssego e bochechas rosadas?
Grissom franziu a testa, fazendo menção de jogar o travesseiro na sócia, mas o movimento fez o peito repuxar levemente por causa do marca-passo, e ele soltou um gemido baixo.
- Ei, sem movimentos bruscos, Dr. Gilbert! — Catherine mudou o tom para um carinho protetor, aproximando-se da cama. Ela pegou um espelhinho de maquiagem de dentro da bolsa e entregou na mão do amigo. — Olha, brincadeiras à parte, você está com uma cara ótima para quem bateu um papo com o além. Só um pouquinho pálido.
Grissom segurou o espelho com os dedos ainda trêmulos. Analisou o próprio reflexo com o rigor de quem estava prestes a entrar no tribunal mais importante de sua vida. Os olhos pareciam maiores devido ao emagrecimento desses dias hospitalizado, a barba já aparecendo devidos aos dias sem fazer e as olheiras entregavam o cansaço físico. Mas a determinação que brilhava ali dentro era nova.
Ele passou a mão pelos cabelos, tentando ajeitar os fios rebeldes. Quinze minutos. Era o tempo que a separava do início do seu prazo de trinta dias. O coração — agora controlado pela tecnologia médica e vigiado de perto por um acordo divino — deu um salto no peito.
- Eles vão chegar a qualquer momento, Cath... — Grissom sussurrou, devolvendo o espelho, a ansiedade finalmente sufocando o tom brincalhão. — E se a Liz se recusar a entrar? E se a Sara me olhar com aquela frieza dos últimos anos?
Catherine guardou o espelho e segurou a mão de Grissom, apertando-a com firmeza.
- Você passou os últimos anos resolvendo os casos mais impossíveis de Las Vegas, Grissom. Agora, o cliente é o seu coração. Só respira fundo, tira essa armadura de advogado e seja apenas o Gil deles. O resto, o tempo resolve.
Alguns minutos mais de uma impaciente espera e, por fim, a maçaneta girou. Grissom e Catherine fixaram os olhos na porta que se abria devagar, revelando a figura de Sara. Logo atrás dela, de forma quase relutante, surgiram Liz e Dudu.
O peito de Grissom deu um salto que o marca-passo mal foi capaz de conter. Um sorriso de pura alegria desenhou-se em seus lábios, acompanhado por uma onda de felicidade avassaladora. Ver sua família ali, reunida diante dele, parecia um milagre concreto. Pensar que, por muito pouco, ele não perdeu a chance de olhar para aqueles rostos novamente o fez engolir em seco. Ele daria tudo de si para reconquistá-los, aceitaria qualquer provação naquele mês de prazo, porque os amava demais para aceitar uma eternidade longe deles.
Catherine levantou-se imediatamente da cadeira, quebrando o gelo inicial. Cumprimentou Sara com um aceno terno e, em seguida, puxou os sobrinhos postiços para um abraço apertado, deixando um beijo carinhoso na bochecha de cada um.
- Bom, já que a retaguarda chegou, vou aproveitar para ir até a lanchonete do hospital comer alguma coisa real — Catherine anunciou, ajeitando a bolsa. Ela olhou significativamente para Grissom antes de se dirigir à porta. — Até logo, gente.
Ao sair, Catherine fechou a porta suavemente. Ela sabia que aquele momento era sagrado, uma arena que pertencia apenas aos quatro, e não pretendia agir como espectadora.
O silêncio que se instalou no quarto era denso, quebrado apenas pelo bipe ritmado dos monitores. Sara deu alguns passos à frente, aproximando-se do leito hospitalar. Seus olhos esquadrinharam o rosto pálido do ex-marido.
- Como você está, Gil? — a voz de Sara soou mansa, mas carregada de uma familiaridade que fez o estômago de Grissom revirar de nostalgia.
Ouvir aquele apelido antigo na boca da ex-mulher foi como abrir uma fresta para o passado, trazendo à tona as memórias dos anos em que o amor deles era a única prioridade — antes que a ambição e o trabalho rinassem tudo.
- Estou bem melhor agora, vendo vocês aqui — Grissom admitiu com sinceridade, a voz um pouco embargada. — Eu queria muito ver vocês.
- Você nos deu um susto terrível, Gilbert — Sara confessou, os ombros relaxando minimamente.
Tinham sido cinco dias de pura agonia. Todos os dias, após sair da universidade, Sara corria para aquele hospital, dividida entre a mágoa do passado e o pavor genuíno de perder o homem que, apesar de tudo, ainda ocupava um espaço imenso em seu coração. Ela havia rezado fervorosamente por aquele milagre.
- A Cath me contou... Sinto muito por ter causado toda essa preocupação.
- O importante é que o pior passou, não é? — Sara tentou desviar do peso emocional.
- Sim. Segundo os últimos exames, o marca-passo está estabilizado. Só preciso ficar mais vinte e quatro horas aqui em observação antes da alta.
- Fico realmente aliviada, Grissom. Rezei muito para que você acordasse desse coma.
- Obrigado, Sara... por ainda se importar comigo — Grissom esticou o braço com cuidado, oferecendo a mão aberta sobre o lençol até que Sara, hesitando por um segundo, a segurasse. — Eu sei que, pelo meu histórico, eu não merecia a sua preocupação, mas... obrigado de verdade.
Sara sustentou o toque por um instante, mas logo recuou sutilmente, buscando manter sua postura defensiva.
- Eu sempre vou me preocupar com você, Grissom. Você é o pai dos meus filhos — justificou, embora o fundo de seus olhos entregasse que havia sentimentos muito mais complexos ali do que a mera diplomacia de pais divorciados. — Isso nunca vai mudar, mesmo que estejamos divorciados — Sara virou-se para os adolescentes, que assistiam à cena em silêncio. — Meninos, não vão falar com o pai de vocês?
Dudu foi o primeiro a se mover. Quebrando o distanciamento, o garoto deu alguns passos rápidos, parando ao lado de Sara, bem próximo à cama.
- Oi, pai — disse ele, tímido.
- Oi, meu campeão. Como você está crescido... — Grissom o olhou fixamente, tentando gravar cada detalhe do rosto do filho.
Fazia meses — talvez mais de seis — desde a última vez que o vira de perto. Dudu tinha os traços físicos dele, o mesmo formato dos olhos e a mesma cor, mas Grissom percebeu com uma pontada de culpa que mal conhecia a personalidade atual do filho. O escritório havia roubado o tempo em que ele deveria estar assistindo-o crescer.
- Você está bem?
- Estou. E o senhor, está melhor mesmo? Sem dor?
- Sim, meu amor. O papai está bem.
- Eu... eu fiquei com muito medo, pai — o garoto admitiu, baixando os olhos.
A confissão de Dudu desarmou Grissom, trazendo lágrimas quentes aos seus olhos.
- Sinto tanto por ter feito você passar por isso, filho. Mas eu prometo que, de agora em diante, tudo vai ser diferente. Eu prometo.
Dudu assentiu com um sorriso contido, genuinamente feliz por vê-lo vivo. Ao contrário da irmã, ele não conseguia sustentar o rancor. Sentia a falta do pai, claro, e muitas vezes se magoava pelas promessas quebradas e pelos telefonemas que Grissom esquecia de dar após o divórcio, mas o afeto por ele ainda falava mais alto.
Após o breve acalento com o caçula, os olhos de Grissom inevitavelmente se voltaram para o fundo do quarto. Liz permanecia estática, quase colada à porta, com os braços cruzados e um semblante rígido.
- Oi, Liz — Grissom chamou, a voz mansa, tentando alcançar a primogênita.
- Oi — a resposta veio seca, cortante como gelo.
- Filha, saia daí de trás. Chegue mais perto para conversar direito com o seu pai — Sara pediu, o tom de voz misturando incentivo e repreensão ao notar o isolamento da adolescente.
- Estou muito bem aqui onde estou — Liz rebateu, sem descruzar os braços.
- Liz... — Sara começou, dando um passo na direção da filha, mas Grissom interveio antes que uma discussão começasse ali dentro.
- Tudo bem, Sara. Deixa ela — pediu o advogado, engolindo em seco. Ele precisava respeitar o espaço da filha se quisesse ter qualquer chance de reconciliação. — Deixa a Liz ficar onde se sentir mais confortável. Como estão as coisas na escola, filha? Como você está?
Liz ergueu o queixo, encarando Grissom com um olhar que transbordava anos de abandono e mágoa acumulada. A resposta veio sem qualquer filtro:
- Estou péssima por estar aqui. Eu só vim por causa do Dudu e da mamãe. Por mim, eu nem teria pisado nesse hospital para te visitar.
- Elizabeth!
O tom áspero de Sara ricocheteou pelas paredes do quarto, fazendo Dudu encolher os ombros. Grissom, no entanto, não recuou. Embora a rejeição de Liz doesse como um golpe físico em seu peito ainda fragilizado, o advogado compreendia o direito da filha de sangrar aquela mágoa. Ele mesmo havia fornecido a faca.
- Tudo bem, Sara, de verdade... — Grissom pediu, a voz mansa, erguendo a mão livre para conter o ímpeto defensivo da ex-mulher. Seus olhos não saíram de Liz. — A Liz tem todo o direito de estar chateada comigo.
- Há uma diferença enorme entre estar chateada e ser desrespeitosa, Grissom — Sara rebateu, a respiração ponderada, embora o peito subisse e descesse com rapidez. Ela olhou para a adolescente, os olhos castanhos faiscando autoridade. — Nós conversamos em casa, Elizabeth. Seu pai passou por uma cirurgia delicada. Um pouco de empatia é o mínimo.
Liz soltou uma risada soprada, amarga, e finalmente descruzou os braços, dando um passo à frente. O ressentimento que guardou por anos parecia ter transbordado com a pressão daquele quarto.
- Empatia, mãe? — a jovem questionou, a voz trêmula de uma indignação antiga. — Onde estava a empatia dele quando eu passei o meu aniversário de quinze anos meses atrás, olhando para a porta iludida, esperando ele chegar porque ele prometeu que ia, mas não foi, e a única coisa que recebi foi uma mensagem de texto da secretária do escritório no dia seguinte? Onde estava a empatia dele em todos os natais e eventos de família em que ele passou revisando processos no escritório em vez de estar conosco?
O quarto mergulhou em um silêncio sufocante. Dudu olhou para o chão, desconfortável, enquanto Sara fechou os olhos por um segundo, sentindo o peso daquelas lembranças que também eram suas.
Grissom sentiu uma lágrima solitária escorrer pelo seu rosto pálido. A imagem na água do lago do Paraíso não mentia: ele havia sido um carrasco para a própria história.
- Você tem razão, filha — Grissom disse, a voz embargada, mas firme. Ele não ia se esquivar. — Eu fui um pai terrível para vocês nos últimos anos. Eu me escondi atrás de prazos, de reuniões e de um sucesso que não vale absolutamente nada agora que estou nesta cama. Eu não posso apagar os aniversários que perdi, nem o tempo que deixei passar. Mas eu estou aqui agora. Eu voltei desse coma... por vocês.
Liz piscou, engolindo em seco, visivelmente desestabilizada pela vulnerabilidade do pai. Estava acostumada com o Grissom altivo, o advogado inabalável que sempre encontrava uma justificativa lógica ou um bônus financeiro para compensar a ausência. Ver aquele homem frágil, assumindo o erro sem desculpas, desarmou parte de suas defesas, embora o orgulho adolescente ainda falasse mais alto.
- Tanto faz — Liz murmurou, desviando o olhar para a janela do quarto, recusando-se a chorar na frente dos presentes. — Eu só quero ir embora.
Sara suspirou, passando a mão pelo rosto. Olhou para Grissom com uma mistura de pena e um sentimento mais profundo, uma angústia que tentava sufocar desde que o ex-marido deu entrada no hospital.
- Acho melhor eu levar os meninos para casa, Grissom — Sara disse com suavidade, tentando aliviar a atmosfera pesada do quarto. — Você precisa descansar. O médico me disse lá fora que o estresse não faz bem para o seu coração.
- Por favor, não vá ainda, Sara... — Grissom pediu quase num sussurro, estendendo a mão na direção dela, uma urgência velada em seu olhar. Trinta dias. O cronômetro corria. — Deixe o Dudu ficar mais cinco minutos. E... você poderia ficar um instante comigo? Apenas para conversarmos sobre a minha alta?
Sara hesitou. Olhou para Nick em sua mente, lembrou-se do compromisso de sexta-feira e de toda a estabilidade que havia construído. Mas, ao olhar para Grissom, para os olhos azuis que um dia foram o seu porto seguro e que agora imploravam por um feixe de conexão, ela não conseguiu dizer não.
- Tudo bem — Sara cedeu, virando-se para os filhos. — Dudu, converse mais um pouco com o seu pai. Liz, espere na lanchonete com a Catherine, por favor. Eu já desço.
Liz não esperou um segundo comando. Girou nos calcanhares e saiu batendo a porta do quarto com uma força desnecessária e, sem ao menos, se despedir, deixando para trás um rastro de eletricidade estática e a certeza de que a contagem regressiva de Grissom seria a batalha mais difícil de sua vida.
Dudu segurou a mão de Grissom com cuidado, sentindo os dedos dele apertarem os seus com uma força que misturava saudade e gratidão.
- Não liga para a Liz, pai — o caçula pediu em um sussurro, tentando confortá-lo. — Ela está só assustada. Todo mundo ficou com medo de você morrer.
Grissom sorriu, sentindo um nó na garganta diante da maturidade precoce do filho.
- Eu sei, campeão. A sua irmã tem todo o direito de estar assim. Mas papai promete que vai reconquistar a confiança de vocês. Como estão os seus treinos de futebol? Você ainda está jogando na lateral?
Os olhos de Dudu brilharam ao perceber que o pai se lembrava da sua posição no time, um detalhe que ele achava que já havia se perdido na memória de Grissom. Nos cinco minutos seguintes, o menino desandou a falar sobre o campeonato da escola, os gols que havia feito e como sentia falta de ter o pai na arquibancada. Grissom ouvia cada palavra como se fosse o som mais precioso do universo, gravando o timbre da voz do garoto e a forma como gesticulava ao falar, muito idêntica a sua quando estava em um tribunal.
Sarah observava a cena um pouco mais afastada, com os braços cruzados, mas a postura menos rígida. Ver Grissom prestar atenção genuína no filho, sem olhar para o celular ou checar o relógio de pulso a cada dois minutos, era algo que ela não presenciava há anos. Havia uma calma nova em Grissom. Uma presença que o trabalho antes roubava.
- Bom, Dudu... — Sara interrompeu com suavidade, aproximando-se. — Agora é mesmo a hora de irmos. Sua irmã já deve estar explodindo na lanchonete e a Catherine não vai dar conta dela sozinha. Vá indo na frente, a mamãe já vai.
Dudu assentiu, deu um beijo carinhoso na bochecha de Grissom e se despediu:
- Melhora logo, pai. Quero que você vá ver o meu jogo no próximo sábado.
- Eu vou estar lá, meu campeão. Na primeira fileira. Eu prometo.
O garoto sorriu, acenou para Grissom e saiu do quarto, deixando o ex-casal finalmente a sós.
O silêncio que se seguiu não era mais quebrado pela tensão das crianças, mas por uma eletricidade antiga e não resolvida que sempre existia quando ficavam sozinhos. Sara caminhou até a cadeira onde Catherine estivera sentada antes e se acomodou, mantendo uma distância segura.
- Ele sentiu muito a sua falta, Grissom — Sara começou, a voz caindo para um tom mais íntimo. — O Dudu tenta ser o maduro da história, mas ele sofreu muito com o seu sumiço após o divórcio.
- Eu sei... Eu fui um covarde, Sara — Grissom admitiu, virando o rosto no travesseiro para encarar diretamente os olhos castanhos da ex-mulher. — Quando nós nos separamos, em vez de eu entender o que tinha feito e tentar me aproximar deles, eu me afundei ainda mais no trabalho para não encarar o fracasso. Eu achei que, se eu sumisse, doeria menos para vocês. Que grande estúpido eu fui.
Sara engoliu em seco, desviando o olhar por um segundo. Não estava preparada para aquela linha de honestidade brutal de Grissom.
- Por que você me pediu para ficar, Gil? Catherine disse que você está bem e que os exames do marca-passo foram ótimos.
Grissom respirou fundo, sentindo o peso dos trinta dias correndo em suas veias. Ele esticou a mão no lençol, buscando o olhar de Sara.
- Eu pedi para você ficar porque eu quase morri, Sara. Meu coração parou de verdade por alguns minutos. E a única coisa que eu consegui pensar enquanto estava apagado, a única coisa que me trouxe de volta para este mundo... foi você. Foram os nossos filhos.
Sara estancou, a respiração travando na garganta diante da intensidade daquelas palavras.
- Grissom, por favor, não faça isso... — Sara pediu, a voz subitamente trêmula. — Você sabe que eu estou em outro relacionamento. O Nick... ele é uma pessoa maravilhosa. Ele me faz bem, faz bem aos meninos...
- Eu sei quem ele é, Sara. Catherine me contou — Grissom interrompeu com mansidão, sem o tom arrogante que costumava usar no passado. — E eu fico feliz que alguém tenha cuidado de você quando eu falhei. Mas eu preciso que você olhe nos meus olhos e me diga, com toda a honestidade do mundo, que você não me ama mais. Se você me disser que o que existia entre nós morreu completamente, eu juro que me afasto e respeito a sua vida.
Sara abriu a boca para responder, para dizer as palavras de corte que vinha ensaiando há dois anos. Queria dizer que o amor havia acabado, que a fila tinha andado e que Nick era o seu futuro. Mas, ao fixar os olhos nos de Grissom — que pareciam mais profundos, sinceros e desesperados do que nunca -, a mentira morreu em sua garganta.
O bipe do monitor cardíaco de Grissom acelerou sutilmente, denunciando a expectativa pela resposta. Sara levantou-se da cadeira, o peito subindo e descendo com força, visivelmente balançada.
- Eu preciso ir, Grissom — Sara sentenciou, a voz quase sumindo. Ela deu dois passos em direção à porta, mas parou antes de girar a maçaneta, mantendo-se de costas. — Eu venho te buscar amanhã para a sua alta. Catherine me avisou que não poderia vir. Já deixei isso combinado com o Dr. Albert. Esteja pronto.
Sem esperar uma tréplica, Sara abriu a porta e saiu, deixando Grissom sozinho com o som do monitor hospitalar e um sorriso contido, misturado com o mais puro alívio.
Sara não havia dito que não o amava. A porta ainda estava encostada. Agora, Grissom tinha vinte e quatro horas para sair daquela cama e começar a sua contagem regressiva de trinta dias. Ele ia lutar por sua vida, sem saber que, em algum lugar do equilíbrio do universo, o preço pela sua segunda chance já estava cobrando o seu valor.
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