Reset

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Bem, estou eu aqui postando Faberry pela primeira vez...
Espero que gostem (:

A madeira estava fria ao toque. Silenciosa, imóvel. Permanecia fria como ela mesma, Rachel, estivera. Era a madeira da porta pela qual prometera a si que nunca mais passaria.Entretanto Rachel estava ali mais uma vez, depois de tanto tempo. Depois de tanto relembrar o que ali, naquele espaço, tinha sido marcado. Uma memória ruim que depois de tantos meses que facilmente se tornaram anos, ainda persistia. Como uma chama que faz arder as feridas antigas.

A morena permaneceu com a mão na madeira, tomada pelas lembranças dos olhares, das palavras ditas na última vez em que esteve ali. Olhos verdes povoavam seu pensamento, como estiveram todo o tempo no qual permaneceu afastada. Alguns meses antes, a lembrança da dona desses mesmos olhos traria um gosto amargo para Rachel, um aperto significante no peito e consequentemente lágrimas. Porém, agora tudo estava mudado. Esse sentimento fora substituído pelo vazio. A lembrança da dor ainda existente, enquanto estivera longe, se tornara vaga. E só agora que havia voltado, essa mesma lembrança rompeu tudo o que, antes de estar ali novamente, tinha sentido. A mágoa se fora. Restaram as memórias tristes do término de um amor que a deixara marcada. Aos poucos nasceu um perdão que, antes, Rachel se julgava incapaz de conceder. Ela tinha perdoado Quinn. E foi constatando isso que se permitiu destrancar a porta com as chaves que ainda possuía. As chaves que negaram ser descartadas, como pedaços de um sonho destruído carregados de esperança.

Ao ceder da madeira, Rachel pôde mergulhar no perfume que tanto conhecia. O perfume delicado que inundava todo o apartamento naquele instante. Que estava denunciando a solidão. E que apesar da ausência de Quinn, continuava ali. A moça andou pelo local com lampejos da ex cheerleader fervilhando em sua mente. Foi analisando o que tinha permanecido e o que havia sido mudado.

Nada havia mudado. Exceto por um copo de uísque pela metade sobre a mesinha de centro da sala. O resto parecia intocado, como se o tempo tivesse parado no instante das suas memórias mais amargas. Mas Rachel preferiu não voltar a isso. Ela sabia que nunca esqueceria, porém não iria relembrar naquele momento. E continuando seu passeio pelo tão conhecido apartamento, foi em direção ao quarto. Constatou que aquele, apesar de muito sutilmente, havia sim mudado. Começando por um travesseiro solitário na grande cama de casal na qual um dia a morena já esteve deitada. E sua vontade, no instante, foi deitar outra vez. E Rachel o fez. Deitou-se abraçando o travesseiro como se ela estivesse ali, naquele momento. E depois de tanto tempo sentiu saudade. Saudade do riso, do beijo, do modo como Quinn lhe olhava. Ainda a amava. Na verdade nunca deixara de amar, nem mesmo quando esteve ferida. Com esses pensamentos, adormeceu. Inebriada com as memórias que se tornaram sonhos com um final diferente.

----//----

Quinn estava impaciente. Já estava há algum tempo naquela saleta com toda aquela gente. Nada ali se resolvia. Ninguém concordava com ninguém. Porém, naquele momento, Quinn não se importava. O foco do seu pensamento era o dia que estava por vir. Temia o que poderia acontecer. Temia seu reencontro com Rachel. Nem sabia se ela se faria presente. E estava com medo disso. Com medo de que a morena aparecesse e com medo de que não viesse. Tudo dentro de si e ao seu redor era uma confusão.

Mandar aquele email a informando de que tinha decidido vender o apartamento fora algo bem complicado para a Fabray. Mais difícil do que decidir se desfazer daquele local que já chamara de lar. Um lar que não habitava mais. Não em espírito. Com o tempo que passou sozinha, aquele lugar foi se tornando uma casa de lembranças. De uma Quinn da qual ela sentia desprezo. Da Quinn que fora fraca, fraca o bastante para trair Rachel. Ela não podia mais conviver com toda aquela história. A sua história sussurrando no seu ouvido todas as noites. Dizendo o quanto ela errou e que havia ferido a morena com tamanha profundidade.

Não conseguia mais aguentar isso. Como também não aguentava o falatório em que aquela reunião do grupo de teatro do qual era professora, havia se transformado. Já estava cheia cheia daquilo. Já estava cheia de tudo. Precisava urgentemente descansar ou o que ela tinha pensado antes, precisava urgentemente se preparar para o dia de amanhã. Não sabia se Rachel ainda guardava mágoa. Não sabia, mas havia presumido que não tinha sido perdoada. Nem pela Berry, nem por ela mesma. Durante todo esse tempo.

Decidiu, portanto, que aquela reunião estava encerrada. Levantou-se e na hora de tomar a palavra o restante do grupo ficou quieto. Liberou a si e aos outros daquele momento perdido entre ideias e discordâncias. E como esperado todos foram embora enquanto Quinn permaneceu ali em silêncio, adiando seu retorno. Adiando a presença de Rachel em forma de memória, enquanto não estivesse mesmo presente. No mesmo espaço que Quinn. Depois de tanto tempo.

Não se julgava pronta para o avalanche de emoções que provavelmente sentiria. Ela estaria mais uma vez na presença da morena. E para isso ensaiara mentalmente quais palavras diria a Berry. Deveria se mostrar imparcial. Deveria esconder o fato de Rachel ainda a afetar. Profundamente. E com isso esconderia também o que realmente desejava dizer. Dizer que a amava. Que sentia sua falta. Porém como pensava que se o fizesse seria rejeitada, então no momento do reencontro estaria invulnerável ao efeito de Rachel sobre si. Ou pelo menos fingiria estar.

Então enfim decidiu voltar para casa. Levantou-se e pegou suas coisas. Foi em direção ao estacionamento e pegou seu carro. Entretanto sentiu-se incapaz de colocar a chave na ignição. Estava sendo covarde outra vez. Poderia ela encontrar Rachel novamente sem que isso causasse novos sofrimentos? Derrubasse novas lágrimas? Ela não sabia. E era esse o motivo de sua covardia. Mas como uma Quinn que superou seus erros, ela deveria superar também, no instante, as suas dúvidas. E passar por cima disso. Reagir contra seus medos. E ela reagiu. Deu a partida no carro e reagiu.

Dirigir até seu prédio foi uma questão de minutos. Entrar no elevador e subir até o seu andar foi uma questão de minutos. Tudo o que não desejava Quinn. Para ela aquilo poderia durar algumas horas. Alguns dias. A eternidade. Que ela não se importaria. Deixando mais uma vez a sua covardia dar as caras. Tudo o que não desejava Quinn. Foi a passos lentos e curtos que a loira chegou até seu apartamento. E ao encostar na porta na intenção de destrancá-la, esta se revelou aberta. E a ex cheerleader sentiu medo. O que céus teria acontecido?

Entrou cautelosa no apartamento e encontrou tudo exatamente aonde tinha deixado. Ela teria esquecido de trancar a porta? Não, absolutamente não. Nunca havia acontecido. Além de Quinn se lembrar de ter feito isso pela manhã, antes de checar se tinha pego as chaves do carro. Dessa forma, não conseguiu formular outra hipótese para o que tinha acontecido enquanto esteve trabalhando. A porta não apresentava sinais de arrombamento. Então quem havia entrado ali possuía uma chave. E ela não fazia ideia de quem se tratava. Portanto resolveu checar todos os cômodos. E seu primeiro destino foi o quarto. E quem encontrou lá a deixou realmente surpresa. Encontrou Rachel.

Por um momento ficou paralisada. Nunca poderia prever que a encontraria no seu apartamento antes do combinado. Muito menos na situação em que a morena se encontrava. Dormindo na sua cama, abraçando o seu travesseiro. Aquilo estava sendo realmente inusitado. O que estaria se passando na cabeça de Rachel para agir daquela forma? Quinn iria descobrir.

_ Rachel?

Após o seu chamado, Quinn observou a morena abrir o os olhos vagarosamente e arregalá- los ao perceber sua presença. Ela agiu como quem foi pego no flagra. Levantou-se rapidamente e deu uma ajeitada nas suas roupas. Sem dizer nada. Apenas fitou Quinn.

_ Eu achei que você só fosse vir amanhã_ comentou Quinn vendo a confusão nos olhos de Rachel para escolher as palavras.

_Eu quis passar aqui antes para ver se realmente queria alguma coisa_ mentiu a morena desviando do olhar que a outra sustentava sobre si_ Acabei adormecendo aqui porque eu estava cansada do ensaio em que Cassandra também esteve presente. Você sabe como ela é. Não me deixou sair sem repetir pelo menos umas mil vezes a mesma coreografia. Acabei com dores nos pés e joelhos por causa dela_ as palavras saíram muito rapidamente da boca de Rachel. Quase um monólogo.

Um silêncio desconfortável caiu sobre as duas. Durante esse tempo evitaram se olhar nos olhos. Então Quinn resolveu tomar a palavra. Não do modo como pensava que faria anteriormente. Rachel havia a desarmado.

_ Eu soube do Tony que você conquistou_ comentou a loira tentando quebrar a sensação desagradável que pairou sobre elas.

_Como não saber?_ Rachel sorriu sarcástica com sua própria pergunta_ “ A ascensão da mais nova estrela”_ disse imitando o que fora exposto em muitos jornais do país.

_ Sempre acreditei que conseguiria.

Rachel não evitou fitar os olhos verdes de Quinn, com os seus castanhos após o que a loira disse. Fora inevitável. Ela já estava demasiadamente afetada. Ambas estavam. Porém ainda não havia coragem suficiente para dizer o que realmente precisava ser dito.

_Você nunca disse coisas tão óbvias.

_Eu nunca havia me atrapalhado com palavras até estar na sua presença_ a ex cheerleader disse sinceramente.

_Onde você quer chegar?_ perguntou Rachel vendo Quinn quebrar o intenso contato visual_ achei que tinha pedido a minha presença aqui para tratar da venda do apartamento.

Quinn se perdeu em suas próprias palavras. Naquele instante não foi capaz de dizer alguma. Pela primeira vez sentia-se nua diante de alguém. A morena tinha desnudado as suas defesas, talvez a única pessoa capaz de fazê-lo. E agora sentia-se nua, sem nenhum muro de indiferença que bloqueasse o efeito que Rachel causava sobre si.

_Rachel, eu nunca… Nunca tive a intenção de te machucar_ as palavras pareciam fugir de seu alcance.

A Fabray não pôde ver se o rosto de Rachel transparecia algo do que ela estava pensando ou sentindo. A morena encarou o chão quando a confissão de Quinn alcançou seus ouvidos. E bastou só alguns segundos para que a loira percebesse que Rachel estava chorando.

_ Então por que me traiu?_ entre lágrimas, a pergunta de Rachel soou depois de tanto tempo presa sua garganta.

E Quinn não soube o que responder. As lágrimas lentamente também a atingiram. Ela ainda não tinha a resposta. Não em palavras. Muitas vezes sentiu muito mais do que fora capaz de dizer. E aquele momento estava incluso. Entretanto ela precisava reagir a isso.

_ Eu nunca soube como agir, nunca tinha experimentado a felicidade como experimentei com você e como quem não sabe o que fazer, acabei estragando tudo_ e o choro se tornou mais intenso, porém Quinn ainda precisava dizer o que realmente a fez pedir que Rachel estivesse ali_ Rachel, você pode não acreditar depois do que eu fiz, mas fui feliz com você e te amava_ a voz da loira saiu rouca e falha_ ainda te amo…

E novamente as duas se encontravam quebradas. Expostas uma para outra. Sem muros nem máscaras que ocultassem os seus sentimentos. Expostas do modo que foi necessário estarem para poderem chegar àquele ponto.

_Eu não sei o que pensar sobre isso, Quinn, realmente não sei_ a morena disse após ter sido atingida profundamente, da maneira que só Quinn poderia conseguir.

_ Apenas me deixe tentar outra vez_ com o rosto ainda molhado, a loira foi se aproximando de Rachel até que apenas meio metro as separasse.

Foi a vez de Rachel deixar as palavras fugirem. Ela estava frente a frente com Quinn. Frente a frente com quem a fizera sofrer há algum tempo. Porém também na frente de alguém que a fizera feliz. De alguém que ainda amava e que também já havia perdoado. E ela tinha consciência disso. De que estava quase aceitando Quinn em sua vida novamente. Deixando-a preencher o vazio que sentira. O mesmo que já tinha preenchido uma vez e que ninguém nunca havia tomado. Portanto, a morena não se afastou quando Quinn se aproximou mais. Quando tocou seu rosto limpando as suas lágrimas com as mãos. Rachel apenas observou sua face tão próxima. Seus olhos que também derrubavam lágrimas. E finalmente soube o que dizer.

_ Você ainda quer vender o apartamento?_ perguntou deixando as mãos sobre os ombros da loira.

_ Não, se você tiver me perdoado.

_ Eu te perdoei há muito tempo_ dito isso, deixou que Quinn se aproximasse ainda mais, selando seus lábios.

Rachel sentia que seus pedaços finalmente haviam se encontrado e se juntado. Estavam sendo, agora, colados pelas mãos da mesma pessoa que partiu o seu inteiro. Mãos, estas, que agora apertavam sua cintura enquanto Rachel movia as suas próprias pelas costas da loira. Enquanto seus lábios estavam unidos em um beijo que declarava a falta que sentiram uma da outra. Quando o ar faltou a ambas, se separaram permanecendo próximas, sem quebrar o abraço. Rachel brincou com os fios loiros desalinhados de Quinn, sentindo os olhos verdes cravados em si.

_ Como estamos agora?_ Rachel ouviu a pergunta vendo o rosto da outra sendo tomado pela incerteza.

_ Estamos juntas.

As palavras de Rachel foram como o vento que soprou as nuvens que acinzentavam as certezas da loira. Quinn sorriu fitando nos olhos castanhos da morena a luz de uma estrela. A luz que, a partir dali, iluminava o caminho prestes a ser feito. O caminho que Quinn não faria mais sozinha. Faria com Rachel.

Notas finais
E aí? Mereço alguma coisa? Rewies?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!