Reservado
1 Reservado
A filha de Afrodite observava a cena sem na realidade enxergá-la. Piper estava com os pensamentos voltados para sua própria mãe, perguntando-se porque ela deixara a garota se apaixonar por Jason.
Agora, Piper olhava com seus próprios olhos o reencontro de Jason e Reyna. O garoto, assim que vira a menina, a reconheceu rapidamente, alegando que a vira em seus próprios sonhos. Piper, que fora deixada de lado daquele belíssimo encontro de casal, rangeu os dentes enraivecida, cerrando os punhos. Ao seu lado, Percy e Leo, dois patéticos, olhavam para a cena satisfeitos, com sorrisos bobos, enquanto Annabeth evitava olhar a cena, desconfortável.
Depois que Jason decidiu ficar no Acampamento Romano com Reyna, Piper seguiu a viajem com os outros. Percy e Leo brincavam com um pequeno robô que o filho de Hefesto ganhara do pai. O robô era uma miniatura de Poseidon bem mal feita e Percy brincava dizendo que o pai era pequenininho. Annabeth o provocava,falando que se seu pai soubesse, Percy estaria encrencado.
A única que realmente não ouvia, nem se divertia com nada era Piper. Ela andava atrás do trio, sentindo-se excluída do mundo e amaldiçoou-se por pensar tanto em Jason.
Na primeira noite no Acampamento Grego, ela jurou que iria se tornar uma Caçadora de Ártemis. Ela tinha que fazer aquilo, se não iria ficar presa a Jason pelo resto de sua existência.
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Lá do Olimpo, Afrodite estava em uma verdadeira discussão com Hefesto:
–VOCÊ NUNCA TEM TEMPO PARA MIM – berrava a deusa do amor.
–Mas eu tenho que trabalhar!
–VOCÊ SABE QUE NÃO PRECISA TRABALHAR!
–Claro que eu preciso! – defendeu-se Hefesto irritado – Os deuses querem armas!
–ATENA QUER ARMA! É ISSO QUE QUER DIZER!
–DEIXE ATENA FORA DISSO! DESDE QUANDO ESTAMOS FALANDO DELA?
–VOCÊ PENSA NELA!
–PORQUE ELA ME RECONHECE COMO SENDO UM BOM METALÚRGICO, DIFERENTEMENTE DE VOCÊ!
–ENTÃO VOCÊ DIZ QUE SOU UMA PÉSSIMA ESPOSA?
–EXATAMENTE!
–NÃO GRITE COMIGO!
–QUEM ESTÁ GRITANDO, FLORES DO JARDIM? – zombou o deus.
Do lado de fora do palácio de Hefesto, Atena estava sentada ao lado de um poeta Apolo, que recitava para a irmã suas últimas criações. A voz de Apolo se confundia com os gritos do casal de deuses e Atena se perdia no meio da narração.
–Sobre a mais bela pedra... – recitava Apolo.
–VOCÊ É PIOR QUE HERA! – berrava Hefesto.
–Vejo a luz do sol a brilhar...
–VOCÊ QUER DEIXAR DE ME AMAR? – agora Afrodite estava choramingando.
–Em seu belo rosto, manchado de lágrimas...
–NUNCA FALEI DISSO!
–Sinto vontade de te beijar, te abraçar, te ter....
–VOCÊ ME FAZ SOFRER!
–Meu amor, minha vida, fique comigo,minha querida...
–VÁ EMBORA, ENTÃO SUA VAD...
–CHEGA! – cortou Afrodite chorando.
Atena e Apolo se entreolharam quando Afrodite saiu do castelo chorando, cobrindo o rosto com as duas mãos.
–Hum... Acho que vou consolá-la – disse Apolo levantando-se. Atena o puxou pela camisa.
–Fique aqui! – sua voz feminina e firme o fez sentar-se e olhar abobado para a figura de Afrodite, desaparecendo em meio a pétalas de rosa.
Afrodite foi parar no seu Chalé no Acampamento e pegou os últimos versos do juramento de Piper. Sentiu o coração de mãe temer em demasia que a filha fosse cumprir essa promessa.
Agora Afrodite tinha dois baques na sua vida: o quase divórcio com Hefesto e o juramento inevitável da filha. Como ela iria resolver dois problemas de uma só vez?
Então, uma idéia lhe surgiu a mente!
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Piper estava dormindo tranquilamente quando começou a sonhar. Estava em meio a um prado, observando o belo horizonte de um pôr-do-sol magnífico. Ao seu lado, estava sentado um garoto, que ela logo reconheceu como Leo. Estavam conversando.
–Quero que me perdoe por tudo que te disse! – ela se ouviu falando para ele e não entendeu porque falava aquilo. O que ela tinha feito a ele?
–Tudo bem, eu te entendo – ele disse olhando-a com amor – Eu realmente devia ter te dado mais atenção!
–Eu vivo traindo-o e sei que fica com raiva de mim por isso – Piper estranhou a conversa que estava acontecendo entre ela e Leo e tentou perguntar o que estava acontecendo, mas não conseguia.
–Eu perdôo você! – ele disse sorrindo e tocando seu rosto. Ela sentiu as bochechas corarem – Mas não deixe-me gritar daquela maneira com você! Eu te amo tanto...
Piper começou a ouvir o coração bater mais rápido quando Leo aproximou seu rosto do dela. E então, antes que sentisse os lábios do rapaz nos seus, ela se viu flutuando no céu e de repente não viu a si mesma e sim um deus meio feio sentado ao lado de sua mãe, os dois beijando-se de maneira harmoniosa e repleta de amor.
Piper acordou confusa no dia seguinte, o rosto suado e o coração batendo forte. Correu para fora dali, antes que alguém percebesse suas expressões. Depois de se banhar rapidamente, ela resolveu caminhar, pensando na cena que ocorrera em seu sonho. Fora tão estranho! Por que ela desejara tanto que Leo a tivesse beijado?
Mal ela pensou no assunto, Piper deu de encontro com um rapaz de cabelos encaracolados. Leo lhe dirigiu um sorriso de bom dia e Piper sentiu-se um tanto quando maravilhada de perceber o quanto o sorriso dele era bonito.
–Bom dia! – ela lhe deu um beijo na bochecha.
–Oi... – ele parecia confuso e sem graça.
–Leo... – Piper sentiu uma enorme vontade de narrar seu sonho para o garoto – Eu... Tive um sonho...
–Sonhou comigo? – ele perguntou sorridente. Ela sabia que ele estava brincando, mas mesmo assim se assustou.
–Foi!
Ele ficou surpreso e curioso.
–Como foi?
De repente, Piper se viu sentada ao lado de Leo em um galho de árvore, comentando o sonho. Leo prestava atenção em todas as suas palavras e corou quando ela disse que queria que ele a beijasse.
–Hum... Então eram meu pai e sua mãe dando uns amassos? – ele perguntou e ela riu, afirmando – Então, por que se sentiu meio atordoada?
Piper olhou para Leo e sentiu um medo estranho percorrer seu corpo. As palavras saíram de sua boca como se ela não fosse dona da própria voz:
–Eu queria que tudo tivesse sido real, queria você ao meu lado, beijando-me e... E... Sendo meu companheiro! Talvez porque eu era minha mãe não é?
–Talvez porque eu estivesse reservado para você desde que te conheci – ele disse olhando para os lábios dela e depois para seus olhos – Porque eu sempre te amei e nunca percebeu! Porque eu me sentia um lixo quando você olhava para Jason, porque eu fiquei feliz quando o vi com Reyna e depois me senti um monstro quando vi que você sofreu com isso... Talvez, Piper, porque eu seja o cara certo para você!
Ele disse aquilo tudo numa rajada só, pegando Piper desprevenida. Então, quando ele esticou o pescoço para lhe domar os lábios, ela percebeu que ele estava certo em tudo que disse e não pôde pensar o quanto ele era convencido.
Lá do Olimpo, um casal de deuses também estava aproveitando o dia, abraçados e observando agora o nascer do sol. O começo de uma relação mais saudável.
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