Rescue Me
20 Fim do jogo
Notas iniciais
O FIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM!!!! Julgamento ruim da porra.
[17 reviews em 3 dias de capítulo no ar? Depois dessa, tive que acelerar o capítulo 20, né?...]
Espero que gostem :3
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Pra variar, silêncio. Não na questão de barulho em si, porque pra falar a verdade o juizado tá uma cagada só. É gente passando de um lado pro outro, é a fofoca da audiência correndo pros outros departamentos, é escândalo... nessas horas é que me vem aquela vontade de apertar um botão que vai jogar uma bomba de fósforo em todo mundo que tá dentro do prédio.
A essa hora todo mundo que tava na audiência já debandou pra algum lado. Sophia foi na cafeteria conversar com o Hitori, mas não antes de me dar uma bela esculhambação sobre os riscos de ter saído de casa todo machucado. Os parentes do Saffron, que eu descobri que ficaram de vigília aqui no tribunal, tão dividindo um sofá e uma cadeira no corredor, enquanto o pai dele repassa tudo que aconteceu lá dentro.Quanto aos familiares diretos, os dois foram conduzidos cada um pra uma sala, onde podem respirar sem ficar querendo matar um ao outro. A Rafaela e orangotango de estimação dela foram conduzidos pelo Wellington pra um lado, e eu vi o Saffron se afastando com o Leon pra outro, até perdê-los de vista.O certo era que nenhum dos dois ficasse sozinho com o menino, pra não influenciar ele, mas não teve quem desgrudasse o Leon do pai. Ele gritou, chorou, esperneou, amaldiçoou tudo quanto foi oficial que tentou chegar perto e até chegou a morder um deles. O caso é, se o Saff tivesse dito pro Leon obedecer e ir, ele acabaria cedendo, mas ele não só ficou sem dizer, como também nem ligou pro escândalo. Mesmo ele, que é super submisso e todo cheio de regrinhas, ficou de saco cheio de tanta enrolação e deixou o menino pintar e bordar até a juíza dizer, 15 minutos depois, que levassem os dois pra uma sala que tivesse câmera e acabou.E é exatamente onde estou, parado no meio do corredor, encarando a porta que vai me levar aos dois.Por ser um tribunal, imagino que as salas daqui sejam isoladas acusticamente, pra evitar gente como eu de ficar bisbilhotando. E não sei se é o clima medonho do corredor, ou se foi o ataque que deu no Leon desde que ele apareceu hoje, só sei que parece que tudo tá de cabeça pra baixo.Será que ele ainda tá chorando lá dentro? Antes de levarem ele embora, ele tava que nem um tomate, vermelho e inchado de tanto chorar. Mas a pior parte disso não é ele, é o pai mesmo. Fico olhando a porta, imaginando que lá dentro a sala vai estar escura, e de repente ele vai pular de algum lugar pronto pra me espancar com uma placa de trânsito.Mas ficar parado aqui fora não vai me levar a lugar nenhum. Não foi pra isso que fiz tudo que fiz pra chegar aqui, e se pretendo mesmo resolver isso, tenho que tomar uma atitude. Entro na sala, depois de tanto relutar, e descubro que a impressão que eu tinha tava completamente errada. Essa sala é diferente, é onde as crianças ficam esperando enquanto seus pais se apunhalam nas cortes espalhadas pelo resto do prédio. Dá pra perceber isso pela decoração infantil e pela quantidade enorme de brinquedos. Além do mais, tem uma salinha pequena com uma mesa de escritório e um arquivo, que deve ser onde um tutor ou algo do tipo fica vigiando a molecada pra ver se eles não surtam ou algo do tipo.Bem, pela força com que o Leon jogou o boneco na minha cara eu concluo duas coisas: que não estavam vigiando ele suficientemente bem, ou teriam dado um calmante de bisão pra ele antes do julgamento, e que aquele Max Steel não era dele de verdade. Ele nunca ia jogar um brinquedo dele em alguém a ponto de correr o risco de quebrá-lo.E falando em Leon, a minha expectativa de ver alguém surtando ali dentro também se mostrou errada. Tudo bem que pelo menos a parte de ter só ele e o pai ali tava certa, mas também foi só isso. Na verdade, esse parecer ser o único lugar no prédio inteiro em que tá tudo na paz.Vejo o Saffron sentado no sofá, com uma perna esticada, roupa amarrotada, só de meia e usando o paletó pra cobrir o Leon que tá dormindo no colo dele. E de novo, não sei o que dizer. A cara de desapontamento do Saff e a de choro do filho dele não ajudam quando se quer começar um diálogo pra justificar todas as merdas que você fez na vida de um indivíduo.Com um dos ombros ele apoia o celular, enquanto escuta alguém do outro lado da linha falar algo que não entendo direito, mas é num tom tranquilo e bem compassado. Não que ele já não esteja nervoso o bastante, mas a cada palavra que ele ouve no telefone, a expressão dele vai ficando mais pesada.- ... tá, eu entendi. Não precisa falar mais nada. Só... dá andamento nisso, tá?Sem esperar uma resposta, ele deixa o telefone escorregar do ombro pra mão e desliga. Passa a mão no cabelo, suspira, apoia a cabeça na mão e fica olhando pra fora pela janela, fazendo cafuné no filho com o braço livre. Olhando ele assim, e juntando isso com toda a experiência que tive do comportamento que ele tem dentro de casa, acho que é como se depois de um longo tempo essa fosse a primeira vez que ele tivesse um tempo sozinho pra pensar.A impressão que eu tenho é de que na cabeça dele a decisão já foi dada, e que o Leon vai acabar ficando com a mãe, mesmo. Tem um clima de despedida horrível no jeito que ele age. Sei lá, tá parecendo até que ele acabou de descobrir que tem uma doença terminal e que vai morrer daqui a uma semana, portanto o melhor é deixar o Leon com a vadia da ex dele, mesmo.
Argh, que enredo de novela mexicana. Se bem que, considerando que o último namorado dele era um gigolô, não me admiraria nada se ele tivesse pegado AIDS.Levo quase dois minutos pra decidir o que vou falar, e nesse meio tempo nenhum deles liga pra mim. Bem, minha melhor aposta no momento é pelo menos levar o Saffron pra conversar fora desse clima de tribunal. Penso em algo pra começar a conversa, mas o único progresso que faço é uma anotação mental pra aprender aquela manobra do telefone assim que tiver oportunidade, mas não posso ficar o resto do dia ali em pé olhando eles se remoerem internamente. Tomo um longo suspiro e abro a boca pra falar de uma vez.... mas o suspiro chamou a atenção dele. Ele se vira, me vê ali, e a cara de desapontamento dele digivolve para uma de total decepção, dessas que cava um buraco no lugar da sua sombra e te joga nele em milésimos de segundos.- Olha, será que você já não causou estrago o bastante? – ele diz, desviando o olhar pra um balde de lego que tinha perto da janela. – Já entendi que eu não tenho direito a conviver no mesmo mundo que você, mas pode pelo menos deixar a minha família fora disso?Bem, isso desarma tudo que eu tinha pra falar. Ok, um plano B, e rápido.- Não quero discutir isso no momento, eu só quero...- Ah, claro, porque afinal, é ridículo ficar discutindo isso. Pois bem, vamos deixar de lado toda a miséria que meu filho e meus parentes estão passando por sua causa pra ouvir o que você tem a pedir.... Isso realmente não tá dando certo.- Vai embora. – ele pede, olhando pra mim com um jeito firme em meio a toda aquela depressão. – As coisas já estão ruins o bastante sem você dando seus pitecos.- Não vou sair daqui antes de você me ouvir. O que eu tenho pra falar é sério.- Não acha que tem se metido demais na minha vida? – a resposta é fria o bastante pra congelar um pinguim.- Não acha que eu não precisaria fazer isso o tempo todo se você soubesse se cuidar direito? – respondo, mantendo um tom bem semelhante ao dele.- Você não é nada meu pra ficar dizendo o que eu tenho que fazer ou não!- Você falando isso tá mais parecendo o Leon de ainda agora na audiência, e agora vem com esse papo de que você sabe se cuidar? – falo, sentindo o sangue começar a ferver. – Eu não vou sair daqui enquanto você não abrir essas orelhas pra me escutar!- Shhhhh! Quer por favor falar mais baixo? – ele sussurra de volta. — Me deu trabalho de colocar ele pra dormir...Claro, se tivessem se dado ao trabalho de arrumar aquele calmante de bisão, as coisas estariam bem melhores. Pra todo mundo, aliás.Enquanto ele fica encarando o filho pra ver se ele vai acordar ou não, eu aproveito aquele breve instante pra pensar. Ou não.- Ei, quer ir jantar comigo em algum lugar? – digo, sem parar pra pensar bem na frase. Na verdade, a impressão que eu tenho é de que as coisas que eu faço sem pensar saem bem melhores do que as que eu calculo, tipo o dia em que fugi de casa.Não que aquilo tenha sido o exemplo de sucesso, meu braço tá aí pra provar isso. E claro que chamar o Saffron pra sair também não surtiu o efeito esperado, pela cara de raiva que ele usou pra me responder.- A última pessoa com quero discutir a minha vida é você, será que isso não ficou claro ainda?!Bem, quanto a isso eu não tenho o que discutir. Mas isso não quer dizer que eu vou simplesmente deixar ele ganhar. Aliás, ele tá tão estressado que a impressão que eu tenho é que se eu continuar pressionando ele desse jeito ele vai acabar tendo uma síncope.- Você precisa ouvir o que eu tenho pra falar.- A única coisa que eu preciso agora é ficar sozinho. Além do mais...- ... você não vai ficar sozinho, vai ficar com o Leon.- ... além do mais, que ideia ridícula é essa de sair pra jantar?- Não é ridícula. Deve ser quase 7 da noite agora, você chegou aqui no juizado o que, duas horas da tarde?- Tô sem fome.- Se não comer nada vai desmaiar.- Dane-se.- Há quanto tempo seu filho não come mesmo?Golpe baixo? É, pode ser. Mas no amor e na guerra vale tudo, e não é isso que dizem?Só não me peça pra especificar qual é o meu caso.- Por que quer tanto assim que eu vá?- Já disse que quero falar contigo.- E por acaso não está falando agora?- Não quero falar nada disso aqui. É perigoso.- Ah, agora você vem falar em perigoso!Ele fala isso me olhando de um jeito nervoso, como se tivesse algo implícito. Bom, se foi uma indireta, eu não saquei.- Olha, me deu um puta trabalho pra chegar até aqui, e eu preciso falar com você. Você tem um monte de motivos pra achar que eu vou te sacanear, eu sei, mas será que pelo menos uma última vez você pode acreditar em mim?Ele suspira, olhando pro balde de lego com uma expressão de quem tá decidindo se vai sacrificar uma virgem em nome da cidade. Então, depois de um tempo que pareceram horas, ele pega a cabeça do Leon cuidadosamente e coloca sobre uma almofada pra poder levantar sem acordar o moleque.- Você tem 10 minutos.- É mais do que suficiente.----------- Essa audiência não vai terminar hoje. – ele diz, encarando o suco de abacaxi de um jeito tão sério que faria o copo se sentir culpado e pedir desculpas. – Ninguém esperava que fosse durar tanto tempo assim. O prédio já devia estar fechado há muito tempo.Era a primeira vez desde que saímos do juizado que ele falava comigo. Atravessamos a rua, compramos um lanche na padaria do outro quarteirão e agora ele tava esperando o atendente embalar um sanduíche de peito de peru com alface pra levar pro filho. A sensação que dava era de que alguém ia sequestrar o Leon se ele ficasse muito tempo sozinho, e depois de 2 minutos com o Saffron aquele sentimento acabou passando pra mim.- O julgamento teria terminado às 5 se você não tivesse aparecido.- Não precisa me agradecer. Além do mais, se não fosse por mim o Leon não teria dito que quer ficar com você.- Se não fosse por você ele nem teria ido lá na sala. E eu sinceramente preferia que ele não tivesse se metido nessa disputa.Alô, papai, o seu filho é o pivô da disputa, como ele poderia ter saído ileso disso?Ainda assim, resolvo ficar calado. Ele pega o sanduíche, paga no caixa e vai andando com o copo de suco quase intocado na mão. Com o cair do sol, a rua ficou bem escura e a maioria das lojas já tinha fechado, o que nos dava uma certa paz pra conversar. - Você se machucou bem feio dessa vez.- Vaso ruim não quebra.- Isso deve ter doído.- Já tive piores, uma vez me empurraram da escada e eu fui parar no hospital.- E dessa vez não foi?- O que, por isso aqui? Hah, isso não é nada. Além do mais, não deu pra ficar internado, eu tinha coisa mais importante pra fazer.É engraçado como ele é quem mais fala, mesmo que quem tenha algo a dizer aqui seja eu. Mas isso deve ser um bom sinal, acho.Assim que nos afastamos da padaria, ele voltou a abrir a boca.- Desde quando tem gravado as conversas de vocês?- Já faz um bom tempo. Ele fala umas coisas legais quando você não tá por perto, achei que isso podia ser útil um dia.- Você planejou vender isso pro Kamus também ou é da sua natureza gravar desabafos das pessoas aleatoriamente?Aham, bom sinal. Saffron, você não é costureiro mas tá sabendo dar umas ótimas alfinetadas.- Olha, sobre isso...- Já sei, você vai dizer que se arrependeu profundamente, que caiu em si e que isso nunca mais vai se repetir. Ah, e que você mentiu quando falou aquilo na audiência, que era tudo um golpe pra você saiu vitorioso e triunfante.Hmm, será que se eu disser que sim ele vai me bater?- Bem... é.... Não custava nada tentar.- Sven...Ele de repente me olhou e engatou. É difícil descrever a expressão dele, é um olhar que eu nunca vi antes nem na cara dele nem na de ninguém. E bom, se não deu pra sacar até agora eu sou muito ruim com sentimentos. Mas se fosse pra chutar, eu diria que ele tá... completamente aniquilado e derrotado. E com uma certa vontade de me matar no fundo disso.- Sven, tá vendo aquela rua bem ali? Tá, isso não era um bom assunto.- Tô...- Bom, se ainda tiver sobrado um mínimo de dignidade dentro da sua alma, eu queria que você fosse até ela, seguisse através dela até a sua casa, ou a casa da Sophia, ou do raio que o parta, e não cruzasse meu caminho nunca mais.
- Como é que é?- Olha, se eu bem me lembro seu problema é de visão, não de audição. Aliás, pelo jeito que você adora escutar conversa dos outros, seus ouvidos estão muito bons. - Vem cá, você pirou, foi isso?- Devo ter pirado sim, pra ter deixado alguém como você colocar os pés na minha casa e chegar perto do meu filho! Devo ter pirado quando tive a brilhante ideia de confiar em você, quando resolvi cuidar de você, e encobrir as suas merdas constantes, te dar a chave da minha casa, e ainda por cima me preocupar com você acima de tudo! - Escuta aqui, eu sei muito bem que o que eu fiz tá bem longe de ser honesto, mas você mesmo admitiu que se não fosse por mim você já ia estar fora do jogo há muito tempo! Eu gravei as conversas do Leon sim, e gravei coisas suas também, mas eu fiz o que achava que era certo quando vim pra cá pra essa porra de audiência e entreguei tudo pra juíza!- Ah, claro! Muito obrigado, meu bom samaritano, da próxima vez que eu precisar da sua ajuda eu não vou hesitar em ir correndo atrás de você gritando!- Devia fazer isso mesmo, porque se você ganhar vai ser unicamente por causa disso!- ATÉ PARECE QUE EU VOU GANHAR A CAUSA! – já tínhamos começado a gritar antes, mas agora ele berra a plenos pulmões. – POR CULPA SUA, O LEON ADMITIU QUE TAVA PREOCUPADO COMIGO, ACHA MESMO QUE A JUÍZA VAI DAR GANHO DE CAUSA PRA UM CARA QUE NÃO TEM ONDE CAIR MORTO, QUE ADOECE POR CONTA DE STRESS E AINDA POR CIMA É VIADO?Tá, tudo bem que eu tô puto e que ele tá pertinho de perder o filho, mas deixar ele pedir derrota gritando no meio da rua é um pouco demais. Puxo o braço dele e arrasto ele pra um beco meio escuro onde acho que ninguém vai ver a gente.- Você só vai perder o caralho da causa se não se acalmar! Você vai mesmo largar teu filho na mão daquela puta da tua ex-mulher?- Até parece que o detetive mirim não percebeu!- ... Perceber o que?- PORRA! TÁ NA CARA QUE A JUÍZA FOI COMPRADA! Ela não deixa ninguém da defesa falar, tudo que a Rafaela fala é válido e não pode ser contestado, desde cedo ela só dá atenção pra Rafaela! Claro que ela foi comprada! E como se isso já não bastasse, ainda aparece você pra fazer o Leon confessar que tem um pai completamente desestabilizado financeira e emocionalmente! Agora soma isso com tudo que você aprontou de uns tempos pra cá e me diz, qual vai ser a próxima que você vai aprontar?Eu preciso calar a boca dele de algum jeito pra ele poder me ouvir. E eu sei exatamente o que eu poderia fazer que teria impacto o bastante pra fazer ele se distrair de todo esse pensamento cataclísmico dele. Eu só preciso respirar fundo pra criar coragem. Não deve ser tão difícil assim, já aconteceu milhares de vezes na minha cabeça, é só agir...- Saffron...E assim que eu dou o primeiro passo, ouço um barulho e algo bater no meu antebraço. E vai se espalhando. E de repente aquilo tá tão forte que eu simplesmente desabo no chão, sem conseguir fazer outra coisa a não ser gritar.O Saffron começa a gritar também, primeiro pra mim, depois pro outro lado e de repente ele cala a boca. Tem alguma coisa dentro do meu braço, e tá sangrando muito. Caralho, caralho, caralho... que porra foi essa?...- Merda, errei... Daí eu viro a cabeça e entendo tudo. Era a Rafaela, entrando no beco com uma arma na mão e mirando na gente.- P-p-por que fez isso?! – grita o Saffron de novo, tremendo.- EU JÁ FALEI QUE ERREI, CACETE! – ela gritou de volta, vindo mais pra perto da gente. – Era pra ter acertado em você primeiro, mas tanto faz... BOTA A MÃO PRA CIMA! AGORA!Ele obedece, e dá pra ver a cara dele de pânico. Eu só consigo sentir meu corpo ficando muito gelado. Talvez seja melhor ficar deitado, mesmo. - Ei. – ouço ela falando comigo, chegando perto de mim. Dá vontade de chutar ela, mas não consigo me mexer direito. Merda, era só um tiro, não era pra ser tão forte assim... — Eu não ia te matar, sabe? Mas já que você tá aqui e já tomou um tiro, acho que não dá pra deixar você escapar dessa. – e aquele toc toc de salto alto vai chegando mais perto. – Obrigada por trazer ele pra cá. Vai me poupar o trabalho de ficar seguindo ele até um lugar bom pra matá-lo.- Rafa... por que?...- CALA A BOCA! CALA A BOCA SENÃO EU VOU TE PARTIR EM TANTOS PEDAÇOS QUE NEM A VACA DA TUA MÃE VAI TE RECONHECER! – ela se aproxima e dá um chute nele. – ACHA QUE EU NÃO PERCEBI A LAVAGEM CEREBRAL QUE VOCÊ FEZ NO MEU BEBÊ? DIZENDO QUE EU NÃO O AMAVA MAIS, FAZENDO ELE ACHAR QUE EU NÃO SOU MAIS A MÃE DELE!Ninguém disse nada sobre isso. Nem ele porque tava com medo demais, nem eu porque tô fodido demais. Meu Deus, alguém chame uma ambulância... ela tá gritando que nem uma puta, não é possível que ninguém vai ouvir...Agora eu sei porque Santa Isabel é um dos bairros mais violentos dessa região.- POR SUA CULPA ELE NÃO ME AMA MAIS! E COMO SE JÁ NÃO BASTASSE ISSO, VOCÊ QUER LEVAR MEU NENEZINHO EMBORA! PRA NUNCA MAIS ME VER! EU NÃO VOU DEIXAR ISSO, SAFFRON, EU NÃO VOU DEIXAR! ELE É MEU FILHO, NUNCA VAI SER SEU! EU NUNCA VOU PERDOAR VOCÊ POR TUDO QUE ME FEZ, NEM QUE EU TENHA QUE TE MANDAR POR INFERNO NOVENTA MIL VEZES!- Ele nunca deixou de te amar! Será que você não percebe que ele morre de saudade de você, que ele sente a sua falta? – ele responde, desesperado. – Rafa, deixa a gente ir, isso não tem nada a ver... é só você passar mais tempo com ele, ele vai te entender... por favor, deixa a gente ir...- A CULPA É TODA SUA, SAFFRON!E aí ela atirou, mas o tiro não pegou em mim. Me forço a mexer a cabeça e vejo que o Saffron cambaleou e capotou no chão.Não...Ele leva um tempão pra falar de novo.- Por... que?...- Acha mesmo que eu ia querer me relacionar com alguém que é idêntico a você tanto na aparência quanto no jeito? O filho é meu, eu faço com ele o que bem quiser. E você não vai chegar perto dele nunca mais.E como se não bastasse ela dá mais dois.- NÃO! PARA! NÃO FAZ ISSO!- CALA A BOCA, FEDELHO IDIOTA!- NÃO FAZ ISSO! NÃO FAZ ISSO COM ELE! - ME SOLTA, SEU IMBECIL! ME LARGAAAAAAAAAAAAA!E aí minha lateral começa a doer. Sinto que tem alguma coisa escorrendo da minha cintura, e deito a cabeça de vez. Ah....Não foi bem assim que eu imaginei a coisa.Achei que ia dar tudo certo, que vencer o julgamento fosse fácil. Achei que a juíza ia dar a guarda pro Saffron, o Leon ia pular nele pra dar um abraço, e depois ia todo mundo comer pizza em algum lugar. Achei que ele fosse ficar feliz, mas não simplesmente alegre. Imaginei ele tão feliz, mas tão feliz, que ele ia sorrir pra mim daquele jeito e dizer, “Relaxa, isso já passou. O que importa é que tudo acabou bem.”Sim, tudo ia acabar bem... íamos nos divertir, comer e beber até cansar mesmo, eu ia pedir uma daquelas canecas de refrigerante, dessas que tem refil... acho que eu ia virar uns 20 litros de coca. E ia ser tanta gritaria que todo mundo ia achar que somos loucos, já pensou?O Saffron ia ficar tagarelando com todo mundo, até a hora de ir embora. Daí ele ia pegar o Leon no colo, ele ia dormir no banco de trás enquanto a gente ia na frente, conversando e pondo o papo em dia. Talvez no meio do caminho eu conseguisse falar pra ele...Falar pra ele por que eu fiz tudo isso...Se eu explicasse acho que ele ia entender, não ia?Ia dar tudo certo... tudo ia se resolver, merda.... Não, não ia. Não ia dar certo desde o começo. Como foi que eu consegui pensar em tanta besteira? É claro que isso nunca ia funcionar... não pra mim, não depois de tudo que eu fiz...Tentei me aproximar dele e acabei destruindo a carreira dele. Tentei salvar a família dele e fiz ele ser baleado.E agora tô aqui, na merda, sem conseguir sequer me mexer... tá tudo embaçado, não enxergo, só escuto ela rindo e dando mais um tiro, dessa vez sem grito nenhum...A culpa era minha, eu não me importo, esse é o meu lugar mesmo, mas precisava ter matado ele também?...Eu não quero que ele morra... droga, Deus, eu sei que eu nunca liguei pra você, mas pelo menos dessa vez, quebra essa...Não deixa ele ir...Ele não...
Notas finais
Sim, foi triste pra caramba. Eu passei o resto da tarde deprimida depois desse capítulo.
E não, não é o final FINAL. Ainda tem mais. Só vai ser curtinho porque não tem tanto assim pra escrever...
Mas se ainda assim quiserem me matar, podem usar o espaço das reviews '3' Aceitarei de bom grado até mesmo os socos de vocês xD
E não, não é o final FINAL. Ainda tem mais. Só vai ser curtinho porque não tem tanto assim pra escrever...
Mas se ainda assim quiserem me matar, podem usar o espaço das reviews '3' Aceitarei de bom grado até mesmo os socos de vocês xD
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