Notas iniciais
Oi pessoal! tenho muitas ideias para esta história e vou tentando postar um capítulo de cada vez, então ajudaria se vocês lerem e gostarem comentarem a dizerem o que acham. Beijoca!

Cara Mrs. Harris, infelizmente não estamos a aceitar novas submissões de momento. Lamentamos desapontá-la e agradecemos pelo seu contacto. Com os melhores desejos…

Trriiim triiim triim. O som irritante do alarme. Estico a mãe sonolenta, procurando o maldito botão. Olho para as horas. São 10 para as 9h, caramba como assim o alarme já estava em snooze? Levanto-me apressada, vestindo o vestido cinzento justo que tinha preparado na noite anterior e as botas pretas do costume. Duvido que haja tempo para o pequeno almoço. Vou ter que pegar qualquer coisa pelo caminho como de costume.

— Lara – ouço uma voz atrás de mim- A que horas é que voltas hoje?

— Eu não sei Natália – respondo com pouca vontade. Estou mesmo atrasada – Não devo voltar antes das 18h.

— É? Ainda bem. Então não te importas que…

— Tragas o Duarte para o quarto? – Reviro os olhos com um pequeno sorriso, voltando me agora para ela. – Não. Mas eu não quero chegar a casa e deparar-me com uma porta fechada e meia hora de espera.

Ela dá uma risadinha e eu finalmente fecho a porta do quarto e dirijo-me para as escadas. Realmente é giro ver a minha colega de quarto apaixonada.

Eles realmente fazem um casal fofo penso no autocarro a caminho da faculdade. Não é que eu tenha inveja. Não, nenhuma mesmo. Ainda no dia de São Valentim na semana passada eu li a carta que ele escreveu para ela e ri e disse quanto era adorável. Isso e os chocolates e peluche personalizado que ela tinha feito para ele. Onde teria eu tempo para fazer peluches personalizados? A faculdade já estava ocupando muito tempo da minha vida, quanto mais um rapaz.

Olho pela janela fazendo tempo até o autocarro demasiado cheio chegar à minha paragem, e continuo o meu monólogo interior. Não é que eu não seja romântica. Nada disso. Afinal, penso, cada escritor tem um bocadinho de romântico em si. Também eu me via de mão dada com alguém, passeando em parques e fazendo companhia à minha alma de viajante. Eu pura simplesmente não me via a fazer isso agora. . Quero desviar o olhar quando o autocarro passa pela FLU – a prestigiada Faculdade de letras da minha cidade. Mas como sempre, eu olho na mesma.

O autocarro continua caminho e finalmente chego à minha faculdade.

—Ei, Lara. – Inês me saúda com um panfleto na mão. — Tu nem vais acreditar! Então não é que vai haver um cursinho de escrita criativa? Um rapaz estava a distribuí-los na rua. Eu acho que é bué a tua cara!

Ela estende-me o panfleto e eu o analiso minuciosamente. É daqueles cursos de escrita criativa, daqueles que tu vais lá e o professor te dá um tema e aí tu escreves baboseiras durante meia hora para te sentires escritor.

—É, eu vou pensar no assunto. Sabes que estão aí a vir as frequências e já me estou a sentir sem tempo sem tudo isso.

—Não sei do que estás a falar – a Inês ignora o que eu digo com um encolher de ombros – Estás sempre a dizer que se tivesses a chance ias mostrar a escritora que há em ti. Porque não começar por algum lado?

— Vá lá, mesmo que eu tivesse algum tempo livre sabes perfeitamente que o usaria para encontrar um emprego…- respondo, estacando. Pelo canto do olho, vejo o João a vir na nossa direção. Coro imediatamente, mesmo antes de ele chegar até nós.

— Olá, tudo bem? – Pergunta ele, com aquela voz grave e tão sedutora. É isso, este rapaz vai ser a minha morte.

— Está tudo, e contigo? – A Inês responde entusiasticamente com um sorriso. Dá me uma cotovelada.

— É, comigo também está tudo bem, ahm…- balbucio eu. Será demasiado óbvio que estou a tremer?

— Fixe. – diz ele com um sorriso, continuando caminho em direção à sala.

— Sinceramente – suspira Inês – Queixas-te sempre que ele nunca te presta atenção, mas quando ele fala, é tudo o que consegues dizer?

— Eu, ahm…foi assim tão mau? – ainda estou a recuperar do facto de que o João Pedro tinha acabado de passar por nós e falado comigo.

Agora, antes que a Inês pareça uma grandíssima cabra, e eu completamente sem jeito, é preciso esclarecer uma coisa. Este rapaz, não é o teu típico rapaz universitário bom demais e completamente convencido. O que eu quero dizer é, ele é super bem-parecido e tudo mais, mas ele também tem aquele jeito profundo de ser que me apanha completamente desprevenida. O tipo de rapaz que se dá bem com toda a gente, que é super simpático, mas que apanhas desprevenidamente sozinho a ler um livro de filosofia. O tipo de rapaz que é bom demais para ser verdade.

E a Inês tem ouvido vezes sem conta os meus relatos desesperados de como eu apenas precisava de uma chance, uma conversa, para ele perceber que somos completamente perfeitos um para o outro. E no entanto, vamos a meio do segundo semestre e nós não passámos muito da fase do olá. É normal que a Inês e as minhas amigas estejam só um bocadinho a perder a esperança.

Era de pensar que uma psicóloga conseguisse ter jeito para as pessoas.

O dia passa normalmente, apesar deste incidente. As aulas vão passando, e eu até estou moderadamente atenta. Isto é, quando o João Pedro não está sentado à minha frente.

A aula de Grandes Teorias das Ciências Sociais parece estar a demorar particularmente para passar. Sem grande coisa para fazer, pego no panfleto que a Inês me deu.

“Curso Redescobrir o Prazer da Escrita – Desbloqueie e explore o escritor que há em si”

É, eu não estou nem um pouco convencida. Mas continuo a ler. “Com principal foco em short story writing, técnicas de storytelling e escrita de ficção – da teoria ao projeto, este curso com dois meses de duração é perfeito para qualquer escritor amador que queira desenvolver as suas capacidades, estimular e desenvolver a sua escrita ou simplesmente conviver com outros escritores.” Sim, eu definitivamente não consigo levar este tipo de cursos a sério. Um pouco como ginásios não formam atletas, cursos de escrita criativa não formam escritores. Tu apenas vais lá para te sentires melhor contigo mesmo ou para teres alguma coisa de interessante para escrever no teu perfil de online dating. E no entanto. “Das 18h às 20h, terça, quinta ou sexta! Você escolhe!”. Isso realmente é conciliável com o meu horário. Suponho que não tenho nada melhor para fazer de qualquer das formas.

Finalmente essa maldita aula acaba. Despeço-me da Inês e apanho o metro para casa.

Pelo caminho, vejo as notificações no meu telemóvel. Faço scroll pelo meu instagram, Facebook e ….Readyforlov. Antes que pensem que atingi um novo ponto baixo na minha vida, isto foi puramente para motivos de pesquisa. Não, a sério!

Eu piamente acredito que nunca vou ser uma grande escritora publicada ou algo do género. Mas eu simplesmente não me consigo evitar. Os diálogos entre personagens surgem na minha cabeça enquanto estou a tomar café, eu imagino cenários no meio do chuveiro. É simplesmente algo maior que eu. Mas o papá diz que não consegues viver da escrita. Ele também diz que não consegues muito sendo psicóloga, mas aí ele teve que fazer algumas cedências. Então eu não consigo evitar, e acabo por escrever qualquer coisinha. Apenas para matar esta vozinha irritante dentro de mim. É mais difícil matar a vozinha que ainda tem esperança que ainda consiga fazer disto vida, mas geralmente tenho tudo sob controlo.

Então eu comecei este projeto agora. Eu queria escrever uma história de amor. Estava tudo muito bem, eu até tinha ido ao meu café preferido e pedi o chá que cheira bem, o de citrinos.

O café é grande e costuma ser bem frequentado, mas nesse dia nem estava muito cheio, com aquele nível agradável de barulho de fundo, mas sem ser demasiado desconcentrante. Então eu ligo o meu computador, e está tudo a postos e aí é que eu percebi uma coisa. Eu realmente não sei muito sobre o amor. Quer dizer, eu realmente não sei nada sobre o amor.

Não me entendam mal. Eu sei o que é estar apaixonada. Mas eu não sei o que é o amor, naquele sentido da palavra, aquele amor de Hollywood que realmente entra na sua vida e vira tudo de cabeça para baixo. Então não parecia que eu ia descobrir assim tão cedo, aí eu pensei, não vou conseguir escrever minha história. Eu arrisco ela ser demasiado ingénua, ou demasiado fria, ou simplesmente irreal. E eu queria uma coisa credível, com o mínimo de sentido. Foi aí que eu percebi que teria que fazer alguma pesquisa. Ora, a Leonor minha outra grande amiga que em tenta dar conselhos amorosos/ me traz sopa do supermercado quando estou doente/ segura meu cabelo enquanto vomito, esse tipo de amiga, ela revelou-me as maravilhas do online dating. E pareceu-me realmente simples: criar um perfil, escrever um pouco sobre mim (isso eu consigo fazer), e esperar que alguém te mande mensagem. E quando mandarem ( oh e eles irão mandar, disse ela, sob o meu protesto de que poderia acabar sem mensagens na minha inbox).

E realmente ela tinha razão pensei, enquanto fazia scroll down pela minha inbox no site de encontros. Apesar de me ter registado apenas há duas semanas, já tinha uma quantidade considerável de mensagens. A maioria de tipos bastante mais velhos que eu e outros completamente inelegíveis para uma história de amor. Mas havia um par de candidatos que realmente parecia valer a pena explorar.

Notas finais
Se passou por aqui e leu, obrigada! Espero que tenham gostado do primeiro capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.