Requiem: The Death Song
1 O violino que só tocava musicas tristes
Notas iniciais
Sem canivetes no bolso, sem nenhum revolver, sem um machado em minha mão, sem pedras ao meu redor que pudesse arremessar, resumindo totalmente desprotegido.
Mas que pensamento melancólico, desconfiante e nihilista o meu, mas o que eu podia fazer?
Estava sozinho em um parque, era dia de semana, e um dia frio ainda por cima, quem mais estaria lá se não um louco solitário?
Mas não estava tão sozinho assim, estava junto a meu querido violino de madeira pura que antes pertencia a um conde francês, o comprei em minha primeira viagem a Paris.
Tocava suavemente passando o arco em suas cordas, uma vez ou outra o ajeitava em meu ombro, tocava uma melodia mais triste que o cair das gotas de água de uma mediana chuva em um funeral, mas eu só estava treinando meu trabalho não muito ortodoxo, eu era, com apenas dezenove anos, um musico fúnebre, estava acostumado com o clima de solidão, tristeza, desespero e tragedia, já havia tocado no funeral de pessoas importantes mas eu realmente não entendia porque as pessoas continuavam me contratando se apenas ficavam mais tristes ao ouvir minha fria melodia.
Quando havia uma ou outra pessoa passando pelo parque ao mesmo tempo que eu tocava sempre se arrepiava e abaixava a cabeça ou me ouvir, era como se eu fosse um ceifador de felicidade ou deus da tristeza.
Você pode estar se perguntando se sou triste, ora claro que não, mas eu não diria feliz, apenas indiferente.
Após tocar durante algumas horas seguidas fui interrompido pelo toque de meu celular que ora adivinhe seu toque, era uma musica em violino também, mas eu não gostava muito de celulares e nem de telefones, na maioria das vezes eu desligava quando começa a praticar mas não foi o que ocorreu daquela vez.
Pensei em desligar sem ao menos ver quem ligara mas era meu irmão, e também meu querido agente que sempre arrumava trabalho, graças a ele eu não passava fome, muito pelo ao contrario até vivia com certo luxo, claro que não tinha uma mansão, mas já tinha um apartamento legal (ainda mais, por que eu iria querer um lugar tão espaçoso?), não tinha uma Ferrari mas um carro do ano que tinha comprado zero.
Atendi, não era muita surpresa que ele me oferecia mais uma oportunidade de tocar em um funeral, dessa vez era da filha do presidente que havia morrido tragicamente de uma complicação cardíaca.
Sempre tive um receio em tocar em funerais de crianças talvez porque o clima é muito mais pesado e nem à tantas coisas para se lembrarem delas e homenageá-las quanto aos velhos, mas era um funeral de uma pessoa importante, não poderia dizer não. Não queria ser um mercenário mas não podia recusar o tamanho cache que ganharia, queria comprar um piano centenário que era de algum italiano influente , uma porção de livros (seja eles sobre musica, filosofia ou qualquer tipo de ficção) e mais alguns móveis.
O funeral era naquela mesma noite, ora raramente alguém espera de mais para enterrar seus mortos e ser um musico fúnebre é isso, sempre estar preparado para um trabalho de ultima hora, pois a morte não espera ninguém.
Eu não tinha nada agendado para noite mesmo, raramente tenho algo em especial, meus poucos amigos de trabalhos comuns vivem cançados, estressados e depressivos, no pouco tempo que eles tem livre se dedicam a suas namoradas, esposas, mães, avós e a descansar.
O clima a suportar seria enormemente pesado, bruto e como sempre com aspecto de luto, teria que me preparar. Nada melhor do que dar algumas voltas em algumas trilhas rodeadas apenas por arvores, algumas frutíferas que eu pegava algumas maçãs para acabar minha pouca fome e sede simultaneamente.
No meio daquela caminha em particular eu encontrei um esquilo morto, sem algum sinal de ter sido ferido por outro animal, talvez tenha adoecido e morrido, outro esquilo mexia nele, talvez algum familiar ou cônjuge, pobre esquilo, toquei algumas notas em sua homenagem e o esquilo que o cutucava sai andando vagarosamente imitando um humano com cabeça baixa.
Olhei para o céu, estava enchendo de nuvens, uma baita chuva esta por vir, era melhor eu me apressar, ainda precisava tomar um banho, colocar roupas desconfortáveis e me dirigir até a casa de meu irmão que me levaria até o funeral.
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