Notas iniciais
DEPOIS DE DÉCADAS DE ABSTINÊNCIA, CÁ ESTOU EU DE NOVO!
POSTANDO NUMA TERÇA FEIRA!
Ç,Ç/
Não me odeiem, não tenho muito tempo na vida.... >,

Sentia-me cada vez mais febril, a sensação das pontas dos meus dedos se perdia um pouco, o primeiro anjo se aproximou de mim com calma, olhando os meus olhos pálidos e a temperatura alta do meu sangue.

- Lavish, fent narler darten lavedern. – Caçador, já está morrendo?

- Fravish lerterd morth. – Há muito tempo.

- Saith nanrha? – Seu nome?

- Saith’er Blanc.

- Saith’er Nero.

- Nint’heir daf varkar fent... – Nunca conseguiram pegar você...

- Na saith’dij. Daz marlert dagerak. – Eu sei, é melhor assim.

- Martnar... – Entendo.

- Nint, fent nint martnar. – Não, você não entendeu.

Minha cabeça rodou, me sentia atordoado, algo soou em minha mente.

“Ele fala a sua língua Blanc... Pare de falar a língua dele ou morrerá”.

Silêncio.

- Você fala a minha língua, primeiro anjo?

- Claro que eu falo, bobinho. – ele sorri.

- Por que não falou na minha língua desde o princípio?

- Por que eu não sou um humano.

- Nenhum de nós é, somos caçadores, Nero.

- Os caçadores estão a sua procura... Lavish. – ele ri, sarcástico.

- Eu imagino ser uma ferramenta útil para eles. – suspiro, cansado.

- HAGEN’IRT! – ESPALHEM-SE!

- Você pretende...

- Lavedern’dij. – Matá-los.

Ele parecia tristemente resoluto.

- Não... Essa gente não vai aguentar perder mais nada...

- Fintna’er vartnir fent... Lavish. – Nós protegeremos você... Caçador.

O primeiro anjo e aqueles que espreitavam junto dele parte, Nero toma um pequeno impulso no chão, abrindo suas longas asas negras e partindo, a sensação febril que tinha, explode no fundo do meu peito, apoio num prédio, perdendo parte do equilíbrio e respirando entrecortado, sentindo pequenos arrepios quentes e frios subindo e descendo minha espinha.

- Blanc.

- Ah... Daliant... – o observo com certa inquietação, as pontas dos meus dedos coçam, sentia que minha doença em breve alcançaria minha medula e eu acabaria causando alguma desgraça, pois quando olhei para Daliant, não reconhecia nele um amigo de minha muito longínqua infância, mas um caçador, e vi seu coração pulsando sangue prateado, e suas veias deixando esse sangue quente circular em um ciclo infinito por um corpo construído para servir como arma.

E senti um arrepio inquieto subir por minha nuca, pois a ideia de mata-lo de repente soou tão... Doce.

E esse desejo escureceu meus olhos por apenas um milésimo de segundo antes que ele quebrasse meus pensamentos com o som calmo de sua voz viva e imperativa.

- Vamos.

Então me deu as costas e seguiu em silêncio até o portão, eu não esperava que ele me ajudasse a andar, por mais débeis que minhas pernas parecessem naquele momento, ou que eu sentisse meu mundo rodando, ou que a ideia que me ocorrera antes se recusava a se dissipar novamente, mas agora, apenas me causava uma forte enxaqueca, nada mais.

O contato físico era algo permitido apenas a crianças e casais, e me sentia profundamente incomodado quando Lindit me abraçava ou segurava minha mão como se ainda fossemos crianças, sentia meu espaço pessoal invadido, simples assim.

Mas obviamente o pensamento que me ocorrera em dilacerar o coração pulsante de Daliant havia me embrulhado um pouco o estômago, eu não sei se voltaria ao meu normal se eu o fizesse, mas tinha certeza de que se Nero não o havia atacado ainda, ele tinha planos para Daliant, e me preocupava pensar a respeito.

Incapaz de caminhar numa linha reta, eu me esforçava para simplesmente não cair, Daliant olhava os meus passos trôpegos com certa piedade, até que quebrou o silêncio.

- O que o anjo disse a você?

- Que estará me protegendo, que tem planos para mim, que eu serei uma boa ferramenta. – disse com certo desleixo, mas a tarefa de caminhar parecia absurda e tão complexa que quase havia me esquecido como eu fazia parecer tão simples antes.

- Como você está em relação a isso?

- Por que veio me buscar sozinho?

Essa pergunta de repente me pareceu muito conveniente.

- O que?

- Por que veio me buscar sozinho?

- Não achei necessário trazer comigo outros simplesmente para buscar alguém que não será atacado.

- Justamente isso. Eu não posso ser mais atacado, mas você pode, o que faria se tentassem mata-lo, Daliant?

- Levarei três deles ao chão antes que pudessem me ferir. – disse com resoluta serenidade.

- Por que não trouxe os outros? Nizz e Cayde com certeza viriam.

- Por que existem coisas que, como Harin, eu tenho que fazer sozinho.

- Como morrer, por exemplo.

- Se preciso fosse. – ele parecia completamente resoluto em tudo o que dizia, Daliant nunca sequer hesitava em seus pensamentos, por mais absurdo que fossem.

- Mesmo que fosse eu a mata-lo.

Nossos olhos se cruzaram por um instante ou dois.

- Se eu fosse forçado a morrer, preferia que fossem por suas mãos, sim.

E continuou a caminhar.

- Assim como quando a hora chegar, caçarei você até o fim dessa terra maldita e arrancarei sua cabeça. – disse, de costas para mim.

Isso me soou de certo modo, muito gentil da parte dele.

A morte é algo imundo e impuro.

Viver como um anjo.

É apodrecer-se mais do que simplesmente morrer...

É o eterno castigo.

Ainda assim, matamos apenas por necessidade, é contra nossas leis matar por algo mais do que sobrevivência.

Então Daliant se oferecer para me libertar dos grilhões da mortalidade sem fim...

Era um grande sacrifício.

Mas pelo menos assim eu poderia descansar.

E ser tragado pela terra.

Uma honra de poucos, mas o desejo de muitos.

Em Requiem, onde a morte é apenas uma nova forma de punição.

Notas finais
Bem... espero que tenham gostado, deixem um comentário me xingando pela demora tbm se vcs quisesem
kissus ;*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.