Requiem
2 Onde estou?
– Acorde garoto, não sou sua babá. – Diz um velho esquelético, corcunda e de cabelos grisalhos.
Paulo acorda em uma casa velha, com o chão de madeira, e teias que tocavam o chão. Havia um forte cheiro de mofo no ar, sem falar na infestação de ratos, baratas, aranhas e outros animais. “Um lugar perfeito para fazer um circo dos horrores” – Pensou André.
– Quem é você?
– É mesmo! Onde estão os meus bons modos? Meu nome é Carlos. E o seu?
– André. E que lugar é esse?
– Nós estamos em um município de Cariacica, só não me lembro qual. Com tudo o que aconteceu, é um milagre eu ter te achado e te trago pra cá. Você estava dentro de um carro que capotou. Claro que esse pode não ser o melhor lugar pra se viver, mas dá pro gasto.
– Entendo. Espera um pouco! Dentro de um carro? Você não viu uma morena baixinha junto comigo? Ela tinha olhos azuis.
– Então você é só um galanteador? Não, eu não vi. Mas eu sei que duas coisas podem ter acontecido: 1º: Ela pode ter fugido e encontrado um lugar seguro; 2º: Ela pode ter sido pega e... Bem, não queira saber o que acontece com quem é pego.
– Pega? Pelo quê?
– Não queira saber. O melhor a se fazer nessa situação é esperar meu amigo chegar. E se esquecer dela.
– Não acredito! Eu tenho que achar ela!
– Cara, você é bonitão. Relaxa, você vai achar outra.
– Não, eu nunca vou achar alguém como ela. Eu a amo. Eu vou procurá-la até a morte! Adeus para sempre, Carlos. Foi bom te conhecer. – Disse André enquanto entrava em um carro velho.
– Não cara, você não pode ir...
Mas já era tarde. André já tinha desaparecido pelas ruas vazias.
– Mas um guerreiro que vai cair. Pelo menos, espero que você a encontre. E espero que se casem e vivam juntos, e felizes, pra sempre. – Disse Carlos.
E então, Carlos vai até o porão da casa, e abre uma porta secreta, cheia de lápides, mas sem nenhum corpo. E vai até uma lápide e escreve “André, amado esposo e amigo”. E, próximo a essa lápide, pode-se ver uma lápide em que está escrito: “Ian, amado amigo e a última esperança da humanidade”.
– Eu sabia que ele não ia voltar – Disse Carlos, enquanto comtemplava, pensativo, a lápide de Ian. Conheci seu irmão Ian. Agora, o destino de toda a humanidade está nas mãos dele. Mas eu sei que André não vai nos decepcionar. Afinal ele é seu irmão.
“Olhe só pra mim, estou tão solitário que estou conversando com lápides vazias. Mas não tem problema, logo estarei entre eles.” — Pensa Carlos
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