Notas iniciais
Amorinhas doces dessa minha vidinha! Aqui está o capítulo 55... É de transição, como eu havia dito, e espero de coração que gostem. Boa leitura!! :)

A moça de alinhados cabelos negros, parada em frente ao portão, do lado de fora, esboçava em sua face um sorriso de plena felicidade. Enlaçados a sua cintura, enquanto ela tocava a campainha estavam os braços do fiel amigo de Gina. Este, por sua vez, competia com a amada a quem abraçava no quesito de sorriso mais radiante.

– Mas o que será que eles querem aqui?! – Gina pensou alto, ainda que sorrindo ao constatar a felicidade do amigo.

– Ora essa Gina, sem grosserias, nós vamos atender e descobrir... – O engenheiro colocou-se de pé, caminhando de mãos dadas com a ruiva até o portão.

Assim que Nando o abriu, a troca de olhares foi intensa.

Na sequência os quatro riram, dos outros, de si mesmos, pela falta do que dizer.

– Oi... – Maia iniciou o assunto em um tom amistoso.

– Oi minha cara! – Nando respondeu à amiga.

Gina respirou fundo, evitou que qualquer resquício de ciúme tolo a chegasse à mente. Afinal, agora mais do que nunca não teria sentido. Estavam os quatro ali, em pares, amistosamente.

Era hora de levarem as amizades com naturalidade.

– Oi Maia... Oi Jone! – Claro, era inevitável um tom mais animado da ruiva no segundo comprimento.

– Oi Gina, Nando... – Jone disse se soltando da amada. Deu um doce beijo na bochecha de Gina, e apertou a mão de Nando na sequência.

De todos, era o que mais encarava com naturalidade o momento.

Um breve silêncio, novamente.

– Tá meio quente aqui fora... Se vocês quiserem a gente pode ir ali à varanda, tomar um suco, não sei... – A ruiva quis ser gentil.

– Huuum, obrigada mesmo Gina, mas eu e o Jone só estamos de passagem aqui. – Maia delicadamente se soltou do rapaz e pegou uma das mãos de Gina. – Nós viemos só agradecer.

Ela foi sucinta.

Gina observava o gesto da moça sem muito entender. Mas percebendo, pelo toque, pelo tom, que a gratidão (seja lá qual fosse) era sincera.

– Ara, mas agradecer o que?

– Pela amizade de vocês Gina. – Maia segurou com a outra mão, uma das mãos de Ferdinando. – Acho que vão ficar felizes em saber que eu e o Jone resolvemos namorar oficialmente, e que a partir de hoje moraremos juntos! – Maia não pode deixar de lançar um adorável olhar ao rapaz parado atrás dela.

– Ora essa minha amiga! Eu fico muito feliz pelos dois! – O sorriso de Ferdinando era radiante. – Mas porque agradecer a mim e a Gina?

Jone se aproximou.

– Porque isso só aconteceu graças ao apoio e conselhos que eu recebi da Gina e a Maia de você, Nando. Vocês são de fato amigos incríveis. Saiba que eu já te considero assim também.

Ferdinando fitou os olhos verdes do rapaz. Ficou feliz em constatar a veracidade com a qual ele lhe confessava uma nova amizade.

– Bom... Se for amigo da minha jaguatirica, é amigo meu também! – O engenheiro brincou, roubando risos de todos.

– Eu fico contente por demais de saber que vocês se arranjaram! – Gina fez questão de frisar.

– E eu por vocês, Gina... Pensa que não ficamos felizes em chegar e ver o dengo em que estavam? – Maia pontuou.

Gina enrubesceu.

– Pois é Maia, eu nunca mais que deixo essa menininha fugir de mim... – O engenheiro se soltou da amiga e abraçou ternamente a amada por trás.

– Ficamos muito felizes por isso. – Jone concluiu, também roubando a morena para si.

Os quatro observaram por certo momento à maneira equilibrada como aquela cena encerrava, de certa maneira, uma fase.

Tudo estava como deveria estar. Todos contentes, alegres, amados. Era bom.

– Mas porque vocês não podem ficar pra gente conversar um pouco, ou tomar um suco, não sei... – Agora era Nando quem reforçava o convite.

– Não dá Nando, eu e o Jone vamos trabalhar na mudança dele agora... Esse garoto me dá um trabalho! – A morena brincou, esclarecendo.

– Ah sim! É por um bom motivo! – Ferdinando compreendeu.

– É sim... – Jone confirmou apaixonado. Radiante. – Bom, então vamos gatinha?!

Maia sorriu com o apelido recém-colocado.

– Vamos... Até logo casal! – A moça deu um beijo cada par à sua frente. Jone a seguiu.

– Até! – O casal que permaneceu suou uníssono.

[...]

O almoço estava prestes a ficar pronto, e como Juliana e Zelão sempre preparavam a comida, Gina e Nando haviam resolvido dar uma forcinha, colocando a mesa.

– Ai frangotinho, será que eles vão demorar a voltar com essa alface? – A voz de choro e desespero dela já o fazia rir.

– Ara menininha, calma, que já já eles chegam, o almoço já tá pronto e o mercado é logo ali... Você segure essa fome toda um pouco mais, por favor! – A voz dele era de puro deboche.

– E você tá pensando que é só uma fominha de frangote igual a sua, Nando?! Eu tenho fome de verdade ara! – Ela levou a mão ao estômago. – Ai, que fome!

Ferdinando ria descontroladamente.

– Pelo amor menininha, que drama todo é esse?! – O engenheiro terminou de colocar os pratos que tinha na mão na mesa, e resolveu aliviar a ‘gigantesca’ fome dela. – Vem me dar um beijo enquanto eles não chegam... Aposto que te faço esquecer pelo menos um pouquinho dessa fome. – Ele provocou, se apoiando na pia e a puxando para ficar de pé entre suas pernas.

– Eu vou é morder você com a fome que eu tô! – Ela brincou.

Ferdinando se lembrou que a promessa já havia sido feita outrora.

– Ara que eu vou acabar cobrando essa mordida Gina... E acho que vai ser hoje a noite... – Aquele tom tão dele já voltava. Os beijos depositados no pescoço da ruiva também.

Gina percebeu o tom. Abaixou os olhos um pouco, ao ser abatida pela lembrança de um assunto que ainda tinha que tratar com ele.

Ela se afastou, ainda que permanecendo entre as pernas dele, desvencilhando-se dos beijos.

Nando percebeu, ela estava fazendo o mesmo que já havia feito, mais cedo. Resolveu jogar limpo.

– Ora essa Gina, o que foi?! – Ele não queria parecer irritado. Mas estava um pouco.

A voz transpareceu.

– Ara, você não fala nesse tom comigo Nando! – Ela se afastou por completo dele. Fechou o semblante deixando claro o desgosto.

Não era isso que ele queria.

– Não Gina, desculpa... – Ele respirou fundo e voltou a puxá-la (ainda que com leves protestos) pela mão, para a posição em que estavam. – É que... Ora essa menininha, eu não estou te entendendo... Depois de ontem, mais precisamente, desde hoje cedo, você parece que foge de mim... Dos meus beijos... Eu fico aqui pensando que talvez você não tenha... Ara Gina, não tenha gostado de ontem, ou sei lá... – O engenheiro abaixou a cabeça, de certa maneira, pensar na possibilidade o chateava.

Gina observou que aquilo que Juliana havia dito sobre Nando começava a acontecer. Precisava dizer logo o que a afligia.

– Não é nada disso Nando... – Antes de qualquer coisa, ela precisava esclarecer. Levantou o queixo dele de volta trazendo o olhar cerúleo de volta a seus olhos. – Eu nunca me senti tão feliz e completa como me senti ontem com você frangotinho. Foi a noite mais especial da minha vida... Você acredita?

Os olhinhos dele se umedeceram tamanha a beleza da declaração.

Não havia sido uma pergunta retórica.

– Acredita Nando? – A ruiva voltou a indagar com a doce voz.

– Acredito menininha... Foi pra mim também. – Ele pontuou enlaçando a cintura dela.

Gina respirou aliviada.

Se ele acreditasse, seria mais fácil entender.

– Nando, eu sei que ando meio estranha desde a manhã, mas não é pelo que aconteceu ontem, de jeito nenhum. É pelo que aconteceu hoje, na ligação da mãe...

– Mas Gina, se for pela casa, eu te perguntei se você tinha dúvidas sobre o casam... – Ela depositou o dedo indicador nos lábios apressados.

– Mas você quer me deixar continuar, Nando?! – Ela não gostava de ser interrompida, ainda mais erroneamente.

Ferdinando fechou os olhos. Consentiu.

– Então, como eu dizia... – A ruiva reiniciou. – Eu fiquei meio assim com o que a mãe disse, mas não sobre a casa... Fiquei mal pelo motivo dela dizer que estavam construindo a casa...

Ferdinando a encarou. Ainda não compreendia. Que motivo poderia ser?

– Mas como assim menininha?! – Ele questionou doce, vendo que a face dela já estava um tanto afetada.

– Ara Nando... Ela me disse que ela e o pai estavam fazendo a casa junto com o seu pai porque queriam que a única filha deles se casasse dentro dos conformes... Com tudo certinho, bonitinho, como ela sempre imaginou... – Gina se virou de costas. Um tom teimoso de choro começava a embargar-lha a voz.

– Mas Gina, eu não acredito que você tá arrependida do que a gente fez. Foi do jeito que você sempre quis menininha... Antes do casamento. Quem tinha que decidir isso era você Gina, não seus pais. – Ferdinando tentava amenizar a culpa que percebia que a afligia.

– Mas eu não tô me sentindo culpada, nem arrependida Nando... – Ela voltou a encará-lo – Foi realmente tudo do jeito que eu sempre quis... – A ruiva abaixou o olhar. – Mas sei lá, eu não sei quanto tempo consigo fica fingindo que a gente tá respeitando o que eles me pediram, entende? Eu não gosto de mentira Nando...

Não era necessário ela frisar a última parte. Ele bem sabia, e admirava muito isto nela.

– Eu te entendo Gina... – Ferdinando a puxou para um terno abraço.

No fundo, o engenheiro estava feliz. Ela não havia se arrependido de nada.

– E eu prometo que vou dar um jeito nessa situação menininha! – Ele cochichou, já matutando o próximo passo necessário a tomar.

– Mas como isso?! – Ela levantou o rosto o encarando sem entender.

– Você confia em mim?

Ela o observou, saindo do abraço, desconfiada.

Também não havia sido uma pergunta retórica.

– Confia menininha? – Ele voltou a questionar.

– Muito. – Gina voltou a envolvê-lo em um doce abraço.

Curiosidade a definia.

Determinação o definia.

Notas finais
É isso minhas lindas! Obrigada pelo carinho de sempre (arrá, pensaram que eu tinha esquecido! :p rs)