República
32 A resposta.
Notas iniciais
Gina foi pega de surpresa pelo pedido. Estava sem reação.
É verdade que, naquele momento, deitada sob o engenheiro, sentindo-o sobre ela, da maneira incrível como seus corpos conversavam, se encaixavam e se desejavam, ficar ao lado dele em um ‘para sempre’ era um de seus maiores desejos. Mas tão logo o ‘para sempre’?!
Ela pensou em uma fração de segundos, enquanto olhava para os olhos azuis úmidos e ternos do rapaz, sobre vários assuntos que, com um casamento, entrariam em pauta. Família, casa, filhos, estudos...
Estava perdida. As surpresas de Ferdinando sempre a agradavam ao final é verdade. Mas esta... Esta era diferente, pois o final dependia apenas dela. De uma resposta dela.
– Menininha?! – Ferdinando tentou retirá-la do leve transe em que percebeu vê-la se afogar.
Ela piscou algumas vezes, voltando à realidade.
– Nando... – Ela suspirou, sua voz era vacilante. – Eu não sei o que te dizer... – Gina passava a ponta dos dedos levemente no peitoral do engenheiro. Ela se perdia nos traços dele, e em seus pensamentos.
– Diz que sim Gina. – Ele foi claro e apaixonado. Seus olhos tinham um brilho que faziam Gina querer se render logo ao pedido e voltar a acariciá-lo. – Você quer ser minha, não é? Eu também quero ser seu, menininha. Pra sempre... – Ele retirou a mecha ruiva que começava a cobrir o olhar dela.
Mas ela não podia agir assim. Tão simplesmente. Tão por impulso.
– Ara Nando... É claro que eu quero, eu já disse que lhe amo, e por isso to aqui, com você... – Ela cessou o desenho que seus dedos faziam nele. Apoiou-se em um braço, levantando de leve seu corpo, o fazendo seguir a inclinação.
Nando sabia que podia estar indo rápido demais. Na verdade, compreendia perfeitamente a demora em uma resposta dela. Esperaria o tempo preciso por um retorno. Mas pedi-la em casamento fazia mais sentido que qualquer outra coisa... Ele a queria para a eternidade, sentia em seu coração que seria dela, sempre e pra sempre.
– Pois então meu amor... – Ele disse olhando fundo nos olhos dela.
– Nando, eu não sei... É que pra mim, tá rápido demais... Um casamento... – Ele abaixou um pouco o olhar, já esperava. Ela acariciou o rosto dele, não queria que interpretasse aquilo como falta de amor ou carinho. – Frangotinho, e se agente namorasse um pouco antes... Igual a Juliana e o Zelão tão fazendo?
Gina sabia que até se organizar para um tremendo passo, que seria um casamento, o namoro daria uma estabilidade ao relacionamento dos dois.
– Você tá me dizendo um ‘não’...? – Ferdinando perguntou com um sorriso sem graça nos lábios. Entender não era sinônimo de aprovar.
– Não frangotinho! – Ela se desesperou com a possibilidade dele entender desta maneira. – Eu to te dizendo que não sei ainda... Não sei o que acho. E até eu decidir, quero namorar com você, pra poder ficar assim... – Gina começou a tornar a voz manhosa. Voltou a se deitar e agarrou com um das mãos os dreads da nuca de Nando. – Juntinho assim... – Ela deu um provocante selinho no engenheiro.
– Ara que você tá apelando menininha, não é assim que funciona... – Ferdinando já estava se perdendo na artimanha dela.
– É sim. – Ela esticou a outra mão e apagou a luz do abajur.
Queria ganhar a conversa, fazendo-o se concentrar em outras coisas.
Puxou o engenheiro ainda mais para si pelos dreads, o beijou de uma maneira nada casta, fazendo sua língua desejosa se perder na boca quente dele. A outra mão voltava do abajur, e agora circulava com ameaças de invasão, a circunferência da roupa íntima dele. Ela havia gostado de tocá-lo daquela maneira, com tanta intimidade, com tanto poder sobre aquele corpo, que ela tanto desejava.
– Gina... – Ele gemeu soltando-se da boca dela. – Você tá querendo me convencer assim, sua porqueira? – A voz dele já estava rouca de tanto desejo.
Gina deu um riso provocante.
Ele estava ciente das intenções dela, e estava aprovando.
– Tá funcionando? – Ela perguntou com a voz moleca e sexy, que o faziam pirar. Gina estava começando a perceber os efeitos que tinha sobre o rapaz.
– Não... – Ele provocou, dizendo isso colado ao ouvido dela, enquanto mordia-lhe o pescoço.
– Ara que esse frangotinho é teimoso demais... – Gina era orgulhosa demais, queria vencer. Ouvi-lo confessar derrota.
Ela colocou a mão dentro da cueca de Nando, e o ouviu gemer baixo, muito baixo. Sabia que ele estava tentando esconder a ‘derrota’ praticamente clara. Começou a acariciá-lo e apertá-lo com ainda mais vigor que a primeira vez, e sentiu que aquilo a excitava tanto quanto à ele.
“Diaba...” Ferdinando pensou silenciosamente enquanto os olhos reviravam no prazer de senti-la novamente tocando seu íntimo. Ele apertava a carne macia da cintura dela, das pernas dela.
– E agora doutor? – Ela mesma já tinha a voz provocante, embargada pelo desejo.
Deliciosamente decidida, orgulhosa, teimosa.
– Não... – A voz de Ferdinando saiu em um sussurro. Ele estava em êxtase.
Gina mordeu o lábio inferior dele. Soltou lenta e provocantemente.
– Não me convenceu muito não... – Ela disse em um misto de riso e desejo.
Ferdinando não podia acreditar no quanto ela estava ousada aquela noite.
Na realidade, seu peito se enchia de orgulho a cada ato da ruiva. A valentia dela, a segurança em se jogar no desconhecido, quando decidia, o fazia amá-la a cada momento mais.
A maneira como ela estava decidida em trocar aquele dia, de uma noite terrível, a um momento memorável. E estava conseguindo.
Ela era terrível. No bom sentido, no melhor deles.
E Ferdinando a amava por isso.
É verdade que ele estava prestes a se render ás carícias dela, e deixar o assunto de casamento para o dia seguinte, mas conseguiu pensar em uma maneira de fazer o que queria, dar a ela parte do que desejava, e ainda, fazê-la entender um dos pontos positivos de sua proposta.
Ele iria reverter contra ela mesma, o jogo que ela havia criado.
Ele também sabia ser terrível.
A mão de Gina permanecia astuta e firme nos movimentos de carícia que fazia no engenheiro, no ponto mais necessitado dele. Enquanto isso, já decido a virar a situação, Nando se aproximou sorrateiramente do ouvido dela.
– Você tá brincando com fogo menininha... – Ele pontuou, mudando completamente a voz. De provocado, passava a ser provocador. Ele estava a ‘ameaçando’.
Gina percebeu. Aquilo a fez sentir o ventre, que já estava em cambalhotas, palpitar em uma sensação doentia de desejo.
Ao terminar a fala, Ferdinando escorregou lentamente a mão direita pelo corpo dela, deixando um rastro de fogo e desejo na pele da ruiva. Quando chegou ao vente, ele imediatamente inverteu a posição da mão, deixando os dedos apontados para baixo. E escorregou mais lentamente ainda, até tocar com os três dedos centrais o tecido úmido que a escondia. Acariciou lentamente, e viu a maneira como o corpo dela passou a se contorcer levemente.
Ela gemia baixo, mas incessantemente sob suas carícias, e a boca dele próxima à dela, podia sentir a respiração quente e ofegante que saía da boca entre aberta dela.
Gina ainda o segurava em suas mãos, mas não acariciava mais. Estava ocupada demais em sentir a onda de prazer que a invadia.
– Agora é minha vez, menininha. – Ela disse com a voz extremamente provocante. Colou os lábios no pescoço da ruiva, e enquanto a acariciava daquela maneira tão estimulante, depositava beijos, mordidas e chupões nele.
Gina não conseguia ao menos responder a provocação dele. Nenhum pensamento coerente era formado. Ela só conseguia sentir, como era gostoso tudo aquilo.
Ferdinando estava perdido no prazer que tinha em proporcionar prazer a ela. Acariciá-la e escutá-la aprovar a cada gemido, senti-la aprovar a cada vez que se tornava mais úmida, era tão bom quanto receber carícias dela.
O engenheiro aumentou a pressão e velocidade dos movimentos, os gemidos de Gina também aumentaram.
Ele sabia muito bem onde queria chegar. A umidade dela deixava claro que ele estava conseguindo.
Gina não sabia o que era, mas seu corpo parecia que a cada segundo se tornava mais independente, forçando seu quadril aos dedos ágeis dele. Ela começou a suar frio, e o ar estava se perdendo. Ondas de prazer cada vez mais fortes atingiam-na de forma visceral. Os movimentos circulares e precisos dele, sobre seu ponto pulsante e central a faziam entrar em um transe delicioso.
– Nando... – Ela gemeu abertamente, como se suplicasse por algo. Apertou ainda mais o membro dele em sua mão.
Ele sabia muito bem o que era.
– Fala menininha... – A voz dele em seu ouvido era extremamente provocante. – Quer que eu pare?! – Ele ria maliciosamente ao provocá-la.
– Não, por favor... – Ela implorava sem sequer perceber, tamanho o prazer que conhecia. – Continua Nando... – Ela gemeu ainda mais.
Ferdinando estava em êxtase. Ser o primeiro a fazê-la sentir tamanho prazer, o fazia ser o homem mais feliz do mundo.
Mas ele não concluiria, era parte de seu plano.
Quando o corpo de Gina começou a se impulsionar, para as convulsões de prazer que ele sabia que estava prestes a chegar com a satisfação dela, ele cessou os movimentos.
Sorriu ainda mais abertamente ao ouvi-la protestar levemente.
– Gina? – Ele perguntou no escuro quarto.
– Nando... – a voz dela continuava a implorar. – Continua... – Ela retirou a mão que o segurava, e levou a dele instintivamente ao seu ponto suplicante.
Nado sorriu orgulhoso. Esticou o braço e acendeu a luz do abajur.
Observou Gina ofegante, com a testa levemente molhada de suor, e as bochechas rubras do esforço que o prazer lhe cobrava.
Ela estava linda. Sublime.
– Menininha... Eu não posso. – Ele sorriu maliciosamente. — É por isso que casar seria bom... Eu poderia concluir isso com você de diversas maneiras. E te garanto que você amararia cada uma delas. – Ele disse rindo, mordendo os lábios dela.
Propositalmente cretino.
Gina abriu os olhos e o fitou com uma brabeza forçada.
– Seu porqueira! – Ela o empurrou levemente pelo peito. E sorriu.
– Você que começou. – Ele sorriu lhe beijou e deitou em seu colo.
A luz do abajur era curta, iluminada apenas o rosto de ambos e parte do colo de Gina, não os seios. Apesar de querer, Ferdinando estava decidido em vê-los e beijá-los apenas depois de uma decisão certa da ruiva. Queria que tudo fosse de fato, único.
– Nando... – Ela suspirou. – Você sabe que pra gente casar, vai ter que enfrentar uma briga dos diabos lá na Vila, não é?!
– Eu sei menininha, — Ele se apoiou em um braço para olhá-la nos olhos. – E eu to pronto pra isso e pro que mais for pra ficar do seu lado. – Gina o observava dizer isto, com os olhos brilhando.
– Eu também frangotinho... – Ela assumiu.
Aquela era uma conversa séria, mas rodeada de amor. Acalentada de ternura.
– Então... – Ele respirou para repetir a pergunta. – Você aceita se casar comigo menininha?
Gina, primeiro, apenas balançou a cabeça em consentimento, levemente. Seus olhos já estavam úmidos.
– Diz isso pra mim Gina, pra eu saber que é de verdade. – Os olhos dele já estavam iguais.Um sorriso indescritível brotava em seus lábios.
– Eu aceito me casar com você, Nando. – Ela foi clara, sucinta, sincera.
Ele sentiu-se pleno.
Ela sentiu-se plena.
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