Repressed Love
1 Aluna Nova...
Notas iniciais
Scarlett's POV
"Só mais um ponto... Só mais um ponto" pensei comigo mesma. "PIIIIIIII" o placar apitou.
– Tocado à esquerda, ponto à direita. 5 a 4. Fim de jogo. -o George (n/a: vamos fingir que o George não é o dlç do Harry Judd :D) falou.
– Bom jogo! -disse o Kyle tirando a máscara e vindo me cumprimentar.
– O mesmo pra você! -falei dando um beijo na sua bochecha.
– O jogo não foi bom pro Kyle, ele perdeu HAHA. -o George falou rindo.
– Ahhhh, foi sim. -falei abraçando o Kyle por trás.
– Tem razão... Hey Kyle, essa foi a derrota por menos pontos pra Skye né? -o George quando começa a incomodar alguém, não para.
– George, vai se fu... -o Kyle ia começar a falar quando o Richard, nosso mestre, o interrompeu:
– Se "fu" o quê Sr. Kyle? -o Richard perguntou arqueando as sobrancelhas.
– Se futricar Richard, se futricar... -Kyle falou revirando os olhos.
– Acho bom. Então galera, como foram as aulas hoje? -Richard falou. É sempre assim, ele passa a tarde fora, enquanto eu e os meninos damos aulas pra galera mais nova. Não todos juntos, claro. Cada um de nós tem uma turma separada e treina em cada sala do galpão. Eu cuido das meninas, de 10 a 17 anos. O Kyle cuidados meninos, de 10 a 17 anos também. E o George dá aula pra quem é mais velho que 17 anos, independente do sexo.
– Foram boas... Aí povo, vamos nos trocar e depois fazer alguma coisa? -o Kyle perguntou tirando o casaco dele.
– Bora, que tal uma vitamina? -o George falou.
– Ahh tá, mas eu vou tomar um banho antes. -falei tirando os meus tênis e o casaco.
– Ihhhhh, vai demoraaaarrr... -o George como sempre continuou incomodando. O ruim de ser só eu e a Samantha naquele galpão de meninas era isso: eles SEMPRE nos incomodavam. A Sam era minha assistente e melhor amiga, assim como a Lea.
– Vem cá, você tirou o dia pra zoar a gente né George? -falei rindo. -Vou me trocar e já volto. Falei caminhando em direção ao vestiário.
– Ganhou do meu namorado de novo? -a Sam perguntou entrando no vestiário.
– Foi mais difícil hoje... Diferença de um ponto. -falei abrindo minha bolsa com minha roupa "normal".
– É impossível ganhar de você, Skye. Você é muito boa. -a Sam falou se sentando no banco.
– Nem tanto, eu ainda não consigo ganhar do Richard. -falei entrando no box do chuveiro.
– Por favor, né Skye! O Richard é o nosso mestre! E você não ganha por 1 ou 2 pontos, no máximo...
– Ahh tanto faz. Arrumou a sala direitinho? -perguntei me referindo à sala onde eu dava aula pras meninas. Às vezes aquilo lá ficava uma bagunça.
– E eu tenho escolha? Meu trabalho é esse, né. Você sempre faz isso...
– Isso o quê? -perguntei enquanto me ensaboava.
– Você sabe... Bagunça aquela sala, e depois vai jogar com o meu namorado enquanto eu fico lá arrumando.
- Nem sempre é com o seu namorado. Às vezes é com o George, ou com algum aluno que tenha ficado e queira jogar... -falei rindo.
- Você me entendeu, Scarlett.
– Ok, ok. -falei saindo do banho e me secando. Coloquei meu vestido e a sandália e estava prendendo meu cabelo quando a Sam falou:
– É impressionante como a gente fica diferente sem aquela roupa...
– Como assim? -perguntei prendendo o meu coque.
– Tipo... Com aquela roupa de esgrima, a gente fica igual, morrendo de calor, sem nenhum charme. E aí depois, trocar de roupa... Eu sei lá, a gente fica diferente...
– Traduz tudo o que você disse, não entendi nada. -falei colocando minha roupa de esgrima na bolsa.
– Você fica mais menininha com a sua roupa do que com a roupa de esgrima, fica diferente. É isso.
- Ahhhhh é, eu tenho que concordar com você. Agora vem, vamos. -falei saindo do vestiário.
Quando cheguei na sala, o George não perdeu tempo:
– Aleluiaaaaaaaa! Você demorou muito Skye! Acho que envelheci uns 15 anos...
– Larga mão de ser dramático George, não levou nem 15 minutos.
– Oiiiiiiiiiii amooooooor! -a Sam veio toda melosa beijando o Kyle...
– E lá vamos nós ficar de vela... -falei revirando os olhos.
– Vela não, tocha olímpica. -o George falou rindo.
– Oh yeah, my friend.
– Hey, Scarlett, vem cá um pouquinho. -o Richard me chamou.
– Ihhhhh, o que você aprontou Skye? -o George começou a me incomodar, dei o dedo pra ele.
– Oi Richard, o que foi? -perguntei entrando na sala dele. Lá dentro estavam um menino da minha idade mais ou menos, com o cabelo castanho e os olhos claros e uma menina de uns 13, 14 anos com a mesma aparência dele e um sorriso amigável. Eles pareciam ser irmãos. Os dois eram bem bonitos.
– Scarlett, essa é a Charlotte Tomlinson e seu irmão, Louis. -Richard me mostrou a menina e o irmão dela.
– Prazer, -falei apertando a mão do Louis e depois a da Charlotte -Scarlett.
– O prazer é meu. Me chame de Lottie. -a menina falou.
–Ok, Lottie. -falei sorrindo, o irmão dela estava com uma cara de bravo, não sei...
– Bem, então quando as aulas da Lottie começam? -o tal Louis perguntou ao Ric.
– Ela já está matriculada. Começam segunda que vem, de tarde. As aulas serão sempre a partir da 13h, e a professora dela será a Scarlett. -o Ric falou explicando pra eles.
– Ok... Bem, acho que é isso. Segunda-feira que vem eu irei trazê-la então... Obrigado. -Louis falou apertando a mão de Richard. E virando pra Lottie falou: -Vem, vamos pra casa. Ainda temos que comprar o seu material.
– Na verdade... Vocês só precisam comprar o casaco e a calça, que precisam ter as medidas dela... A luva, espada, toc-toc, plastron e a máscara, nós já temos aqui sobrando. -falei.
– Enfim, temos que comprar o seu casaco e a sua calça. -Louis falou olhando pra Lottie.
– Eu queria conhecer a sala onde farei esgrima... -ela falou.
– Mas já está ficando tarde, você terá bastante tempo pra conhecer.
– Eu posso levá-la até a sala. Não tenho nenhum compromisso agora, mesmo. -falei me oferecendo.
– Ok... Vou te esperar no carro, Lottie. -ele falou indo em direção ao carro.
– Ok... Vamos, quero que você me apresente tudo! -Lottie falou me puxando pela mão.
– Hmmm, ok. -a levei até a sala. Entrei e acendi as luzes. -Espere só um pouco. -falei pegando meu celular e mandando uma mensagem pra Samantha:
Vou demorar um pouco, podem ir na frente. Vejo vocês depois. xx
– Pronto. O que tanto você quer saber? -perguntei guardando meu iPhone.
– Tudo. -ela falou com os olhos brilhando. Subitamente, me lembrei de quando eu comecei a fazer esgrima, e tinha aquele mesmo brilho nos olhos, querendo saber tudo.
– Bem, a esgrima é um esporte antigo que nasceu na França. É um esporte que evoluiu da antiga forma de combate. O objetivo é tocar o adversário, ao mesmo tempo em que você evita ser tocado. Entendeu? -perguntei. Ela apenas assentiu com a cabeça. -Então... -falei indo em direção as armas. -São três tipos de "armas" ou "modalidades", depende de como você quer chamar... Eu gosto de defini-los como se fossem pessoas de um colégio, porque fica mais fácil de entender... Então, a arma mais comum, que pode ser considerada a pessoa normal de um colégio,é a espada. Os pontos da espada valem por todo o seu corpo, desde que você toque com a ponta. Assim que você toca seu adversário com a ponta, o fio elétrico que está conectado na sua espada e no placar apita, mostrando que você marcou um ponto...
– Então além da roupa, eu uso um fio elétrico? -ela perguntou curiosa.
– Sim. Antigamente, era apenas no olho do juiz que o ponto era marcado, então isso tornava o jogo mais difícil, pois muitas vezes você tocava o adversário, e o juiz não via. Com a tecnologia, isso se tornou mais fácil. Após a espada, vem o sabre, que é como se fosse aquele menino briguento da sua escola... Existe alguém assim no seu colégio? -ela assentiu com a cabeça. -Então, pense que o sabre é ele. O sabre conta pontos no tronco e nos braços. Diferente da espada, os pontos não são marcados com a ponta da lâmina, e sim com a lateral, por isso, os jogadores de sabre são mais durões, como o George por exemplo. Apesar da espada e o florete serem as armas mais "indicadas" para as mulheres, eu ensino qualquer arma, mas prefiro a espada, pois sou espadista.
– E quais são as regras do florete? -ela perguntou.
– Então... O florete é como se fosse aquela patricinha do seu colégio, porque ele só toca no tronco, e é mais "delicado". Ele toca tanto de lado como com a ponta... Entendeu tudo sobre as armas?
– Acho que sim... -ela falou rindo.
– O mais importante é você ter uma pequena ideia sobre elas... Não precisa saber tudoooo. -falei rindo também.
– E sobre a roupa? -ela perguntou se sentando num banquinho que tinha por ali.
– Bem, a roupa serve mais pra te proteger do que qualquer outra coisa. A roupa é igual para os meninos e para as meninas. A única coisa que muda é que as meninas tem uma peça de roupa a mais, que é o toc-toc, para proteger os seios.
– Por que se chama toc-toc? -era uma das perguntas mais comuns que nos faziam.
– Espera um pouco... -falei indo em direção ao armário dos toc-tocs e pegando um. -Voltei. Bata no toc-toc. -falei estendendo a roupa pra ela.
– Por que? -ela perguntou provavelmente me achando louca.
– Só bata.
– Ok... -ela disse e bateu. A peça de plástico fez "toc-toc". –É por isso? -ela perguntava olhando pro toc-toc e pra mim.
– Exatamente por isso. -falei rindo.
– Nossa. -ela riu também. -Obrigada, Scarlett. Você não tinha obrigação de me mostrar a sala, mas mesmo assim a fez. -ela falou me abraçando.
– Ah, que isso Lottie. Mas quer saber o porquê eu te mostrar tudo isso? -ela apenas assentiu com a cabeça. -Eu vi nos seus olhos, o mesmo brilho que havia nos meus quando eu comecei a praticar esgrima...
– Acho que poderemos ser grandes amigas. -ela falou indo em direção ao carro, onde o seu irmão a esperava. -Tchau! -ela disse acenando.
– Podemos... -falei acenando de volta.
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