Repouso
1 Serenidade
Notas iniciais
Agradeço de antemão pela atenção e espero que possam aproveitar a leitura como desejam.
Desejo-lhes uma boa leitura.
Obs: Tenho uma recomendação de música para essa narrativa. Ela faz parte da trilha sonora do anime e acho que pode trazer um elemento especial para essa experiência. O nome da música é "Underground River", composta por Kevin Penkin e interpretada por Raj Ramayya.
Sem abrir seus olhos, tudo o que o jovem desejou foi permanecer naquele lugar pelo resto de toda a eternidade.
Sentindo seu corpo pesado, mas leve ao mesmo tempo, o garoto não se importou de forma alguma por não conseguir mover um dedo sequer. Bastava sentir a maciez da grama abaixo de seu corpo, criando até uma leve sensação de cócegas que era o suficiente para continuar o prendendo onde estava. Os raios de sol também o agraciavam, aquecendo, com seu calor ameno, sua face em feições suaves, como se dormisse tranquilamente. Banhado em luz, o jovem não podia dizer que sentia frio. Mesmo sentindo a brisa mansa e gentil contra si, brincando sutilmente com suas vestes e seus cabelos... Apesar de levemente gélida, não era o suficiente para desagradá-lo.
E com a tímida brisa, o cheio de relva e das mais diversas flores traziam um aroma único. O perfume natural acabou surtindo um efeito ainda maior do que o garoto esperava, roubando-lhe um mínimo, mas significante curvar de lábios. Até então, os sentidos de tato e olfato estavam em seu maior grau de satisfação, contudo, a audição era outro elemento que se enchia em graça. Não apenas pelos poucos ruídos presentes como o balançar da copa das árvores ou da água corrente ao longe... Seu principal destaque era justamente sua quietude, mesmo que não completa. A serenidade sentida e presenciada era inigualável, tudo o que o rapaz poderia imaginar para se sentir realmente inteiro.
Ao menos, em qualquer outra circunstância, era assim que se sentiria.
Por mais que rodeado por perfeição e paz, seu coração sentia-se vazio. Algo estava ausente em seu peito, fazendo com que seus batimentos fossem ocos e sem vida. Era como se sua alma estivesse faltando... Ou melhor, era mais como se sua alma almejasse por algo. Ela procurava o que a completasse, que a fizesse permanecer viva. Buscando em sua mente dormente, o garoto tentava de todas as formas descobrir o que tanto retirava seu repouso e descanso. O que tanto afligia seu coração e remoía seu interior.
E só havia um motivo para isso, que sua razão nem precisou de muito para lhe mostrar. Logo, a imagem focada de suas mãos distintas estava à sua frente e seu coração falhou em uma batida.
Ele sentia falta... Ele sentia a ausência das pessoas que mais amava.
— N-Nanachi... – enfim, as primeiras palavras de sua boca se manifestaram, chamando melancólico por aquele nome em especial.
Como ele queria que ela estivesse ali.
— Ei, Reg, acorde. – aos poucos, a ordem calma e indiferente parecia mais real e próxima do que o garoto poderia esperar. Por fim, o que acabava desaparecendo era toda aquela serenidade que o rodeava. – Acorde.
Abrindo seus olhos com certa dificuldade, o jovem sentiu as dores voltarem a se fazerem presentes. Um pequeno grunhido angustiado escapou de seus lábios e, desperto, percebeu onde verdadeiramente estava.
Abrigados dentro daquela espaçosa caverna, as crianças encontravam proteção contra a forte tempestade que ocorria lá fora. Apesar de pesada e violenta, em nenhum momento a chuva desencadeou algum raio, o que era o melhor sinal pelo que Reg se recordava. Seu corpo ainda não tinha se recuperado da batalha anterior, mas graças as orientações de Nanachi, nada mais grave havia acontecido. Riko estava segura, recuperada do forte golpe na cabeça que sofrera e não parecia sentir dor. A jovem se focava em terminar o jantar deles, cozinhando as ervas e cogumelos comestíveis que encontraram mais cedo. Por um instante, o rapaz perdeu-se em um mar de pensamentos, buscando de volta, inconscientemente, aquela tranquilidade agradável. Mas mesmo que ela voltasse, não era bem isso o que o rapaz honestamente desejava.
Ele nunca estaria em real paz sem a presença daquelas duas.
— Reg, como se sente? Está tudo bem? – estranhando o sorriso sincero e pequeno nas expressões calmas do jovem, Nanachi inclinou seu rosto para conquistar a atenção do amigo. Aquela atitude era mais honesta consigo e aos outros, demonstrando parte de sua preocupação verdadeira.
— Está sim, Nanachi. – abrindo um sorriso maior, Reg abandonou seus receios e dores de lado, agindo imprudentemente.
— R-Reg?
Jogando seu corpo contra o da garota transformada, o rapaz espantou a companheira com aquele comportamento e ação repentina. Nanachi viu perdida, não conseguindo reunir forças ou coragem para afastá-lo de si. Gentilmente, o jovem passou a acariciar seus braços e apreciar a maciez quente de seu corpo felpudo. Ao vê-lo tão relaxado e feliz, o remorso pela ideia de espantá-lo a impediu de detê-lo. Por fim, a garota suspirou em derrota, porém, calma, abrindo um leve sorriso ao afagar os cabelos negros e sentindo-o se esfregar ainda mais contra seus pelos. Riko riu daquela imagem, mas nada disse. Afinal, sabia o quanto seu melhor amigo era apegado a Nanachi e a sua fofura, tanto interna quanto externa.
Grato por aquele momento, o rapaz não conseguia desejar por mais nada. Não importava quantas vezes seus sonhos o levassem para memórias antigas ou a paisagens perfeitas... Sem elas, ele nunca estaria completo.
Notas finais
Caros leitores de todas as idades. Gostaria que, humildemente, deixassem uma palavra a esta escritora que aqui vos escreve. Não é pedir muito um simplório comentário para dar a luz que um escritor necessita.
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