Notas iniciais
Queria dedicar essa fanfic para meu xuxuzinho Sabrina, que me obrigou a escrever e publicar.

Além disso queria deixar alguns avisos: É um vhope, mas o hoseok não aparece. O final é aberto. Se você se irrita com essas 2 coisas, não prossiga.

Tudo começou com uma pergunta besta.

Namjoon estava sentado em sua poltrona tentando ler seu maldito livro, o que estava se demonstrando uma tarefa impossível. Em primeiro lugar, já fazia alguns meses desde que não tinha contato com qualquer tipo de leitura mais complexa. Depois, estar num dormitório com mais seis homens significava ter que lidar com gritarias, brigas e, não podia negar, sua própria característica de quebrar tudo por onde passava. Em resumo, sua manhã estava repleta de frustrações, fazendo-o repetir a mesma página três ou quatro vezes. No entanto, empenho também era uma de suas características: apesar dos múltiplos suspiros e da leve irritação, Namjoon decidiu que terminaria aquele livro nem que sua vida dependesse disso.

Eis que Kim Taehyung surge em sua frente. demorou alguns segundos para que o líder pudesse notar quem exatamente estava ali, visto que o mais novo havia decidido estacionar contra a luz da janela e ficar completamente calado, fazendo Namjoon questionar o que diabos estava acontecendo. Por fim, após o que pareciam minutos apenas dos dois se encarando o rapaz finalmente falou.

— Hyung... Os opostos se atraem?

Eis que Namjoon chegou à conclusão de que Taehyung era simplesmente muito confuso para ele. Essa conclusão, é claro, não era nenhuma novidade, mas receber a pergunta assim, sem contexto algum o fez refletir sobre como o jovem podia ser completamente aleatório. Mas naquele momento, sua paciência não estava das melhores e seu foco era o livro que estava em suas mãos. O líder optou pela saída mais fácil: tomar a pergunta ao pé da letra e respondê-la sem excitação.

— Sim, Taehyung. Essa é a lei de Coulomb.

Depois daquilo, o Kim mais jovem deu um suspiro profundo e se foi, desaparecendo no corredor da sala. Finalmente Namjoon poderia se debruçar sobre aquele livro.

*

A segunda vez que viu Taehyung, Namjoon estava sentado na cadeira de seu estúdio, tomando uma boa xícara de café antes de voltar a trabalhar. O mais novo apareceu de forma tão aleatória quanto a primeira vez, porém agora parecia mais tímido, o que não era exatamente normal para... bem, Kim Taehyung.

— Se os opostos se atraem, os iguais se afastam, certo?

Ora, não podia negar que o raciocínio do menino era válido e, por acaso, estava correto. Mesmo que não tivesse a mínima noção do contexto de todas aquelas perguntas, negar seria uma mentira.

— Se repelem, sim...

Namjoon respondeu, corrigindo o termo. Era bem provável que o mais novo estivesse perdendo tempo com imãs de brincadeira, era a única conclusão plausível. Taehyung, por sua vez, foi embora com o semblante de decepção, derrotado com aquelas palavras.

*

Era impossível dizer que toda aquela situação não havia capturado a curiosidade do mais velho. Namjoon passou a observar seu dongsaeng durante o dia, a maneira que ficava atipicamente depressivo, suspirando e reclamando baixinho. Nenhuma outra pergunta estranha veio depois daquelas, mas dava para ver naquele par de olhos que havia algo de muito errado se passando por aquela mente estranha e imprevisível.

Quando se tratava de pessoas, captar os detalhes era essencial. Após algumas situações em grupo, o líder pôde perceber que existia algo especial em torno de Hoseok. Algo nele fazia com que Taehyung ficasse estranho; se ambos riam da mesma piada, Taehyung tentava ficar sério. Se descobriam gostar da mesma música, o mais novo parecia arrependido, a ponto de dizer que se tratava de um engano e, na verdade, odiava a tal música do fundo de sua alma. Hoseok chegou a lançar alguns olhares para Taehyung e depois para Namjoon, como se perguntasse respectivamente: “O que diabos está acontecendo com você? O que diabos está acontecendo com ele?”

Namjoon não esperou um pedido para intervir na situação. Esperou a primeira oportunidade para ficar a sós com o mais novo, esperando-o na poltrona da sala, quando percebeu que o outro estava prestes a sair.

— Onde você vai?

— Hm, revelar algumas fotos que tirei durante a semana.

Taehyung mostrou a câmera antiga nas mãos e a escondeu em seguida, como se fosse prova de um crime e, uma análise aproximada fosse entrega-lo. Suas pernas estavam especialmente próximas e o corpo colado à parede, como se fosse um assunto desagradável. Namjoon resolveu pressioná-lo mais um pouco, ver até onde aquela situação podia o levar.

— Se importa se eu for com você? Revelar as fotos, digo.

— Você não tem que... hm, ler um livro?

Certo olhar de desespero saltou do rosto de Taehyung, que demonstrava por todos os sinais corporais possíveis que não queria que aquilo acontecesse. Namjoon ficou ainda mais confuso: o que possivelmente poderia haver naquelas fotos para que ficasse tão na defensiva assim? O líder quis insistir, o máximo que aconteceria era descobrir que em seu grupo, em sua família, havia um assassino ou coisa assim. Ele duvidava.

— Eu terminei de ler o livro ontem. Agora estou entediado — pôs ênfase na palavra em busca de empatia – preciso sair um pouco.

*

Era óbvio que Taehyung não conseguiria negar um pedido de seu hyung. Agora os dois estavam na loja, esperando aqueles pedaços de papel que enchiam o mais novo de medo. Assim que chegaram, era igualmente óbvio que ele tentaria ir embora sem vê-los e que, por conseguinte, Namjoon insistiria para ver ali mesmo. Após muita argumentação, Taehyung o convenceu que pelo menos fossem até um café vazio, próximo dali, para que pudessem sentar e conversar. Quando o mais velho abriu o envelope, dando uma rápida olhada no conteúdo, conseguiu a proeza de se surpreender ao mesmo tempo em que não havia se surpreendido nem um pouco.

— Você quer me explicar porque diabos teimou tanto para que eu visse um bando de fotos do Hoseok? Muito boas por sinal, parabéns.

Taehyung engoliu o seco. Encarou seu hyung por alguns segundos, tentou começar a falar algumas vezes e falhou, até que os segundos se transformaram em minutos. Namjoon já estava visivelmente impaciente, principalmente porque tudo que queria era uma confirmação para tudo aquilo que já havia concluído por conta própria — Taehyung sabia disso; por isso resolveu terminar logo com aquilo.

— Eu acho que... gosto do Hobi hyung. – Deu um enorme suspiro antes de confirmar mais uma vez – digo, estou... sabe? Apaixonado.

Em outra ação contraditória, Namjoon levou as mãos até as têmporas e riu. Um romance no grupo era algo sério, já que misturar esse tipo de coisa com trabalho era especialmente difícil. Mas se existia algo que haviam se tornado, todos os sete, durante todos esses anos, era misturados – intimamente misturados. Não tinha volta.

— Por favor me diz que isso não tem a ver com toda aquela história de “opostos se atraem”, Taehyung...

Namjoon suspirou pesadamente conforme processava em seu cérebro todos os fatos. Era óbvio que toda aquelas perguntas se referiam a ele e Hoseok. A resposta em formato de um suspiro igualmente pesado, vindo do outro lado da mesa, apenas confirmou todas as suspeitas. O líder sentiu o peso da responsabilidade por suas respostas mal pensadas, ao passo que eram o motivo da tristeza repentina que percebera no outro. Taehyung abriu a boca, tomando um gole de café, então puxou o ar para falar:

— Jimin disse que eu e Hobi hyung somos muito parecidos! Então eu fiquei pensando... E você sabe o que dizem sobre coisas que são muito parecidas, não sabe? Que elas não dão certo!! Gostamos das mesmas músicas, temos o mesmo humor, temos o mesmo gênero... Ele nunca vai me ver dessa forma, hyung. Nunca vai se interessar por mim... Então eu tentei esquecer, eu tentei muito esquecer, mas parece que quando você tenta esquecer algo, essa coisa só fica mais presa na sua cabeça!

Taehyung continuou o discurso por vários minutos. O menino parecia uma metralhadora de palavras e, naquele momento, Namjoon jurou ver algum talento para raps, já que o garoto sequer respirava na hora de falar. Céus, como aquela cabecinha trabalhava com tamanha velocidade quando o assunto era assim, tão bobo?

— Tae-ah... – precisou falar com certa firmeza, interrompendo o mais novo – Me escuta por um momento, ok?

O mais novo inclinou o corpo para frente como um cachorro prestes a receber um comando. Namjoon tomou um gole do seu café e então pediu para que o outro respirasse. Seu semblante era inteiramente de preocupação, com Taehyung, com Hoseok, com todo o grupo.

— Olha, me desculpe ok? Isso é culpa minha. Quando eu disse que “os opostos se atraem” eu deveria ter perguntado o contexto... Isso é uma lei da física, não é para aplicar para suas relações. Óbvio que existe, em nível biológico, teorias de que nos atraímos por pessoas com características gene...

Ok, estava aqui outro erro de Namjoon. Com frequência ele se empolgava em discursos científicos e, quando menos percebia, já havia perdido seus ouvintes. Dessa vez optou por desistir da fala e mantê-la simples.

— Enfim, meu ponto é: Você e Hoseok não vão dar errado porque são parecidos. Na verdade, quando falamos de relações humanas isso não é nem ruim. Quanto ao gênero, estou certo de que isso não é um problema para ele... – disse, com certo tom de nostalgia.

*

Apesar de ter que confirmar o discurso para Taehyung diversas vezes, o rapaz parecia extremamente melhor agora. Namjoon podia ver na postura, nos gestos e expressões do garoto: ele agora parecia preocupantemente animado. Era esse outro problema que o líder frequentemente enfrentava – as pessoas pareciam se perder no sim e no não. Às vezes interpretavam um “talvez não seja assim” com um “vai ficar tudo certo, com certeza não vai ser assim”. Tentou contornar a situação, voltando a puxar o assunto:

— Então, o que você pretende fazer agora?

Taehyung perdeu parte da coragem naquele momento. Havia perdido tanto peso de seus ombros com que se esqueceu que precisaria se declarar para Hoseok, se quisesse ter uma chance com ele. A possibilidade de ter uma resposta negativa o assombrou novamente e o corpo voltou a se curvar em depressão conforme andava.

— Você acha que vou estragar tudo se contar para ele?

Namjoon sorriu e tentou manter aquele sorriso, já que se sentia particularmente feliz quando via as pessoas se moverem de maneira tão colorida ao redor dele. Era como assistir um filme e ao mesmo tempo participar dele, acompanhar todo o grupo crescendo e conquistando diversas coisas ao seu lado. Mas não era exatamente fã de sair entregando as respostas de forma fácil por aí.

Você acha que vai estragar tudo se for honesto com ele?

— Não... – Taehyung respondeu com incerteza, tomava o momento para reflexão. — Ele é meu amigo e se importa comigo, então...

— Você já sabe o que fazer então.

Namjoon entregou o envelope de fotos nas mãos de seu dongsaeng e apontou para o outro lado da rua. Na porta estava Hoseok, observando os dois chegarem, como uma esposa espera que por seu marido. Taehyung, quando o viu, acendeu os olhos de uma forma que poucas vezes acontecia. Era um desses raros momentos em que o líder poderia facilmente com um cachorro, levantando as orelhas em animação ao ver a pessoa amada. O mais novo correu para o outro lado da rua, segurando o braço de Hoseok com afinco e o carregando para dentro, prometendo-o longas conversas.

Namjoon não pôde deixar de se perguntar o que aconteceria...

Notas finais
Obrigado pela leitura! Ficam os avisos finais:

Não faço física, quissá exatas. Perdão por qualquer erro nesse aspecto.

Também não escrevi isso com beta reader, então caso encontrem algum erro gritante, favor avisem e eu vou editando.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!