Repair Boy
1 Capítulo 1
POV Alessa
- Quando ela vai poder ir para casa, doutor? — ouvi minha mãe, Dahlia, perguntar para o médico, tendo sua voz abafada pelo vidro do meu quarto no hospital.
Me esforcei para ouvir a resposta do médico. — Hoje à noite, sra. Gillespie. Só esperar o gesso secar e ela vai poder ir para casa.
Deixei a conversa deles de lado e olhei para o gesso que tinha na perna.
flashback on
- Alessa, o café está na mesa! — ouvi mamãe gritar.
- Tô indo! — respondi, terminando de me arrumar e indo descer para o andar de baixo do nosso apartamento.
Mas eu não percebi um lápis na beirada da escada em pisei em cima dele, caindo escada abaixo.
E veio a dor. Lascinante e esmagadora na minha perna esquerda. Aquela parte da perna abaixo do joelho, antes do pé, estava quebrada ao meio.
flashback off
Mais algumas trocas de palavras e ela entrou no quarto, com um embrulho em mãos.
- Feliz aniversário, Lessa. — ela disse, me dando um beijo no topo da cabeça e me entregando o pacote.
Ao abrir ele, vi lá o livro O Herói Perdido, do Rick Riordan.
- Mãe! Ah, obrigada! — eu disse, a abraçando. Eu queria aquele livro há meses.
Quando estávamos voltando para casa, eu já havia lido metade do livro.
E estava completamente apaixonada pelo Leo Valdez.
Ele é engraçado, e fofo, e sabe consertar várias coisas.
Pena que seu passado é tão triste.
Mamãe só me deixou em casa e pegou suas passagens de avião. Ela não poderia ficar, tinha que ir a Londres tratar de negócios.
- Te amo, mãe. — eu disse, antes de entrar em casa, a abraçando.
- Também te amo, bebê. Se cuida, ok? — ela disse, me dando um último beijo e entrando no elevador.
Entrei em casa e a tranquei, como sempre. Abri a geladeira e tirei um cupcake simples de lá.
Fui até a sala e sentei no sofá, apoiando a perna num puff que tinha ali. Comecei a ler meu livro e acabei dormindo.
Mas acordei com uma luz e uma pessoa que saía de um buraco enorme no meio da sala.
POV Leo
Foi um dia normal e entediante no Acampamento. Eu almocei, passei um tempo com a Nyssa, ajudei nas forjas e tive meus treinos.
Muito normal e muito entediante.
Na hora de dormir, no meu quarto secreto, desejei que algo diferente acontecesse.
Abracei meu travesseiro e tentei dormir.
Mas acordei com uma luz que vinha do pé da cama, pregado na parede. Olhei para o ambiente de lá — uma sala de algum apartamento luxuoso.
Eu passei por aquilo e fui pro tal apartamento. Ao passar, o buraco não se fechou, ficou lá, brilhando.
- Quem é você? — perguntou uma voz de garota, o que me fez olhar a dona.
Ela era mais bela que qualquer filha de Afrodite, e poderia ser até a própria Afrodite.
Ela usava um shorts que tinha uns rebites, coturnos, camisa de laço e uma echarpe de estampa de caveira amarrada no pescoço.
- Uhm... oi? — falei.
- Quem é você? — disse ela, se apoiando numa muleta e sacando a outra, pronta para usar como arma.
Bela E perigosa.
- Leo Valdez, ao seu dispor. — respondi, me curvando, mas tomando cuidado para não ser acertado pela muleta.
Ela me olhou com um olhar desconcertado e baixou a muleta. — Leo... Valdez? Impossível... — ela disse.
- Mas eu to aqui, então... Acho que é possível. E quem é você?
Ela avançou e parou a minha frente. Ela exalava cheiro de canela.
Ela levantou a mão e mexeu no meu cabelo, segurando um cacho na ponta, esticando e soltando. Vi um sorrisinho aparecer em seu rosto ao ver o cacho voltar que nem uma mola.
- Você é de carne e osso... — ela disse, surpresa. E estendeu a mão. — Sou Alessa Gillespie.
- Oi, Alessa. Sou Leo Valdez. — eu disse, segurando sua mão e apertando um pouco.
Ela soltou uma risadinha. — Você já disse. Uhm, quer comer algo?
- Não, obrigado... Jantei à pouco tempo.
- Certo... — ela olhou pelas janelas. O sol ía nascendo aos poucos. — Não é melhor você ir...? Daqui a pouco você tem que acordar pra começar o treino no acampamento...
- Ah, é!... Espera, como sabe disso? — perguntei, estranhando.
Ela pegou um livro no sofá e me mostrou. Na capa, o Festus e três pessoas sentadas nele — presumo que era eu, Piper e Jason.
- Bem... Vou indo... — eu disse, desconcertado. — Até, Lessa... Posso te chamar de Lessa, né?
- Claro! Até, Valdez. — ela disse, abrindo um sorriso que fez meu coração parar por um segundo.
Cruzei o buraco de novo, e quando passei, ele se fechou imediatamente.
Me deitei e fiquei pensando em Lessa, em seus cabelos negros e olhos azuis.
Quando dei por mim, já estava dormindo.
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