República

22 Insegurança


Notas iniciais
Menininhas lindas, sem muito dizer, lá vai o 22 ! Preciso confessar a vocês que o Cadu anda despertando meu lado mais cruel, e eu mesma estou pegando raiva deste um! --' HAHAHA Obrigada pelo carinho, sempre! s2 Boa leitura!!

Quando Ferdinando se virou, não pode acreditar na arrogância que estampava o semblante de Cadu.

– O que você quer dizer com isso meu caro?! – Ferdinando forçava uma cordialidade, mas seu olhar era puro cinismo.

– Ora essa ‘rei’, eu bem vi o jeito que você ficou quando me viu com a Gina... – Cadu soltou um riso provocador, colocando as mãos no bolso da calça. – Eu já percebi o jeito que você é com ela Ferdinando... Ela é mais uma das suas?!

Ferdinando estava em choque. Por alguma razão não se lembrava, até então, do apelido que Cadu havia utilizado ao ser referir a ele, e muito menos de já ter tido a companhia deste um em algumas noitadas universitárias.

Ele sabia demais.

Não que Ferdinando tivesse arrependimento do que fez, mas conhecendo Gina como ela é, qualquer flashback a poderia fazer desconfiar de suas intenções. Ele sabia disto. Não havia sido um tipo muito romântico naquela época.

– Meu nome é este último que você usou Cadu. Esse apelido não me pertence mais. E nunca mais se refira a Gina desta maneira, você entendeu?! – Seu tom já denunciava um estado tanto quanto atormentado. Ele dizia isto apontando um dedo na direção do rosto de Cadu.

Cadu levantou os braços, mostrando que não era seu interesse brigar. Não fisicamente.

– Mas pelo que eu me lembre, FERDINANDO, era este o modo que chamávamos as menininhas que vossa senhoria, o ‘rei’, ficava nas badaladas noites paulistanas, na sua época de graduando.

– ERA. Você disse muito bem meu caro. E não me interessa falar do passado. Muito menos com você. E saiba desde já, que eu e a Gina estamos juntos sim! E eu acho bom você respeitar isso. – O nervoso de Ferdinando em falar do passado, fazia ideias nada boas surgirem na mente do loiro. — Na verdade, meu caro, eu acho bom você respeitar ela, a Juliana, e todos os demais moradores daqui, que por um favor, estão te acolhendo! – Agora era Ferdinando que demonstrava certa arrogância na fala.

– Tudo bem, Ferdinando... Eu respeito vocês, todos vocês. E quero, inclusive, jogar limpo contigo. – Essa ultima frase fez o coração de Ferdinando gelar levemente, como se ele adivinhasse a próxima fala do ousado rapaz.

– Então joguemos. – Ferdinando cerrou os olhos encarando firmemente o ‘colega’.

– Eu estou a fim da Gina, Ferdinando. E eu sei que você já notou isso. – Ele era claro em dizer tal absurdo.

Ferdinando podia jurar que sentiu os sentimentos que tinha pela ruiva segurarem suas mãos.

– E eu não acho que você a merece muito mais que eu. – O riso cínico de Cadu, e a maneira como ele descaradamente se referia a Gina, fazia Ferdinando fechar os punhos de raiva. –Mas, se vocês estão juntos... Ainda que eu não tenha visto nenhuma aliança nas mãos dela... Eu respeito.

A respiração de Ferdinando estava pesada. Aquela, ousada e provocante, confissão de Cadu o fazia sentir uma raiva e um medo (pra ser sincero) que ele nunca havia sentido antes. Cadu havia lembrando a Ferdinando, frisando a falta da aliança, o quanto tudo aquilo que ele e a ruiva possuíam juntos era sensível, praticamente impalpável. Ele se deu conta que apenas os dois sabiam a seriedade que havia naquele relacionamento... Mas e os outros?

E Cadu?!

O ‘maldito’ loiro prosseguiu o irritante monólogo.

– Pois bem Ferdinando. O que eu quero dizer é o seguinte. – Ele pontuou fazendo um gesto sistemático com as mãos. – Eu não vou dar em cima da Gina, como eu já disse, vou respeitá-la... MAS...

O ‘mas’ fez Ferdinando respirar ainda mais fundo, cerrar ainda mais os punhos e encarar ainda mais profundamente os olhos verdes a sua frente.

– Se vocês terminarem isso, que por sinal quase não existe, eu não vou ser hipócrita. Eu vou tentar conquistar a Gina. Vou tê-la pra mim. – Ele suspirou, como se falasse de um assunto qualquer. – Eu fui claro?!

– Ora seu! – Ferdinando avançou ao encontro do rapaz, quando ambos perceberam que Gina estava saindo de casa.

– Eu não faria isso se fosse você Ferdinando, qualquer coisa que disser ou fizer contra mim, depois de hoje, vai pegar mal pro seu lado. – Cadu cochichou se aproximando do ouvido do engenheiro, sorrindo sorrateiramente, antes de Gina chegar.

– Olha só, fico feliz que já esteja tudo resolvido entre vocês dois. – Ela deu um delicado tapa no ombro de cada um deles.

Ferdinando ainda estava sem reação, ouvindo a última fala do inimigo, ressoar em sua mente.

Acordou do leve transe, escutando a mesma voz, novamente iniciar fala.
– Pois é Gina, ele veio aqui falar comigo, e nós nos entendemos. – Cadu deu um leve e falso tapa de ‘bons’ amigos, nas costas de Ferdinando. – Ele é mesmo um rei!

Cadu sorriu por ter proferido o apelido. Sabia que Gina questionaria. E saiu em direção a casa, deixando os dois finalmente a sós.

Gina olhava para Nando com uma cara de “hã?” enquanto este observava com fogo no olhar, o infeliz que se afastava.

– Que história é essa de rei, Nando?! – Ela perguntou desconfiada, se sentando no balanço.

Ferdinando gelou com a pergunta, mesmo já estando no aguardo da mesma. E se sentou ao lado de Gina.

– Besteira! – Ele forçou um sorriso. – Besteirada da época de faculdade que eu era veterano dele, menininha. – Ele tentou desconversar, puxando Gina para se apoiar em seu peito.

Mas a ruiva era curiosa. Mesmo se aconchegando nos braços de Ferdinando, ainda queria saber.

– Mas porque rei, Nando?! Rei de que, ara?! – Ela olhava para cima, buscando uma resposta. Teimosa.

– Ara Gina, de nada!... E tem mais, o que agente faz na faculdade, fica na faculdade. – Ele disse sem medir muito as palavras, apenas querendo se desvencilhar do assunto.

– Mas o que é que tem de mais você me contar Ferdinando?! – A ruiva disse se soltando dos braços do engenheiro, o encarando com as sobrancelhas franzidas. Ela havia se incomodado com o tom de desespero na voz dele. Sabia que ele estava querendo esconder algo, mas o que?!

– Gina, eu não quero mais ficar brigando com você... Agente não combinou?! – Ele disse com a voz suave, a aconchegando de volta em seu peito. Agora, mais do que nunca, queria evitar qualquer desentendimento com a ruiva. Não iria dar o espaço que aquele um queria.

– Ara tá certo Nando, não quer falar não fala! – Ela ‘aceitou’ a vontade do rapaz, fazendo um bico.

– Ah, não faz esse biquinho menininha, que eu vou acabar mordendo... – Ela sorriu com a provocação.

E eles logo se esqueceram da pequena discussão, perdendo-se em beijos e afagos, naquele banco que era tão deles.

[...]

O dia havia passado sem maiores complicações. Pena que a noite seria diferente.

Ferdinando não havia conseguido respirar em paz, apenas escutava as palavras de um certo ser loiro ressoarem em sua mente. E sentia seu coração apertar a cada conversa, por mais que fosse curta, que sua menininha tinha com aquele um. Quando ela sorria então, a dor no peito se misturava a um frio no estômago assustador.

Ele também não conseguia parar de olhar para a mão direita da ruiva. Ali, naquele dedo anelar, devia ter realmente uma aliança... Talvez um compromisso mais sério, o fizesse sentir menos insegurança. Era isso o que o matava lentamente. A insegurança.

“Mas será que Gina aceitaria um namoror?!” Ferdinando não tinha uma ideia completa sobre isso. Primeiro porque para tal compromisso, ele precisaria lhe confessar o amor que sentia, e isto já seria um impacto demasiadamente forte sobre ela... E depois, ainda pior que isto, Ferdinando sabia que a moça era das antigas em certos pensamentos, não namoraria sem o consentimento dos pais. E este era outro problema, gigantesco. Eles nem estava pensando muito nisto, mas com uma proposta de namoro, seria necessário pensar... Será que eles conseguiriam superar a briga dos pais?! Convencê-los de permitir tal namoro?! E ainda pior... Será que Gina tinha sentimentos grandes o suficiente para bater de frente com os pais dela?!

A cabeça de Ferdinando girava. Seu corpo estava na sala, com os demais moradores, assistindo a um programa qualquer, mas sua mente estava longe, muito longe.

Foi quando certo colega, que andava um pouco afastado nos últimos dias surgiu na sala com um mochila nas costas e uma mala nas mãos.
– Bom meu amigos, eu já vou me despedir.

Juliana não podia acreditar na ‘surpresa’ que Renato fazia. Levantou do sofá com o susto da prematura despedida.

– Como assim, Renato?! Não era só semana que vem?!

O futuro médico ficou feliz com a reação da amada, mas não via nada além de amizade na preocupação de seus olhos. Ele havia perdido. Estava ciente, e por isso adiantou a partida. Queria evitar mais sofrimento. Seria apenas uma questão de tempo até que Juliana e Zelão percebessem ou assumisse o que sentiam.

– Eu estou indo antes Juliana... Preciso de um tempo pra pensar na minha vida, antes de começar os trabalhos do estágio por lá... – Apesar de tudo, ele estava animado ao falar.

– Entendo meu caro... Eu espero do fundo do coração que encontre o que procura. – Juliana era doce e sincera em suas palavras.

– Ara, Renato, eu também te desejo tudo de bom... – Gina disse se levantando do sofá e lhe deu um casto abraço.

Cadu cumprimentou o recém conhecido colega e se despediu. Zelão o seguiu no gesto. Apesar de saber do passado do rapaz com a moça de seus mais secretos interesses, ele não lhe tinha ressentimentos.

– E você meu amigo? – Renato disse olhando para Ferdinando, que lhe deu um breve sorriso. – Não vai dizer que vai morrer de saudades de mim?

– Eu vou te acompanhar até lá fora, meu amigo. – Ele disse abrindo a porta. Ainda estava surpreso com a notícia.

Chegando na frente da casa, onde o táxi já esperava Renato, Ferdinando resolveu questionar, já que estavam mais a sós.

– Renato, a mim você não enrola... – Ele sorriu – está indo embora antes, por causa da Juliana não, é?

O amigo lhe sorriu confirmando.

– Mas porque não fica mais um pouco e tenta convencê-la de fazer essa viagem com você?! Eu lhe garanto que ainda estariam juntos, se você não estivesse tão distante. – Nando pontuou aconselhando.

– Ah meu caro amigo, antes fosse somente isto.

– E não é?! – Ferdinando perguntou confuso.

– Eu perdi a Juliana, Nando. – Ele suspirou. – Só você mesmo pra não reparar o quanto ela e seu amigo estão enamorados.

– O Zelão?! – Ferdinando era pura surpresa.

– Pois é meu amigo... E olha, se eu fosse você, tomava cuidado para não perder sua ‘menininha’ pra outro novato da casa... – Renato sorriu irônico.

– Você deixe de besteira Renato! – “Inferno” Ferdinando pensou. Até Renato que havia estado pouquíssimas horas com Cadu na república percebeu o quanto aquele um se dava bem com a Gina.

– Bom, eu só disse isso porque sou seu amigo e ‘quem avisa amigo é’. – Ele sorriu lhe dando um terno abraço. – Até logo meu amigo.

– Até logo, meu amigo! Boa sorte. – Ferdinando desejou ao rapaz que já entrava no táxi.

Nando observou o táxi que levava seu amigo partir. Agora, ainda mais perdido em seus pensamentos.

As palavras do amigo se misturavam às do inimigo em sua mente. Ele precisava tomar uma atitude. E já sabia qual.

Entrou em casa, decidido. Decidido a encontrar com a ruiva na sala, lhe chamar para uma conversa franca e lhe confessar amor. Iria pedi-la em namoro. Pronto.

Ele precisava contar a ela o que sentia o que queria. Por mais que tudo isso também fosse novo para ele.

Porém, teve suas expectativas frustradas quando entrou.

Notas finais
Bom, é isso minhas lindas! Espero que tenham gostado! Beeeeijos! s2