Ainda não entendo como chegamos a tanto tempo vivos, o som no teto era ensurdecedor, os arqueiros deviam estar mandando bombas e mais bombas negras sobre nós. Essa guerra teve inicio por causa do Morc Kolomgh, o líder dos arqueiros negros, todos eram unidos até ele decidir que podia ser o rei, ninguém precisava de qualquer outro elemento além da escuridão, por isso há 30 anos vivemos nessa guerra, que caminha até a vitória do Império Negro.

O lugar em que eu estou é a última base do antigo reinado, quase todos os soldados foram mortos, os poucos que tem caminham ao próprio suicídio, nossa base é subterrânea, o que nos deixa encurralados, esses devem ser meus últimos instantes de vida, nas antigas lendas de guerra diziam que os arqueiros deviam se sacrificar pelos outros, que eles deviam ser os primeiros a morrer na guerra, como um arqueiro da luz esse é meu dever.

Sou Girzak, perdi meus pais, minha mulher e meus filhos em um dos ataques de Kolomgh as aldeias do norte, meu único filho sobrevivente, Kirmani, era um arqueiro da luz, morreu há três meses, esteve na frente da batalha por uma base no leste e o próprio Kolomgh o matou, jurei fazer de tudo pra acabar com o seu maldito plano, só que estou prestes a morrer, minhas esperanças estão em um casal da família real e seu filhinho, um bebê inocente da guerra. Todos foram ordenados a manterem a salvo eles, o sangue dos reis foi capaz de criar todos os guerreiros do nosso mundo, dizem que ele também é capaz de destruir todos de um mesmo elemento, mas me sinto dividido, se não fosse os reis carregando toda a glória e declarando os arqueiros como fracos talvez isso nunca tivesse começado, mas eu já fui longe demais nessa história, está em minhas mãos alguma esperança, e é agora que eu terei de fazer algo.

O teto desabou, várias águias negras entravam junto com os destroços do teto.

-Corram!- Os guiei até um corredor sem saída, tinha esperanças de haver alguém além de mim naquela base, mas todos estavam mortos, só era eu para defendê-los, o que eu podia fazer?

-Estamos sem saída, vamos morrer. — o príncipe disse.

Eu vi alguém fazer isso uma vez, mas nunca soube como fazer, um portal, era a única coisa capaz de nos tirar, melhor dizendo, tirar eles daqui, mas como se faz isso?

Concentrei minhas energias, imaginei algum lugar no universo bem longe daqui, mas o desespero me invadia, tínhamos pouco tempo, o corredor era estreito e estava fechado pelos destroços do teto, mas em pouco tempo eles explodiriam isso e nos matariam, eu tinha de conseguir, de repente, sinto uma força dentro de mim, quando percebo o local inteiro está iluminado, eu não tinha mais corpo, era apenas luz, eu era luz, me concentro em criar o portal e minha luz diminui e surge uma esfera luminosa, um portal, pra onde ele vai eu não sei, seria terrivelmente irônico tira-los da guerra pra joga-los na morte em um lugar desconhecido.

-Vão!- grito pra eles.

-E você não vem conosco?- indaga o príncipe.

-Não posso dar chance a eles de irem atrás de vós. Preciso para-los.

-Vai morrer, venha conosco, podemos lidar com eles, talvez o portal se feche antes deles chegarem.

-Não, meu dever é protegê-lo – seguro as mãos dele – prometa que vai vingar todos os que morreram, salvará a honra dos arqueiros, e matará Kolomgh.

- Sim, — ele está com lágrimas nos olhos- é um arqueiro honrado senhor, restaurarei esse reino.

- Vá garoto, Cuidado, Uma boa viagem.

Não me lembro o nome dele, da mulher ou de seu filho, mas tinha que acreditar que eles poderiam voltar, que eles estavam bem, eles se foram, o portal se mantinha aberto, me sentia tentado a entrar nele, mas o medo não permitia, até uma explosão abrir o corredor, era ele, Kolomgh, o incitador da guerra, o homem ganancioso pelo poder, o homem que matou meu filho. No mesmo momento que ele chega o portal vai diminuindo, me permito um sentimento de triunfo, ele olha para o portal e me analisa.

-É isso seu maldito, eles se foram, não há como pegá-los!- grito a ele.

- O que os membros da família real fariam diferença? Os mais fortes já foram mortos, esses são apenas mimados pelo governo. – Ele disse rindo, me fazendo parecer um estúpido, ele tinha que pagar pela morte do meu filho.

- Vai morrer, pagará pela guerra que fez!

-Vai me dar a honra de mata-lo, só a luz que pode me impedir agora, o fogo não tem mais preocupação, se eu matar você em breve não haverá mais luz. – ele dizia tudo rindo com desdém, meus instintos me dominaram.

Como membro da luz minha velocidade é extremamente rápida, voei com minha adaga para apunhalar seu braço, mas ele apenas desviou e me deu uma rasteira, me jogando ao chão. Levantei-me rapidamente, para levar um soco na testa de Kolomgh. Ele era rápido demais para um arqueiro da escuridão, eles eram conhecidos pela força, estava tonto pelo golpe, mesmo assim vi sua espada vindo em minha direção e me desviei a tempo. Kolomgh era um homem forte, com uma capa negra sobre todas as suas roupas de mesma cor, tinha uma aparência desleixada, olhos profundamente negros, capazes de confundir quem os olhasse. E eu cometi o erro de olha-los, minha tontura aumentou, não tinha mais uma visão nítida. Aquela era a última base, a destruição desse lugar era a vitória oficial de Kolomgh, a partir de hoje, Gladius pertence a ele, a esperança que esse mundo tem virá de outro planeta, mas a minha termina aqui, espero que ele pague por tudo que ele fez, meu filho, minha mulher, meus pais, que alguém lute por esse lugar...

-É o seu fim arqueiro, a luz deve ser apagada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.