Notas iniciais
Oi, não sei se vocês vão entender bem as coisas nesse primeiro capítulo. Talvez uma parte ou outra fique confusa mas eu vou deixar tudo mais claro nos próximos :33.

Todo Clã tem seus segredos e suas mentiras, eu era apenas mais uma delas. Bom, não apenas eu, mas todo o meu vilarejo, todos estávamos aqui por algum motivo, fomos julgados indignos de carregar o nome de nosso clã. Éramos exilados, e assim se referiam à nós as cartas que chegavam mensalmente, pelo menos até alguns anos atrás, depois que as cartas pararam, não tivemos mais noticias no núcleo e passamos a nos tornar independentes, mas ainda sim, escondidos. Não seriamos aceitos por ninguém que soubesse a verdade, só por nós mesmos, porque no final, nós éramos apenas aquilo, os renegados, os exilados, o vilarejo dos Uchihas esquecidos...

Passei no tumulo de Kazuki mais uma vez antes de partir, e como todas as outras vezes a raiva tomou conta de mim — Nii-san, eu te prometi... Mas me perdoe, esse é meu destino. Eu irei reconstruir nossa família. — Deixei ali um ramo de flores de cerejeira e fui em direção ao dojo.

Silenciosamente abri as portas, não queria chamar atenção.

– Akane... — Me voltei para o local de onde a voz vinha

– Sensei — Fiz um sinal reverencia — você não vai me impe...-

Ele me interrompeu — Nós sempre soubemos que esse seria seu destino, mas devo admitir que não achei que não aconteceria tão cedo, ainda tinha alguns planos para você —

Eu respirei fundo, era um alívio saber que não teria que lutar com ele. — Se você me der licença Sensei, tenho que pegar minha espada —

– Não será necessário — disse me jogando um pacote — é sua. —

– Sensei... Você tem certeza? Ela é tão valiosa pra você... — Rapidamente abri o pacote que mostrava a brilhante lâmina cor de sangue.

– Certeza absoluta. Desde que você nasceu essa espada está fadada a ser sua, mas muito cuidado, você sabe as consequências de empunha-la — Ele suspirou com uma certa melancolia — Ichiro já chegou, vá antes que amanheça. —

– Hai! Você é o melhor! Prometo que voltarei para te buscar. —

Ele deu de ombros. Antes de sair, me ajoelhei e desci o tronco até encostar a cabeça no assoalho — Arigatou, prometo que honrarei o nome dos Uchiha! E quando minha avó vier procurar por mim, entregue isso a ela. — Dei a carta ao Sensei, embainhei a espada e sai do Dojo com sede de aventura — Ichiro, Vamos! —

Andamos pelas ruas da Vila com uma certa nostalgia e um silêncio desconfortavel, em pouco tempo chegamos ao portão principal. Sem mais delongas, partimos em direção a Konoha.

Nossa viagem já se estendia por quase um mês, nossas roupas sujas e estavamos fracos por conta da má alimentação, Ichiro reclamava constantemente e estava começando a me irritar, eu estava prestes a dar uns socos nele quando avistei uma grande muralha — É aqui -

–Por Kami! — A voz de Ichiro soava um tanto animada demais para a situação — Até que enfim — berrou enquanto pulava como uma dançarina.

–Menos Ichiro, nós ainda não temos muito o que comemorar. Acho que a nossa chegada já chamou alguma atenção — eu disse apontando a movimentação no portão a alguns metros.

–Parece que teremos uma recepção calorosa — havia um tom de desafio nessa fala, esse sim é o Ichiro que eu conheço.

Avançamos poucos metros e logo alguns homens nos pararam, todos com o mesmo uniforme e bandanas. — Ninjas de Konoha? — Estavam em um grupo de sete, mesmo com nosso cansaço, eles não seriam um problema para nós se quisessemos passar.

– Sim. Você e seu amigo podem nos dizer o que prentendem fazer em nossa Vila? -

Ichiro deu um passo a frente, pigarreou e estava prestes a começar o discurso, se eu não o tivesse interrompido é claro. — O que pretendemos não lhe diz respeito. Temos assuntos a tratar, e preciso que me levem ao Hokage — fui curta e grossa, não tinhamos tempo a perder com pessoas sem importancia.

– Essa garota parece um tanto insolente —

– E você um tanto intrometido — retruquei — São assuntos de familia que não devem ser ditos a qualquer um — dei um passo a frente — Então acho melhor vocês fazerem o que eu pedi.-

– Assuntos de família? Há. No minimo é uma garota levada que foi expulsa de casa e não tem para onde ir... Não deve nem ter um nome. —

Eu não havia percebido, mas com aquelas roupas surradas e sujas talvez eu e Ichiro parecessemos mesmo uma dupla de orfãos ou algo do tipo. Nossos rostos estavam cansados e os cabelos desgrenhados.

– Nome? Mil perdões meus senhores — adicionei um tom de ironia à minha voz — estou tão apressada que nem me apresentei — sorri e eles pareceram não entender a mudança de atitude. Então cerrei o punho, e com a voz firme disse meu nome com a conciencia dos problemas que poderia acarretar — Prazer, sou Akane. Akane Uchiha. — O nome Uchiha parecia ter atingido cada um como um soco no estômago, olhos arregalados e incrédulos encaravam a mim e a Ichiro como se fossemos assombrações.

– Uau, parece que por aqui nós somos os caras maus. Vou me dar bem, garotas gostam de caras maus- Ichiro com mais uma de suas falas desnecessárias e fora de hora.

– Será que você pode para de falar esse tipo de coi... — Tive que desviar de algumas kunais

– Muito Engraçado garota, os uchihas estão mortos. Além de Uchiha Sasuke não há mais nenhum sharingan vivo. — Ele se aproximou como se eu fosse uma simples garotinha indefesa — Bela tentativa, mas não se engana ninjas de Konoha assim tão facilmente. -

– Se vocês são Uchihas de verdade mostrem-nos — Gritou um dos ninjas enquanto os outros riam — É, mostrem! — outro — Isso mesmo! — e todos concordavam.

– Se é isso que vocês querem...-

POV. XxX

– Se é isso que vocês querem — Disse a garota. De repente seus olhos ficaram vermelhos como o sangue e ela exibia um sorriso cínico.

Isso não podia ser verdade, eu pensava comigo mesmo, os Uchihas estão todos mortos. Mas eles estavam bem ali na minha frente. Não era possível.

Então em uma fração de segundo ela se aproximou, e eu me peguei olhando fundo em seus olhos. Eu tentei me afastar mas não pude, não tinha controle sobre meu corpo. Ela apenas tirou uma kunai do bolso e fez um corte em meu peito. Não consegui gritar e sequer recebi ajuda dos meus companheiros, eles apenas observaram enquando eu agonizava. A dor era imensa, algo que em todas as minhas lutas ou missões eu nunca havia sentido. Meu corpo não aguentaria mais muito tempo, estava prestes a desmaiar quando um clarão tomou conta da minha visão...

Notas finais
Pf, comentem o que acharam, críticas construtivas são sempre bem vindas. Espero que tenham gostado!! Arigatou ;*