Notas iniciais
:3

-“Á cerca de cem anos atrás, o mundo foi destruído em uma grande guerra. Os países disputavam pela última gota de água da Terra. A ignorância do ser humano foi tão grande, que acabaram se autodestruindo. Os presidentes dos países decidiram fugir. Porém, em sua fuga, acabaram sendo brutalmente assassinados, e o planeta Terra, ficou sem dono. Era cada um por si.

Só que no ano de 2114, uma organização chamada Lithium, decidiu tomar o comando da Terra. As pessoas foram forçadas á aceitar, pois a Lithium apresentou propostas para melhorar a vida das pessoas, tirando-as da miséria. E a Lithium conseguiu. Eles reconstruíram o mundo em sua melhor forma; avançaram os modelos tecnológicos, criando um sistema operacional capaz de proteger todos os cidadãos da Terra que foram cadastrados no sistema, e deram o nome de: Lacrymoss II; E conseguiram –de uma forma que eu não faço ideia- recompor toda a água do planeta. As pessoas idolatravam a Lithium. Esse era o seu deus.

Os anos foram passando, as pessoas voltaram á ser como eram antes: felizes. Ninguém mais se lembrava de como era o mundo após as grandes guerras. E hoje, posso lhes explicar, que devemos tomar cuidado, pois tudo isso pode não passar de um sonho. E o mundo cairá novamente. “-

-Creio que isso não é verdade, Dimitry. Mas o seu trabalho foi bem feito, e seu ponto de vista sobre os nossos governadores é... Original. Parabéns! –A senhorita Dickens disse. Ela é nossa professora de história. Nunca revelou seu nome, por isso a chamamos somente de Senhorita Dickens.

Enquanto passava por ela para ir até minha carteira, ela sussurrou: — Converse comigo antes do quinto tempo. É uma conversa séria. — Apenas assenti. Era normal levar advertências pelo meu comportamento, ou pela minha liberdade de expressão.

Depois que a organização Lithium ficou no comando, nada nem ninguém, podia falar mal deles, muito menos se rebelar. E esse, é um dos meus defeitos.

-Azel, sua vez. Mostre-nos o que sabe sobre o início do fim. — Azel se levantou. Ela era do tipo de garota que ninguém gosta de olhar nos olhos. Sempre misteriosa. Sua franja negra sempre cobria a testa e os olhos. Ela disseminava medo e timidez.

-‘Segundo meus ensinamentos, a Lithium foi uma grande organização que salvou todas as pessoas da Terra. Foi. Não é mais. Os verdadeiros fundadores da Lithium, foram enganados e ficaram para trás. Enquanto os verdadeiros pilantras que causaram toda essa burocracia fútil e hostil, forçando as pessoas á servi-los como se fossem reis...’ -

-Já chega, Az. –A senhorita Dickens a interrompeu.

-Não! Eu nunca seguirei as ordens da Lithium! São farsantes que irão destruir o mundo novamente! – Azel disse.

-Azel! Pare imediatamente!- A senhorita Dickens a repreendeu.

-Eles tomaram o lugar dos verdadeiros fundadores da Lithium! Eles destruíram os verdadeiros heróis do nosso planeta, nunca irei aceitar! –Azel gritou — Professora, escuta o que estou dizendo, ninguém mais acredita na esperança. A esperança das pessoas se chama Lithium, por isso estão sendo enganadas.

-Azel Morr... –De repente senti arrependimento em tê-la interrompido. Azel não nos dizia seu sobrenome. Nem a professora nos dizia.

-Professora, ela está falando a verdade, o início do fim, foi quando surgiram os novos líderes da Lithium! –Entrei na discussão.

A senhorita Dickens começou á chorar silenciosamente. E murmurar coisas que eu não entendia. Foi aí, que eu tive uma pequena hipótese. A hipótese de que não era para termos feito isso.

-Isso é tudo o que tenho á dizer’ – Azel finalizou a “apresentação” dela. Em seguida, sentou-se.”

Essa é uma das minhas lembranças. Ah, a propósito, me chamo Dimitry Rutherford – Minha mãe é cientista, por isso meu segundo nome é Rutherford-. Tenho dezenove anos, e sou um dos procurados secundários pela maior organização do planeta: a Lithium. Minha antiga colega de classe, Azel, é uma procurada primária. Depois daquela apresentação, ela sumiu. E tudo isso, por causa da minha apresentação na sexta série. Não tenho mais notícias dela, depois do acidente.

“- Azel, Dimitry. Por favor, venham aqui. – A senhorita Dickens nos chamou para fora da sala. Estávamos no meio do horário de ciências tecnológicas. Era uma matéria extra, já que o mundo dependia da tecnologia –e da Lithium-.

Levantamos de nossas carteiras, respectivamente, pela chamada da professora. E saímos da sala á seu encontro.

-Vocês precisam sair desta escola. –Ela nos disse. Eu olhei para Azel, na esperança de que ela olhasse para mim também, como naqueles filmes antigos de ação, onde os fugitivos se entreolham. Sem sucesso.

-Por quê? –Azel apenas perguntou, com sua voz calma e escura. Ela olhava para o chão, como sempre. Pelo que eu sei, Azel detestava contato visual.

-Não era para eu lhes dizer isso, mas nesta escola, há várias câmeras de vigilância escondidas. Provavelmente, soldados da Lithium estão á caminho para puni-los. –Ela disse. Seu tom de preocupação era visível.

-Por isso, a senhorita estava chorando na sala? –Perguntei. A senhorita Dickens assentiu.

-Eu sei disso. –Azel disse, sem remorsos. Paralisei completamente. Se ela sabia que havia câmeras nos vigiando por vinte e quatro horas, por que ela disse tudo aquilo na apresentação? Por que ela iria se expuser aos soldados da Lithium de maneira tão perigosa?

-Por que fez isso, Az?- A senhorita Dickens perguntou, assustada.

-Queria que esses funcionários inúteis da Lithium soubesse meu ponto de vista dobre a sua nova versão hostil. –Ela respondeu.

-Azel, isso é muito perigoso! Vocês têm de sair daqui imediatamente! –Ela nos ordenou.

-Por quê? – Azel perguntou, sem demonstrar emoção, como se já soubesse o que viria pela frente. De repente, ouvi gritos e passos acelerados.

-Eles chegaram! Temos de ser rápidos! – A senhorita Dickens nos puxou pelo braço, e começou á murmurar: — Oh céus, não era para estar fazendo isso... Vou morrer... Vou morrer... -

-Espera! -Azel gritou e soltou-se das mãos nervosas da senhorita Dickens, á força. – Quero enfrentá-los. Quero que eles saibam o que eu penso sobre sua organização desprezível!

-Azel, não é hora disso! Venha, corra! –A senhorita Dickens novamente agarrou seu pulso.

Os soldados já estavam nos avistando. Eles corriam depressa e gritavam: — Parem, ou seremos forçados á matá-los! – Azel continuava tentando soltar-se das mãos da professora.

-Pare, Azel! – A professora gritava. – Corra!

-O que a senhora disse?!?! – Sim, em uma hora dessas, eu pensei que ela havia xingado. Sou um palerma, mesmo.

-Ora, Dimitry, sou uma professora, não falo esse tipo de coisa. Eu disse: Corra! — E ela nos puxou.

-Não! –Azel gritou e se soltou novamente. Só que dessa vez, ela correu para o lado contrário.

-Az! –Gritei. – Eles vão te matar, corre!

-Não! –Ela gritou de volta. Os soldados já estavam á cem metros de distância dela. E do mesmo jeito, ela ficou parada. Esperando. Esperando eles se aproximarem.

-É isso que eu penso sobre a Lithium, seus otários! –Ela gritou para os soldados. Eles simplesmente pararam e a encararam.

Azel continuou calada. Os soldados – Eram cinco, de acordo com minha conta rápida- continuavam imóveis, como se fossem estátuas. Ou robôs.

-Acho que agora eles entenderam com... –Azel virou-se para nos olhar, mas foi interrompida por um barulho. Um barulho de tiro. Eles a acertaram.

-Az!! – A senhorita Dickens chorava. – Por que não veio quando eu mandei?!?

A Azel caiu no chão. Sua nuca sangrava de um ponto circular meio deformado. Sua cabeça bateu no chão. Acho que se ela morresse agora, ao menos ficaria feliz se soubesse que morreu com o olhar para o chão. Onde ela sempre gostara de olhar.

-Dim, corre! Corre até não aguentar mais! Corra para o mais longe que puder! – A senhorita Dickens sussurrou á mim.

-Mas... E a senhora? E Azel? – Perguntei. Afinal, elas duas também estavam sendo perseguidas.

-Vou salvá-la. Não se preocupe, ela ficará bem. –Disse e me empurrou para o corredor que dava para a saída de emergência do Prédio de Treinamentos Eruditos – O mesmo termo dado para Escola. Mas a Lithium é fresca, então preferiu desse jeito. – e assim que alcancei a porta, saí e corri para minha casa.”

Continuo frequentando uma escola. Mas é bem difícil estudar e se concentrar quando se é um procurado secundário. Será difícil ser pego, por que (1) eu sempre fujo quando querem me achar, (2) eu sou um perseguido secundário, ou seja, primeiro irão atrás dos primários, (3) existem apenas cinco pessoas primárias, e mais de mil procurados secundários (4) e eu sou um ninja supremo capaz de correr rápido e sumir nas melhores horas. Então, se quer me dar uma bronca por qualquer coisa que eu fiz... Boa sorte!

-Rutherford, não pode ficar saindo desse jeito. Eles vão te achar! – Minha mãe dizia. Já expliquei o lance dos procurados secundários mil vezes para ela, mas acho que ela ainda não entendeu.

-Não se preocupe, eu sei me cuidar sozinho. –Falei, embora não fosse o suficiente para que ela ficasse calma.

- Você é um procurado pela Lithium, como não ficarei preocupada? E ainda tem mais, você trabalha em uma sede da Lithium! Meu filho, o que tem na sua cabeça?!

-É uma estratégia, quanto mais perto eu ficar deles, mais informações sobre a Lithium eu vou conseguir. – Falei

-Você não precisa dessas informações, Rutherford. Por que não consegue viver uma vida normal? –Seus olhos lacrimejavam.

-Não posso viver uma vida que não combina comigo. – Dei-lhe um abraço. Murmurei um “Até mais!” e saí de casa.

Notas finais
Esse Dimitry é vida louca, agora que eu percebi :0
Até a próxima, minha gente o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.