Notas iniciais
Voltei, e dessa vez com o último capítulo da fanfic. Agradeço a todos que tiraram um tempo para acompanhar essa pequena história. Muito obrigada!

Sigo rapidamente pelo longo corredor até o quarto de onde ouço o choro, minha menina anda adoentada esses dias, hoje está bem melhor, mas não totalmente recuperada. Adentro seu quarto e encontro seus olhinhos e nariz avermelhados pelo choro, os mesmos olhinhos cor de terra que se tornaram meu bem mais precioso.

— Oi, meu amor – Digo enquanto a pego em meus braços. – Não precisa chorar, mamãe está aqui com você.

Sei que ela ainda não me compreende, Catarina tem apenas nove meses, mas tenho certeza que ela compreende o que quero lhe passar. Logo que está em meus braços ela deita sua cabeça em meus ombros e segura uma mecha do meu cabelo com sua minúscula mão. Quero parar o tempo nesse segundo, agora que a tenho, não sei se teria conseguido viver uma vida inteira sem tê-la em meus braços.

Volto para o quarto com Caty em meus braços, ainda tenho dificuldade em deixa-la sozinha em seu quarto. Deito-me e a coloco sobre mim, ela adora ficar dessa forma logo que acorda, e eu amo tê-la comigo. Não demora muito para que ela volte a dormir enquanto faço carinho em seus cabelos.

— Meu amor, um dia vou contar-lhe a história das nossas vidas, de como uma baronesinha se apaixonou por um carcamano e passaram por muitos desafios para que enfim a tola da baronesinha criasse coragem para pular do precipício.

— Sabe baronesinha — Assusto-me ao ouvir sua voz. – Essa visão faz a minha existência valer a pena. – Ele diz encostado na porta e está com seu sorrisinho lateral que o tempo só deixou mais bonito. Estava tão concentrada em Catarina que não percebi sua chegada.

— Ernesto! Você quase me mata do coração – Digo com minha cara de brava sem estar brava de fato. – Você quase me fez acordar a Caty.

— Me desculpe meu amor, mas você sabe que o sono dela é mais pesado que o meu e o seu juntos. – Ele diz sorrindo. É verdade, ela dorme maravilhosamente bem, muito mais que bem, às vezes nós precisamos acordá-la para que possa comer.

— Como meu projetinho passou o dia hoje? – Ele pergunta enquanto se junta a nós na cama e beija a cabeça da nossa menina.

— Projetinho, Ernesto? – Pergunto lhe dando uma pequena tapa no braço e fazendo-o rir baixo. – Como você pode chamar nossa filha de projetinho? Seu carcamano de uma figa!

— Ora, mas ela é um projetinho, um projetinho que eu me empenhei muito para trazer para esse mundo. Ela vai crescer e se tornar uma mulher linda e adorável, como a mãe, embora você não seja de todo tão adorável – dou mais uma tapa em seu braço e com a outra mão seguro Catarina para que ela não acorde com a força que faço ao atingi-lo. – Ai, baronesinha, viu só? Nada adorável. – Ele diz e deposita um beijo em meus lábios, não posso evitar sorrir para ele, não importa quanto tempo passe, sua implicância nunca me cansa, na verdade ela me dá forças nos dias mais difíceis. – Ela é o projetinho mais lindo que esse mundo já teve a honra de receber.

Catarina tem apenas nove meses, mas em seu pouco tempo de vida ela já havia nos transformado completamente. Ela, assim como Helouíse me mostrou um amor totalmente novo, um amor que a cada dia se torna maior, e maior.

— Obrigada, carcamano. – Digo com meus olhos marejados olhando fundo em seus olhos.

— Pelo quê, meu amor? – Ele pergunta enxugando uma lagrima que deixo escapar.

— Por não ter desistido de mim, por ter me dado tudo o que eu sempre quis e não sabia, por ter sonhado algo tão lindo para nós dois.

— Ema, eu não conseguiria viver sem você. Nem que eu quisesse, nem que eu nascesse outra vez. – Não consigo deixar de pensar em como eu teria sido infeliz se tivesse tomado outra decisão além de estar com ele. O que eu sentia estava na minha cara o tempo todo e eu escolhera não enxergar.

— Você é o grande amor da minha vida, Ernesto. Aquele tipo de amor que muitas pessoas passam a vida querendo para si e muitas vezes não encontram. Hoje eu sei que eu poderia viver mil vidas, e todas elas seria você. – Falo e vejo que Ernesto está com os olhos marejados. – E olha só, — digo olhando para Catarina. – O nosso amor se transformou em mais um projet... serzinho, em um serzinho maravilhoso, e eu te amo ainda mais por isso. Não há nada que eu gostaria mais nessa vida do que o que temos agora.

— Mamãe, não consigo dormir. – Helouíse nos olha da porta do quarto.

— Ora, ora, Lou! – Ernesto diz em seu tom de voz sério, fazendo Helouíse baixar a cabeça. – Venha deitar-se ao lado da sua família. – Ele finaliza sorrindo e abrindo os braços. Helouíse não hesita, corre para a cama e se joga nos braços do pai.

— Ih, olha mamãe, a Caty acordou. – Ela diz enquanto olha para Ernesto com cara de culpa sem realmente se sentir culpada e ele imita sua feição.

— Olha aí, eu não falei que ela ia...

— Mamamãe. – Ela emite e eu não acredito no que ouso.

— Ernesto ela...

— Mama, mamamãe.

— Não acredito, ela disse mamãe. Você disse mamãe, meu projetinho lindo. – Falo enquanto ela sorri para todos nós como se soubesse que o que acabara de fazer tinha sido magnifico. Olho para Ernesto e ele abraça Helouíse e sorri para mim da forma mais linda que eu já vi.

— Projetinho é? – Ele pergunta fazendo troça e rindo com Lou.

— Cala a boca, seu mentecapto. – Digo sorrindo.

— Ora, não tem vergonha de falar essas coisas do seu marido na frente da sua filha, senhora? – Ele fala sabendo que detesto quando me chama de senhora.

— Papai tolinho, Posso não ser grande, mas sei que a mamãe ama você, mesmo sendo mentecapto. – Helouise diz e não consigo segurar a risada ao ver o rosto de Ernesto, uma mistura de surpresa e divertimento.

— O que você acabou de dizer projeto de baronesinha? – Ele diz e passa a fazer cosquinhas nela que rir e chama por mim.

— Mamãe, socorro. Por favor, me ajuuuda. – Diz se retorcendo e logo que surge uma oportunidade ela corre para os meus braços.

— Sai carcamano, não encosta nela. – Digo abraçando-a. – Eu te protejo meu amor.

Ernesto sorri e pega uma Catarina sorridente em seus braços. Aliás, Catarina é a cópia fiel dele, seus olhos, seu sorrisinho de bebê, seu jeito sorridente se ser... Já Helouíse é a minha cópia, ela é muito mais bonita que eu, claro, mas seus longos cabelos ondulados são da cor exata dos meus, o formato dos seus olhos, e seus lábios são grossos assim como os meus, Ernesto que não gostou muito disso, disse que os garotos ficarão de olho nela, vê se eu posso com isso.

Enquanto seguro firme Helouíse em meus braços e vejo Ernesto brincar com Catarina que sorri para ele fazendo com que todos nós nos derretamos por ela, eu penso que nunca fui tão feliz em toda a vida, nunca havia conhecido de fato a felicidade plena, essa que tenho aqui com eles, que são a razão da minha vida. Vendo toda essa felicidade, penso que não há momento mais propício para contar-lhes.

— Ernesto. – Chamo fazendo-o me olhar. – Tenho uma novidade.

— O quê, meu amor? – Pergunta olhando-me.

— Sei que somos três mulheres, e que você por vezes deve nos achar um tanto chatas em nossos momentos de arrumar cabelo, vestidos e tudo mais. – Ele não entende onde quero chegar, mas continua a olhar-enquanto falo. – Nós temos mais uma chance, será que dessa vez o carcamano vem?

— Ema eu não estou compreendendo. – Ele diz com uma cara engraçada de incompreensão.

— Eu tô grávida, meu carcamano. – Digo sorrindo para ele. – Mais uma vez.

Demora um pouco para que ele emita uma reação. Primeiro ele sorri, depois ele olha para as meninas, depois ele pega Catarina em seus braços e nos abraça com lagrimas em seus olhos.

— Muito obrigada, minha baronesinha. Eu sou o homem mais feliz do mundo por ter vocês.

Helouíse beija a bochecha de Catarina e nos abraça sorrindo. Minha menina, tão pequena e tão carinhosa. Ainda não consigo acreditar que colocamos um ser tão perfeito no mundo.

Ela coloca sua mãozinha na minha barriga, olha nos meus olhos com seu sorriso que aquece o meu coração e com a outra mão afaga minha bochecha.

— Eu te amo, mamãe. – Fecho os olhos e deixo escapar uma lagrima ao ouvi-la dizer isso. Não que ela nunca tivesse dito, mas todas as vezes que ela diz é como se dissesse pela primeira vez.

— Eu te amo mais, meu amor, muito, muito mais. – digo apertando-a em meus braços e sabendo que um dia terei de vê-la seguir seu próprio caminho.

— Vou colocar Catarina no quarto, já volto. – Ernesto diz nos beijando ambas na testa.

— Posso dormir com vocês hoje? Só hoje, mamãe, eu prometo. – Helouíse pergunta com sua carinha de suplica e fazendo biquinho, olho para Ernesto que me olha sabendo que ela me tem nas mãos quando faz esse biquinho, e faço o mesmo, sabendo que o tenho nas mãos tanto quanto ela me tem.

— Está bem, mas só hoje hem, ora! – Ele diz, mas sorri para nós duas ao deixar o quarto com Catarina.

Deito-me e Helouíse deita-se no canto da cama, grudada em mim. Sorrio ao vê-la assim, um dia terei de vê-la partir, mas esse dia não é hoje e aproveitarei cada minuto até lá com minha menina. Coloco meus braços ao seu redor e sinto o perfume adocicado dos seus fios de cabelo. Sinto a cama mexer-se ao meu lado e logo em seguida seus braços me envolvem, e aqui, nesse pequeno pedaço de eternidade encontra-se toda a minha felicidade.

— Eu te amo, baronesinha.

— Te amo, carcamano. – Digo aconchegando-me a ele. – Sempre te amei.

Sinto seus braços aperta-me um pouco e meu peito aquecer-se de tanta felicidade, e mais uma vez, eu sei que tomei a decisão correta.

Notas finais
Fic finalizada. Espero que tenham gostado, qualquer dia desses apareço com algo novo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!