Renata

1 Capítulo Único


Notas iniciais
A escolha do nome não foi nada pessoal, foi bem aleatória KKKKKKKKKK
Levemente baseada na música Broken-Hearted Girl - Beyoncé. Levemente.
Espero que gostem =)

Boa Leitura!

Toda vez que ele chegava em casa, ela grunhia de alívio.

Era sempre nove horas quando Renata se sentava no sofá. Ela cruzava os braços e as pernas, se afundava no assento, franzindo os lábios e pensando consigo mesma. Às vezes murmurava algo, mas logo sua voz se perdia na escuridão da sala de estar. As luzes sempre estavam apagadas e ela usava pijamas.

No começo, gostava de se arrumar.

Ela o esperava sentada de modo sensual no sofá de só dois lugares, o primeiro sofá que ele veria quando abrisse a porta. Usava algo curto, passava um batom vermelho. Ele gostava de vermelho, ela gostava de agradá-lo. Não gostava do cheiro dele quando chegava do trabalho, mas mesmo assim passava os braços pelo pescoço feminino e afundava o nariz na curva do seu pescoço.

Havia um tipo de prazer bom em ser segurada por aqueles braços.

Renata sabia que, mesmo que o casaco dele fedesse à algum perfume feminino que não era dela, ela continuaria naquele abraço. Ela continuaria na cama dele. Ela se afundaria nos lençóis, ela lavaria a roupa dele só pelo prazer de tocá-la. Era assim que se sentia.

Agora, depois de alguns meses, ela apenas repousava no sofá.

Era como se houvesse uma corrente ali. Uma corrente em seus braços cruzados, em suas pernas e nos seus pés pequenos e femininos. Uma corrente que ela mesmo criara, uma corrente feita dele. Uma corrente da pele de seu marido. Uma corrente de suas veias. As olheiras profundas marcavam seu rosto angelical; às vezes ele demorava muito. Demorava tanto, e ainda assim ela se mantinha ali, parada como uma estátua. Uma estátua feita para durar.

Renata não esperava ser correspondida.

Naqueles dias, ela já tinha ideia de, quando ele chegasse, haveria só dó no seu olhar. Às vezes, não tinha nem isso. E o que a importava, afinal? Ele estava lá, não estava? Ele voltava para casa. Não importasse por quantas camas ele passasse. Não importava quantas mulheres ele tinha nas mãos. Ele voltava para casa.

Ela afundou mais uma vez, fechando os olhos.

Naquela noite, mais uma vez, Renata grunhiu de alívio.

Notas finais
O amor é meio esquisito g-g
Espero que tenham gostado ^-^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!