Renascido nas trevas
19 Capítulo 19 - Sem saída.
No Capítulo anterior...
— Desista – Avisou Kaguya — Você perdeu.
Grimmjow tentou atacar novamente, mas perdeu o equilíbrio e acabou caindo.
— Dane-se – O pantera gritou – Eu não vou morrer aqui.
— E por que você acha que eu vou te matar? – As palavras de Kaguya pegaram tanto Grimmjow quanto Kanzaki de surpresa.
— Do que está falando?
Kaguya deu de ombros.
— Eu apenas achei que eu teria uma boa luta com você e estava certa, além do mais eu já tive minha cota de Hollows por hoje, não tenho nenhum motivo para te matar.
— Eu não preciso da sua piedade – Grimmjow cuspiu.
— Não é piedade – Esclareceu Kaguya – Você um objetivo maior não é mesmo? Quer mesmo desperdiçar sua vida aqui por puro orgulho?
Pela primeira vez Grimmjow pareceu hesitar.
— Eu não acho...
— Não confunda as coisas – Interrompeu Kaguya — Eu não me contive ao disparar aquele Cero, se você sobreviveu significa apenas que ainda não chegou a sua hora, assim como ainda não chegou a minha.
Após ouvir essas palavras o Adjucha começou a se afastar.
— Seu nome é Kaguya, não é mesmo? Tente não morrer até o nosso próximo encontro, eu quero ter a minha revanche.
Kaguya sorriu por debaixo da máscara ao responder.
— Eu vou estar esperando ansiosa por esse dia – Esperou até o pantera ficar longe de sua vista e se permitiu cair no chão, exausta.
— Isso foi muito divertido! – Ela exclamou.
— Eu fiquei muito preocupada – Admitiu Kanzaki se aproximando.
— Não se preocupe, como eu já disse, minha hora ainda não chegou, além do mais — Olhou de relance para a sua companheira — Eu não vou deixar você sozinha.
— Você promete?
— Sim... – Confirmou Kaguya — Eu prometo
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Capítulo 19 — Sem saída.
Hueco Mundo
Duas figuras femininas estavam cruzando o deserto de Hueco Mundo, uma exalava poder e confiança, com razão, ela era sem dúvidas uma das Adjuchas mais poderosas desse mundo e tinha consciência disso, e a outra, bem, ela estava fazendo uma pergunta.
— Otonashi-san... – Chamou Kanzaki — Não acha que estamos num lugar um pouco afastado de nosso esconderijo?
— Me chame apenas de Kaguya – Sua parceira a repreendeu — Fala sério, já se passaram mais de cinquenta anos desde o dia que nos conhecemos, acho que temos intimidade suficiente para você usar o meu primeiro nome.
— Me desculpe – Ela pediu — Agora sobre esse lugar...
— Não se preocupe com isso – Garantiu Kaguya — Eu costumava vir para cá com frequência, esse é um ótimo lugar para se encontrar Adjuchas poderosos.
Kanzaki não pareceu entender a lógica de sua companheira.
— Então por que estamos aqui? Humm... Não são esses os tipos de lugares que deveríamos evitar?
Kaguya deu de ombros.
— Sim normalmente, mas essa é uma ocasião especial.
— Por quê?
...
— Estou entediada e preciso me divertir – Ela declarou, sem dizer mais nada em seguida, aparentemente para Kaguya, essa era uma ótima justificativa.
— É isso que você faz para se divertir? Luta com outros Hollows até a morte?
— Sim, eu não sei se você já percebeu mais aqui não tem nenhum parque de diversões, então eu preciso procurar outras formas para me entreter, eu até tenho alguns jogos para ocasiões como essa.
— Jogos? Que tipos de jogos?
O rosto de Kaguya iluminou-se com a pergunta de sua companheira.
— Para falar a verdade eu tenho vários, mas os meus jogos preferidos são: Pega e mata – Kanzaki tinha certeza que o nome correto era ‘’pega-pega’’, mas resolveu não comentar nada – Verdade ou morte – Continuou Kaguya — E o meu preferido de todos, a dança da morte.
— Hummm... — Você não conhece nenhum jogo que não envolva morte? – Kanzaki perguntou esperançosa.
Sua companheira pensou por alguns segundos antes de responder.
— Na verdade eu tenho um – Kanzaki respirou aliviada, pelo menos até Kaguya completar sua frase – Se chama arremesso de membros.
— A-Arremesso de membros? – Apenas esse nome causava arrepios em Kanzaki.
— Isso mesmo, o jogo é bem simples, primeiros temos que pegar um Hollow, depois nós arrancamos seus...
— Não precisa entrar em detalhes – Sua amiga pediu – O título desse jogo é bem sugestivo – Em seguida deu uma boa olhada no local onde estavam – Kaguya-san, não quero decepciona-la, mas esse lugar está deserto.
— Na verdade... – Corrigiu Kaguya — Eles estão apenas escondidos.
— E como pretende atrai-los?
— É elementar minha cara Kanzaki, veja e aprenda — Kaguya respirou fundo antes de gritar a plenos pulmões.
— EI, ESSE É UM AVISO PARA QUALQUER ADJUCHA BASTARDO QUE SE ACHA FORTE O BASTANTE PARA ME ENFRENTAR, NÃO IMPORTA QUANTOS SÃO, PODEM VIR COM TUDO.
...
— Que estranho – Murmurou Kaguya, sua voz estava um pouco rouca — Minha garganta começou a doer de repente.
— Que coincidência – Retrucou Kanzaki, a voz de sua companheira ainda zunia em sua cabeça – Meus ouvidos também começaram a doer ‘’de repente’’.
Kaguya olhou para sua amiga com admiração.
— Hum? Então você sabe ser sarcástica? Que surpresa.
Kanzaki decidiu ignorar o comentário, nem ela mesma tinha ideia que podia ser sarcástica.
— Mudando de assunto, acha mesmo que isso vai funcionar?
No mesmo instante que Kanzaki fez essa pergunta o chão começou a tremer, as Adjuchas quase perderam o equilíbrio, parecia um terremoto, mas ambas sabiam que a causa disso era algo muito pior.
— Aí está sua resposta – Kaguya apontou para um grupo de Adjuchas quase aproximavam rapidamente, eram dezenas, talvez até mais, a saliva escorria livremente de suas bocas, se isso tivesse acontecido há cinquenta anos, Kanzaki agora estaria apavorada, mas a convivência com sua companheira a tornou menos impressionável, e agora era preciso muito mais do que um bando de Adjuchas para assustá-la. Kaguya era uma espécie de aventureira, ela gostava de explorar os cantos mais obscuros e arriscados de Hueco Mundo, e comparado aos perigos que foram submetidos ao longo das últimas décadas, bem... Ela até sentia um pouco penas desses Adjuchas, eles estavam correndo desesperados achando que vão ter uma refeição deliciosa, mas Kanzaki tinha certeza de que tudo o que eles vão encontrar será a morte certa.
Kaguya olhou de relance para sua companheira.
— Você quer...?
— Não obrigada – Kanzaki recusou educadamente – Eles são todos seus.
— Ótimo... Quero dizer, que pena. Nesse caso... – Ela não escondeu sua satisfação ao avançar a toda à velocidade sobre o grupo de Adjuchas.
Kanzaki decidiu se deitar um pouco, a ‘’diversão’’ de sua amiga iria demorar um pouco, a areia estava fria, exatamente como gostava e ela começou a mover seus braços e pernas sem motivo aparente.
— Bem, acho que já chega – Ela murmurou para si mesmo enquanto se levantava, para admirar seu trabalho — Um anjo de areia, até que ficou bom – Ficou observando por mais um tempo até que alguém pisou em sua ‘’obra’’, ela levantou o rosto apenas para ver o enorme Adjucha parado a sua frente.
— Estou Tendo muita concorrência para pegar aquela Adjucha – Ele falou – Então eu acho que vou ter que me contentar em devorar você.
— Você destruiu meu anjo de areia – Sussurrou Kanzaki, ignorando sua ameaça apontando o dedo indicador para o Hollow e lançando um pequeno feixe de luz verde que acertou em cheio a sua perna esquerda.
— Hahahahaha – O Adjucha gargalhava loucamente — Essa é a sua melhor técnica? Sabia que isso doeu tanto quanto a picada de um mosquito, ele tentou dar um passo a frente, mas não conseguiu mover um único músculo.
— O que? Eu não consigo me mexer.
— É claro que não consegue, eu acabei de injetar minha própria Reiatsu em seu corpo, e nesse momento ela está na sua corrente sanguínea, ela age como uma espécie de veneno – Quando viu o olhar de medo do Adjucha continuou — Não se preocupe, o que eu injetei em você é apenas uma espécie de anestesia, ela paralisa os músculos, desacelera as funções do corpo, você não poderá se mexer por algumas horas, eu até recomendaria que você se fingisse de morto mas.. – Deu uma olhada para a figura que se aproximava — Acho que é um pouco tarde para isso.
— O que quer dizer com...? – O Adjucha parou no meio da frase e arregalou os olhos, inclinando ligeiramente para frente, como se tivesse sido acertado, ele olhou para baixo um pouco acima de seu abdômen apenas para ver que um par mãos com garras afiadíssimas tinham perfurado sua barriga, Kanzaki desviou o olhar, pois sabia que o que iria acontecer não seria nada agradável de se ver.
O Adjucha nem teve tempo de gritar, ele foi rasgado ao meio pelas mãos que saiam de sua barriga, sangue e órgãos voam em todas as direções, Kanzaki arriscou abrir os olhos e tudo o que viu foi um corpo mutilado e uma Kaguya emburrada, ela honestamente não sabia dizer o que era mais assustador.
— Já acabou? – Perguntou Kanzaki – Mesmo sabendo que a resposta era obvia – Essa foi rápida.
— Foi uma completa perda de tempo – Kaguya murmurou decepcionada – Eles não passavam de um bando de fracotes.
— Então vamos sair logo daqui – Pediu Kanzaki – Eu não gosto nenhum um pouco desse lugar.
— Eu sei nós vamos embora logo, mas antes disso... – Sua companheira a chamou — Por que não faz um lanchinho? Aqui temos diversas opções para escolher, entre elas estão incluídos: Hollows crus, cozidos, mal passados, bem passados e tostados, só não recomendo os que estão tostados, eles têm um péssimo sabor, pode confiar em mim.
Kanzaki sentiu seu estômago embrulhar, pensou já ter se acostumado com a natureza sádica de sua companheira, mas ela sempre conseguia se superar.
— Não obrigado, estou sem fome e depois disso que você falou acho que nunca mais vou sentir fome de novo.
Kanzaki notou que Kaguya ainda a encarava.
— O que foi agora?
— Ainda estou entediada!
— Mas você acabou de matar pelo menos uns quarenta Adjuchas.
— Sim, mas eles eram fracos e inúteis, eu nem tive tempo de me aquecer – Ela parou para pensar um pouco e arregalou os olhos como se tivesse tido uma epifania — Eu tive uma ideia.
— Que ideia?
— Você poderia lutar comigo, é a única Adjucha que eu conheço que tem pelo menos metade do meu poder.
— Nem pensar — Disse Kanzaki, balançando sua cabeça com veemência — Eu não quero morrer.
— Não se preocupe com isso – Garantiu Kaguya — Eu irei pegar leve com você.
Kanzaki deu um olhar acusador sobre a sua amiga.
— Eu me lembro muito bem que você falou essas mesmas palavras na primeira vez que me convidou a lutar, você se lembra do que aconteceu depois?
Kaguya tentou inutilmente fazer um cara inocente.
— Mais ou menos, bem... Se não estou enganada... Você...
— Eu fique inconsciente por dois dias — Completou Kanzaki.
— Na verdade foram duas semanas – Kaguya disse baixinho.
— Hã? – Kanzaki olhou de modo interrogativo para sua companheira.
Aparentemente, Kaguya não havia falado baixo o suficiente.
— Não é nada... – Depois ela olhou para sua amiga com expectativa — Então sobre a luta...
— Sem chance.
— Você é muito chata, por que... – Ela se calou de repente.
— O que foi?
— Eu posso te ver – Kaguya cantarolou alegremente, ela olhava para o lado, Kanzaki seguiu seu olhar mais não viu nada além de uma enorme rocha.
— Do que está falando? – Kanzaki perguntou confusa, sua companheira a ignorou.
— EU JÁ DISSE QUE POSSO TE VER – Kaguya lançou um Cero em uma rocha que estava há pelo menos cem metros de distância dela, a rocha se despedaçou completamente revelando um Adjucha que estava escondido atrás dela.
— Hã? – O Adjucha parecia estar em choque, demorou alguns segundos para ele se dar conta do que tinha acontecido e quando isso ocorreu ele começou a correr.
— Ele sabe correr – Kaguya observou animada – Isso é bom.
— E por que isso seria bom?
— Isso é obvio – Ela respondeu, se preparando para persegui-lo — Por que agora eu posso jogar um de meus jogos preferidos: pega e mata.
...
O Adjucha era bem rápido, e corria de um jeito estranho, as vezes ele pulava e as vezes ele corria de quatro, sempre que Kaguya estava prestes a pega-lo, ele aumentava sua velocidade, a perseguição já perdurava por vários minutos, Kanzaki se esforçava ao máximo para manter o mesmo ritmo de sua companheira, mas enquanto corria ela notou algo que chamou sua atenção, o Adjucha estava indo em direção a um lugar com gigantescas formações rochosas, em forma de C, sem nenhuma outra saída.
— Tem algo errado – Murmurou Kanzaki – Por que ele está indo naquela direção?
— Quem se importa? – Kaguya realmente não estava interessada na preocupação exagerada de sua amiga — Lá ele não terá para onde fugir.
— Estou com um mau pressentimento – Insistiu Kanzaki – Parece até que ele está nos atraindo para esse lugar.
— Nos atraindo por quê? O que ele pode fazer contra nós? – Kaguya aumentou a velocidade quando viu que o Adjucha tinha parado.
— Desista – Avisou Kanzaki enquanto se aproximava dele – Você não tem para onde correr.
O Adjucha começou a se virar, Kaguya tinha certeza que em seu rosto estava espantada um medo absoluto, mas quando ele se virou totalmente, ela viu a última coisa que esperava em seu rosto.
Um sorriso.
— Hahahaaha, vocês caíram, vocês realmente caíram – Ele não parava de sorrir.
— Do que diabos você está falando? – Kaguya vociferou – É melhor falar logo senão...
— Espere... – De repente um pensamento terrível tomou conta da mente de Kanzaki – Temos que sair agora.
— É tarde demais – Uma voz que vinha de cima falou – Vocês estão cercadas.
No mesmo instante que a voz se fez presente quatro Hollows surgiram por detrás delas, todos eles era Adjuchas, e Kanzaki notou com espanto que cada um deles era no mínimo tão poderoso quanto o Adjucha pantera que Kaguya tinha enfrentado décadas atrás.
— Mas que droga — Praguejou Kaguya, trincando os dentes – É uma armadilha.
Continua...
No próximo capítulo – O passado de Kanzaki – Parte três – A promessa que não pôde ser cumprida.
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