Renascido como um Tonks

15 15 - Conversa com Lupin e Severo bravinho


Notas iniciais
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O olhar de Sirius para Lupin dizia que ele já sabia que o professor não estaria mais ali no ano seguinte. Harry, porém, não sabia, e por isso perguntou:

— Como assim, ano que vem? — Seus olhos correram entre o Professor Lupin e Sirius Tonks. — Por que o professor não estaria aqui ano que vem? Ele é o melhor professor de Defesa Contra as Artes das Trevas que já tivemos!

Lupin olhou para Harry por alguns segundos antes de decidir explicar.

— Harry, o cargo de Professor de Defesa Contra as Artes das Trevas realmente foi amaldiçoado por Voldemort. Poucas pessoas sabem disso de verdade, mas, desde que ele foi recusado por Dumbledore, ninguém conseguiu permanecer no cargo por mais de um ano. E os que insistiram tiveram finais trágicos.

Harry sentiu um frio na espinha que nada tinha a ver com os Dementadores, que já haviam deixado Hogwarts para cuidar de seu novo “hóspede”. Ele olhou para Lupin, que parecia subitamente mais frágil sob a luz das lamparinas do escritório, e depois para Sirius Tonks, que mantinha o olhar fixo no horizonte como se já estivesse vivendo o ano seguinte.

— Finais trágicos? — Harry repetiu, com a voz falhando. — Mas o senhor não... o senhor é diferente. Sirius, você não pode deixar nada acontecer com ele!

Sirius Tonks desviou o olhar da janela e encarou Harry. Havia uma honestidade brutal em seus olhos.

— Eu não disse que ele terá um final trágico, Harry. Eu disse que ele não estará aqui. Existem coisas, segredos e... condições... — lançou um olhar significativo a Lupin, referindo-se à sua licantropia sem pronunciar a palavra — que tornam impossível a permanência dele sob o escrutínio do Ministério e dos pais dos alunos por muito tempo. Especialmente agora, com Snape procurando qualquer deslize para derrubá-lo.

Lupin assentiu solenemente, agradecendo em silêncio por Sirius não ter revelado seu segredo a Harry.

— O Sr. Tonks está certo, Harry. Ficarei o tempo que puder, mas meu papel na sua jornada talvez seja muito mais útil fora destas paredes. — Lupin voltou-se para Sirius Tonks, endireitando os ombros. — Se sua irmã, Ninfadora, está trabalhando em missões para você, Sirius... e se você acredita que o retorno de Voldemort é inevitável, então eu aceito. Quando meu tempo aqui acabar, minha varinha estará à disposição de vocês.

Harry olhou de um para o outro, sentindo que o mundo de Hogwarts, antes um refúgio de mistérios juvenis, estava se transformando em um campo de treinamento militar.

— Então é isso? — perguntou ele. — Estamos montando um exército?

— Estamos garantindo que, quando a guerra bater à porta, não sejamos pegos dormindo — respondeu Sirius Tonks, caminhando em direção à porta.

Ele parou e olhou para Lupin por cima do ombro.

— Começaremos o treinamento extra com Harry amanhã. E, Professor... tente não deixar Snape perceber que o senhor sabe demais. Ele já está instável o suficiente por causa do meu primo.

Quando saíram do escritório, o corredor estava mergulhado na penumbra. Harry seguiu Sirius Tonks em silêncio por alguns metros antes de falar:

— Você realmente confia na sua irmã para essas “missões”, Sirius? O que ela está fazendo exatamente?

Sirius Tonks parou de caminhar e ergueu os olhos para o teto alto do castelo.

— Ela está monitorando algumas pessoas que podem ser cruciais para o ano que vem, Harry... isso vai nos comprar tempo. E tempo é tudo o que precisamos agora.

Harry sentiu um peso enorme, mas também uma estranha sensação de segurança. Ele tinha um padrinho livre, um professor mestre em defesa e amigos confiáveis.

Após a conversa intensa no escritório de Lupin, Harry e Sirius Tonks desceram as escadas em direção ao Salão Principal. O estômago de Harry deu um nó, não de fome, mas pela adrenalina de tudo o que acabara de ouvir.

— Você percebeu, não é? — Harry murmurou, enquanto passavam por um grupo de alunos do primeiro ano que os encarava com curiosidade. — O Lupin... ele parecia ter tirado um peso de cem quilos das costas quando você disse que o futuro mudou.

— Ele passou doze anos se culpando por estar vivo e por ter “errado” sobre o primo Sirius — respondeu Sirius Tonks, mantendo o passo calmo. — A verdade foi um excelente remédio para o Lupin, Harry. Mas ele ainda precisa de outro remédio... precisamos garantir que ele se sinta parte do que estamos construindo.

Ao entrarem no Salão Principal para o almoço, o burburinho habitual aumentou de volume. O Profeta Diário ainda era o assunto principal em todas as mesas.

— Onde vocês estavam? — perguntou Hermione assim que eles se sentaram à mesa da Grifinória. Ela e Rony já estavam na metade de seus pratos de purê de batatas. — Snape saiu da masmorra parecendo que ia lançar uma maldição no primeiro que cruzasse o caminho dele.

— Estávamos conversando com o Professor Lupin — explicou Harry, servindo-se de suco de abóbora. — Ele queria saber como... bom, como tudo aconteceu.

— E a detenção? — perguntou Rony, olhando para Sirius Tonks com uma careta de simpatia. — Snape tirou cinquenta pontos! Cinquenta! A ampulheta da Grifinória parece que levou um soco.

— A detenção é só às oito da noite — respondeu Sirius Tonks, pegando uma maçã e observando a mesa dos professores. Snape não estava lá, mas Lupin acabava de se sentar, parecendo exausto, embora mais presente do que nunca. — Não se preocupe com os pontos, Rony. Até o fim do ano, devo conseguir recuperar e ganhar ainda mais. E, mesmo sem esses cinquenta pontos, ainda estamos na liderança.

— E agora, Sirius? — Hermione baixou a voz, inclinando-se para a frente. — Tem algo mais para a gente fazer? Você disse que tínhamos que nos preparar.

Sirius Tonks olhou para os três. O olhar dele se afastou da mesa e vagou pelo teto do Salão, que refletia um céu de outono límpido e azul.

— O treinamento com Lupin começa logo — disse com seriedade. — Mas, antes disso, Harry, você tem algo mais imediato para resolver. O Natal está chegando. E, pela primeira vez na sua vida, você não precisa se preocupar com a Rua dos Alfeneiros. O primo Sirius já deve estar planejando alguma coisa com a minha mãe.

Harry sentiu um calor no peito que superava qualquer banquete.

— Você acha que ele vai me chamar para passar o Natal com vocês?

— Ele não apenas vai te chamar, Harry — Sirius Tonks respondeu com um sorriso de canto —, ele provavelmente vai tentar comprar metade da Dedosdemel para comemorar o seu primeiro Natal de verdade. Agora comam. Temos aula de Transfiguração à tarde, e a McGonagall não vai nos dar folga só porque salvamos o mundo bruxo ontem.

As masmorras estavam mergulhadas em um silêncio opressor.

Snape estava sentado à sua mesa, a pena riscando o pergaminho com agressividade contida, enquanto Sirius Tonks limpava os caldeirões de estanho manualmente. O som da escova contra o metal era o único ruído durante a primeira hora.

Snape não atacou Sirius Black. Parecia ter percebido que insultar o primo de Sirius Tonks não surtia o efeito desejado.

Por fim, largou a pena e olhou para o garoto com um desprezo frio.

— O Diretor parece ter uma confiança inabalável em suas... habilidades peculiares — disse Snape, com a voz arrastada. — Ele acredita que o seu “dom” é a salvação deste mundo.

Sirius parou de esfregar e olhou diretamente para o professor. Não queria jogos.

— O quanto o senhor sabe, Professor? — perguntou, de forma direta. — O que Dumbledore e a Professora McGonagall lhe contaram sobre como eu desvendei o mistério de Pedro e do meu primo?

Snape estreitou os olhos.

— Eu sei o que os outros sabem, Sr. Tonks. Sei que você é um vidente. Que “vê” o futuro e que usou isso para brincar de herói no Ministério.

Sirius deu um passo à frente, deixando a escova de lado. Sua voz baixou, tornando-se mais grave.

— Então o senhor sabe apenas metade da verdade. Diferente de outros videntes, eu não vejo apenas o que pode ser. Eu vejo o que foi. Conheço o passado tanto quanto o futuro.

Snape retesou os ombros, mas Sirius continuou antes que ele pudesse interrompê-lo.

— Eu sei sobre a infância de vocês. Sei que Sirius Black, Tiago Potter e os outros não eram corretos. Foram cruéis, foram arrogantes e, em muitos momentos, estiveram completamente errados na forma como trataram o senhor.

Snape congelou.

O ódio em seus olhos foi substituído por um choque momentâneo. Ele esperava que o sobrinho de Black defendesse o clã, mas Sirius Tonks estava admitindo as falhas deles.

— No entanto — prosseguiu Sirius —, o erro de uma pessoa não apaga o erro de outra. As escolhas que o senhor fez na juventude, os caminhos sombrios que decidiu trilhar, foram de sua total responsabilidade. Assim como as escolhas do meu primo em confiar em quem não devia foram dele. Na vida, somos responsáveis pelas nossas escolhas, mas também precisamos crescer para além da dor que elas nos causaram. Enquanto o senhor continuar vivendo a partir de uma infância ferida, em vez de enfrentar os acontecimentos como o adulto que é, continuará colhendo os frutos amargos de escolhas infantis.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

Snape parecia ter sido atingido por uma maldição de paralisia. Ninguém, nem mesmo Dumbledore, jamais ousara falar com ele sobre sua imaturidade emocional de forma tão crua.

Sirius Tonks não o estava insultando. Estava diagnosticando-o.

— Saia — sibilou Snape.

Sua voz já não soava como um comando autoritário, mas como um sussurro trêmulo de alguém cuja alma acabara de ser exposta.

— Saia agora, Sr. Tonks.

Sirius apenas assentiu. Pegou suas coisas e caminhou até a porta. Antes de sair, olhou por cima do ombro uma última vez.

— O passado é um mestre, Professor, não uma prisão. O senhor deveria tentar viver no presente. É mais saudável.

POV de Severo Snape

Entrei na sala do Diretor sem bater.

Minhas vestes flutuavam atrás de mim, carregadas de poeira e do ódio que eu trouxera das masmorras. Dumbledore estava inclinado sobre um de seus instrumentos de prata, que soltava uma fumaça rítmica e azulada. Não pareceu surpreso com a minha intrusão.

— O garoto, Alvo — sibilei, parando diante de sua mesa. — Ele não é apenas um vidente. Ele é... uma anomalia. Um perigo que você insiste em manter sob este teto como se fosse um animal de estimação exótico.

Dumbledore ergueu os olhos azuis, calmos demais para o meu gosto, e indicou a cadeira à sua frente.

— Suponho que a detenção com o Sr. Tonks não tenha sido tão silenciosa quanto você esperava, Severo. Aceita um doce de...

— Guarde seus doces — cortei, apoiando as mãos sobre a mesa e inclinando-me para a frente. — Ele me confrontou. Não com o atrevimento infantil de Potter ou a arrogância de Black, mas com algo muito pior. Disse que vê o passado, Alvo. Falou sobre a minha infância. Sobre o meu grupo e o dele. Descreveu a crueldade dos Marotos com uma precisão que... — minha voz falhou por um milésimo de segundo — que ninguém da idade dele deveria possuir.

Dumbledore recostou-se na cadeira, unindo as pontas dos dedos. Não parecia chocado. Parecia... satisfeito.

— Ele admitiu que eles estavam errados, Severo? — perguntou o Diretor suavemente.

— Sim — admiti, com o gosto amargo da verdade na boca. — Mas ele não parou por aí. Usou isso como alavanca. Disse que eu uso as feridas da minha infância como desculpa para as minhas escolhas adultas. Chamou-me de imaturo, Alvo. Com todas as letras, um pirralho de treze anos tentou me dar uma lição de moral sobre responsabilidade.

Um silêncio pesado caiu sobre a sala. Fawkes soltou um pio baixo.

Eu esperava que Dumbledore risse, ou que se indignasse por minha autoridade ter sido pisoteada. Em vez disso, ele suspirou, um som carregado de tristeza antiga.

— E você viu isso como um ataque, Severo? Ou como um aviso?

— Foi um ataque à minha privacidade! — exclamei. — Ele sabe demais. Sugeriu que eu “escolhesse um lado” antes que as sombras desaparecessem. Ele sabe sobre a Marca, Alvo. Ele sabe tudo.

Dumbledore levantou-se e caminhou até a janela, olhando para a escuridão dos terrenos do castelo.

— Sirius Tonks carrega um fardo que nenhum de nós pode compreender por inteiro — disse ele, de costas para mim. — Ele vê o tempo não como uma linha, mas como uma tapeçaria pronta. O que você chama de ataque, eu vejo como um ato de misericórdia incomum.

— Misericórdia?! — bufei.

— Sim. Ele poderia ter usado o que sabe para humilhá-lo publicamente. Poderia ter destruído sua reputação com uma única frase no Grande Salão. Mas escolheu uma sala fechada. Escolheu confrontar a sua dor, não para feri-lo, mas para mostrar que seu sofrimento não é um segredo para o destino. Está lhe oferecendo algo que você se recusa a dar a si mesmo, Severo: permissão para deixar o passado onde ele pertence.

Senti um nó de fúria e vergonha apertar minha garganta.

— Você o defende como se ele fosse um profeta.

Dumbledore virou-se, e seu olhar era cortante.

— Eu o defendo porque ele é a única peça neste tabuleiro que não segue nem as minhas regras, nem as de Voldemort. Se ele diz que as sombras terão de escolher um lado, então não está ameaçando você, Severo. Está preparando você. O retorno está vindo. E Sirius Tonks sabe que, na guerra que se aproxima, eu precisarei de um mestre de poções focado no presente, não em fantasmas de corredores de escola.

— Ele é perigoso, Alvo — repeti, embora minha voz já tivesse perdido parte do ímpeto.

— Sim, ele é — respondeu Dumbledore com um sorriso enigmático. — Especialmente para aqueles que se agarram às próprias correntes. Vá descansar, Severo. E tente não tirar pontos do Sr. Tonks amanhã apenas porque ele enxergou a verdade. Isso seria... como ele mesmo disse? Uma escolha infantil.

Saí da sala sem dizer mais nada.

O corredor estava frio, mas a queimação em meu peito continuava ali.

Sirius Tonks não era um aluno.

Era um espelho.

E eu odiava o que via refletido nele.

Fim do POV de Severo Snape



"Harry Potter e Stargate são propriedades de seus respectivos donos. Esta é uma obra de ficção feita por fã, sem fins lucrativos."


Notas finais
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