Notas iniciais
Desculpas pela demora.

RENASCER – UMA NOVA CHANCE

CAPÍTULO DEZ

_ Está tudo bem, Naruto-kun?

_ Eu... Simplesmente não sei o que fazer Hinata. — suspirou. - Estou preocupado. Amanhã é julgamento da Sakura. Eu quero que ela pague por tudo que fez o Sasuke sofrer, mas é difícil. Perder cada um dos meus antigos amigos. Primeiro foi Sasuke, quando ele deixou a vila, depois na guerra foi o Sai, o Kakashi-sensei, o Neji o Choji. E quando eu saí para cumprir a missão de matar o Sasuke eu perdi a Sakura. – Hinata apertou sua mão em um gesto de solidariedade. – Eu já tinha aceitado que eu nunca teria uma chance com ele, tinha entendido que só o Sasuke serviria para ela, mas ainda assim eu a tinha como amiga. Por muito tempo eu desejei que ela fosse mais que isso. Mas quando eu tive a oportunidade de tê-la eu simplesmente descobri que eu não a amo. E agora nem como amiga eu a tenho mais. – Naruto olhou para Hinata para que esta visse o desespero em seu olhar, a dor de quem um dia foi sozinho e depois de conquistar vários amigos companheiros, se sente na iminência de perder tudo novamente.

_ Você não está sozinho, Naruto-kun. Você ao Sasuke- kun. Ele é uma criança adorável e te ama muito. – disse com seu olhar preso aos de Naruto – A mim também... Eu nunca vou te deixar, vou sempre te apoiar quando você precisar.

_ Você é mais que uma amiga Hinata. Muito mais..._ a abraçou- Pelos amigos não pode sentir o coração dispara cada vez que se encontra em sua presença. Por um amigo não se repara na forma em os cabelos caem em uma cascata longa e sedosa pelas costas. Por um amigo não se sente vontade de beijar, abraçar e construir uma família.

Hinata o olhava sem acreditar no que ouvia. Nunca pode imaginar que um dia teria seus sentimentos correspondidos. Quando se declara estava disposta a morrer para salvá-lo. Depois veio a guerra e não tiveram a oportunidade de conversarem, embora devido alguns acontecimentos os tivesse muito durante a luta. Depois quando voltaram à Vila, não tiveram tempo. Hinata estava envolvida com a reconstrução do clã e Naruto além de ajudar na reconstrução da vila estava com vários treinamentos para aperfeiçoar seu domínio do chacra do Kuruma e mesclá-lo com o chacra da natureza. Foram quatro anos de vários desencontros. Depois veio a missão em Naruto que deveria matar Sasuke a descoberta de que tinha um filho, e com isso ficou mais dois anos afastado da Vila. Quando finalmente voltou, com uma criança pensou ter perdido todas as oportunidades para estar com Naruto. Foi quando descobriu que Sasuke o amável garotinho de Naruto seria seu aluno. Este os aproximou e salvou sua vida diante de mais um ataque do clã Hyuuga. Também foi esse garotinho que hoje estava na casa de Naruto e que finalmente tinha uma chance de ter seu amor correspondido.

_ Você está dizendo que me ama Naruto-Kun? – perguntou esperançosa.

Naruto parecia encabulado, mas havia tomado uma decisão. Assumiria seus sentimentos e lutaria por Hinata.

– Sim- disse com convicção – Espero que não seja tarde... — Não pode concluir, pois Hinata calou seus lábios com um beijo.

***

– Tenha-se inicio o julgamento– pronunciou Tsunade. Era de manhã e o auditório do Salão de Julgamento do Conselho Disciplinar Ninja estava lotado para se dar inicio ao julgamento de Sakura. Naruto, Sasuke e Hinata permaneciam juntos em um canto. - Haruno Sakura, acusada de sequestro e perturbação da paz e tranquilidade de Konoha, está aqui presente para se submeter ao Conselho Disciplinar, após representação de Uzumaki Naruto. A acusada foi pega em flagrante após retirar o infante, Uzumaki Sasuke, da Academia fazendo-se passar-se por seu pai. Após buscas foram encontrados na floresta ao Norte da Vila que circunda a Academia. O infante foi encontrado preso por cipós e submetido à jutsus que lhe causaram fortes dores e hematomas. Encontrada a ré, por medida de segurança, esta foi afastada de suas funções e teve seu chacra restringido. — pausa- Ouça – se o depoimento da Vitima Uzumaki Sasuke.

Sasuke olhou para seu pai e depois de este acenar concordando este se dirigiu ao Ambu que o escoltava e se dirigiu ao banco das vitimas onde contou o que aconteceu, inclusive antes de voltarem da Vila, deixando claro que Sakura queria causar problemas a Naruto e que não gostava dele. Contou também que ela queria trazer Uchiha Sasuke de volta por ela descobriu que a alma dele estava selada em seu corpo. Ao voltar para onde se encontrava Naruto foi amparado por Hinata, uma vez que foi a vez de Naruto, prestar depoimentos.

– Eu não queria causar problemas para o papai. – disse Sasuke preocupado ao ver Naruto ser submetido a várias perguntas e prestar vários esclarecimentos sobre como e porque teve a alma de Sasuke selada no corpo da criança. – Não queria...

– Você não causa problemas– disse pegando Sasuke e o aconchegando em seu colo. – A culpa de tudo isso é da Sakura, ela sempre teve uma obsessão pelo Sasuke e isso já causou vários problemas para o Naruto- Kum no passado. A Sakura pensa somente nela mesma e agora que ela já sabe o que aconteceu é bem provável que ela queira que o Naruto-kun dê você para ela porque ela acha que o Uchiha Sasuke pertence a ela.

– Eu não quero ir com ela. – estava preocupado com a possibilidade.

– Você não vai. Nem seu pai, nem eu permitiríamos uma coisa dessas. – acalmou-o. – Nem o Conselho.

Quando Naruto prestou todos os esclarecimentos que o conselho julgou necessários, ele voltou para onde estava Hinata e Sasuke e os abraçou.

_Está quase acabando. Logo podemos voltar para casa. – disse aliviado por ver que estava acabando o julgamento.

Foi o momento do depoimento de Sakura. Ela estava simplesmente indignada pelas descobertas relacionadas ao Uchiha Sasuke. Estava indignada, não podia aceitar que Sasuke estivesse morto e que somente sua alma estivesse viva. Queria o amado de volta.

O Conselho constatou que Sakura estava com um transtorno psicótico obsessivo. Devia ser submetida a tratamento para cuidar da obsessão doentia por Uchiha Sasuke, além disso, estaria afastada de suas funções como forma de preservá-la das influências externas e de si própria.

Naruto, Hinata e Sasuke, ouviram a sentença, aliviados. Com o tratamento Sakura não mais os atormentaria, ficaria curada e possivelmente um dia voltaria a se a Sakura que todos conheciam: apaixonada por Sasuke, mas ainda com consciência da repercussão dos seus atos e uma pessoa generosa para com os amigos.

***

A lua cheia iluminava as ruas e entrava pelas frestas das cortinas iluminando os quartos. Naruto e Hinata estavam juntos abraçados, ela com a cabeça repousada no ombro de Naruto. O sono parecia chegar, mas ainda resistiam ao chamado do mundo dos sonhos.

_ Preciso te contar uma coisa – disse Naruto. – sobre Sasuke.

Ao perceber ter Hinata desperta e com atenção ficada nele passou a discorrer sobre tudo o que aconteceu na missão em que deveria matar Sasuke. Não escondeu nada, contou todos os detalhes, seus sentimentos, medos e dúvidas que teve para cuidar do pequeno.

Hinata podia perceber no relato o inegável amor que Naruto tinha por Sasuke e o quanto ele estava se arriscando ao lhe contar todos aqueles segredos.

– Não se preocupe Naruto-kun, o seu segredo está seguro. – ficou em silêncio. – Na primeira vez em que vi o Sasuke-kun o achei muito parecido com você. Fiquei preocupada por ter outro Uzumaki para roubar o meu coração. Ele tem o seu sorriso e os eu olhar. O Sasuke é seu filho, Naruto-kun. Apenas seu. Ele tem a sua essência, você deu a ele uma nova oportunidade para viver, ter uma família que o ama, ser cuidado e principalmente uma oportunidade de ser feliz. Ele não é o Uchiha.– deu um beijo em Naruto – Estou feliz por ter me contado, mas isso não muda nada. Sasuke para mim continua sendo seu filhinho e eu o amo por isso.

***

Nada do fizera adiantara. Não pudera salva-lo e perdera-o para sempre. Jamais veria aqueles olhos negros novamente. Jamais escutaria uma palavra de amor vinda dele. Sabia que era ilusão os sentimentos que mantinha por Sasuke. Sabia que a escuridão dele era grande demais para ser vencida. Sabia desde o momento que ele tentou matá-la. Mas não podia ver. Era como se traísse seu coração ao aceitar que Sasuke estava perdido para sempre, mesmo antes de morrer. A não aceitação da verdade tornou-a cega, obsessiva. Estava presa a tempo demais aquele sentimento para descartá-lo, para se ver livre dele.

Era doloroso. A cada dia estava mais deprimida. Não tinha ninguém para conversar, para consolar-lhe, para dar-lhe um pouco de esperança que a dor passaria. Estava sozinha, absolutamente só. E doía. A solidão doía mais que tudo, mais que o sonho perdido, mais que a verdade que não queria enxergar. Não recebia visitas, não tinha mais um emprego, não podia mais usar chacra, curar as pessoas. Tudo o que tinha agora era a presença de algumas enfermeiras que nunca conversavam com ela e por vezes seu psiquiatra, que parecia saber de tudo. Era irritante e deprimente toda essa situação. Já não aguentava mais ver as paredes brancas em vida, já não aguentava mais ficar em silêncio.

Perdera a conta dos dias que estava naquela clínica, não sabia mais em que época do ano nem que estação era. Ficava apenas naquele quarto. Não podia sair para os jardins. Não sentia o sol em sua pele há muito tempo, não via seu reflexo num espelho há uma eternidade. Queria voltar a fazer coisas que fazia antigamente. Queria sair com Ino, cuidar de seus cabelos, aparar as pontas, desembaraçá-lo. Queria voltar a fazer coisas normais, queria voltar a ter uma vida saudável. Queria ter uma nova oportunidade, queria conhecer um homem que a fizesse esquecer completamente de Sasuke, queria segurar um bebê em seus braços. Queria ter uma família novamente.

Queria que Naruto a perdoasse pelo que fez a seu filho. Agora depois de tanto tempo percebia o menino tinha tantas diferenças com o Sasuke. O brilho nos olhos, a forma como sorria, era tudo herdado de Naruto. Queria ter seus amigos de volta. Queria não ser olhada como um monstro, não queria mais os olhares de piedade.

_ O que está errado Rosadinha? Porque está chorando?

Sakura se deparou com o olhar penetrante de Yamashita, seu psiquiatra. Não tinha percebido as lágrimas até que ele falou. Levou suas mãos aos olhos para secá-los. Percebeu que suas unhas estavam mal cortadas, as cutículas por tirar, davam a suas mãos um aspecto desleixado, percebeu também que sua pele estava mais pálida que o normal.

– Algum vou ter autorização para ver alguma diferente dessas paredes brancas? – perguntou como um paciente de uma doença crônica perguntava se teria alguma oportunidade de cura.

– Vejo que alguém está deprimida hoje. – disse ironicamente, pois estava acostumado a lidar com as mudanças de humor de Sakura.

– Não seja hipócrita – suspirou ruidosamente. – Nem sei quanto tempo faz que eu estou aqui. Nem sei mais qual é a cor do sol, que época do ano estamos, que estação está para chegar. Olha para mim – exigiu nervosa – olha minhas mãos, elas estão horríveis, eu estou horrível. Nem sei como está meu cabelo minha pele. – As lágrimas voltaram a cair. – Eu não tenho ninguém para conversar, ninguém para se importar...

Estava pensando em chamar uma enfermeira para dar um calmante à Sakura, quando percebeu que esta estava diferente. Não falava mais no Uchiha há muito tempo. Pelo menos há seis meses, percebeu. Lembrou-se de quando ela foi internada. Foi de longe a paciente mais difícil que teve. Deu muito trabalho, nos primeiros meses, depois começou a ignorar todo mundo, ás vezes tinha algum ataque de nervos, mas nunca expos algum sentimento que não fosse relacionado com a morte do Uchiha. Fazia cerca de um ano que ela começou a falar de seus sonhos, da vontade que tinha de casar, de ter filhos, falava de como tudo foi planejado girando em torno do Uchiha e quando este traiu a Vila, ela começou a entrar em estado de negação. A situação piorou com a morte do objeto de sua devoção. E, quando percebeu que os amigos seguiam suas vidas e somente ela ficava presa a lembranças, aos sonhos ela teve um surto psicótico, que a levou a uma série de ações que a colocou internada em sua clínica.

– Onde estão seus pais? – perguntou incomodado pelas lágrimas. Só recebeu mais choro como resposta. – Se me disser, posso tentar com que veja eles.

– Eles morreram. – suspirou- Papai morreu quando eu era pequena, nem me lembro dele direito. Já a mamãe, morreu tem... – não sabia quanto tempo. – na invasão de Konoha, antes da guerra. Eu estava lutando e ela estava viajando, eu não me preocupei. Só fiquei sabendo que ela tinha voltado quando encontraram o corpo dela.

A situação da garota era complicada, percebeu. Ela estava sozinha e depois de dois anos internada na clinica só tinha aumentado a sensação de solidão da garota. Talvez fosse o momento de passar à próxima etapa do tratamento de inseri-la parcialmente ao convívio social, de fazer uma experiência para saber se ela estava realmente se curando. - Sabia que ainda faltava um longo caminho para que Sakura estivesse efetivamente curada e que quando esta saísse deveria manter a vigilância para não se afundar novamente, mas em seu intimo sabia que ela estava indo pelo caminho certo, que se recuperaria e que realizaria os seus sonhos. Mas antes havia um árduo caminho para seguir e se se recuperar antes de ir em busca se seus verdadeiros sonhos.

***

A família estava sentada sobre uma manta xadrez nas proximidades de um rio. Felizes, as crianças brincavam de atirar pedras no rio e ver quem conseguia fazer a pedra quicar mais vezes na água. Na manta o casal abraçava-se, olhando as crianças brincarem enquanto desfrutavam da companhia de si mesmos. — Era um reflexo de uma família feliz. E era a sua família – pensava Naruto.

Lembrava-se de como tudo começou, da missão que mudou a sua vida, que lhe deu seu maior presente: uma família. Uma família que começou com Sasuke, depois veio Hinata, depois veio Daiuske e em alguns meses a família aumentaria: Hinata estava grávida de cinco meses, agora de uma menininha. Estava feliz, finalmente feliz. Realizara todos os seus sonhos. Tornara-se Hokage, construíra uma família e era respeitado por todos na vila.

Também estava feliz por Sasuke ter tido outra chance. Com sua influência Sasuke não tinha nada de seu antigo rival. Sasuke se tornara um garoto gentil, feliz e que amava muito sua família. Com o apoio de Naruto e Hinata supera a insegurança e percebera que era amado incondicionalmente. E então florescera, tornara-se sem reserva o garotinho descrito por Itachi, amável e muito perceptível. Quando o irmãozinho nascera Sasuke se dedicara a ele, brincava com ele, protegia-o e o amava sem se sentir rejeitado pela atenção dispensada ao irmãozinho. Hinata também contribuíra muito para a felicidade de Sasuke nunca o deixando de lado e o incluindo sempre em todas as atividades, buscando a opinião da criança sobre os assuntos que discutiam e sempre a levando em consideração em consideração no momento de tomar decisões. Não dispensava mais amor ao filho biológico que a Sasuke e ficara muito feliz quando este a chamara de mamãe.

Sasuke contava agora com seis anos de idade e era um verdadeiro prodígio: muito inteligente para sua idade, mas não esnobava ninguém, não era arrogante, nem maldoso com aqueles menos capacitados que ele. Também tinha um séquito de admiradoras que o perseguia na Academia, mas este não as maltratava, apenas se divertia com a situação tornando todas suas amigas, bem como os garotos que muitas vezes sentiam ciúmes.

Com o seu amor Sasuke florescia em sua essência se tornando o que deveria ser desde quando nascera como um Uchiha: um garoto forte e inteligente, mas gentil com o próximo. Um garoto que tinha muito amor para dar aqueles que amava e que também recebia muito muito amor de sua família.

Enfim Sasuke encontrara a felicidade que merecia além de uma família que o amava e dera a Naruto o que ele também precisava: amor e uma família, tirara-o da solidão.

Fim...

Notas finais
A história chega ao fim... Obrigada a todos pelos comentários inspiradores e por terem acompanhado essa história.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!