Renascer - uma nova chance
8 Capítulo 8
RENASCER – UMA NOVA CHANCE
CAPÍTULO OITO
Hanabi adoecera. Fora diagnosticada com uma doença em que o único tratamento seria um transplante de medula. Exames foram feitos para descobrir um doador compatível. Os exames realizados em Hinata demonstraram que de alguma forma, o DNA dela não era compatível nem com Hanabi nem com Hiashi que também realizara os exames. O resultado fora comunicado à Hiashi que exigiu uma explicação. Mais exames foram realizados e foi descoberto que Hinata não é filha de Hiashi. A Hinata nada fora contado a respeito.
Hiashi fora o doador e Hanabi se recuperou tranquilamente, embora tivesse que ficar internada e em observação hospitalar. Com a filha ainda hospitalizada, Hiashi se voltou para Hinata. Chamou-a ao salão de selamento do byakugam sobre pretexto de treinamento. Quando ela entrou no salão Hiashi ativou um pergaminho de selagem de chacra e deixando a garota sem qualquer chance de defesa para o que se seguiu. A tortura durara horas, e atingiu vários pontos vitais de Hinata, perfurando órgãos e destruindo permanentemente alguns canais de chacra. Não satisfeito Hiashi a arrastou para o pátio e depois de reunir todos os Hyuugas do clã, a humilhou com palavras hostis e com selamento. Ativou o selo várias vezes e fez neste algumas modificações de modo a torna-lo mais prejudicial à Hinata. Quando se deu por satisfeito ordenou que ninguém a recolhesse. Hinata ficou exposta ao sol, à chuva, sem receber tratamento para suas feridas. Com custo Hinata conseguiu sair do clã. Foi encontrada por um grupo de Ambus próximo à floresta que circunda o clã Hyuuga.
Depois desse episódio, Hinata abandonara o clã. Hiashi tentara criar embaraços, mas devido a uma regra de que um Hyuuga podia deixar o clã se devidamente selado, suas ações foram suprimidas. Mas a sempre que ele ou algum outro Hyuuga cruzava o caminho de Hinata, zombavam e por vezes ativavam o selo. Mas nunca chegaram tão longe quanto a última ação de Hiashi.
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Naruto pensava no Tsunade lhe contara. Exigira a verdade e agora se preocupava com o futuro de Hinata. Sentia que ela sofria imensamente. Que toda a sua vida fora uma mentira e a todos que tentara agradar agora a tratavam pior que lixo. Sentia-se triste por ela, mas também a admirava. Eram poucas as pessoas que diante de fatos tão difíceis como esse se erguiam e tentavam seguir a vida de forma tão digna quanto Hinata.
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Não podia acreditar como fui cego. -A verdade estivera sempre a minha frente – pensava Hiashi enquanto observava alguns álbuns. Hinata quase não aparecia nas fotos. Principalmente nas que estavam ele, Hanabi e sua esposa. Sempre que se reuniam, ela encontrava uma forma de excluir Hinata do programa. Era como se não quisesse que Hiashi percebesse a diferença entre Hinata e Hanabi.
Lembrou-se de quando Hinata fora sequestrada. Sua esposa não parecera se importar. Até sugerira que enviassem a menina, que poderiam ter outros filhos. Na época Hiashi se escandalizara, mas pensara que sua amada esposa não se recupera da depressão pós-parto que a acometera logo após o nascimento da filha. Como consequência afastara Hinata da mãe, pensando que esta a perturbava. Deixara a criança a cargo de empregados. Lembrou-se também de quando Hanabi nascera que Hinata estava triste porque não podia ver a irmãzinha. Sua esposa falecera poucos dias depois do nascimento. Mas antes proibira Hinata de se aproximar da filha recém-nascida. Não conseguia acreditar que tudo fora mentira, planejado para que não descobrisse sobre a paternidade da menina.
As memorias doíam. Sabia que fora injusto com Hinata, que o que fizera fora errado. Doía ver o desespero nos olhos de quem um dia o chamou de pai, de quem um dia o amou incondicionalmente. Doía ver o desespero, o medo, a repulsa a falta de esperança. Doía ver que era preciso pessoas alheias a histórias interferir, mesmo que fosse um pirralhinho, para perceber que mesmo Hinata não sendo sua filha a amava. Doía ao relembrar que quando Hinata se formou genin, ele pouco importou com a possibilidade de ela ser machucada ou morte. Não se importou quando ela ficou hospitalizada depois da luta contra o primo, tendo quase falecido. Não se importara, até mesmo desejara que ela morresse, afinal não queria uma lembrança da imagem de sua amada esposa. Hinata era muito parecida com Yumi. Doía ver o quão parecidas eram e agora depois de vários anos perceber os traços que sempre tiveram ali, mostrando a verdade sobre a ascendência de Hinata.
Hinata sofreu, lembrava-se claramente de cada dia que a insultava e via a dor em seus olhos. Lembrava-se de como o tempo passou, de como Hinata cresceu, mostrou-se forte e o conquistou. Enxergou na filha a pessoa que ela era e não a figura da mãe. Foram bons tempos que foram destruídos por sua própria ignorância. Queria se redimir e buscar uma forma de ver aqueles olhos novamente alegres, puros e sem desconfiança. Mas não podia voltar atrás. Em sua paixão pela esposa, machucara Hinata quando criança. Em seu ódio pela traição da esposa, machucara e quase matara Hinata. Não havia como se redimir pela dor causada. Não havia nada que pudesse ser feito para consertar o que fizera, por mais que desejasse. Só podia garantir que Hinata vivesse em paz os anos que lhe restavam e que não fosse mais machucada pelos Hyuugas. Faria um decreto proibindo a todos de lhe causarem mal. Buscaria uma forma de livra-la da vergonha que a submeteu e a protegeria.
Lembrou-se da criança que estava com ela. Hinata, mesmo diante de todas as adversidades, venceu. Construiu uma nova vida, correu em busca de seus sonhos, estava feliz, mesmo que longe das pessoas que conheceu como família. _ Não– pensou– não somos a família dela verdadeiramente. Aquela criança do Uzumaki é muito mais próxima a ela do que jamais fomos. Eu e Hanabi nunca fomos sua verdadeira família. Pensava em como não foram próximas tanto como irmãs, mas também como ninjas, como pessoas. Hinata e Hanabi, não tiveram laços não apenas pela diferença de idades, mas também pelas ações de Yumi e por seu desejo de atender os desejos da falecida esposa. Hanabi nunca tivera o menor interesse por Hinata, por mais que esta estivesse disposta a ser próxima. — Hinata vivera sozinha, não posso deixar que agora que ela construiu uma vida para si tenha essa também destruída. Estabeleceu para si a meta de proteger Hinata, mesmo que a distancia e sem o conhecimento desta.
***
– Papai, é hoje que a tia Hinata sai do hospital?
– É sim. – respondeu Naruto que estava um pouco aéreo.
Estavam fazendo compras. Naruto estava distraído pensando na recuperação de Hinata que fora longa. Passara dois meses internada e nesse tempo fazia apenas três semanas que saíra do estado crítico. Tsunade lhe alertara que não podia mais exercer a profissão de ninja. Hinata ficara triste, mas parecia aceitar seu destino. Mas pedira para continuar na Academia, o que Tsunade concordou, afinal vinha fazendo um ótimo trabalho.
Pararam em frente a uma floricultura. Naruto sorriu ao ter uma ideia.
_ O que você acha de levarmos um presente para a Hinata? – perguntou apontando um arranjo de orquídeas azuis e brancas que estava exposto na vitrine. Ao que Sasuke sorriu satisfeito ao ver o interesse do pai.
***
Iria sair. Hoje. Não estava exatamente feliz por isso. Sabia que estava sendo egoísta, mas tinha medo do que pudesse encontrar ao voltar para casa. Sabia que por algum motivo que desconhecia os Hyuugas não a incomodariam mais, pois recebera uma notificação de Hiashi, comunicando-a do fato. Mas mesmo assim não se sentia confortável para voltar para casa. Lá estaria sozinha. Estaria sempre sozinha – pensou com melancolia. Um barulho interrompeu seus tristes pensamentos.
– Tia Hinata. – Sasuke entrou correndo no quarto e se jogou nos braços de Hinata. Ela o abraçou forte. – Estava com saudades de você.
– Sasuke cuidado, a Hinata ainda não pode se esforçar. – Repreendeu Naruto
_ Desculpe....
_ Está tudo bem – sorriu para Sasuke. –Também estava com saudades de você. – disse o abraçando novamente.
– Olha o que o papai trouxe para você. – mostrou o arranjo nas mãos de Naruto.
– São tão lindas – Hinata sorriu. Estava corada. – Obrigada, Naruto – kun.
– De nada– devolveu um sorriso também corado. _ A cor azul simboliza a cura, é para dar sorte a você.
Hinata mais uma vez sorriu em um agradecimento mudo e voltou sua atenção para Sasuke que estava em seu colo tagarelando. Naruto gostava de ver a interação entre os dois. A aceitação de Hinata o comovia. Tão diferente de Sakura – pensou triste ao constatar o carinho que Hinata dispensava ao seu filho. Enquanto os observava percebeu em Hinata uma pontinha de tristeza nos olhos perolados. Percebeu que ela também estava se cansando e não parecia muito animada com a perspectiva de receber alta.
Seus pensamentos foram interrompidos pela entrada de Tsunade. Naruto conversou com ela discretamente, relatando o que percebera.
_ Hinata – chamou Tsunade atraindo a atenção de todos no quarto – seu tratamento hospitalar está concluído, mas você ainda não está apta a ficar sozinha e precisa descansar.
– Eu não posso receber alta ainda, é isso?
_ Entenda seu caso é delicado...
– Ela pode ficar comigo e o Sasuke. Eu posso fazer meu serviço em casa, assim ela não precisa ficar internada e eu adianto o serviço burocrático da vila. – disse Naruto apressadamente.
Hinata e Tsunade olharam para Naruto.
_ A tia Hinata vai morar com a gente papai?– perguntou Sasuke animadamente
– Eu não quero atrapalhar. – falou Hinata, antes que Naruto respondesse.
– Mas você não atrapalha. Se o papai falou que você pode morar com a gente é por que ele vai ficar feliz com você lá. Não é papai?- perguntou a Naruto ao perceber que Hinata não parecia muito convencida.
– É claro que não atrapalha. – falou tranquilizando Sasuke e Hinata – Se a Hokage-sama permitir você pode ficar lá em casa.
Todos olharam para Tsunade que depois de suspirar acabou por concordar.
***
Era noite. Todos tinham se recolhido em seus quartos. Naruto não conseguia dormir. Pensava em como sua vida mudara em duas semanas. Antes era só ele e Sasuke. E antes disso só ele. Não tinha ninguém. Depois ganhou um filho, uma família e... agora Hinata. Parecia que ela integrava profundamente a família construída por ele e Sasuke. Sabia que ela nutria sentimentos por ele no passado. Sentimentos que na época não pode corresponder, mas que agora sentia necessidade de ter outra chance. De ter novamente uma declaração vinda de Hinata, de tê-la junto a si. Sabia que ela era tímida e que recentemente passou por muitos problemas. Sofreu bastante e tinha medo de magoa-se, mas queria tentar, queria ver um sorriso e um olhar radiante nos olhos perolados toda vez que a observasse. Queria uma nova chance, queria junto a si e Sasuke.
Se resolvesse tomar uma iniciativa com Hinata teria que contar a ela a verdade sobre a origem de Sasuke. Tinha medo da reação de Hinata, medo dela odiá-lo, mas tinha mais medo ainda de que ela machucasse Sasuke, por que de um modo pouco conveniente nessa história ele era absolutamente e ironicamente inocente.
Não sabia como agir, como dizer, como explicar a Hinata. A única pessoa que compartilhava da verdade era Tsunade e talvez ela pudesse ajudar. Procuraria ela depois que deixasse Sasuke na Academia. Pediria conselhos. Se ela não ajudasse agiria por conta própria, afinal Hinata era tudo aquilo que precisava para ter uma família completa. Mais um sonho realizado. Só esperava que Hinata o aceitasse e a Sasuke, pois de seu filho não abriria mão.
***
Não podia acreditar no que ouvia. Simplesmente não podia. Sentia — se traída, por Naruto, por Tsunade. Seu ódio ganhara uma nova roupagem Jamais podia perdoar Naruto por isso. Jamais conseguiria esquecer-se da dor que sofrera, das lágrimas que derramara. Jamais podia perdoa-lo pelo sofrimento vão que lhe causara. Saber que o amor de sua vida estava vivo a corroía. – sentimento de angustia a sufocava. – Não conseguia acreditar em como fora enganada. Em como a verdade estivera sempre ali, a sua frente e fora cega para perceber. Havia tantas semelhanças, embora disfarçadas. – suspirou. – Afinal Sasuke sempre fora um ótimo Shinob e Naruto simplesmente um fracassado retardado. Estava óbvio agora que tudo era um truque de Sasuke, uma forma de poder voltar a Konoha sem ser condenado. Ele enganara Naruto para conseguir tal feito- pensava. — Precisava toma-lo para si – pensava decidida- Afinal Naruto o teve por dois anos só para si. Agora era sua vez e Naruto não o teria mais, nunca mais. Não veria mais seu precioso filho. E não teria a oportunidade de dizer adeus.
Estava curiosa queria saber o resto da História. Pois ouvira apenas Naruto perguntar em como contar para Hinata sobre a verdade que envolvia a morte de Sasuke e o nascimento de seu filho. Não pudera ouvir o resto, pois sentira Tsunade verificar se havia alguém nas proximidades e realizar um jutso que impedia que estivesse de fora do escritório de ouvir o que passava lá dentro. Mas não importava, pois estava decidida a ter Sasuke para si ainda hoje, pois com apenas as palavras que ouvira concluíra que o filho de Naruto era Uchiha Sasuke.
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