Renascer

3 Seja bem-vindo, Sr. Potter


Notas iniciais
Olá, pessoal. Eu vou fazer uma prova próximo mês, então o próximo capítulo vai demorar pq eu tenho que estudar p caramba. Espero que gostem desse. Beijoos e me digam o que acharam. Ah, tenho outra fic aqui. É da nova geração, deem uma olhada caso se interessem :)

O resto do jantar passou como um borrão para Harry, ele não conseguia mais se concentrar, via Hermione mover os lábios, mas nada chegava até ele. Era como se estivesse voando muito alto, podia sentir seu coração batendo forte e a pressão nos ouvidos. De maneira mecânica tirou o cartão de crédito e pagou a conta, foram embora caminhando. Captava algumas coisas que ela dizia, algo sobre as filhas de Gui e Percy, casamento do Jorge, algo sobre o Ministério. Mas sua mente continuava anestesiada, uma parte da sua consciência sorria ao pensar que se um legilimente conseguisse penetrar só veria a névoa.

Ele não deu boa noite quando chegaram na casa, continuou caminhando até chegar ao quarto e fechou a porta com um banque deixando uma confusa Hermione para trás. Ele se sentia como nas suas primeiras semanas longe, ele passou quase três semanas apenas se alimentando através do serviço de quarto do hotel, as vezes assistia TV. Mas isso o fazia lembrar de sua família trouxa, se questionava se eles pensavam nele, se sentiam a mínima saudade. Harry sabia que não sentia, mas havia aquela pequena, quase insignificante parte sádica de seu ser que sentia falta de sua vida com os Dursleys, em tese a sua única família.

Ele já vinha se impedindo de pensar nos Weasley como família, por causa dele Molly e Arthur tinham perdido dois de seus filhos. Não seria injusto com os rapazes ou egocêntrico, sabia que eles tinham lutado por uma causa maior do que ele, mas sentia que se fosse um bruxo melhor, mais capaz, mais inteligente e habilidoso menos pessoas teriam morrido.

Ele não entendia o que queriam que ele fizesse. Há três anos ele não pegava em sua varinha e desde a Batalha não usava feitiços defensivos. Nem sabia se seria capaz de seguir rastros de magia ou o que quer que eles queriam que ele fizesse. Harry não se sentia capaz de fazer mais nada além de tirar livros de caixas, colocar preços nele e limpar estantes.

Ele torcia para que quando chegasse lá ficassem tão decepcionado com sua incapacidade que o mandariam de volta.

Hermione tinha preparado o café da manhã quando ele levantou. Tinha comprado tudo na padaria que ficava próxima a casa, já que a geladeira e os armários estavam vazios.

— Nós sairemos daqui uma hora. Suas coisas já estão prontas? – Hermione perguntou enquanto se servia de suco.

— Sim, podemos sair assim que acabarmos aqui, se você puder adiantar a chave de portal.

— Nós não iremos por meios mágicos, Harry. – Hermione falou com o cenho franzido. – Falei ontem, lembra? Não se pode mais entrar em Londres por meios mágicos, ordens do Ministro.

Não, ele não lembrava. Devia ser uma das coisas que ela falara enquanto estava com o pensamento longe. Ele apenas assentiu, não querendo que ela soubesse que não sabia do que estava falando.

— Nós iremos de avião, depois pegaremos um carro e vamos para minha casa. – Hermione foi repetindo o que disse na noite anterior. – Achamos que seria melhor você ficar lá, a outra opção era a casa do Gui, mas com a Nick tão pequena eles acharam melhor um lugar mais tranquilo. Olivia já é uma menina crescida, ela saberá lhe dar espaço.

— Olivia?

— Minha filha, Harry. – Hermione falou exasperada. – Você não escutou nada do que eu disse?

Ela se surpreendeu quando Harry se pôs de pé, ele parecia em dúvida sobre o que faria a seguir, mas sabia que tinha que sair dali.

— E-eu vou… eu tenho que terminar de ajeitar umas coisas.

Ele não entendia o que era aquele sentimento que o sufocava a cada vez que pensava em Hermione com uma família, a imaginava morando em um bairro trouxa, com uma casa trouxa. Seu marido seria um bruxo? Provavelmente alguém do Ministério. Sua filha… Olivia… ela teria os mesmos cabelos castanhos da mãe? Os mesmos olhos de chocolate? Ou seria parecida com o pai? Ele colocou o rosto no travesseiro e gritou. Foi molhar o rosto no espelho e percebeu que estava com os olhos marejados e o rosto vermelho. Tentou se recompor e um tempo depois Hermione veio lhe chamar para irem. Ele fingia que estava bem e ela fingia acreditar.

Ele passou toda o voo de olhos fechados, ele sentia Hermione tensa ao seu lado e pôde perceber pela posição de sua mão que ela segurava a varinha dentro do casaco. A sua também estava guardada dentro do casaco. Ele passou bons minutos encarando sua varinha, sentia uma magia estranha vinda dela, como se ela o reconhecesse, mas tivesse receio e isso o fazia fraquejar. A varinha de fênix sempre foi leal, mas ele a abandonou. Ela só precisa que você tenha confiança e que a tome como sua, como a primeira vez, disse Hermione. Ela pegou na mão dele e a guiou até a varinha e ele a pegou.

Inicialmente sentiu o conhecido formigamento nos dedos e viu fagulhas saindo da ponta da varinha.

— Lumus. – Recitou o feitiço e um sorriso surgiu quando a ponta da varinha se acendeu. Ele a guardou no casaco e lá estava desde então.

A viagem de carro foi mais tranquila. Nenhum dos dois falou nada por todo o caminho, mas o silêncio não parecia mais incômodo, aquela era uma situação estranha e eles teriam que se habituar a estarem juntos novamente, para isso precisavam rever seus próprios pensamentos antes de expressarem qualquer coisa, o silêncio era bom para pensar.

A casa dela foi como ele imaginou. Em um bairro trouxa, com crianças brincando em um parque próximo sob o olhar atento de pais e babás. Era uma bonita casa, tinha um jardim bem cuidado.

Ele foi acompanhando Hermione, mas ao se aproximar da casa se sentiu barrado pela magia. Tentou novamente, mas dessa vez levou um coque e se afastou.

— Hermione. – Harry chamou passando a mão no braço aliviando o incomodo, viu ela se virar e o olhar não entendo o porquê dele estar parado nas margens da propriedade. – Você pode liberar minha entrada, por favor?

Ela arregalou os olhos surpresa e pedindo desculpas agitou a varinha e Harry deu um passo cauteloso, mas quando não sentiu nada continuou caminhando. A porta da casa fora aberta e por ela passou um pequeno tufão agarrando Hermione pelas pernas.

— Mamãe – A menina gritou. – Estava morrendo de saudade.

Harry estancou olhando para a menina e ao perceber que era observada a menina voltou seus olhos para Harry. Sua postura mudou rapidamente, ela ficou olhando de Harry para Hermione e depois que a mulher assentiu ela caminhou decidida até ele e estendeu a mão.

— Olá, senhor. Eu sou Olivia Granger. – Ela falava com a língua enrolada a tornando adorável na visão dele. – Muito prazer e seja bem-vindo a nossa casa.

Harry pegou a mão dela e se abaixou ficando da mesma altura. O peso de seu estômago sumindo temporariamente, Olivia olhava para ele com um lindo sorriso e ele se sentia incapaz de não sorrir de volta.

— Oi, Olivia. Eu sou Harry Potter.

A menina sorriu envergonhada e olhou para a mãe que observava tudo.

— Eu sei quem você é.

Ela falara como se ele fosse bobo.

Harry se ergueu com a chegada de uma nova pessoa, e sentiu seu estômago afundar pensando que poderia ser o marido dela. Mas era apenas uma moça, talvez recém-saída da adolescência.

— Ah, desculpe, Srta. Granger. – A moça parecia envergonhada. – Ela saiu correndo e abriu a porta.

— Está tudo bem, Mellie. – Hermione fez com a mão como se aquilo fosse bobagem. – Mellie, esse é Harry Potter, Harry essa é Mellissa Tompson, é a babá da Liv.

Ela olhava para Harry e ficava abrindo e fechando a boca sem reação, seus olhos pregados no rosto do homem. A situação foi rapidamente apaziguada por Hermione que pediu para todos entrarem.

Ele observava a tudo atentamente, buscando qualquer coisa que pudesse direcionar o que tinha perdido nesse tempo. Havia inúmeras fotos de Olivia pela casa e desenhos infantis em quadros. Ele tinha percebido algumas coisas naqueles minutos, Mellie se referiu a Hermione como senhorita e Olivia disse que seu sobrenome era Granger. Ele não fazia ideia do que tinha acontecido, mas seja o que for as coisas não tinham acontecido como ele imaginara anteriormente, e ainda tinha o fato de Olivia ser uma criança grande, não podendo ter 5 anos ou menos.

— Estávamos fazendo panquecas. – Mellie falou. – Por isso demorei, tive que cuidar da panela quando Liv saiu correndo.

— Você tem que provar a panqueca dessas duas, Harry. – Hermione falou enquanto abraçava a filha. – Só a da Molly pode superar o sabor.

Harry via toda aquela cena como se tivesse fora de seu corpo. No canto tinha Hermione sorrindo feliz com Olivia presa entre seus braços, como se a ideia de se separar da menina fosse inconcebível, a criança matinha seus próprios braços presos aos da mãe, como se tivesse medo de se perder caso os soltasse. Elas se amavam, isso é facilmente perceptível.

— A vovó faz as melhores panquecas do mundo. – Olivia falou se referindo a Molly e isso o fez perceber o que Hermione falou antes sobre família.

Eles eram uma família. A questão é que Harry não sabia mais como se encaixava ali.