Quando eu morrer, se eu renascer gostaria de voltar como uma folha.

Na primavera eu seria a mais verde de todas, as outras folhas sentiriam inveja.

Quando chovesse poderia me deliciar com o sabor maravilhoso da chuva, sentiria os pingos frios caírem sobre mim, um à um. Tomaria banho de chuva e ninguém nunca poderia apontar o dedo e me chamar de louca, insana.

Quando o outono chegasse, eu mudaria de cor e junto com minhas irmãs, me soltaria de minha mãe e voaria livre, sendo levada pelo vento. Viajaria distâncias, percorreria o mundo inteiro. Acima das árvores e dos telhados, voaria junto às nuvens, chegando cada vez mais perto do infinito.

Quando o vento finalmente cesasse e eu tivesse que voltar para o chão , talvez alguém em algum lugar, estenderia a mão e me pegaria. Me enlaçaria nos dedos cuidadosamente. Essa pessoa talvez me usasse como um marca página, até que eu murxasse e me dissolvesse.

Ou talvez ela me transformaria em um amuleto e me desse para alguém especial, alguém amado. Esse alguém me teria e me protegeria como se fosse um tesouro.

Essa seria uma curta e bela vida.

Quando eu estiver morrendo, seja em um acidente ou velhinha na minha cama, não vou entrar em pânico. Vou respirar fundo, sentir pela última vez o ar entrar em meus pulmões. Talvez cante um pedaço da minha música favorita, quero me lembrar do ritmo e da melodia antes de partir. Vou estar com um caderno e uma lapiseira na mão com certeza, por isso estarei mais calma ainda.

Vou fechar os olhos, pensar no céu azul e no sopro de vento e imaginar que sou uma folha.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!