Renascença

1 Capítulo 1 - Recebo ajuda de um gentil senhor


Meu nome é Eddie Kewg, tenho 14 anos, e já se passaram 1 mês deis de que meus pais morreram em um acidente de transito, agora estou sozinho e sendo um fugitivo, pois obviamente saí de casa quando descobri que seria levado para o orfanato da cidade, aquele lugar é definitivamente um inferno, eles não sabem tratar bem um ser humano, bem... essas são as histórias que contam por aí, mas isso não vem ao caso, tudo que tenho que me concentrar agora é em fugir desse país, eu não pertenço mais a ele, minha identidade aqui morreu junto aos meus pais.

Eu acabei descobrindo que hoje às 18:00 um avião clandestino estará saindo daqui em direção à Londres, obviamente eu preciso de uma passagem, mas não vou me preocupar com os pequenos detalhes, meu pai sempre me dizia que eu era ótimo em me esconder, eu não sei exatamente se isso era para me animar, ou se era verdade, bom... irei descobrir isso hoje. Já são 17:40, é melhor eu me apressar se eu quiser chegar à tempo, descobri que esse lugar fica próximo à igreja, isso não é muito longe de onde estou agora. É difícil se lembrar de caminhos quando se tem 14 anos, mas posso me esforçar o bastante para chegar lá. Passo por várias ruas e calçadas até que chego à um ponto em que a igreja já está na minha vista, quando estou na frente dela, olho à minha volta procurando um lugar onde possa caber um avião, mas... este lugar não me parece grande o suficiente para isso. Ando mais um pouco até encontrar um velho senhor que andava por estas ruas sozinho.

- Poderia me dizer se o senhor saberia de um certo avião clandestino que está indo em direção à Londres? — Pergunto, sem perceber no quão estranha foi a questão.

- Por acaso você não seria jovem demais para tentar fugir desse jeito meu caro? — Ele me olha com uma afeição desconfiada como se eu fosse uma criança de 7 anos.

- Por favor, só responda a minha pergunta. — Tento não levantar meu tom de voz.

- Ora ora, você é um tanto rígido para um garotinho, bom... se você quer tanto ir para lá, siga-me.

- Bom... eu... eu não tenho dinheiro para a passagem...

- Uh, o menino selvagem precisa de ajuda desse velho... bom, eu já não tenho tempo o suficiente de vida para aproveitar, e aliás, esses voos clandestinos não são de um valor exagerado. Venha.

Ele me leva até um lugar que se parece com um posto de gasolina abandonado, ou um simples mercado de estrada. Dentro dele há diversos tipos de tralhas que definitivamente não servem para nada. Ele me guia até uma escada que leva até um compartimento extenso, e o que mais me surpreende é que, há uma grande população dentro dela. Lá, há uma grande quantidade de ônibus, parece que eles irão levar todas essas pessoas para os aviões.

- Pronto garoto, você já pode ir, seu ônibus é o G6, se apresse se não quer perdê-lo. — Diz ele sem saber se o que ele fazia era o certo.

- Ah... obrigado senhor. — Eu não havia reparado que ele havia ido comprar as passagens, fiquei muito admirado com tamanha quantidade de ônibus no local.

- Só mais uma pergunta garoto... você tem pais? É difícil acreditar que alguém que tenha uma família queira fugir do país sem nada...

- Bom... não... eles morreram... em um acidente de transito.

- Ah... entendo, meus pêsames. — O silêncio ocupa a conversa. Então, é melhor se apressar...

- Ah, é mesmo, obrigado senhor!

Ando por aquele corredor imenso até achar os compartimentos “G”, e saio em busca do número 6. Dentro dele, há cerca de 80 acentos, isso me faz pensar na quantidade de ônibus que me leva à pensar na quantidade de pessoas... Ele não possui a maior da luxuria, o que é óbvio, afinal, ele é um ônibus que estará me levando à um voo clandestino.

Depois de cerca de 20 minutos de espera para que todas as pessoas estejam dentro dos ônibus e prontos para partirem, os ônibus começam a sair, um por um, deis do A1 até o H9. -imagino a atenção que essa quantidade de veículos irá chamar nas ruas... Mas acabei me lembrando que alguns ônibus irão para aeroportos diferentes, afinal, cada um tem seu destino a seguir — Depois de andar até o fim do corredor, subimos por uma rampa que nos leva até a estrada em direção ao Litoral, onde pegaremos o avião. Olho pela janela observando a cidade na qual morei, e na qual minhas lembranças morrerão.

Pouco à pouco, as memórias vão aparecendo, memórias nas quais irei me livrar para não sofrer no futuro, afinal... é uma nova vida que terei de seguir quando chegar em Londres. Meu estômago ronca, não como nada à dias, e o pedaço de pão que serviram nesse ônibus não conseguirá alimentar nem ao menos um décimo da minha fome.

Acabo dormindo durante a viagem, e quando acordo olho pela janela e vejo a praia, enfim estamos no litoral, logo estaremos no avião. O ônibus entra no aeroporto, -não sei se é certo chamar isso de aeroporto... afinal, isso tudo é clandestino- o motorista pede para todos descerem, em fila de maneira organizada, saímos de lá e somos guiados rapidamente ao avião G6, não era de se esperar que isso era tão organizado e levado à sério. O avião é como o ônibus, nada elegante, porém confortável, e parece que cada avião será levado à um destino, percebi isso pelos nomes escritos do lado dos aviões, o avião F8 irá para à Austrália, o G2 ao Brasil e o H1 à França.

Poucos minutos se passam para que os aviões começam a decolar, há um certo tempo entre a decolagem de cada avião, cerca de 7 minutos para que o próximo decole. E se minhas contas estão certas, meu avião irá decolar daqui a muito tempo, cerca de 48 minutos, assim então decido dormir.

Quando acordo percebo que dormi tanto que já estamos nos ares, ao meu lado está sentada uma garota ruiva de olhos castanhos, ela tem uma aparência forte e decidida, e com um olhar rígido.

- Olá, meu nome é Eddie – Não sou bom em falar, mas tento ao máximo manter uma conversa, afinal, ela é uma linda garota.

- Olá. — Ela responde sem ao menos me olhar.

- Uhm... Er... como você se chama?

- Por que precisa saber? — Ela diz de um jeito como se quisesse me jogar daquele avião.

- Bom... eu só estava tentando puxar uma conversa... afinal, você estava parada aí, olhando para o nada sem um ar de...

- Madeline. — diz ela em um tom baixo.

- Desculpe, o que?

- Meu nome... me chamo Madeline. — ela mantém a força em sua voz.

- Ah, sim... que lindo nome.

- Não preciso de elogios.

- Bom... enfim, por que está em um voo clandestino? — tento ao máximo puxar assunto, com a menor esperança de uma resposta sincera.

- Meus pais, estou indo atrás deles. — O tom de voz agora parece triste, como se ela estivesse pensando em algo que a deixasse para baixo.

- Entendo, eu perdi os meus pais, estou indo para outro país tentar achar algo que valha a pena me fazer acordar feliz todos os dias, algo que me deixe bem assim como meus pais faziam. — Ela não responde e permanece com a mesma expressão.

Muito tempo se passa e o silencio de nós dois invade o ambiente até que olho para ela e percebo que a garota caiu no sono, decido fazer o mesmo, ainda há muito tempo de viagem pela frente.

Nos horários de refeições, Madeline não diz uma única palavra, sempre comemos em silêncio. Enfim a última noite chega, e me acomodo para dormir.

Percebo que agora estou em um campo... um campo de milho talvez, não sou um especialista em cultivos e essas coisas, mas parece que há mais alguém aqui, me levanto e me aproximo da pessoa, cabelos loiros desarrumados com mechas castanhas que vão da raiz até a ponta de sua franja cobrindo sua têmpora, olhos cor de mel que cativam a atenção de qualquer um, aparenta ter entre 14 e 15 anos, altura de mais ou menos 1,60 uma aparência que chama atenção de qualquer pessoa.

- Er... Olá... Onde estamos? — Ele ri. Bom, vejo que você também não sabe onde estamos... Qual o seu nome?

- T.

- T? Isso é algum tipo de apelido seu? É a primeira letra do seu nome?

- T! T! T! T! — Ele passa a repetir a letra sem parar, sem seguida começa a correr, eu vou atrás dele, então estamos nós dois correndo um atrás do outro até que ele para, ele faz uma sinal com a mão como se estivesse me chamando, eu chego perto, desse jeito ele me pega pelo braço e me joga no chão, antes que eu pudesse me levantar ele deita em cima de mim e me imobiliza, ele ri, não posso me mover, tento jogar ele para o lado mas a força dele é maior, depois de lutar para me soltar me canso, estou rendido, ele me olha fixamente até que começa a se aproximar, quando percebo suas intenções já é tarde demais, nossos lábios já se encontraram, sua boca é quente como fogo, penso em afastá-lo mas não resisto, acabo prosseguindo o que ele começou, ele solta meus braços, não estou mais imobilizado, posso jogá-lo para longe e fugir, mas não é isso o que quero, ele se afasta e continua me olhando nos olhos. Ele se levanta e dá sua mão para que eu me levante, eu aceito a ajuda, estamos de pé nos olhando sem dizermos sequer uma palavra, ele se aproxima mais uma vez, encaixa seu dedo indicador e polegar em meu queixo e me dá outro beijo, dessa vez mais rápido, ele vira as costas e foge, tento ir atrás dele mas por um motivo não consigo me mover, eu quero segui-lo mas não posso, há algo que me impede, mas algo a mais rouba minha atenção... uma voz, uma voz que cada vez mais fica mais intensa...

- Atenção, todos os passageiros se retirem do avião, repito: Todos os passageiros, retirem-se do avião.

Não pode ser, aquilo foi um sonho? É impossível acreditar que algo tão real como aquilo possa ter sido um sonho... T... T... Não posso ficar pensando em algo que não existe, devo voltar à realidade e sair daqui. Decolamos em uma pista nada confiável, obviamente não são feitos consertos nem reformas aqui, mas não tenho tempo de pensar nisso, devo correr em direção à cidade e procurar algo que me sustente por uns dias. Minha caminhada dura alguns minutos, tempo o suficiente para eu chegar à uma padaria, peço um pão, troco por umas moedas que recebi do velho senhor que havia conhecido antes e vou embora, dou umas mordidas no alimento e guardo um pouco para mais tarde. Quando chega a noite, decido dormir em um pequeno banco na praça do centro da cidade, dou mais uma mordida no pão e caio no sono, imagino se sonharei novamente com ele...

Quando amanhece não perco tempo, pego minhas coisas e parto para a caminhada, encontro uma estrada, decido segui-la, placas indicam que chegarei à uma vila conhecida como Vila Lomen, devo encontrar algum lugar para ficar por lá, e não imagino que algum policial venha a me capturar em um lugar tão afastado. Horas de caminhada se passam quando decido comer o último pedaço que sobrara do pão, isso deve me dar energias para continuar a andar. A noite chega mas penso que dormir será mais tempo perdido, decido fazer uma caminhada matinal, dormir sozinho em um lugar como esse não deve ser a coisa mais segura a se fazer.