Remnant of Weapon
4 Primeiro dia como mestre!
Notas iniciais
Eu vi Raven na varanda, ela parecia estar vigiando, eu fui até ela e fiquei ao lado dela na varanda.
Masaru: Oi, acordou cedo.
Raven: Tenho que acordar cedo pra poder proteger meu mestre desde cedo.
Masaru: Nossa. Que horas acordou?
Raven: Dez pras cinco.
Masaru: Nossa. Cedo demais, não acha?
Raven: Eu dormi bem mestre. E lembre-se do que combinamos.
Masaru: Tá, hoje você não dorme...-ele se toca de algo- Ah não...
Raven: O que foi?
Masaru: A faculdade. Eu tenho que ir pra faculdade e lá usa uniforme e se meus pais descobrem o que tá acontecendo pra valer não vai correr nada bem!
Raven: ... O senhor tem muitos amigos?
Masaru: Sim.
Raven: E amigas?
Masaru: Algumas, por quê?
Raven: Tem fotos com elas?
Masaru: Ok, me explica primeiro!
Raven: Eu posso mudar a forma das minhas roupas pra me misturar com a multidão quando preciso. É uma habilidade de camuflagem.
Masaru: É... Eu acho que tenho uma foto ou duas lá na faculdade. Elas inventam de pegar meu telefone e tirar fotos de mim.
Raven: Entendi.
Eu peguei meu telefone e abri uma das fotos era de uma colega minha fazendo pose perto de mim, nada demais. Assim que ela viu, a roupa dela se transformou por completo no uniforme, desde a blusa branca, à saia preta e o tênis vermelho forte. Ela ficou bem com o uniforme do colégio... Apesar... Da blusa dela ter ficado meio aberta deixando o laço um pouco pra baixo...
Masaru: Nossa...
Raven: O que foi mestre?
Masaru: Hum? Ah, nada, é que... Você ficou parecendo mesmo do colégio. Você... Ficou bem... Bonita até...-disse meio corado-
Raven: Obrigado, assim me passo mais facilmente como uma aluna. Acho que o senhor devia se vestir também.
Masaru: Ah, eu costumo tomar café primeiro.
Raven: Está bem, irei acompanha-lo.
Eu desci junto dela e me sentei a mesa, minha irmã e minha mãe me olharam sérias.
Masaru: O que?
Chikka: Sério, não podia colocar uma roupa mais decente? A sua amiga tá com a gente agora, sabia disso? Por que... Sabe, você não tá vestido apropriadamente.
Masaru: Hã? Ei, eu to bem apropriado, entendeu!? Seria inapropriado se eu estivesse só de cueca, viu?!
Sayuri: É, mas sabe... Por questão de educação...
Raven: Pra mim não tem problema nenhum. Meu irmão andava de pijama pela casa todos os dias.
Sayuri: É, mas alguém da sua família é diferente. O Masaru não é nenhum parente seu.
Raven: Na verdade, ele é como um irmão pra mim. E é só um pijama.
Masaru: Viu? Ela não liga.
Chikka: Certeza de que não se gostam?
Masaru: Absoluta.
Chikka: Ficaram juntos ontem?
Masaru: NÃO!! E onde é que você tá aprendendo essas coisas menina?!
Chikka: Eu não sou mais criança. E você iria se surpreender com o que minhas amigas falam que veem vez ou outra.
Masaru: O que fizeram com a vida dessas crianças?...-disse massageando a testa-
Sayuri: Ah sim, Masaru, você já decidiu como você vai comemorar seus vinte?
Masaru: Não e nem sei se pretendo. Porque a pergunta?
Sayuri: Pra saber, pra gente já ir planejando tudo.
Masaru: Ah. Eu acho que não pretendo.
Sayuri: Mas você vai estar ficando adulto!
Masaru: E?
Sayuri: Achei que quisesse comemorar.
Masaru: Comemorar o que? Comemorar que eu já tenho idade pra beber?
Sayuri: Não, comemorar que você já está se tornando um adulto completo.
Masaru: Bem, eu não to muito interessado nisso.
Sayuri: Sério?
Masaru: É! É sério mesmo!
Sayuri: Ah... Raven, qual sua idade?
Raven: Hã? Ah... Eu vou fazer vinte e um esse ano.
Sayuri: É? Meus parabéns! Fez alguma comemoração de vinte anos?
Raven: Hã? Ah... Minha mãe... Era brasileira na verdade. Por isso, só vou ser socialmente considerada adulta quando eu tiver vinte e um anos. Ainda não sou adulta por completo, então não cheguei a fazer comemoração.
Sayuri: Sério?
Raven: Sim. No Brasil, vinte e um te faz um adulto socialmente. Vinte só te dá permissão pra dirigir.
Sayuri: Sério? Não sabia disso...
Raven: É, afinal, o Brasil não é muito... Bem... Influente.
Masaru (pensamentos): De onde diabos ela tira essas coisas?...
Logo depois daquela conversa esquisita que tive tanto com minha mãe e irmã, quanto com a Raven... Eu entrei no quarto pra me vestir... E a Raven veio logo atrás de mim.
Masaru: ... Esqueceu algo?
Raven: Não, mestre.
Masaru: Então porque você tá aqui?
Raven: Tenho que vigiar você em todo e qualquer momento.
Masaru: Vigia do corredor, porque eu vou me trocar...
Raven: Eu tenho de estar no mesmo cômodo que o senhor.
Masaru: Ok, então... Se eu tiver que tomar um banho, você vai inclusive lavar minhas costas?! Vai me ajudar a me secar e vai ficar na minha frente pra me proteger do frio quando eu sair do banheiro?!
Raven: Há limites mestre, mas se quiser, eu ignoro todos para sua completa e absoluta proteção, meu mestre.
Masaru: ... E-eu... Eu só... E-eu só tava brincando!! Não falei pra valer!!-disse corado-
Raven:-suspiro- Mestre, o senhor simplesmente vai trocar de roupa, pra que tanta vergonha? Nunca teve uma namorada e nunca se trocou na frente dela?
Masaru: ...-olha pro lado corado e envergonhado-
Raven: Nunca se trocou na frente de sua namorada?
Masaru: ...-ele cora mais-
Raven: ... Já chegou a... Ter uma?
Masaru: ... N-não... Não uma séria... Só durava pouco mais de um ou dois meses...-disse com a cara completamente vermelha-
Raven: Então, nunca chegou a se trocar na frente delas?
Masaru: Não...-disse fazendo que não com a cabeça-
Raven:-suspiro- Está bem, mestre.
Ela foi pro corredor e eu soltei um suspiro aliviado, o que mais me envergonhou foi que eu de fato tive que falar a verdade. Já fiquei uns dois meses com umas garotas, claro, cheguei a beijar elas todas, mas nunca cheguei a ter nada sério ou a senti algo realmente “forte”. E com isso, eu quero dizer que... Acho que eu nunca senti que elas fossem... Sabe... “A” garota. Eu meio que procuro uma garota que não ligue de eu ficar brigando, que seja bonita, óbvio, que saiba cozinhar, que seja gentil... E... Que me apoie em qualquer coisa que me venha em mente. Mas, é difícil achar quem te complete. Eu coloquei o uniforme que era uma camisa branca, uma calça cinza e sapatos pretos, eu deixei a camisa branca aberta e tava usando uma regata vermelha por baixo, coloquei também luvas de couro com os dedos cortados, eu peguei minha mochila e falei a Raven que podia entrar.
Raven: ... Você fica bem com essas vestes, mestre,
Masaru: Hã?
Raven: O senhor fica bastante bem com essas vestes. -disse com um sorriso sincero-
Masaru:-ele cora- O-obrigado...
Raven: Nossa, dessa vez não me deu sermão por falar isso.
Masaru: Hã? Ah, dessa vez, foi justo, afinal, eu falei que você ficava bem no uniforme, você só... Retribuiu o que eu falei, mas o que você tinha me falado ontem era algo completamente diferente.
Raven: O que diferencia um elogio do outro.
Masaru: Ah... Você falou que eu fico bem nessa roupa, é diferente de você me achar bonito com qualquer roupa...-ele pega dois livros- Pega. Leva esses livros pra minha mãe achar que você tá realmente indo pra faculdade comigo.
Raven: Entendido.
Masaru: Vamos...
Nós descemos e fomos indo, assim que viramos a esquina, ela colocou os livros na minha mochila e a roupa dela mudou. Depois disso, ela pareceu me seguir pulando de prédio em prédio... Era meio esquisito. Assim que eu cheguei no colégio, foi a mesma coisa de sempre... Um amigo meu me irritando com conversas idiotas e uma amiga minha mandando diretas pra dizer que gosta de mim. Ela é legal e tudo mais, mas eu não gosto dela nesse sentido.
???: Ei, ei, ei, Masaru!! Você ouviu sobre o meteorito que caiu perto do parque que você derrubou aqueles caras?!-berrou um de cabelo vermelho-alaranjado de olhos pretos- Hein?! Hein?! Hein?!
Masaru: Cala a boca Amano... Você ainda vai estourar meus tímpanos.
Amano: Mas é que--!!-ele é interrompido por uma garota de cabelos roxos e olhos cor azul marinho o soca-
???: Mas nada!! O bom mesmo é que você está bem, meu amado...-disse toda corada-
Masaru: Quantas vezes eu tenho que te dar um fora Haruka?
Haruka: Shh!-disse colocando seu dedo sobre os lábios de Masaru- Não fale nada!! Sei que deve ter sido traumático ver sua vida passar diante de seus olhos, amor... Mas não se preocupe!-ela abraça o pescoço dele- Você tem a mim, sua preciosa esposa!
Masaru: Primeiro de tudo, a gente nem namora e eu sequer sinto algo desse tipo por você. Segundo!-ele a afasta- Não foi nada traumático porque eu tinha ido pra outro lugar!-disse irritado-
Haruka: Que cruel~~! Mas ainda amo você incondicionalmente!!
Masaru: Você tá fora de si, certo!?
Haruka: Estou fora de amor!!
Masaru:-gota- Tá na terra pelo menos?
Amano: Já sabe que é impossível uma vez que ela sai da terra, né?
Masaru: Sei.
Amano: Então porque ainda tenta?!
Masaru: Ainda crio falsas esperanças, ok?
Amano: Aliás, no ônibus eu te vi com uma garota gata demais!!
Haruka: QUE!??!?! QUERIDO!! Você está me traindo!? E nossos futuros filhos!?!?
Masaru: Que futuros filhos o que!? A gente sequer se beijou!!
Haruka: POR ISSO “FUTUROS”!!!
Masaru: Futuros o caramba!
Amano: UÁU!! Gata à uma hora!!
Eu olhei pra porta pra ver a tal gata que ele falou. Era a Raven, ela tava usando o uniforme do colégio, o que diabos ela tá fazendo aqui?! Eu entrei num desespero interno por causa dela. E todo mundo da sala olhou ela. E com todo mundo eu quero dizer todos os garotos da turma. Eu não entendi porque, mas eu detestei o fato de eles inventarem de olhar ela daquele jeito e de babarem tanto... Era completamente sem noção e razão. Ela veio até mim, Amano tava literalmente babando e a Haruka tava olhando muito feio pra ela.
Raven: Olá, Masaru. -disse com um sorriso-
Masaru: O-oi Raven.
Haruka: Hã?! Você tá me traindo?! Como é que você conheceu essa... Essa... Piranha?!
Raven: Ora, não me falou que tinha namorada, Masaru.
Masaru: E não tenho, é só uma maluca que não tem a menor noção do que é respeitar o espaço de uma pessoa, além de ser uma maldita stalker.
Amano: INACREDITÁVEL!!!!!
Raven: Hã?
Amano: UMA DEUSA!! UMA FADA!! UMA SEREIA!! UM ANJO!!!-berrou segurando as mãos de Raven- VOCÊ É A MULHER QUE EU TANTO PROCURO, SEJA MINHA!!!
Raven:-gota- Hã?...-disse confusa-
Masaru: Esse é o Amano. Um amigo meu, além de um idiota completo.
Raven:-ela enfim consegue soltar suas mãos das dele- Lamento... Amano, mas você definitivamente não faz meu tipo.
Amano: POR QUÊ?!?!!? AH!!!! Já sei!!! Seu tipo é o Masaru!!
Raven: O que? Não. Eu o vejo só como um amigo!
Amano: ENTÃO PORQUE NÃO FICA COMIGO!?
Raven: Porque não sinto absolutamente nada por você. Minha razão de vida é outra...-ela olha para seu mestre com o canto dos olhos- E eu pretendo proteger essa razão, custe o que custar, mesmo que eu tenha que dar minha vida por essa razão.
Foi meio estranho ouvir ela falar aquilo... E mais estranho... Foi o fato de eu meio que... Me sentir um pouco bem vendo o quanto ela se importa comigo. Era estranho. Mas a Haruka...
Haruka: DESGRAÇADA!!!!! PARE DE FICAR OLHANDO PRO MEU FUTURO MARIDO!!!!!
Masaru: Para de falar isso!!
Haruka: Mas querido-!-ela é interrompida por Masaru-
Masaru: Mas nada!! Eu não gosto de você nesse sentido, vê se acorda!!
Haruka: M-mas...-ela faz cara de choro-
Masaru: Hã... Haruka?
Amano: Você tá bem?!
Haruka: ... Que... Que declaração disfarçada mais linda!!!
Masaru: Ah!! Droga!!!
Raven: Se me permite dizer, acho que você está afirmando tudo da maneira errada.
Masaru: Hã?
Raven: Ainda tem certa gentileza em seu tom e não olhar nos olhos dela talvez ajude um pouco. -cochichou a ele-
Masaru: Você acha?
Raven: Sim, dizer que não tem tal sentimento “nesse” sentido por ela vai fazê-la pensar que na realidade você tem.
Masaru: Isso é com todas as mulheres?
Raven: Não. Só ela.
Masaru: Ah. Então como faço pra acabar com essa história idiota?
Raven: Seja frio com ela.
Masaru: Aí é cruel demais! Ela é minha amiga!
Raven: Não há importância. Você quer que ela entenda que não há nada entre vocês, não que ela continue se iludindo com você.
Masaru: Hum... Sei não...
Raven: Não há escolha.
Masaru: Vou pensar nisso...-gota-
Eu vi dois lugares lá em cima, ninguém costumava se sentar porque o professor costuma prestar mais atenção naquele canto especifico, mas... Eu me levantei e acompanhei Raven, Haruka protestou isso tudo enquanto eu me levantava. E se não fosse o chute que eu pedi a Raven para dar na cara dela, eu estaria preso lá. Assim que o professor entrou, a aula começou. Hoje era leitura, por isso pude tirar umas verdades dela enquanto todo mundo lia.
Masaru: O que é que você tá fazendo aqui?
Raven: Eu me inscrevi nessa faculdade pra cuidar melhor do senhor.
Masaru: Não precisa. Esse lugar é bem seguro, e isso eu te garanto.
Raven: Mesmo que haja autoridades competentes, eles não conseguem vencer os Gene S. Não vão te proteger adequadamente.
Masaru: Você tá exagerando. Eles podem muito bem proteger as pessoas. Eles têm armas. Vai por mim, tá se preocupando a toa.
Raven: Minhas armas são carregadas com uma combinação das Materias Fire, Ice e Bolt. Não tem como armas e balas comuns fazerem o mesmo estrago.
Masaru: Materia? O que é uma Materia?
Raven: É a energia Mako condensada. Quando voltarmos pra casa, irei lhes mostrar.
Masaru: E o que é energia Mako?-gota-
Raven: É a energia vinda do Lifestream. E antes que pergunte, Lifestream é aonde as almas vão logo após sua morte e ficam lá até essas almas reviverem.
Masaru: Ah, é tipo o céu ou coisa do tipo?
Raven: Irrelevante. “Céu” e “inferno” são apenas lendas tolas para as pessoas que passaram ou não pro Lifestream.
Masaru: Hã? É sério?!
Raven: Sim.
Masaru: Ei, Raven, há quanto tempo você vive? Quer dizer, aquela coisa de você ter dezenove anos é só uma desculpa, certo?
Raven: Sim, de fato. Na realidade eu teria mais ou menos a idade desse planeta.
Masaru: Que?!
Raven: Mas 98% da minha vida foi hibernação. Os dois por cento que eu vivi lutando por meus mestres é o que contam.
Masaru: Hum... Então no geral, você tem mesmo dezenove?
Raven: Não na realidade. O máximo que eu lutei foram dezessete vezes. Dois anos eu não pude fazer absolutamente nada.
Masaru: Como assim?
Raven: No primeiro, eu acabei tendo de lutar de cara com o mais poderoso. Eu acabei morrendo na hora, e no segundo ano, foi no problema de Midgar. Eu tentei avisar os humanos e acabei morrendo por causa do canhão de Junon.
Masaru: Você tinha morrido? Então como você...?
Raven: O Lifestream é mais acelerado para um Weapon. Revivemos mais rápido que os humanos, por isso nós podemos lutar de tempos em tempos.
Masaru: Hum... Então, você e eu temos a mesma idade?
Raven: Provavelmente.
Masaru: Legal. Aliás, como é que você conseguiu entrar aqui tão na boa?
Raven: Um pouco de manipulação mental sempre ajuda.
Masaru: Sério?
Raven: Sim.
Masaru: Nossa. Até isso você faz.
Raven: E não é só isso. Sei de mais algumas coisas.
Masaru: Que coisas?
Raven: Cada qual com seu tempo.
Masaru: Tá bem! Tá bem.
Raven: Então... É assim que é?
Masaru: O que?
Raven: Alguém ensinar o que você quer ser da vida e ter uma escolha.
Masaru: Como assim?
Raven: Eu não tive opções sobre o que ser e sequer tive quem me ensinasse como ser.
Masaru: Isso é triste...
Raven: O senhor acha?
Masaru: Acho. Não ter opção do que quer ser da vida é muito triste. É o mesmo que alguém lhe forçar a ser desse jeito.
Raven: Basicamente.
Masaru: ... O que... Você queria ser de verdade?
Raven: Como?
Masaru: Você queria ser algo, certo?
Raven: S-sim, mas isso é irrelevante para meu mestre...
Masaru: Pra mim não. Fala.
Raven: ... E-eu... Eu queria... S-ser uma humana.
Masaru: Uma humana?...
Raven: Sim. Uma humana.
Masaru: Por quê?
Raven: Porque eles são livres pra decidirem o que ser... O que fazer... Eu gostaria de ter essa liberdade...
Masaru: Legal... Quem sabe quando... A guerra acabar, você possa deixar de ser uma Weapon... Né?
Raven: Provavelmente não. Só se algo me mudasse drasticamente.
Masaru: É? Então tem uma chance. Mas... O que te fez querer ser humana?
Raven: ... Anos atrás, enquanto ainda estava em meio a uma guerra dessas, meu mestre me mandou ir em uma espionagem pra saber a localização de um inimigo e... Eu vi um casal de idosos juntos... Eles pareciam ainda ter amor um pelo outro mesmo estando acabados e terem passado tantas coisas juntos... Eu meio que... Quis isso pra mim um dia... Queria ser humana pra conhecer o cara dos meus sonhos e pra viver uma vida plena e feliz com ele... Sinceramente... Eu não quero ter que reviver e lutar. Eu quero... Conhecer alguém... Me apaixonar... E ficar com essa pessoa e envelhecer com essa pessoa. Quero morrer ao lado de quem eu goste.
Masaru: ... Sabe... Na realidade conhece emoções.
Raven: Talvez... No geral, amor é uma tolice, mas... Ah... É algo bonito de se sentir, acho...-ela olha Masaru-
Masaru:-ele cora- H-hã...
Raven: O senhor estava certo.
Masaru: S-sobre o que?
Raven: Sobre se apaixonar.
Masaru:-ele cora mais- C-como assim?
Raven: Na realidade eu acho que...-ela olha pela janela e vê um casal feliz andando com um bebê no carrinho- Meio que quero sentir isso algum dia.
Masaru:-o rubor das bochechas dele passara e ele abriu um sorriso leve- É bom que queira sentir isso.
Raven: Já chegou a sentir isso?
Masaru: Pensei ter sentido isso por todas as meninas que eu fiquei. No fim, era só uma paixonite boba. Nada demais. Achei elas bonitas e pensei que eu me apaixonei.
Raven: Nunca sentiu isso de verdade por ninguém?
Masaru: Não, mas não quer dizer que eu não queira...
Raven: Então pretende achar quem você realmente gosta?
Masaru: Sim.
Raven: E a sua amiga? A tal Haruka?
Masaru: Não sinto isso por ela. Pra mim ela é só uma amiga. Quer dizer, não to dizendo que ela é feia, mas... Ela não faz meu tipo.
Raven: Tipo?
Masaru: É. Como você quer que a pessoa seja pra você.
Raven: Ainda não compreendo.
Masaru: Por exemplo... Eu no meu caso, quando achar uma garota perfeita pra mim, eu quero que ela saiba cozinhar, porque eu sou péssimo e... Quero que ela goste de mim, não importando o quanto eu brigue. É mais ou menos isso.
Raven: Ou seja, como você quer que a pessoa seja?
Masaru: Exato.
Raven: Hum... Nunca pensei nisso.
Masaru: Viu? Agora pode começar a pensar sobre como você quer que sua pessoa perfeita seja... Entende?
Raven: Acho que eu tenho alguma ideia de como eu o quero.
Masaru: É?
Raven: Sim.
Masaru: Legal, isso é bom. Agora, você precisa procurar por ele.
Raven: Eu não posso. Pra isso, eu precisaria ser humana.
Masaru: ... Em questão de sentimento, você é. Você quer se apaixonar, quer viver com alguém que você goste profundamente e quer viver feliz. Essas são as emoções mais comuns do ser humano. Todo mundo quer conhecer quem ama e viver com essa pessoa. Isso faz de você um pouco humana...
Raven:-ela abre um sorriso leve- Obrigada por pensar isso.
Masaru:-ele cora e olha pro livro- S-só to falando a verdade...
A aula inteira... Eu não parei de pensar no sorriso dela... Era bonito e perfeito... E... Fez meu coração bater muito... Muito forte... Na hora da saída eu não consegui olhar pra ela... Fiquei pensando no sorriso que ela tinha. Teve um momento em que estávamos sozinhos na rua... Naquele momento... Ouvimos algo estranho. E no segundo seguinte... Algum tipo de sombras... Aquele devia ser o tal Gene S que ela falou.
Masaru: Raven, aquilo...
Raven: Sim...-ela volta às roupas normais e saca sua espada- Gene S. Mestre, se esconda, por favor.
Masaru: Não, eu vou lutar!
Raven: Mas mestre, eles...-ela é interrompida pelo seu mestre-
Masaru:-ele agarra o braço dela- To nem aí, não vou deixar você lutar sozinha!
Ela se tornou aquele vulto de novo e me envolveu... Ela me levou pra um beco e ergueu a mão aberta na minha frente. Ela falou “Barrier” e no segundo seguinte... Um tipo de barreira me cercou...
Masaru: E-ei! O que é isso!?
Raven: Só teria uma chance caso tivesse algum tipo de poder ou habilidade com espada ou armas. O senhor só tem habilidade na luta corpo a corpo, e não é suficiente.
Masaru: Mas-!
Raven: Mas nada! Minha missão é protegê-lo. Não vou deixar você se machucar.
Ela pulou para lutar com eles e... Eu odeio admitir, mas ela tava certa. Aqueles caras usavam duas espadas, ela teve que pegar um dos revolveres para poder se proteger. Ela passou quase toda a batalha como um vulto... Em determinado momento, todos tentaram acertar ela, mas ela pulou pra cima com as asas negras dando impulso pra ela poder sair de lá ilesa. Ela ergueu a mão e gritou “Ultima”. A mesma luz verde da última vez foi até eles e acabou com eles. Quando ela encontrou o chão, a barreira que me cercava sumiu. Eu me levantei e fui até ela. Quando me aproximei suficiente... Dei um belo soco na cabeça daquela idiota!
Masaru: VOCÊ É BURRA, É?!
Raven: Como é que é?! E o que foi que eu fiz?!
Masaru:-ele agarra a gola da roupa dela- Você viu a quantidade daqueles bichos?! Da próxima vez que tiver tantos assim, não me coloque atrás de um escudo ou sei lá o que era aquilo!-disse irritado- Eu só entrei nessa pra lutar. Não quero ficar atrás de uma barreira idiota, quero poder enfrentar eles!
Raven: Mas mestre...-ela é interrompida por Masaru-
Masaru: Mas nada! Isso... É uma... Ordem...-suspiro- Eu não gosto de falar isso...-ele larga o braço dela- Não quero ter que falar isso. Não gosto do som que isso tem. Por favor, não me faz ter que falar isso.
Raven: ... Entendido...
Masaru: Valeu... Vamos pra casa.
Raven: Sim, mestre.
Assim que ela mudou as roupas pro uniforme do colégio, nós fomos andando, ela ao meu lado... Eu não sabia o que me passava. Quando ela me elogiava, sorria pra mim... Eu sentia meu coração bater forte pra caramba. Eu nunca cheguei a sentir isso tão forte... Eu olhei ela pelo canto do meu olho... Ver o perfil dela... Só isso me deixava louco... O que é que estava acontecendo comigo?! Por que eu... Porque eu sentia aquilo? Por que...? Será que... Não. Definitivamente não!! Não pode ser... Gostar “dessa” forma de alguém tão facilmente e tão rápido... Não. Não, não, não, não! Eu só acabei achando ela bonita além da conta, é só uma paixonite. Se eu ficasse com ela, com um mês e poucas semanas nós íamos terminar, aposto!... É... Quando a gente chegou na esquina que tem antes de casa, eu dei os dois livros pra ela... Assim que a gente entrou, minha mãe chamou ela pra conversar e eu fui pro meu quarto.
Eu me joguei na cama e fiquei pensando em tudo que houve hoje... Eu me senti feliz por ela se importar tanto comigo, acabei gostando do sorriso dela, achei ela bonita mesmo de perfil... Eu fiquei me perguntando o que se passava comigo. Tudo o que eu mais queria era... Ela ao meu lado... Eu me sentei irritado comigo mesmo... Na real, era uma porcaria gostar de alguém... A gente se tortura pensando na pessoa... Não se consegue pensar em mais nada... É ruim... Ao mesmo tempo em que... É muito bom... É essa a principal parte boa e ruim de se apaixonar. Eu queria não sentir isso como a Raven... Mas... Ela parece não gostar de não sentir isso... Ela parece... Querer desesperadamente... Ter emoções. Não deve ser tão bom assim... Ela pode não sentir aqueles sentimentos negativos que irritam a gente, mas... Ela não pode sentir amor, felicidade, tristeza, raiva, nem nada... É triste demais... Quando ela entrou no quarto...
Raven: Está tudo bem mestre?
Masaru: Hum? Ah, sim... Por quê?
Raven: Você parece meio frustrado.
Masaru: Ah... É que eu bati meu pé sem querer na porta quando eu entrei e doeu, na verdade ainda tá doendo um pouco...
Raven: Há algo que eu posso fazer?
Masaru: Hã? Ah, não. Não precisa. Não é... Nada demais...
Raven: Tem certeza, mestre?-disse com uma face preocupada-
Masaru: A-absoluta...-disse corado enquanto olhava pro chão-
Raven: Você tem certeza mestre?-ela se senta ao lado dele fazendo-o corar mais-
Masaru: T-tenho.
Raven: Mas seu rosto está vermelho. -ela o faz olhar pra ela e coloca sua mão na testa dele fazendo-o ficar ainda mais corado- Tem certeza de que não está com febre?
Masaru: É-é claro que tenho!!-disse tirando a mão dela da testa-
Raven: O senhor está vermelho demais.
Masaru: N-não é nada, agora vai lá pro corredor que eu quero me trocar!!-disse empurrando-a pra fora do quarto-
Raven: O senhor parece nervoso.
Masaru: S-só fica aí no corredor e deu!!
Assim que ela estava no corredor, eu me escorei na parede e me sentei no chão... Eu ainda sentia a mão dela na minha testa... Droga... Gostar de alguém é bom, legal, mas ao mesmo tempo é ruim por ficarmos nos machucando por qualquer coisinha mínima... Eu sinceramente acho ruim. Tá, eu falei que amor é um sentimento nobre e bonito, mas nunca falei que paixonite é bom. Eu me levantei e coloquei uma roupa mais confortável. Eu chamei ela pra entrar e... E eu vi ela usando um vestido preto de manga comprida que deixava os ombros dela a mostra. Eu fiquei meio corado com ela.
Raven: Tem certeza de que está bem, mestre?
Masaru: Absoluta e nem tente ver se eu to com febre.
Raven: Mas...-ela é interrompida por Masaru-
Masaru: Já falei!
Raven: ...-suspiro- Então está bem então, mestre. Mas se for uma gripe de verdade, não me culpe.
Masaru: Tá bem! Tá bem. Aliás, sobre o que minha mãe falou com você?
Raven: Foi um pouco estranho. Ela falou algo sobre eu e o senhor e...-ela é interrompida por Masaru-
Masaru: Já vi tudo! O que foi que ela te disse? Foi sobre o que? Namoro? Casamento? Filhos?! Hein!? Foi sobre o que!?
Raven: Ela só me perguntou se eu não queria trocar de quarto e dormir no da sua irmã.
Masaru: ... Ah... Faz sentido... Desculpa esse... “Surto”. É que ela tem me deixado louco com essa história de eu “gostar” de você.
Raven: Mas só se passou um dia.
Masaru: É, mas ela adora mencionar isso! Agora... Vamos mudar o assunto. Me fala sobre os outros quatro Weapon. Como é que são os núcleos deles?
Raven: Sim. Os núcleos deles são, Desert Rose, Earth Harp, Rising Sun, Ultima Weapon. Esses quatro núcleos são objetos lendários que pareciam somente existir em lendas.
Masaru: Como assim?
Raven: Desert Rose é a rosa que floresce de mil em mil anos, Earth Harp é a harpa que caso tocada, será ouvida mesmo pelos mortos. Rising Sun, a arma em formato de sol que corta os ventos e Ultima Weapon, a arma de mil formas.
Masaru: ... “Arma”?! Ei, essas armas deles usam as tais “Materias”?!
Raven: É claro. Por quê?
Masaru: ... Quais Weapon tem a Rising Sun e a Ultima Weapon?
Raven: Diamond e Ultimate. Porque, mestre?
Masaru: Se derrotarmos eles primeiro, eu vou poder lutar, certo?
Raven: Suponho que sim, mas... Mestre, nem sabemos sobre eles... Além disso, mesmo que aceitem seu desafio, eles podem te matar!
Masaru: Hum... Ainda assim, uma hora ou outra temos que enfrenta-los. Antes de tudo, quero conseguir armas que possam me deixar lutar.
Raven: Está bem. Vou me concentrar em localizar Diamond e Ultimate.
E assim os dias passaram...
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