Reminiscência

1 Reminiscência


Notas iniciais
Apenas um pequeno textinho imerso na solidão e angústia da Alice que escrevi em 26 de setembro de 2016 e publiquei em um blog. Só hoje decidi postar aqui porque tenho um grande carinho por ele e gostaria de conseguir sentir algum ânimo para voltar a escrever coisas.

Na escuridão do Abismo que me engloba, aprisiona e comprime, permaneço completamente sozinha — se não por outros seres, tão diferentes de mim, que aqui habitam —, completamente estrangeira ao que me cerca.

Tudo o que tenho é o meu nome: Alice. E, a reminiscência de memórias — pequenos vestígios, fragmentos —, que eu sei que existem em mim, mesmo sem poder alcançá-las de fato. Como quando você deseja com urgência recordar-se de uma palavra e no momento em que finalmente a alcança, ela se esvai por entre os seus dedos e você a perde de vista mais uma vez.

E de alguma forma eu também sei que há uma garota, em algum lugar, tão solitária e tão triste quanto eu. Em um certo momento, eu pude até mesmo escutar a sua voz familiar em minha cabeça.

— Eu não quero mais ser a Vontade do Abismo — ela dizia com uma voz chorosa. — Aquele que eu amo virá me salvar.

— Não seja estúpida — respondi. — Ninguém irá nos tirar daqui.

— Mentirosa... Mentirosa... Você quer me enganar, não é? — ela indagou em um tom instável, estridente, contrastante com a calmaria habitual. — Porque ele gosta mais de mim do que de você!

E naquele mesmo instante eu vivenciei um lapso de memória, tão curto que apenas pude memorizá-lo devido ao meu desespero em ter algum vestígio de minhas memórias de volta. Pude vislumbrar: uma torre, um gato preto que me encarava enfurecidamente e um homem que me transmitia conforto e amabilidade. Eu corria para abraçá-lo e então ele olhou para mim com um semblante desapontado e disse:

— Você não é a Alice que eu conheço.

E eu sabia que não era.

Notas finais
Obrigada por lerem. :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!